WSL e o desafio competitivo

Marco Ferragina analisa as mudanças no formato do Championship Tour pelos pontos de vista comercial e técnico.

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Em 2019, título mundial foi decidido na bateria final entre Italo Ferreira e Gabriel Medina.

Para quem não sabe, todas as etapas do Tour previstas para 2020 foram canceladas e para 2021 anunciaram uma nova ordem de etapas e um sistema de final diferente, no qual os 5 primeiros colocados do ranking até a décima etapa se enfrentam na etapa final, que a WSL está chamando de “The Finals”, em que o 5º colocado enfrenta o 4º colocado no sistema mata-mata, sendo que na sequencia o vencedor desta bateria enfrenta o 3º colocado, e assim por diante, até chegar ao 1º colocado – tudo isso no mesmo dia.

Gostaria de dividir a minha análise em dois aspectos, pela ótica comercial e pela ótica técnica, assim consigo passar um ponto de vista mais completo.

Pelo viés técnico, vejo com muito bons olhos essa mudança no formato pois aumenta a competitividade e evita definir o campeão do ranking antes da realização da última etapa, como já aconteceram algumas vezes nos anos recentes, deixando as etapas finais sem atratividade alguma.

Levar obrigatoriamente a decisão do título para a última etapa é um prato cheio para o aumento da competitividade entre os surfistas, ainda mais com cinco reais candidatos ao título.

A alteração na ordem das etapas também contribui para o aumento de competitividade, uma vez que agora o tour passa a começar no Havaí uma das etapas mais emocionantes do Tour. 2021 já vai começar pegando fogo!

Novo calendário do Championship Tour, com o “The WSL Finals Day”.

Minha única consternação em relação à mudança proposta é em relação ao tipo de onda a ser escolhida para esta última etapa (a WSL ainda não revelou o local), pois dependendo do tipo de onda esse formato de final pode privilegiar um surfista em específico, e não o mais regular da temporada.

Por exemplo, o Ítalo Ferreira pode terminar em 1º na temporada 2021 vencendo 8 de 10 etapas, sendo que as duas únicas que perdeu são ondas para a direita, que favorecem um surfe fluído e com manobras de linha – se marcarem a última etapa em uma onda desse tipo não me parece justo com o líder do ranking.

Ficaria muito mais interessante se deixassem o 1º colocado escolher o “pico” (local) aonde quer ser desafiado (ex: Gabriel Medina termina a temporada em 1º e escolhe a praia de Maresias para a final, assim como o John John Florence poderia escolher Haleiwa, Kolohe Andino poderia escolher Trestles, e por aí vai) – isso deixaria o formato ainda mais empolgante e mais meritocrático.

No skate, “Super Crown” reúne os oito melhores da temporada.

A adoção de uma etapa final, reunindo apenas os melhores do ranking, não é uma novidade no mundo esportivo.

No skate, por exemplo, a Street League desde o início do torneio chama a última etapa de “Super Crown”, reunindo os oito melhores colocados da temporada para a disputa do título da temporada e com transmissão ao vivo em TV aberta pela FOX, para todo o território norte-americano.

Esse novo modelo de final adotado pela WSL, além de aumentar a competitividade entre os surfistas, também pode contribuir para o sucesso comercial da Liga, pois o nível de audiência e o engajamento do público tende a ser maior com o sistema de mata-mata, aumentando assim a atratividade comercial do esporte, abrindo espaço para novas oportunidades comerciais e de geração de conteúdo (podendo até chegar ao ponto de adequar finalmente o esporte para ser transmitido na televisão – isso geraria um considerável incremento de receita).

Em termos de negócio, audiência, patrocínio e possibilidades de geração de conteúdo, considero a mudança de formato um “golaço” da WSL. Resta saber se a Liga vai conseguir desenvolver as novas oportunidades de negócio que essa alteração pode proporcionar…

E vocês? O que acham desse novo formato?

Marco Ferragina é Gerente de Novos Negócios da Norte Marketing Esportivo.