LayBack Pro Rio

Weslley Dantas é destaque

Confira resultados do primeiro dia do Corona apresenta LayBack Pro, válido pelo QS 1000 na Prainha, Rio de Janeiro (RJ).
LayBack Pro Prainha 2023, Rio de Janeiro

O Corona apresenta LayBack Pro Prainha começou com boas ondas de 3 a 5 pés nesta quarta-feira (7), no Rio de Janeiro. No primeiro dia, foram realizadas as 16 baterias da rodada inicial masculina e o paulista Weslley Dantas foi o destaque com as marcas a serem batidas no campeonato, nota 9,00 e 16,17 pontos. Quem chegou mais perto desses recordes foi o cearense Cauã Costa, com nota 8,00 e 15,27 pontos. As atividades de Jiu-Jitsu, Yoga e Skate, também foram iniciadas no primeiro dia e nesta quinta-feira (8) as meninas entram na água, com transmissão ao vivo com exclusividade pelo site e TikTok do Waves.

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Os recordes da segunda edição do LayBack Pro na capital do Rio de Janeiro, foram registrados logo na primeira bateria, que amanheceu com altas ondas na Prainha. O paulista Weslley Dantas, um dos brasileiros classificados para disputar o Challenger Series (CS) esse ano, começou forte com nota 7,17 na primeira onda. Depois, pegou outra para mandar um manobrão e voar em um aéreo full-rotation, que arrancou nota 9,00 dos juízes. Weslley atingiu o somatório de 16,17 pontos na vitória sobre Patrick Plachi e João Ferreira.

“No ano passado, eu perdi de cara aqui, foi frustrante, mas quebrei o tabu agora”, diz Weslley Dantas. “Eu consegui soltar meu surfe nessa bateria e estou gostando do mar e da vibe do campeonato. Eu vim para cá mostrar meu surfe, dar show para galera e ganhar o campeonato, se Deus quiser. É sempre especial competir aqui na Prainha e estou muito feliz de fazer um 9 aí para galera. Espero que o mar continue assim nos próximos dias, porque vai ter show de surfe, com certeza”.

E o show de surfe continuou nas direitas e esquerdas da Prainha. Na segunda bateria, outro paulista, Eric Bahia, surfou bem duas ondas que valeram 7,27 e 7,23. Depois, Gustavo Henrique conseguiu um 7,73. Mas, quem chegou mais perto dos recordes de Weslley Dantas no LayBack Pro Prainha apresentado por Corona, foi o cearense Cauã Costa, que há muitos anos mora no Recreio dos Bandeirantes, bem perto da Prainha.

O bicampeão sul-americano Pro Junior da WSL mostrou a potência do seu frontside numa direita da série, fazendo duas manobras fortes que abriram grandes leques de água. Cauã largou na frente com nota 8,00 e repetiu a dose em outra onda, para somar 7,27 na vitória por 15,27 pontos, sobre o também cearense Cauet Frazão e o venezuelano Rene Enrique Ojeda Rivero, que foi eliminado da competição.

“Graças a Deus, veio uma direita no meu peito quando a bateria estava começando e estou amarradão de ter passado junto com um cara que é como meu irmão, o Cauet (Frazão)”, fala Cauã Costa. “Nunca aconteceu isso na minha vida, de competir aqui na Prainha com altas ondas, mas dessa vez Deus me abençoou e a bateria foi irada. Ontem (terça-feira) o mar estava flat aqui e hoje já amanheceu assim, com altas ondas, então estou amarradão e instigado para as próximas baterias”.

Vagas no g-7 – O LayBack Pro Prainha apresentado por Corona é a sexta etapa da temporada 2023/2024 da WSL South America, que vai classificar 7 homens e 3 mulheres para o CS do ano que vem, o circuito de acesso para a elite do CT, da WSL. Cauã Costa chegou a tirar a sétima posição no ranking de Heitor Mueller, mas o catarinense se defendeu vencendo a última bateria do dia e subiu para o sexto lugar. O argentino Nacho Gundesen perdeu em sua estreia na Prainha e caiu para a sétima colocação.

Cauã Costa permaneceu em oitavo lugar, seguido pelo capixaba Rafael Teixeira e o potiguar Mateus Sena, que venceram as suas primeiras baterias no LayBack Pro e passaram a dividir a nona posição no ranking. O nono colocado era o saquaremense Valentin Neves, que não passou sua bateria e já caiu para o 11º lugar. Muitos surfistas têm chances de entrar no G-7 e um deles é o carioca local da Prainha, Vitor Ferreira, que estreou com vitória na quarta-feira.

“Está um dia maravilhoso hoje (quarta-feira). Ontem o mar estava flat, a galera ficou na maior expectativa se ia ter ondas e a previsão se confirmou, tem altas ondas para todo mundo mostrar o surfe”, expõe Vitor Ferreira. “A Prainha é o lugar onde eu aprendi a surfar, frequento essa praia desde que era neném, então tenho uma relação incrível aqui. É um privilégio para mim competir aqui. Eu estaria aqui de qualquer jeito, então está sendo uma oportunidade irada de mostrar meu surfe num campeonato, com toda a energia desse lugar”.

Recordista de nota – Outra atração do surfe carioca foi o Anderson da Silva, o Pikachu, revelado no projeto do Arpoador Surf Club e Favela Surf Club. Pikachu é da comunidade do Cantagalo e no ano passado foi o recordista de nota do LayBack Pro Prainha. Ninguém conseguiu superar o 9,50 que Anderson Pikachu recebeu na bateria que derrotou até o hoje número 2 do mundo, João Chianca, que avançou em segundo nessa e depois foi o campeão na Prainha.

“Essa bateria eu já sabia que ia ser bem difícil, com dois surfistas muito mais experientes”, fala Anderson da Silva, que ganhou a disputa pelo segundo lugar do carioca Pedro Henrique, nesse confronto vencido pelo capixaba do CS, Rafael Teixeira. “Eu sou um novato perto deles, mas graças a Deus, consegui achar duas ondas boas para me classificar em segundo lugar. No ano passado eu vivi uma boa experiência aqui, consegui fazer a maior nota do evento no meu primeiro QS. Depois perdi de cara em Saquarema e estou aqui de novo, no meu terceiro QS e vou fazer de tudo para chegar na final dessa vez”.

Estreia das meninas – Todos os 58 participantes do LayBack Pro já competiram nas 16 baterias da rodada inicial masculina. Os dois melhores em cada, avançaram para os oito confrontos da segunda fase. Nesta quinta-feira, o dia começa pelas quatro baterias da primeira fase feminina, com a argentina Vera Jarisz enfrentando a brasileira Yasmin Dias e a peruana Camila Sanday na primeira.

Nas outras três baterias, só atletas do Brasil. A carioca Julia Duarte está na segunda com Sol Carrion, Laiz Costa e Paloma Pardo. Na terceira, entram Kayane Reis, Mariana Areno e uma campeã brasileira, Larissa dos Santos. E na quarta tem Karol Ribeiro, Luara Mandelli e Pamella Mel. As duas melhores em cada, avançam para enfrentar as oito cabeças de chave que vão estrear na segunda fase do LayBack Pro.

A campeã sul-americana Sophia Medina está na primeira bateria com a argentina Catalina Mercere. Na segunda, as cabeças de chave são Laura Raupp e Kiany Hyakutake, depois tem Isabelle Nalu e Yanca Costa na terceira e na quarta está a líder do ranking sul-americano de 2023/2024 da WSL South America, Tainá Hinckel, com Naire Marquez. Mas, essas oito surfistas não competem na quinta-feira, pois após a primeira fase feminina, será disputada a segunda rodada masculina com os 32 classificados no primeiro dia.

Atrações extras – Além do show garantido dos surfistas na água, o LayBack Pro também promove várias atrações extras para o público. Na quarta-feira, funcionou o “Local Market” com 12 estandes de marcas locais de pranchas, skates, roupas e artesanato. Também no estacionamento da Prainha, está instalada a mini-ramp de skate, enquanto as atividades de Jiu-Jitsu e Yoga acontecem dentro do Parque Municipal Ecológico da Prainha.

Na quarta-feira, teve Yoga do Coração com Alan Lucati e clínicas de Jiu-Jitsu com Pedro Sem e Guilherme Iunes. Nesta quinta-feira, terá uma ativação de Boxe às 8h com Mahalo F. Lifestyle, de Jiu-Jitsu com Rodrigo Kotai às 10h e às 14h com Thierry Reis. Na sexta-feira (9), a programação começa às 8h com aula funcional EPJJ com Junior Montenegro, às 10h tem Jiu-Jitsu com Sergio Bolão e as 14h com Marco Braga. No sábado (10), o dia começa com Superioga e Esporterapia às 8h com Daniel Farias, Jiu-Jitsu com Everaldo Penco e Junior Montenegro às 10h e às 14h com Mestre Honório. E no domingo (11), tem Yoga com Caroline Laure às 8h e Jiu-Jitsu com Sandro Marins às 14h.

O LayBack Pro Prainha apresentado por Corona é uma realização de Odisseia e Agência Esporte & Arte (AEA), licenciada pela WSL Latin America para promover esta etapa do Qualifying Series, com patrocínio da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, TVBSHORTS e apoio de New Era, Evoke, Riozen Toyota, Inklo e Orla Rio. O evento viabilizado pela Secretaria de Esporte e Lazer do Governo do Estado do Rio de Janeiro, também conta com o suporte da ASAP (Associação dos Surfistas e Amigos da Prainha) e FESERJ (Federação de Surf do Estado do Rio de Janeiro); parceria de mídia do Waves, com a FIRMA produzindo a transmissão ao vivo pelo site e pelo TikTok do Waves.

Galeria dos campeões do LayBack Pro

2021 em Florianópolis: Eduardo Motta (SP) e Laura Raupp (SC)
2022 em Florianópolis: Michael Rodrigues (CE) e Daniella Rosas (PER)
2022 no Rio de Janeiro: João Chianca (RJ) e Summer Macedo (RJ)
2023 em Florianópolis: Luan Wood (SC) e Silvana Lima (CE)

Baterias do LayBack Pro Prainha
Resultados da quarta-feira (7) no Rio de Janeiro:

Primeira fase – 3 = 33 lugar (66 pts) e 4 = 49 lugar (60 pts):
1. 1-Weslley Dantas (BRA), 2-Patrick Plachi (BRA), 3-João Ferreira (BRA)
2. 1-Eric Bahia (BRA), 2-Janninfer de Sousa (BRA), 3-Filipe Ferreira (BRA)
3. 1-Vitor Ferreira (BRA), 2-Yan Sondahl (BRA), 3-Wallace Vasco (BRA)
4. 1-Leandro Bastos (BRA), 2-Kaue Germano (BRA), 3-Mathias Ramos (BRA), 4-Pedro Amorim (BRA)
5. 1-Krystian Kymerson (BRA), 2-Luã da Silveira (BRA), 3-Pedro Martins (BRA), 4-Lukas Camargo (BRA)
6. 1-Mateus Sena (BRA), 2-Marcelo Trekinho (BRA), 3-Luan Ferreyra (BRA), 4-Marcell Neves (BRA)
7. 1-Wesley Leite (BRA), 2-Daniel Adisaka (BRA), 3-Pablo Paulino (BRA), 4-Guilherme Ferreira (BRA)
8. 1-Rafael Teixeira (BRA), 2-Anderson da Silva (BRA), 3-Pedro Henrique (BRA)
9. 1-Kailani Rennó (BRA), 2-Lucas Ribas (BRA), 3-Nacho Gundesen (ARG)
10. 1-Pedro Neves (BRA), 2-Luan Hanada (BRA), 3-Gustavo Fernandes (BRA), 4-Pedro Rian Lima (BRA)
11. 1-Gustavo Henrique (BRA), 2-Caio Costa (BRA), 3-Igor Shibata (BRA)
12. 1-Samuel Igo (BRA), 2-Caio Vaz (BRA), 3-Felipe Oliveira (BRA), 4-Luis Henrique Araujo (BRA)
13. 1-Derek Souza (BRA), 2-Rickson Falcão (BRA), 3-Samuel Joquinha (BRA), 4-Valentin Neves (BRA)
14. 1-Cauã Costa (BRA), 2-Cauet Frazão (BRA), 3-Rene Enrique Ojeda Rivero (VEN)
15. 1-Daniel Templar (BRA), 2-Cauã Gonçalves (BRA), 3-Sunny Pires (BRA), 4-Yan Feder (BRA)
16. 1-Heitor Mueller (BRA), 2-Arthur Maximo (BRA), 3-Diego Brigido (BRA)

Baterias desta quinta-feira:

Primeira fase feminina – 3 = 17 lugar (200 pts) e 4 = 21 lugar (174 pts):
1. Vera Jarisz (ARG), Yasmin Dias (BRA), Camila Sanday (PER)
2. Julia Duarte (BRA), Sol Carrion (BRA), Laiz Costa (BRA), Paloma Pardo (BRA)
3. Kayane Reis (BRA), Mariana Areno (BRA), Larissa dos Santos (BRA)
4. Karol Ribeiro (BRA), Luara Mandelli (BRA), Pamella Mel (BRA)

Segunda fase masculina – 3 = 17 lugar (200 pts) e 4 = 25 lugar (150 pts):
1. Weslley Dantas (BRA), Eric Bahia (BRA), Yan Sondahl (BRA), Kaue Germano (BRA)
2. Patrick Plachi (BRA), Janninfer de Sousa (BRA), Vitor Ferreira (BRA), Leandro Bastos (BRA)
3. Krystian Kymerson (BRA), Mateus Sena (BRA), Daniel Adisaka (BRA), Anderson da Silva (BRA)
4. Luã da Silveira (BRA), Marcelo Trekinho (BRA), Wesley Leite (BRA), Rafael Teixeira (BRA)
5. Kailani Rennó (BRA), Pedro Neves (BRA), Caio Costa (BRA), Caio Vaz (BRA)
6. Lucas Ribas (BRA), Luan Hanada (BRA), Gustavo Henrique (BRA), Samuel Igo (BRA)
7. Derek Souza (BRA), Cauã Costa (BRA), Cauã Gonçalves (BRA), Arthur Maximo (BRA)
8. Rickson Falcão (BRA), Cauet Frazão (BRA), Daniel Templar (BRA), Heitor Mueller (BRA)

Segunda fase feminina – entrada das 8 cabeças de chave:
3 = 9 lugar (350 pts) e 4 = 13 lugar (295 pts)
1. Sophia Medina (BRA) e Catalina Mercere (ARG)
2. Laura Raupp (BRA) e Kiany Hyakutake (BRA)
3. Isabelle Nalu (BRA) e Yanca Costa (BRA)
4. Tainá Hinckel (BRA) e Naire Marquez (BRA)

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.