Tahiti Pro

Miguel é campeão

Miguel Pupo fica com o troféu de campeão do Tahiti Pro, depois de marcar notas no critério excelente e superar o local convidado Kauli Vaast na final.
Tahiti Pro 2022, Teahupoo

E deu Brasil na categoria masculina do Tahiti Pro. Miguel Pupo fez uma final de alto nível em Teahupoo, com direito a notas dentro do critério excelente, bateu Kauli Vaast e faturou o troféu de campeão. Com a vitória, sua primeira na carreira em etapas do CT, Miguel terminou a temporada em sexto lugar no ranking.

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As finais da décima etapa do CT 2022 foram realizadas em ondas de até 2 metros em séries demoradas no pico de Teahupoo. Miguel e Kauli foram para o pico e após dez minutos sem ação a disputa foi reiniciada. Dois minutos depois Miguel achou seu primeiro canudo na final. A nota foi 7.00 pontos.

Kauli tentou dar o troco e marcou 4.83 pontos, mas o brasileiro aumentou a diferença com 5.83. Aos 16 minutos Miguel passeou novamente pelo salão de Teahupoo e conquistou mais 7.33.

Três minutos depois o local de Teahupoo usou a prioridade e fez um bom canudo, mas a esquerda seguinte da mesma série foi melhor e maior, e Miguel aproveitou. O brazuca andou fundo, saiu e marcou 9.00 pontos. Kauli fez 7.33.

A bateria seguiu com o brasileiro melhor. O surfista que defende a França tentava encostar no placar, mas Miguel aumentava a diferença. Quando restavam nove minutos, o brazuca marcou outra nota no critério excelente, 8.17 pontos, e Kauli ficou na necessidade de quase uma nota máxima (9.54). O tempo passou e Miguel confirmou a vitória. O placar foi 17.17 a 15.00 pontos.

“Demorei 10 anos, mas finalmente consegui uma vitória e vou para casa com um troféu de campeão. Obrigado a todos da minha família, da minha equipe e principalmente à Deus”, diz Miguel, logo após o título. “Foi muito trabalho duro para chegar até aqui. Eu sempre acreditei no meu talento, mas recentemente decidi me dedicar mais, trabalhar mais, treinar mais. Só minha esposa sabe o quanto me dediquei esse ano. Ficava com o corpo todo dolorido, indo pra academia duas vezes por dia e ainda fazendo várias sessões de surfe. Agora, finalmente veio o resultado, a recompensa de tanto esforço e estou muito feliz por estar levando este troféu para casa”.


Caminho da vitória – Miguel competiu três vezes nesta sexta-feira (19). Na primeira apresentação, nas quartas de final, ele eliminou Kanoa Igarashi na última bateria da fase.

A disputa teve poucas ondas, mas o brasileiro se destacou ao marcar 7.50 pontos em sua primeira tentativa, aos dez minutos de confronto. Kanoa, que tinha uma nota 2.67, passou a esperar por uma série no pico, porém enquanto ele ficava sentado, Miguel trocava de nota e melhorava seu somatório.

Miguel complicou o caminho de Kanoa quando restavam 12 minutos. Ele marcou 4.33 pontos e deixou o japonês na necessidade de 9.16. Mas o brasileiro dificultou ainda mais o trajeto do adversário no Tahiti Pro. Miguel pegou outro tubo e conquistou 5.00. Na sequência surfou outro canudo e marcou 5.10. Kanoa passou a precisar de 9.93 para vencer.

O japonês entrou em ação quando restavam quatro minutos para o fim. Ele fez um tubo apertado e diminuiu a diferença com 4.77 pontos,. Três minutos depois o japonês foi em busca dos 8.30 que precisava para vencer. Kanoa fez outro tubo, mas os 6.27 não mudaram a história da bateria. O atleta do Japão vai para o WSL Finals em quinto lugar no ranking.

Caio x Nathan – Com a vitória Miguel chegou na semifinal, para enfrentar Caio Ibelli na segunda bateria do round. Caio chegou na fase após vencer o convidado Nathan Hedge nas quartas.

Nathan marcou 8.83 pontos ao três minutos de disputa, porém não conseguiu outra boa pontuação e perdeu precisando de 2.17. Caio surfou seu primeiro canudo na bateria também aos três minutos de disputa (4.83), e passou para a primeira posição seis minutos depois (6.17).

O australiano teve 26 minutos para marcar 2.17 pontos, porém poucas ondas surgiram em Teahupoo. Quando faltavam dois minutos Caio deixou uma onda para Nathan, mas o aussie não saiu do tubo e foi eliminado.

Semifinal brasileira – Miguel passeou pelo salão de Teahupoo na semifinal brasileira, enquanto Caio até completou um canudo, mas não conseguiu sair de outros. Miguel venceu com as quatro maiores notas da bateria. A vitória foi pelo placar de 13.50 (6.83 e 6.67) a 7.57 (6.17 e 1.40). Caio finalizou a temporada na oitava posição na lista dos melhores do CT.

Kauli no Tahiti Pro – O outro finalista, Kauli Vaast, entrou na etapa depois de vencer a triagem, feito que ele também realizou em 2019, na edição anterior a estar de 2022.

Kauli participou da primeira bateria do dia, a que abriu as quartas de final masculinas. A disputa teve muitos momentos de calmaria e o francês se adaptou melhor às condições. O surfista optou por esperar as séries e venceu com as quatro maiores notas do confronto. O sul-africano Matthew McGillivray, autor da única nota dez do Tahiti Pro, ficou mais ativo, porém não fez boa escolha de ondas, perdeu precisando de 9.43 pontos e se despediu da etapa em quinto lugar. O surfista da África do Sul ficou em 13º lugar na temporada.

Kelly atropelado em Teahupoo – Kauli encarou Kelly Slater na semifinal.  O norte-americano chegou no Taiti como o maior vencedor da etapa do CT realizada em Teahupoo, mais saiu da edição 2022 do evento com uma derrota marcante.

Kauli se conectou com o pico, marcou duas notas na casa dos oito pontos (8.83 e 8.50), fez também um canudo de base trocada (6.77), descartou outro tubo (7.43) e despachou o maior nome do esporte pelo placar de 17.33 a 1.17.

O francês desde o início da disputa mostrou que estava em sintonia com o pico. Enquanto Kelly esperava séries espetaculares, o local encontrava diamantes escondidos e dava show no pico. Kelly, que tentava a sexta vitória em Teahupoo, passou a esperar séries mágicas, mas elas não apareceram e ele se despediu da etapa em terceiro lugar, e do circuito 2022 na 15ª posição.


Kelly barra Yago – Antes de perder na semi, Kelly eliminou Yago Dora de virada no final na segunda bateria das quartas. O norte-americano começou melhor e logo marcou 5.33 e 6.67 pontos. Yago não estava bem na bateria. O brasileiro botava pra dentro, mas não encontrava a saída.

Quando restavam nove minutos para o fim, Yago ameaçou ir numa esquerda, mas Kelly fez o uso da prioridade. Ele não saiu do tubo e viu o brasileiro entrar num canudo largo e sair limpo. Naquele momento Yago necessitava de 12.00 pontos para vencer. O brazuca anotou 6.27 e passou a precisar de 5.74.

Yago foi rápido na volto pro pico e no minuto seguinte pegou outro tubo. Com a nota 7.83 pontos ele assumiu a liderança e deixou Kelly precisando de 7.44 para vencer. Quando restavam dois minutos Kelly usou a prioridade, fez um tubo e virou com 8.10 pontos.

Com a derrota Yago se despediu do Tahiti Pro em quinto lugar. Ele, que só participou de cinco das dez etapas do CT 2022, terminou a temporada na 19ª posição no ranking.

WSL Finals – Filipe Toledo (1º), Jack Robinson (º), Ethan Ewing (3º), Italo Ferreira (4º) e Kanoa Igarashi (5º) lutarão pelo título mundial no WSL Finals, que acontece entre os dias 8 e 16 de setembro em Trestles, Califórnia (EUA).

Tahiti Pro 2022
Final masculina

Campeão Miguel Pupo (BRA) 17.17

Vice-campeão Kauli Vaast (FRA) 15.00

Semifinais

1 Kauli Vaast (FRA) 17.33 x 1.17 Kelly Slater (EUA)

2 Miguel Pupo (BRA) 13.50 x 7.57 Caio Ibelli (BRA)
Quartas de final

1 Kauli Vaast (FRA) 12.26 x 5.23 Matthew McGillivray (AFR)

2 Kelly Slater (EUA) 14.77 x 14.10 Yago Dora (BRA)

3 Caio Ibelli (BRA) 11.00 x 10.76 Nathan Hedge (AUS)

4 Miguel Pupo (BRA) 13.07 x 11.04 Kanoa Igarashi (JAP)

Final feminina

Campeã Courtney Conlogue (EUA) 11.67

Vice-campeã Brisa Hennessy (CRI) 5.20

Semifinais

1 Courtney Conlogue (EUA) 7.66 x 7.30 Tatiana Weston-Webb (BRA)

2 Brisa Hennessy (CRI) 7.90 x 2.97 Vahine Fierro (FRA)

Quartas de final

1 Tatiana Weston-Webb (BRA) 12.66 x 4.23 Caroline Marks (EUA)

2 Courtney Conlogue (EUA) 15.33 x 4.16 Stephanie Gilmore (AUS)

3 Vahine Fierro (FRA) 10.00 x 3.26 Carissa Moore (HAV)

4 Brisa Hennessy (CRI) 10.10 x 8.14 Lakey Peterson (EUA)

Ranking masculino após o Tahiti Pro
1 Filipe Toledo (BRA) 54.690
2 Jack Robinson (AUS) 51.345
3 Ethan Ewing (AUS) 44.290
4 Italo Ferreira (BRA) 40.460
5 Kanoa Igarashi (JAP) 40.270
Classificados para o WSL Finals
6 Miguel Pupo (BRA) 40.185
7 Griffin Colapinto (EUA) 40.120
8 Caio Ibelli (BRA) 34.195
9 Connor O’Leary (AUS) 38.505
10 Callum Robson (AUS) 33.290
10 Samuel Pupo (BRA) 33.290
12 John John Florence (HAV) 32.015
13 Matthew McGillivray (AFR) 30.450
14 Jordy Smith (AFR) 30.175
15 Kelly Slater (EUA) 29.375
19 Yago Dora (BRA) 22.625
21 Jadson André (BRA) 21.355
24 Gabriel Medina (BRA) 17.220
Ranking feminino após o Tahiti Pro

1 Carissa Moore (HAV) 57.670
2 Johanne Defay (FRA) 50.220
3 Tatiana Weston-Webb (BRA) 48.695
4 Brisa Hennessy (CRI) 48.085
5 Stephanie Gilmore (AUS) 46.370
Classificadas para o WSL Finals

6 Lakey Peterson (EUA) 43.750
7 Courtney Conlogue (EUA) 42.100
8 Tyler Wright (AUS) 39.070
9 Gabriel Bryan (HAV) 37.765
10 Isabella Nicheols (AUS) 37.285
11 Caroline Marks (EUA) 27.110
12 Sally Fitzgibbons (AUS) 26.810

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Maconheiro. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.