CEO da WSL

Erik Logan vem para o debate

Erik Logan concede entrevista exclusiva ao Waves e fala sobre as polêmicas da WSL sem cerimônias, além das estratégias de negócio em sua gestão, como CEO da liga.
CEO da WSL, Erik Logan tinha medo do mar e só começa a surfar aos 40 anos

Uma série de mudanças constantes vêm acontecendo no lado competição do nosso esporte, desde que Erik Logan assumiu o cargo de CEO da WSL em 2020. Ex-presidente da Oprah Winfrey Network (OWN), o executivo encarou o desafio de tornar o Championship Tour (CT) da WSL um produto mais rentável em vendas de direitos e transmissão, porém algumas de suas decisões geram grandes polêmicas e discussões na comunidade do surfe.

Algumas dessas mudanças foram consideradas radicais por boa parte do público fiel. A final única em Trestles e o corte de atletas ao meio da temporada são alguns exemplos, além de outras novidades estruturais no calendário de competições, bem como o sistema de classificação para o CT. Muitos acreditam que estas novidades ajudam a expandir o esporte em nível global, enquanto outros questionam se são justas com os atletas. O público mais core, composto em sua maioria por sufistas praticantes e seguidores do Circuito de longa data, também diverge nas opiniões.

Como se não bastasse tantos motivos para discussão, a WSL ainda é alvo constante de críticas públicas no julgamento de baterias. A cada etapa é comum observar entre os espectadores questionamentos sobre os critérios do júri e a transparência deste processo. Muitas vezes essas discussões envolvem inclusive os próprios atletas, seja nos bastidores das competições ou publicamente, nas redes sociais.

Erik Logan nos recebeu cordialmente e com muita simpatia para um bate-papo e uma entrevista exclusiva ao Waves, em que todas essas e muitas outras questões foram abordadas e respondidas com naturalidade e sem cerimônias. O executivo não fugiu das perguntas e trouxe argumentos que podem enriquecer o debate, bem como proporcionar maior compreensão a partir de novos pontos de vista.

Convidamos os leitores para uma análise mais detalhada e um debate sobre os novos rumos do esporte que tanto amamos em nosso fórum. Confira a entrevista a seguir.

Como você avalia as mudanças que fez na gestão da WSL, desde que você assumiu a posição de CEO em 2020?

Eu assumi esta posição no início de 2020. Italo Ferreira tinha acabado de vencer o seu primeiro título mundial em Pipeline, em uma final épica contra o Gabriel Medina. Com isso veio a percepção e a oportunidade de repensarmos o formato do título mundial, uma vez que tivemos uma rara bateria final valendo o título em muitos anos.

Quando me tornei CEO da WSL foi uma época emocionante e a companhia estava começando realmente a ganhar tração. Mas nove dias depois, a pandemia veio com tudo. Precisamos cancelar a etapa de abertura do Circuito Mundial em Snapper Rocks e por fim o Circuito inteiro em 2020.

A partir daí tive que navegar em conjunto com o meu time de gestão, para decidirmos como proceder em tempos de pandemia. Tivemos que fazer várias mudanças sob a perspectiva da organização e também dos formatos.

A pandemia causou uma série de impactos sobre todas as pessoas, em suas carreiras, em decisões a serem tomadas, mudanças de lugares e muitas outras coisas. Isso também trouxe oportunidades à nossa companhia, de estarmos em lugares diferentes e voltarmos a alguns outros.

O que posso dizer a respeito das mudanças de gestão que tivemos está principalmente no nível Sênior, com a Jessi Miley-Dyer como Vice-Presidente de Tours e Chefe de Competição da WSL, Sarah Swanson como CMO (Chief Marketing Officer), Dave Prodan como nosso Chief Strategy Officer e Jason Eckert como CFO (Chief Financial Officer) vindo da NBA. Essas mudanças foram muito positivas, porque nós encontramos uma maneira de especializar a entidade com mais expertises vindas de fora do surfe. A nossa CMO, por exemplo, trabalhou durante anos na NFL. A Jessi já foi campeã mundial Pro Junior de surf.

Eu acho que da perspectiva de gerenciamento, nós tivemos uma série de outras mudanças, o que é muito comum em todos os negócios. Nós tivemos um ótimo começo e eu não poderia estar mais feliz com o nosso time de lideranças. Com os gerentes gerais também, como o Ivan Martinho, que faz um ótimo trabalho no Brasil.

Nós realmente nos focamos no Championship Tour e trouxemos uma série de inovações, como começar a temporada em Pipeline, ter competição feminina em todas as etapas, inclusive em Pipeline, o corte no meio do ano, o novo formato para coroar o campeão mundial em Trestles, a chegada do Challenger Series, dentre outras.

Os surfistas e os executivos da WSL têm uma única intenção em comum: criar a maior plataforma para o surfe no mundo. E olhando para a nossa performance no decorrer deste ano, acho que estamos no caminho certo para atingir este objetivo.

Neste processo de criar a maior plataforma para o surfe do mundo, entendemos que a liga como uma empresa precisa dar lucro. Do outro lado temos o surfe como esporte e os atletas. Como vocês tentam buscar o equilíbrio entre desenvolver um negócio lucrativo sem perder os princípios do esporte e a essência do surfe?

Esta é uma discussão constante que nós temos. Sobre como equilibrar o progresso do esporte e o esporte como um negócio. Uma vez que iniciamos essa organização, penso que a coisa mais importante que fazemos na empresa é coroar o campeão mundial. Esta é a base a partir da qual todas as outras decisões vêm. Algumas coisas que pensamos juntos são sobre como amplificar e criar este momento não somente para os surfistas, mas também para os fãs, patrocinadores e a comunidade global do surfe, com momentos sólidos.

Se você olhar para o nosso Tour agora, o que acontece é que quando você começa em Pipeline, isso se torna um grande momento. O corte no meio da temporada e geralmente a parada antes dela como conhecíamos antes. Bells Beach foi um grande momento. Obviamente os cinco que tentam chegar às finais também é outro grande momento, até o Taiti, além do WSL Finals como último grande momento.

Então, o que acontece quando você cria essas narrativas nesses momentos?Estruturalmente, do ponto de vista competitivo, você começa a agregar milhões de pessoas. Assim, como falamos com o WSL Finals, tivemos cerca de 8,5 milhões de pessoas impactadas. E esse número continua a crescer. Em relação ao ano anterior aumentou 22%. Esse é um registro realmente bom de dados. E o que acontece quando você cria essas narrativas e nossos surfistas entendem do que somos capazes? Junto com a Sherie R. Cohen, nossa Diretora de Faturamento (Chief Revenue Officer), somos capazes de alavancar essas audiências agora para patrocinadores globais, porque no final das contas, os nossos patrocinadores estão procurando algumas coisas diferentes.

Primeiramente, eles estão procurando uma maneira de se integrar ao esporte mais inspirador do mundo, que é o surfe. Depois, eles têm produtos para vender também, então estão procurando um público que possa aproveitar para comprar coisas. Quanto mais público e olhos tivermos, mais receita podemos gerar. Em terceiro lugar, eles estão procurando maneiras de realmente se integrar profundamente com o evento e com o nosso negócio.

A vila patrocinada que nós temos em Saquarema é um exemplo perfeito disso. Uma das maiores que temos em todo o Circuito. A presença que temos quando a gente vem para o Brasil é a maior de todas, e os patrocinadores veem isso. Parte da alquimia do negócio é sobre isso. Como utilizamos a estratégia para conduzir essa equação entre o lado profissional do surfe pela maior plataforma e ao mesmo tempo colocar nossos surfistas nas melhores ondas do planeta. Em seguida descobrir como alavancar isso de uma perspectiva de patrocínio. Tudo funciona em equilíbrio, mas no core, nós sempre colocamos o esporte em primeiro lugar.

Falando sobre esse crescimento de público na audiência de vocês, sabemos que aqui no Brasil, por exemplo, temos pelo menos 1 milhão de surfistas praticantes, de acordo com algumas pesquisas. Talvez até mais do que isso, se considerarmos todo mundo que já teve contato com o esporte na prática. Nós os chamamos de público core, que é muito importante para nós e com quem nós conversamos diariamente.
Nesta busca por novos públicos e novos fãs, como que vocês fazem para encontrar o equilíbrio e não deixarem também de atender ou de se comunicar com este público core de surfistas? Qual a estratégia de vocês para encontrar este equilíbrio sem abandonar os antigos fãs?

Se sairmos um pouco do universo do surfe, vamos olhar para futebol, para o beisebol. Olhe para o futebol americano, beisebol Americano, basquete americano. Olhe para o críquete. Olhe para o rúgbi. Todos os esportes. Eles estão focando em dois vetores muito semelhantes.

O primeiro é impulsionar o público, se dirigir e alcançar as pessoas onde quer que elas estejam. E isso através da distribuição de conteúdo e outras coisas dessa natureza, sempre expondo o esporte. Porque quanto mais todas as ligas, incluindo a nossa, expuserem os seus esportes, mais receita podem gerar.

Mas o segundo, que eu acho que é o que fica realmente interessante, é que todos eles estão impulsionando as inovações para o esporte também. Todo esporte que você olhar tem níveis e áreas de inovação, seja a introdução ou não de um relógio de tiro, se é ou não uma introdução da maneira como eles mudam as regras de horas extras, a maneira como eles mudam as regras dos playoffs.

Todo esporte, até mesmo a Fórmula 1, se você olhar para ela, está sempre mudando não só para modificar o esporte em si, mas para tentar melhorar a dinâmica competitiva ou criar algo mais emocionante para os fãs.

O que geralmente acontece diante disso é que você tem um grupo core de pessoas apaixonadas que amam o esporte, como eu também amo, mas que não gostam de mudanças. E normalmente as pessoas não gostam de mudanças. Isso gera um debate, porém não necessariamente uma discórdia. Discussões do tipo, se devemos ou não ter uma linha de 3 pontos na NBA, se o ponto extra no futebol americano deve ou não ser chutado da linha de três jardas. O nosso esporte não é inoculado a partir disso. Nós certamente sabemos disso e abraçamos isso.

Mas quando voltamos como uma liderança em si, e isso é o que sempre dizemos, a nossa intenção é criar a maior plataforma do mundo para o surfe profissional e colocar os melhores surfistas do planeta em cima dela, para impulsioná-los em suas carreiras no esporte para a frente. Essa estratégia é o que permite que o esporte continue a crescer. Continue marchando em direção à sua sustentabilidade como um negócio.

Essa tensão que fica no meio de tudo isso é algo em que eu presto muita atenção também. É uma pergunta que eu escuto muito também, tanto das pessoas, como em outras entrevistas que já participei. Eu só tento destacar e dar mais contexto porque sei que são muitos fãs. E nem todos eles se sentam em nossos lugares no escritório, nem sempre sentam ao lado dos negócios do esporte. Eles se concentram no que devem se concentrar, que é apenas o que está acontecendo no oceano ou o que está acontecendo com os nossos surfistas. Há muitas outras dinâmicas que nos fazem informar ou ter decisões melhores, e trazer isso ao conhecimento do público.

Em meio a todo esse processo de inovação, como vocês equilibram as mudanças necessárias com a opinião, as necessidade e os desejos dos atletas? Os atletas participam de todas as decisões em consenso sempre? Ou a WSL toma as decisões e apenas comunica os atletas? E sobre a escolha do calendário e das ondas que podem favorecer mais aos regulars ou goofy footers, como funciona esta parte?

Os atletas também são nossos acionistas. Nós conversamos o tempo todo. Eu, pessoalmente, falo muito com eles. Vou a muitos dos eventos, inclusive estive na etapa do Brasil este ano. De fato temos um grande diálogo. A Jessi Miley-Dyer também faz um grande trabalho nesta parte, não apenas falando sobre tópicos e modificações que temos que fazer na temporada, mas também sobre outras mudanças que precisaremos fazer para 2023. Até mesmo conversas sobre o planejamento de longo prazo. Imagine como que é surfar por quatro a cinco anos fora de casa. Por sinal, isso é algo que o surfe como nunca fez antes, tendo uma visão muito a longo prazo em termos de como estamos dirigindo esporte.

Temos um ótimo sistema que a maioria das pessoas conhece, que são os representantes dos surfistas. Temos dois homens e duas mulheres. Do lado dos homens temos o Connor O’Leary e o Jadson André, que eu diria que é o brasileiro favorito de todos (risos). Do lado feminino temos a australiana Tyler Wright e a francesa Joanne Defay. Então os representantes dos surfistas têm uma linha direta. E têm intensificado não só a defesa de opiniões dos atletas, mas também trabalham em uma coordenação mais rigorosa com a Jessi, com o Renato Hickel, com o Travis Logie e todas as outras pessoas com as quais você está muito familiarizado, sobre um monte dessas questões.

Então, quando nós como liga dizemos que precisamos tomar uma decisão no futuro, sempre temos uma conversa com os surfistas e eles nos dão suas opinões. Você sabe, que só no CT, entre competidores e convidados nós temos quase 50 surfistas. Então, nem sempre 100% deles estarão 100% de acordo sobre 100% das coisas. Não é assim que as coisas são.

Mas o que tentamos fazer e o que eu pessoalmente faço, como fiz em Bells Beach, é sentar com eles e explicar as realidades e os desafios dos negócios que temos no mundo hoje, bem como o cenário econômico global e tentar fornecer todo o contexto aos nossos surfistas, para que eles possam ter o mesmo conjunto de dados que nós temos, em termos de desempenho da audiência, retorno econômico e viagens. Todos os fatores necessários para se montar um calendário.

Então passamos muito tempo juntos. Acho que a melhor maneira de enquadrar isso é sempre tendo conversas muito abertas, nas quais compartilhamos com eles as informações. De todos esses surfistas, há alguns que estão muito engajados com todos os temas, que querem falar sobre isso. E alguns são do tipo “apenas deixe-me saber o que eu preciso fazer”. Tentamos equilibrar isso juntos. Mas é assim que funciona com os surfistas.

Já do ponto de vista dos fãs, acho que o feedback é sempre ótimo saber. Não importa a decisão que a gente tome, geralmente ouvimos pontos positivos e negativos. Mas o que sabemos olhando para os números é que a maior parte das pessoas estão consumindo o esporte. E no meio de tudo isso é o que está impulsionando o negócio na verdade.

Algumas pessoas amam algumas coisas, outras odeiam outras coisas. Nós tentamos ouvir a todos, porque você nunca sabe. Quando você ouve as pessoas descobre que algumas têm críticas e outras têm pontos bons. E às vezes elas apontam, como já aconteceu comigo algumas vezes, que há coisas que eu não tinha pensado antes. E esses são bons pontos. Levo em consideração para as próximas decisões. Então eu realmente acho que toda a equipe e a empresa têm uma forma muito aberta e transparente de ouvir feedbacks e de se comunicar.

Falando sobre o formato escolhido para o WSL Finals. Obviamente sabemos que o surfe é um esporte que depende da condição das ondas e da natureza para acontecer. Nem sempre temos a melhor condição no dia esperado ou agendado. Um exemplo disso é o que vimos nas finais em Trestles neste ano.
Tomemos como exemplo o que aconteceu com a Carissa Moore. O atleta compete o ano inteiro em condições diversas e consegue ser o melhor de todos com consistência, dentro da variação de condições no decorrer da temporada, para então perder o título mundial em apenas um dia, em condições de ondas como as que vimos, devido a este novo formato.
Como que a WSL vê uma situação como esta? Na tua opinião, o que é mais emocionante de assistir, uma final em Trestles ou em Pipeline? E Por quê?

Bem, há muito o que desmembrar dentro dessas perguntas. Então vamos começar com o formato. Estamos nele há dois anos. Nesse tempo tivemos quatro atletas que conquistaram o seed nº1, sendo dois homens e duas mulheres. Três ganharam o título mundial. A Carissa perdeu para a Steph neste ano, mas também ganhou da Tatiana no ano anterior.

De acordo com o feedback que recebemos da grande maioria dos surfistas, da grande maioria dos fãs, da grande maioria de tudo o que vimos como evidência e a propósito os números que indicam isso, a ideia de criar um dia de finais para os campeões mundiais ganharem o título na água é uma coisa muito especial e significativa.

Veja a declaração da Stephanie Gilmore sobre o que significou para ela vencer o seu 8º título mundial, porém pela primeira vez dentro do oceano. Nós ouvimos muitas opiniões sobre isso. Ouvimos opiniões de campeões como Kelly Slater, Mick Fanning e outros, sobre a oportunidade de vencer um título no dia e dentro do oceano. E isso é esporte. E vamos ser honestos, podemos passar por uma lista de exemplos de pessoas que se saem bem o ano todo e ainda assim têm que ganhar no dia decisivo.

Acontece com pilotos de F1, acontece com times de futebol, acontece nas Olimpíadas, acontece o tempo todo. Quando as pessoas falam sobre ganhar um título mundial em um único dia, se olharmos para isso… Veja o Italo Ferreira. Como sabemos, ele treinou toda sua vida para conseguir ganhar uma medalha de ouro nas Olimpíadas. E eu certamente diria que as ondas que tivemos em Chiba eram muito inferiores ao que vimos este ano em Trestles, por exemplo. E se ele não tivesse ganhado sua medalha de ouro, teria que esperar quatro anos para tentar de novo.

Então eu não concordo necessariamente com essa percepção. Acho que é uma grande coisa para o esporte e que os surfistas e todo mundo vêem isso. Em termos de qualidade de onda, a minha resposta para isso é bastante simples. Todo mundo tem que competir nas mesmas condições e você sabe que não podemos escolher também um dia grande e perfeito em Pipeline. Veja em quantos anos, por exemplo, nós tivemos que colocar a competição na água em Pipeline sem a melhor das condições esperadas pra esse pico. O nosso esporte está sujeito a estas condições o tempo todo.

Olhe para G-Land, por exemplo. Este ano nós não tivemos nenhum dia de ondas boas por lá durante a janela. Mas se você diminuir o zoom e olhar para os 10 eventos, mais as finais, e olhar para cada ano, os dados diriam que você tem eventos que deram certo e eventos que não deram tão certo em termos de ondas. Isso é exatamente o que acontece quando você compete no oceano.

Trestles ainda oferece a uma pista mais justa e versátil para não condicionar a vitória apenas aos tubos ou a um determinado modo de surfar, a não distorcer de uma certa maneira. E vimos dois tipos diferentes de surfe nos últimos dois anos em Lowers. Vimos uma onda de alta performance e mais previsível este ano. No anterior foi onda maior, porém quase que passando do ponto, se você bem se lembrar. Então acho que essa é a dinâmica que pensamos quando olhamos para essas duas coisas.

Mas voltando ao teu ponto sobre Pipeline, você sabe que nós melhoramos a janela. Sabemos que historicamente as melhores ondas em Pipeline sempre aconteceram mais pro final de janeiro, e fazíamos a nossa etapa em dezembro. Então você sabe que não é surpresa que quando fizemos a etapa em Pipe no início deste ano, tivemos ondas melhores, por estarmos em uma janela melhor.

Falando agora sobre o julgamento, que é um tema polêmico em muitos esportes. Muitas vezes o público e os fãs não concordam com as decisões dos juízes, principalmente em um esporte com critérios de avaliação tão subjetivos, como o surfe.
Gostaria de abordar contigo não a mudança de critérios, mas a discussão é sempre sobre como tornar as decisões dos juízes mais transparentes a cada dia de competição, tanto para o público, quanto para os competidores, que muitas vezes saem insatisfeitos com os resultados.
Vendo de fora, às vezes temos a sensação de que nem sempre a adaptação do critério é esclarecido pelos juízes nos diferentes dias de uma competição, principalmente em decisões polêmicas, ou a cada mudança de tipo de onda.
O que você acha que poderia ser feito para que a transparência fosse trabalhada melhor nessas situações?

Acho que uma das grandes coisas do nosso esporte é a subjetividade. Eu acho que é uma parte muito importante do que fazemos e acontece em muitos esportes, como no skate, na patinação e em muitos outros esportes olímpicos, por exemplo.

Eu não tenho nada além da maior consideração, respeito e confiança na integridade da nossa equipe e de todos os nossos juízes, liderados pela Jessi e pelo Pritamo (Ahrendt). Eles têm um trabalho extraordinariamente difícil. Eles ficam sentados por horas e horas, observando onda após onda após onda. E têm a capacidade de utilizar a tecnologia para realmente comparar ondas do início do dia, para que as escalas se construam.

Há diversas coisas que tentamos fazer sobre o julgamento. Uma delas é sobre o Richie Porta, que já foi nosso Head Judge, aparecer cada vez mais em nossa transmissão ao vivo, explicando não somente sobre os critérios, mas também outras situações do surfe que os fãs possam não saber apenas lendo o livro de regras, como situações específicas de prioridades e outras coisas bem específicas. Ele também pode comparar as ondas entre as baterias e as escalas de notas entre elas.

O que mais me impressiona em nossos juízes é a consideração e o tempo que eles levam para atribuir uma pontuação. Uma das coisas que os fãs sempre perguntam repetidamente após uma onda é sobre qual é o placar. Acho que é importante destacar o fato de que a razão pela qual essas pontuações levam algum tempo é porque as ondas estão realmente sendo avaliadas. Os juízes estão realmente julgando todos os detalhes das ondas e para isso utilizando também o replay. Neste meio tempo, obviamente você vê escrito em nosso placar: “esperando por pontuação”.

Isso é porque há o cuidado, a integridade e o foco em acertar. Não importa se essa pontuação sai cinco segundos ou cinco minutos depois da onda. As reações serão sempre as reações, mas a parte mais importante para nós é a integridade do processo. Como você pode ver na nossa série na Apple TV, Make or Break. Nós permitimos câmeras lá dentro.

Então você sabe que tentamos fazê-lo de uma forma muito autêntica para que todos possam vê-la. Temos também cinco juízes numa bateria, que atribuem 5 notas. A maior e a menor são cortadas e uma média entre as outras 3 é feita. Então eu acho que é uma boa nota final, mas também acho, de uma perspectiva do processo, que estamos continuamente tentando encontrar maneiras de educar os fãs.

Sobre o corte do meio da temporada no CT. Por um lado vocês inovam, criam um drama e trazem mais emoção para os fãs. Por outro lado isso muda o plano de carreira de muito atletas, assim como a introdução do CS entre o QS e o CT. Como você analisa os pontos positivos e os negativos de todos esses novos fatores?

Uma das coisas mais importantes que tentamos fazer com este novo sistema de 3 níveis, que envolvem o Championship Tour, o Challenger Series e os QS regionais, é criar e estimular mais surfe em nível regional, além de tentar organizar e torná-lo mais eficiente para os surfistas se qualificarem. Ao fazer isso, também estamos tentando fazer mais campeonatos e descobrir uma maneira de melhorar a qualidade das ondas.

Como um fã apaixonado pelo surfe, você sabe que temos um time completo pré-corte com 50 surfistas, entre homens e mulheres. Sendo assim, um evento leva cerca de 4 dias e meio para ser concluído, enquanto a maioria dos swells dura cerca de três dias. Pós-corte, quando já temos uma quantidade menor de surfistas, podemos correr e finalizar tudo em torno de 3 dias.

Então, quando você olha para as performances e para as ondas que temos na segunda metade da temporada, especificamente em J-Bay ou no Taiti, fomos capazes de acelerar e nos concentrarmos nas melhores ondas, mantendo os surfistas competindo em ótimas condições. Por exemplo, em J-Bay, se estivéssemos com todos os surfistas do início da temporada, as finais teriam acontecido em outras condições e provavelmente em ondas com vento maral, porque o swell basicamente acabou.

Isso é um grande benefício que poucas pessoas estão cientes. Estamos apenas lidando com padrões que acompanhamos há cinco décadas, então temos uma boa compreensão do que é isso. Se você olhar os dados e as performances verá isso. Essa é a primeira coisa que eu acho que melhora o nível.

A segunda é se você olhar para os surfistas que historicamente competiam nas etapas do QS de 10 mil pontos. Eles tinham que competir no CT e ainda dar um jeito de viajar para competir também nessas etapas de alta pontuação. E então eles estavam cruzando o mundo, ou seja, competindo em duas turnês. Uma logística difícil para competir ao mesmo tempo.

O corte do meio da temporada é uma pausa limpa, que permite aos nossos surfistas começarem a surfar o Challenger Series em maio, em Snapper Rocks. A propósito, a melhor época do ano para Snapper, como sabemos, pois até os australianos chamam de “maio mágico”.

Em paralelo uma outra plataforma voltando à nossa intenção de aumentar a exposição para as pessoas requalificarem, sendo dez homens e cinco mulheres pelo Challenger Series. Acho que é importante também falar que apenas o Challenger nos trouxe um crescimento na audiência digital de 25% em 2021, por exemplo, em comparação com 2020.

E continua crescendo, porque agora os fãs acompanham. Costumávamos ter etapas de 10 mil pontos em cima dos CTs, e o fã não tinha certeza sobre qual assistir, era muito confuso. Mas se você é um fã, agora é muito claro quais são as prioridades. Você sabe onde está o CT, onde está o Challenger, onde está o Tour de Longboard, etc. Nós facilitamos as coisas para o fã. Acho que esses são os principais pontos positivos.

Sobre os pontos negativos, acho que são óbvios. Você tem atletas do CT que não continuam competindo na segunda metade da temporada, como o Leo Fioravanti, que é um exemplo fantástico. Léo não escapou do corte em Margaret River, foi para o Challenger e se re-qualificou em primeiro lugar.

Ele voltará ao CT na primeira etapa em Pipeline e deve ir longe, pois voltará ainda mais poderoso e com mais confiança para o CT. Então acho que há uma série de pontos positivos, mas os negativos são o fato de ser novo, ter mais viagens e ter mais baterias para disputar, porque tem bem mais surfistas competindo. São essas coisas que estamos olhando no esporte, mas acho que os pontos positivos são enormes.

A última coisa que vou te dizer sobre os três níveis, é sobre a força que os eventos regionais ganham. Tivemos há pouco um evento regional do QS em Saquarema e foi emocionante. Nós temos esses eventos regionais em todas as nossas sete regiões. Eles são realmente fundamentais, porque agora os surfistas locais não têm que gastar tanto dinheiro viajando pelo mundo para se qualificarem ao Challenger Series. Eles podem ficar em casa.

Os brasileiros podem competir em sua região, ao invés de terem que viajar em busca de um evento de 5.000 ou 10.000 pontos, do outro lado do mundo, onde eles podem não ter grana suficiente para ir.

Acho que este é nosso primeiro ano completo para ser justo com a empresa. Acho que houve um monte de aprendizados e que à medida que avançarmos vamos continuar a modificar e ajustar o que for necessário.

Minha resposta foi um pouco longa (risos), mas você fez uma pergunta muito boa, então eu tinha que ser atencioso com isso.

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    ATUALIZAÇÃO: 21/08/2026, às 12h36 (horário de Brasília) Victor Bernardo e sua esposa, Johnni, apresentam evolução no quadro de saúde após o grave acidente de carro sofrido na Califórnia, nos Estados Unidos. Os dois já passaram por cirurgias e, segundo Mike Townsend, manager do surfista, estão conscientes, de bom humor e otimistas. Victor sofreu uma fratura na perna e um ferimento grave acima do joelho. O brasileiro passou por uma nova cirurgia na quarta-feira. Inicialmente, os médicos instalaram uma estrutura externa para estabilizar a perna, mas o equipamento já foi retirado. Segundo Townsend, a evolução indica a possibilidade de uma recuperação mais rápida do que se imaginava inicialmente. Johnni também passou por uma cirurgia considerada bem-sucedida. Ela sofreu uma hemorragia interna no abdômen e fraturas na face em consequência do acidente. Os ferimentos foram tratados cirurgicamente. De acordo com Townsend, os dois permanecem positivos diante de tudo o que enfrentaram nos últimos dias. Até o momento, nenhum deles tem previsão de alta hospitalar. Abaixo, você confere a matéria publicada originalmente sobre o acidente: O guarujaense Victor Bernardo e a esposa, Johnni, permanecem hospitalizados depois de sofrerem um grave acidente de carro na Califórnia, nos Estados Unidos, na noite do último domingo (16). O veículo em que o casal estava se envolveu em uma colisão com um caminhão. Vitinho foi levado de helicóptero ao hospital. O surfista sofreu uma fratura na perna e precisará passar por cirurgia. Johnni foi transportada de ambulância e também permanece sob cuidados médicos. De acordo com as informações divulgadas até o momento, o quadro dela inspira mais atenção, mas não há risco de morte. As circunstâncias exatas da colisão e o local onde ela aconteceu não foram divulgados. O cineasta Logan Dulien, amigo do casal, afirmou que o acidente poderia ter sido fatal e que os dois deverão enfrentar um longo período de recuperação. A notícia mobilizou a comunidade internacional do surfe nas redes sociais. Mick Fanning, Coco Ho, Kanoa Igarashi, Raimana Van Bastolaer e Mikey February estão entre os nomes que manifestaram apoio ao casal. Natural do Guarujá (SP), Victor Bernardo, conhecido também como Vitinho, ganhou projeção ainda jovem no surfe brasileiro. Em 2013, aos 16 anos, conquistou o título brasileiro Pro Junior, em uma geração que também revelou nomes como Italo Ferreira e Caio Ibelli. Ao longo da carreira, disputou etapas do circuito de acesso à elite mundial e competições em diferentes países. Nos últimos anos, Victor passou a dedicar maior parte da carreira ao free surf e à produção de conteúdo ligado ao surfe. O brasileiro se estabeleceu na Califórnia e continuou diretamente ligado ao esporte. Victor nasceu em 8 de fevereiro de 1997 e tem a Praia do Tombo, no Guarujá, como sua onda favorita. Neste momento, toda a equipe do Waves deseja muita força a Victor e Johnni e torce por uma recuperação completa e tranquila do casal. Veja mais sobre Vitinho: Album Surf retrata perfeição Novo capítulo da Album Victor Bernardo inspirado no Havaí Victor Bernardo poderoso Victor Bernardo performático Sopa de peixe Victor Bernardo na estileira Papo com Victor Bernardo Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Surfista brasileiro Victor Bernardo e sua esposa Johnni são hospitalizados após colisão nos Estados Unidos. Atleta sofreu fratura na perna e precisa passar por cirurgia.

    Teahupoo mostrou mais uma vez por que é uma das etapas mais aguardadas do Circuito Mundial. Tubos, notas altas, baterias apertadas e eliminações de alguns dos principais nomes da temporada marcaram a sétima parada do Championship Tour 2026, o Outerknown Tahiti Pro. Seth Moniz e Erin Brooks ficaram com os títulos. Para o Brasil, o grande destaque foi Italo Ferreira, que chegou às semifinais e deixou a Polinésia Francesa na liderança do ranking mundial. Primeira vitória de Seth Moniz Seth Moniz viveu em Teahupoo o maior momento de sua carreira no Championship Tour. Em sua sétima temporada na elite, o havaiano conquistou sua primeira vitória no CT ao derrotar Griffin Colapinto na decisão. A campanha foi construída desde o Round 1. No caminho até o título, Seth passou por Eimeo Czermak, Yago Dora, Barron Mamiya e Alan Cleland antes de encontrar Italo Ferreira nas semifinais. Depois de superar o brasileiro, derrotou Griffin na decisão. Na final, Seth venceu por 18,17 a 14,67, garantindo o primeiro troféu de sua carreira no CT. O resultado também provocou uma grande mudança em sua temporada: ele saltou 12 posições e chegou ao 19º lugar no ranking. Italo veste a lycra amarela Italo Ferreira chegou ao último dia de competição como principal esperança brasileira e avançou às semifinais ao derrotar Ethan Ewing nas quartas. O potiguar começou a bateria com um tubo para 5,33 e depois encontrou uma onda que rendeu 7,17. Na reta final, ainda conseguiu um 8,33 para fechar a disputa com 15,50 pontos contra 11,94 do australiano. Na semifinal contra Seth Moniz, Italo chegou a abrir boa vantagem. O brasileiro liderava por 12,50 a 5,50, mas o havaiano cresceu na parte final da bateria, recebeu 7,83 e 7,93 e virou o confronto. Seth avançou com 15,76 contra 13,83, enquanto Italo terminou a etapa na terceira colocação. Mesmo eliminado, o saldo do brasileiro foi importante na corrida pelo título mundial. Com os 6.085 pontos conquistados em Teahupoo, Italo chegou a 39.930 pontos e abriu 5.000 de vantagem sobre Leonardo Fioravanti, vice-líder. O Brasil ainda ocupa quatro das cinco primeiras posições do ranking: além de Italo na liderança, Yago Dora aparece em terceiro, Miguel Pupo em quarto e Gabriel Medina em quinto. Erin Brooks vira final e conquista o título No feminino, Erin Brooks protagonizou uma reação na decisão contra Anat Lelior. A israelense abriu vantagem e chegou à metade da bateria com duas ondas excelentes, 8,33 e 8,00. Brooks reagiu primeiro com um 8,27 e depois encontrou outro tubo para 8,93, assumindo a liderança. A canadense venceu por 17,20 a 16,33. Foi a primeira vitória de Erin como integrante fixa do Championship Tour. A canadense, de 19 anos, havia começado o Finals Day eliminando a atual campeã mundial e defensora do título da etapa, Molly Picklum, e depois passou por Isabella Nichols na semifinal. Com o resultado, Brooks subiu sete posições e chegou ao 11º lugar do ranking. Anat Lelior também deixou Teahupoo com o maior resultado de sua carreira. O vice-campeonato representou a primeira final de um surfista de Israel no Championship Tour. Slater desafia o tempo Aos 54 anos, Kelly Slater foi um dos grandes personagens da etapa. O 11 vezes campeão mundial eliminou Gabriel Medina em um dos confrontos mais aguardados do campeonato e fez isso com uma atuação que entrou para os destaques do ano. Slater somou 19,06 pontos na bateria, mostrando mais uma vez sua sintonia com Teahupoo. Sua campanha terminou nas oitavas de final, diante de Jack Robinson, mas não antes de o norte-americano voltar a deixar sua marca no campeonato onde construiu alguns dos maiores momentos de sua carreira. Brasileiros em Teahupoo Além da semifinal de Italo, João Chianca, Alejo Muniz e Miguel Pupo chegaram às oitavas de final. Miguel foi superado por Griffin Colapinto, enquanto Chumbinho e Alejo também se despediram nesta fase. Gabriel Medina havia sido eliminado anteriormente por Kelly Slater. No feminino, Luana Silva caiu no Round 2 diante da portuguesa Yolanda Hopkins. Próxima parada: Fiji Encerrado o Tahiti Pro, o Championship Tour permanece no Pacífico Sul. A próxima etapa será disputada em Cloudbreak, Fiji, com janela entre 25 de agosto e 4 de setembro. “A gente segue na disputa. É uma longa jornada e tenho que colocar o pezinho no chão para trabalhar campeonato a campeonato” Italo Ferreira, campeão mundial de 2019 Italo chega à próxima etapa com a lycra amarela, mas evita antecipar qualquer possibilidade de disputa pelo segundo título mundial. O brasileiro já definiu também seu próximo objetivo: conquistar pela primeira vez a etapa de Fiji. Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS)

    Seth Moniz conquista primeira vitória no CT, Erin Brooks vence entre as mulheres e Italo Ferreira deixa o Taiti na liderança do ranking após chegar às semifinais do Outerknown Tahiti Pro 2026.

    A próxima chamada o Outerknown Tahiti Pro 2026 acontece nesta segunda-feira (10) às 14h (de Brasília). Depois de mais de um mês de paralisação desde o Rio Pro, em Saquarema, o Championship Tour da WSL retorna para uma das ondas mais desafiadoras do planeta: Teahupoo, no Taiti. Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para saber tudo sobre a etapa de Teahupoo A janela de competição acontece entre os dias 8 e 18 de agosto. Uma das solicitações mais frequentes desde o lançamento da nova plataforma foi o retorno dos comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial. Por isso, o Waves volta a abrir o espaço para a comunidade acompanhar, comentar e trocar opiniões ao longo das baterias. Durante muitos anos, esse encontro entre surfistas fez parte da cobertura dos eventos no Waves. Agora, a tradição retorna renovada, mantendo o que sempre foi mais importante: a participação da comunidade. Feito de surfista para surfista, o Waves acredita que acompanhar uma etapa vai muito além de assistir às baterias. É também comentar o que acontece nas entrelinhas, discutir as notas, defender seus favoritos e trocar ideias com outros apaixonados por surfe. Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS) 18.20 x 17.40 Callum Robson (AUS)15 Griffin Colapinto (EUA) 19.60 x 8.50 Rio Waida (IND)16 Miguel Pupo (BRA) 13.50 x 1.94 Mateus Herdy (BRA) Round 3 1 Kauli Vaast (FRA) 12.00 x 12.34 Alan Cleland (MEX)2 Seth Moniz (HAV) 12.10 x 9.04 Barron Mamiya (HAV)3 Connor O’Leary (JAP) 10.33 x 11.66 Italo Ferreira (BRA)4 Liam O’Brien (AUS) 6.66 x 7.67 Ethan Ewing (AUS)5 Ramzi Boukhiam (MAR) 14.00 x 9.10 João Chianca (BRA)6 Alejo Muniz (BRA) 2.10 x 13.66 George Pittar (AUS)7 Kelly Slater (EUA) 8.46 x 15.00 Jack Robinson (AUS)8 Griffin Colapinto (EUA) 16.67 x 15.17 Miguel Pupo (BRA) Quartas de final 1 Alan Cleland (MEX) 1.50 x 13.66 Seth Moniz (HAV)2 Italo Ferreira (BRA) 15.50 x 11.94 Ethan Ewing (AUS)3 Ramzi Boukhiam (MAR) 17.74 x 8.84 George Pittar (AUS)4 Jack Robinson (AUS) 11.50 x 11.83 Griffin Colapinto (EUA) Semifinais 1 Seth Moniz (HAV) 15.76 x 13.83 Italo Ferreira (BRA)2 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.37 x 15.40 Griffin Colapinto (EUA) Final 1 Seth Moniz (HAV) 18.17 x 14.67 Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 Sally Fitzgibbons (AUS) 1.67 x 4.16 Anat Lelior (ISR)2 Tya Zebrowski (FRA) 2.00 x 6.90 Erin Brooks (CAN)3 Isabella Nichols (AUS) 8.77 x 7.13 Vahine Fierro (FRA)4 Stephanie Gilmore (AUS) 3.90 x 4.73 Yolanda Hopkins (POR)5 Alyssa Spencer (EUA) 5.00 x 1.93 Bella Kenworthy (EUA)6 Bettylou Sakura Johnson (HAV) 4.44 x 6.00 Brisa Hennessy (CRC)7 Nadia Erostarbe (ESP) 8.67 x 4.66 Francisca Veselko (POR)8 Tyler Wright (AUS) 4.57 x 5.34 Kelia Gallina (TAH) Round 2 1 Caroline Moore (HAV) 8.90 x 11.83 Erin Brooks (CAN)2 Molly Picklum (AUS) 9.50 x 3.56 Alyssa Spencer (EUA)3 Sawyer Lindblad (EUA) 6.67 x 7.16 Isabella Nichols (AUS)4 Lakey Peterson (EUA) 4.73 x 4.90 Nadia Erostarbe (ESP)5 Gabriela Bryan (HAV) 1.46 x 12.73 Anat Lelior (ISR)6 Caroline Marks (EUA) 5.50 x 8.27 Kelia Gallina (TAH)7 Luana Silva (BRA) 3.97 x 10.17 Yolanda Hopkins (POR)8 Caity Simmers (EUA) 13.50 x 1.33 Brisa Hennessy (CRC) Quartas de final 1 Erin Brooks (CAN) 13.50 x 3.27 Molly Picklum (AUS)2 Isabella Nichols (AUS) 7.83 x 7.26 Nadia Erostarbe (ESP)3 Anat Lelior (ISR) 9.50 x 6.53 Kelia Gallina (TAH)4 Yolanda Hopkins (POR) 12.33 x 6.90 Caity Simmers (EUA) Semifinais 1 Erin Brooks (CAN) 15.10 x 11.17 Isabella Nichols (AUS)2 Anat Lelior (ISR) 12.50 x 3.43 Yolanda Hopkins (POR) Final 1 Erin Brooks (CAN) 17.20 x 16.33 Anat Lelior (ISR))

    Confira ao vivo o Outerknown Tahiti Pro 2026 e participe dos comentários e debates no nosso fórum, durante as etapas da WSL.

    Etapa Natal chegou ao fim neste domingo nas areias da Praia de Miami com vitórias de Daniella Rosas e Douglas Silva. Com status QS 4.000 da World Surf League (WSL), a etapa é válida tanto para o ranking sul-americano 2026/27 da WSL South America quanto para o Circuito BB na temporada. O domingo começou com as Quartas de Final masculina, seguidas pelas Semifinais nos dois naipes, e na sequência foi a vez da grande decisão em ambas as categorias, com aumento de tempo para 35 minutos por confronto para dar mais tranquilidade aos competidores na escolha das ondas no litoral potiguar. Douglas Silva desbanca líder do ranking para celebrar a vitória Em um duelo entre Santa Catarina e Pernambuco, Douglas Silva (BRA) conquistou sua primeira vitória no Circuito Banco do Brasil de Surfe, superando o catarinense Luan Wood (BRA), líder do ranking do QS sul-americano e do Circuito BB, embalado pelo título da etapa de Imbituba. Em uma final eletrizante na Praia de Miami, Douglas começou forte e abriu a disputa com uma onda 8,50, e Luan respondeu logo na sequência, marcando 8,07 pontos ao trabalhar muito bem as manobras de base-lip. Luan precisava de 7,14 pontos para virar o resultado e ainda teve uma última oportunidade quando os dois surfistas conseguiram pegar ondas a menos de 30 segundos do fim, mas o  catarinense recebeu 6,50 e não conseguiu a virada, confirmando Douglas Silva como grande campeão da etapa de Natal. “Primeiramente, agradecer a Deus por esse momento. Estou muito feliz, estava me sentindo bem desde o começo do evento. Estava leve. Quero agradecer a todos pela torcida, aos meus patrocinadores que acreditam no meu sonho e no meu futuro, ao meu coach Alan… Aproveitar pra dar um feliz Dia dos Pais pra todo mundo. Muito feliz de sair com a primeira vitória no Circuito BB. Seguir firme e forte trabalhando, o trabalho não para”, celebra o campeão, que completa: “Eu sempre falo pra todo mundo que nossa vida é ganha nos mínimos detalhes e é algo que eu tenho trabalhado bastante com meu coach. Estamos ajudando muito isso. 1% melhor a cada dia. Deus colocou pessoas boas na minha vida e está dando certo. A gente trabalha todos os dias para que dê certo e a gente está colhendo os resultados“. Trajetória impecável começa nas semifinais As semifinais masculinas do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocaram frente a frente dois dos surfistas que mais se destacaram no evento. Douglas Silva eliminou o campeão da etapa de 2025, Israel Junior (BRA), por 16,84 a 12,67 pontos, deixando o potiguar em combinação. O duelo foi marcado pelo confronto entre dois aerialistas: Israel ainda arriscou mais um superman, repetindo o feito das quartas, mas foi Douglas quem construiu a vitória com um surfe de borda muito forte, tanto de backside quanto de frontside, garantindo duas notas de critério excelente (8,67 e 8,17).  Em grande fase, Douglas chegou à decisão com uma campanha praticamente perfeita em Natal. Antes da final, Dodô já mostrava confiança em suas declarações:  “Eu tô muito leve, muito tranquilo. Eu realmente vim aqui pra sair com o título, estou muito focado nessa etapa (…) Essa é minha meta“. Na semifinal anterior, Luan Wood confirmou o favoritismo e superou Rafael Barbosa (BRA) por 14,70 a 13,67, garantindo vaga na decisão. Luan chegou a Natal na liderança do ranking depois das duas primeiras etapas e vinha de uma sequência consistente: no sábado, venceu suas duas baterias, incluindo uma onda 7,67 que foi decisiva para avançar às quartas. Rafael também chegou forte, ocupando posição de destaque no ranking e tendo como antecedente recente um duelo apertado contra Luan. A vitória colocou Luan na final contra Douglas, em um confronto que reúne o líder do QS sul-americano e o atleta que chega embalado por um dos melhores momentos da temporada. Peruana supera Maria Eduarda Cesar e conquista o título  A final feminina do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocou frente a frente experiência e nova geração. De um lado, Maria Eduarda Cesar (BRA), uma das promessas do surfe brasileiro com apenas 18 anos, disputando a primeira final de sua carreira no Circuito BB. Do outro, a peruana Daniella Rosas (PER), atleta olímpica, tricampeã sul-americana da WSL e atual campeã do circuito Banco do Brasil, que chegou à segunda final em duas etapas disputadas em 2026. Em 2025, Daniella foi ainda campeã em São Sebastião e em Imbituba. Em uma decisão de 30 minutos, Dani venceu por 9,07 a 9,84 pontos, administrando bem a escolha das ondas e a prioridade nos minutos finais. Duda apostou principalmente nas direitas em frente ao palanque, mas a peruana foi mais eficiente na leitura do mar. O resultado reforça a consistência de Daniella em eventos no Brasil.  “Estou super agradecida. Poder ganhar aqui é super especial. Venho de uma sequência não muito boa no Challenger, mas estou feliz de poder ganhar aqui. Em Imbituba não foi meu grande dia (na final contra a Sophia Medina), e aqui fiquei o mais tranquila possível e ajustei meus erros. Estou feliz e agradecida”, celebra a campeã, que projeta os próximos passos:  “Agora vou pra casa, porque faz muito tempo que não vou pra lá. Saio para a Espanha, depois volto para o Brasil para a etapa do Espírito Santo… Tenho bons resultados no Brasil e quero manter isso constante. Estou totalmente focada nos Challengers. Esse ano me sinto muito melhor, estou super feliz em todos os sentidos. Agradecida de estar aqui, de ganhar aqui. A verdade é que estou muito feliz”, finaliza Dani.  Atleta BB, Tainá Hinckel (BRA) e Alexia Monteiro (BRA) encerraram suas participações na semifinal, terminando o evento em terceiro lugar no geral.  Resultados Circuito Banco do Brasil de Surfe em Etapa Natal Masculino Quartas de final 1 Luan Wood (BRA) 11.60 x 8.70 Wesley Leite (BRA)2 Rafael Barbosa (BRA) 13.50 x 12.23 Gabriel Klaussner (BRA)3 Israel Junior (BRA) 14.00 x 12.03 Ryan Kainalo (BRA)4 Douglas Silva (BRA) 15.10 x

    Pernambucano Douglas Silva conquista primeira vitória no Circuito Banco do Brasil, e peruana Daniella Rosas vence no feminino na etapa de Natal, disputada na Praia de Miami (RN).

    A Defesa Civil mantém alertas para ventos fortes nesta sexta-feira (7) em áreas do litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro, com rajadas que podem chegar a 100 km/h no litoral paulista. A situação já provocou ventos de 97,2 km/h em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, durante a noite de quinta-feira (6). Clique aqui para ver a previsão das ondas em SP Clique aqui para ver a previsão das ondas no RJ No estado de São Paulo, a previsão é de alerta vermelho nesta sexta e no sábado (8), com destaque para o litoral, a faixa leste e regiões de serra. A Defesa Civil chegou a enviar alertas severos aos celulares da população do litoral sul e da Baixada Santista até Bertioga. A força do vento já pôde ser sentida em diferentes pontos da costa paulista. Além dos 97,2 km/h registrados em Itanhaém na noite de quinta, os ventos chegaram a 90 km/h em Mongaguá no período noturno. Na manhã desta sexta, Caraguatatuba registrou rajadas de 49,3 km/h. Também houve registros de 37,6 km/h em Santos, 36,7 km/h em Cananéia, 31,2 km/h em Mongaguá e 31,1 km/h em Ilhabela. A Baixada Santista está entre as regiões com previsão de ventos fortes e maior risco no estado. Bertioga, Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba suspenderam as aulas da rede pública nesta sexta-feira. Segundo a Defesa Civil, a ventania pode provocar queda de árvores e placas, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia, dificuldades no tráfego, impactos em aeroportos e agitação marítima. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Agência SP (@agenciaspoficial) Rio de Janeiro também recebe alerta No Rio de Janeiro, a Defesa Civil estadual também emitiu um alerta severo para ventos e chuva forte na manhã desta sexta-feira. A mensagem enviada aos celulares alertou para vento forte nas próximas horas e orientou a população a evitar deslocamentos. A cidade do Rio entrou em Estágio 2 ainda na noite de quinta-feira, diante da previsão de intensificação dos ventos entre quinta e domingo (9). As aulas das redes municipal e estadual foram suspensas nesta sexta por precaução. As condições para um vendaval se intensificaram com a combinação entre um ciclone e uma frente fria, e os ventos podem passar dos 90 km/h na Região Metropolitana do Rio. Para esta sexta, a previsão indica rajadas fortes, entre 52 e 76 km/h, e muito fortes, acima de 76 km/h, a partir da manhã. Atenção redobrada no litoral A ventania está associada à chegada de um ciclone extratropical à região Sul do país e exige atenção especial de quem está no litoral. Além dos ventos fortes, há previsão de ressaca. No estado de São Paulo, nove das 16 regiões administrativas estão em alerta vermelho, incluindo Santos e o Vale do Paraíba e litoral norte. Além dos riscos provocados pelo vento em terra, a Defesa Civil paulista inclui a agitação marítima entre os possíveis impactos das condições meteorológicas. O cenário reforça a necessidade de atenção de quem pretende frequentar praias ou realizar atividades no mar durante o período de maior intensidade dos ventos. No domingo (9), a previsão para São Paulo passa para alerta amarelo, com as rajadas se deslocando gradualmente em direção ao Rio de Janeiro. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Corpo de Bombeiros Militar/ RJ (@corpodebombeiros_rj)

    Litoral paulista está entre as áreas de maior atenção nesta sexta-feira (7), enquanto Rio de Janeiro também recebe alerta para ventos fortes. Rajadas já chegaram a 97,2 km/h em Itanhaém.

    O Circuito Banco do Brasil de Surfe retorna ao Rio Grande do Norte para mais uma etapa da temporada de 2026. Entre os dias 7 e 9 de agosto, a Praia de Miami, em Natal, recebe pela terceira vez uma das principais etapas do calendário da WSL South America, válida pelo Qualifying Series (QS) 4.000. E, entre os principais nomes da competição, um atleta chega cercado de expectativa: o potiguar Mateus Sena, campeão da etapa em 2024 e um dos favoritos para repetir o feito diante da torcida. Em cinco anos, o Circuito Banco do Brasil de Surfe consolidou-se como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional sul-americano. Já foram 21 etapas realizadas, mais de duas mil inscrições e mais de 700 atletas únicos, de 15 nacionalidades, reforçando a importância da competição para a formação de novos talentos. “Cada etapa do Circuito Banco do Brasil de Surfe representa muito mais do que uma competição. É uma oportunidade de fortalecer o surfe brasileiro, criar caminhos para a nova geração de atletas e aproximar ainda mais o esporte das comunidades onde ele nasceu e se desenvolveu. Natal reúne todos esses elementos o que faz elevar a expectativa de realizar mais um grande evento e seguir consolidando o circuito como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional na América do Sul”, evidencia Ivan Martinho, presidente da WSL América Latina. O Rio Grande do Norte tem tradição na modalidade, revelando nomes como Italo Ferreira, campeão olímpico e mundial da WSL, Jadson André, que permaneceu por 13 temporadas na elite do Championship Tour, além de atletas como Joca Junior, Marcelo Nunes, Danilo Costa, Aldemir Calunga, Alan Jhones e Israel Junior. Agora, Mateus Sena busca escrever mais um capítulo dessa história. Foi justamente na Praia de Miami que o surfista viveu um dos momentos mais marcantes da carreira. Em 2024, conquistou o título da etapa e também da temporada do Circuito Banco do Brasil de Surfe. Na decisão, arrancou uma nota 8.50 na última onda, a menos de dois minutos do fim da bateria, para virar sobre Adauto Sena e levantar o troféu diante da praia lotada. “A conquista de 2024 foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira. Foi o primeiro título sul-americano da história do Rio Grande do Norte em um evento desse porte, e isso torna essa vitória ainda mais especial. Guardo lembranças muito boas daquele dia, com minha família, meus amigos e todas as pessoas que me viram crescer acompanhando da praia. Tudo isso me dá ainda mais confiança, porque sei que já consegui uma vez e agora vou em busca de repetir esse resultado”, destaca Mateus. No ano seguinte, a tradição foi mantida com mais um título potiguar, desta vez conquistado por Israel Junior. Agora, em 2026, os dois surfistas entram na disputa com a chance de se tornarem os primeiros bicampeões da etapa de Natal. Competindo novamente diante da família, dos amigos e da torcida local, Mateus afirma chegar mais preparado para lidar com a responsabilidade de correr em casa. “Depois de já ter vencido uma etapa, chego mais leve, focado e tranquilo, sabendo que o trabalho foi feito. Me preparei da melhor forma, cuidando da alimentação, treinando o corpo e a mente, dentro e fora da água, e isso me dá muita confiança. Poder contar com minha família, meus amigos e com as pessoas que me viram crescer, na praia onde tudo começou, torna esse momento ainda mais especial. Espero poder retribuir todo esse apoio com um grande resultado”, afirma. Além do aspecto esportivo, o surfista destaca o impacto que a realização de uma etapa da WSL pode gerar para o estado e para os jovens atletas da região. “É muito importante para o desenvolvimento do surfe no Rio Grande do Norte. O estado tem ondas de qualidade e muitos surfistas talentosos que ainda não estão no radar do cenário nacional e internacional. Um evento desse porte cria oportunidades para que esses atletas mostrem seu potencial. Além disso, o histórico recente mostra a força do surfe potiguar, com títulos conquistados em 2024 e 2025 por atletas da casa. Espero que este ano a gente possa manter essa tradição”.

    Campeão do circuito em 2024 na Praia de Miami, natalense Mateus Sena volta a competir em casa em busca de manter a hegemonia potiguar em etapa do Circuito Banco do Brasil.

    O surfe contemporâneo, com sua indústria bilionária e recente status olímpico, muitas vezes ofusca uma verdade histórica profunda: suas raízes não são ocidentais, tampouco puramente recreativas. É exatamente essa lacuna cultural que o jornalista e antropólogo Luciano Meneghello busca preencher em seu novo livro, Surfe e Ancestralidade. A obra chega ao mercado como um relato histórico e um manifesto literário que promete transformar a maneira como a comunidade esportiva enxerga o oceano e a própria prancha. Em 2020, ele lançou seu primeiro livro, Raiz (revisado e ampliado em 2025), uma obra que narrou a saga dos polinésios que, há 3.500 anos, desbravaram 22,5 milhões de km² no Pacífico guiados apenas pelas estrelas, aves e ondas. Foi dessa cultura umbilicalmente ligada à natureza que nasceram esportes como a canoagem polinésia, o stand up paddle e o surfe. Inquieto com o apagamento das origens indígenas do surfe no Havaí pré-colonial, o autor tomou uma decisão corajosa: voltou aos bancos universitários para cursar Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O resultado foi uma monografia aprovada com nota máxima unânime, que agora ganha vida nas páginas de Surfe e Ancestralidade. A decolonização das águas O ponto central da obra está na desconstrução do estereótipo do surfe como uma atividade de lazer desfrutada por uma juventude branca de classe média. Meneghello nos convida a entender o heʻe nalu, a milenar prática havaiana de deslizar sobre as ondas, com sua própria cosmologia, integrada a uma relação de poder e conexão com o meio ambiente. Com uma narrativa envolvente, o autor detalha como operam os processos de apropriação cultural e a subsequente “turistificação” promovida pela indústria. A obra propõe uma decolonização do olhar sobre as águas, oferecendo ao leitor, seja ele um surfista profissional ou de fim de semana, um novo nível de respeito pelo esporte. Fruto de anos de pesquisa e imersão etnográfica nas ilhas de O’ahu e Maui, o livro revela como o povo nativo (Kānaka Maoli) passou a utilizar as zonas de surfe (po‘ina nalu) como territórios de soberania em resposta aos processos coloniais que mudaram drasticamente a realidade das ilhas havaianas. O autor traça uma linha do tempo fascinante que vai das sofisticadas pranchas ancestrais de madeira até as tensões políticas modernas, culminando no poderoso “Renascimento Havaiano” e na épica jornada da canoa Hōkūleʻa. Surfe e Ancestralidade transporta o surfe de uma técnica esportiva, que movimenta hoje um mercado bilionário, para uma “epistemologia da paisagem marinha”. Ele oferece aos praticantes a oportunidade de reconectar o ser humano ao fluxo do meio ambiente, em um processo capaz de “pacificar o branco” apontando caminhos para uma vida mais presente e conectada com o mundo real. Como adquirir a obra Surfe e Ancestralidade está sendo lançado diretamente pelo autor. Os interessados em adquirir o livro e acompanhar os bastidores dessa pesquisa podem entrar em contato e realizar a compra através do perfil oficial no Instagram: @surfeeancestralidade.

    Antropólogo Luciano Meneghello propõe releitura das origens do surfe, resgatando a cultura polinésia e questionando a visão ocidental que transformou a prática em esporte e indústria.

    No início da década de 1980, Paulo Bittencourt, o Biteka, decidiu seguir rumo ao Oceano Pacífico. O objetivo era simples e, ao mesmo tempo, imenso: encontrar grandes ondas da maneira que seu orçamento permitia. Mais do que chegar ao Peru e ao Equador, queria viver cada quilômetro daquela aventura. A viagem começou na histórica Estação da Luz, em São Paulo, seguindo de trem até Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Dali atravessou a fronteira a pé até Puerto Quijarro, na Bolívia, onde embarcou no lendário Trem da Morte. Levava duas pranchas especialmente construídas pelo mestre Oracio Cocada para enfrentar as ondas do Pacífico: uma 7’2″ e uma 5’11” biquilha em EPS, ambas com inovadoras longarinas de madeira de cinco centímetros, produzidas com madeira cuidadosamente selecionada na Mata Atlântica. Na mochila cabia apenas o indispensável. Entre poucas roupas estavam sua faixa de Taekwondo, um nunchaku e os ensinamentos do mestre Taney Campos. Para Biteka, surfe e artes marciais sempre caminharam lado a lado, uma ligação que ele hoje reconhece também na forte presença do jiu-jitsu entre surfistas de todo o mundo. O Trem da Morte seguia lentamente por cerca de 600 quilômetros até Santa Cruz de la Sierra. Os bancos eram de ripas de madeira e, a cada parada, embarcavam indígenas, comerciantes, famílias, galinhas e mercadorias. O vagão ia ficando cada vez mais cheio. Em alguns momentos, mães colocavam seus filhos pequenos em seu colo para descansar durante a viagem. Antes mesmo de alcançar o mar, a aventura já se revelava nas pessoas encontradas pelo caminho. Depois de alguns dias de descanso e de treinos em uma academia de Taekwondo, seguiu de ônibus para Cochabamba. As pranchas viajavam amarradas sobre o bagageiro enquanto a antiga Rota 7 serpenteava pelas montanhas, desfiladeiros e curvas da Cordilheira dos Andes. Dois dias depois, partiu para La Paz. Na subida da Cordilheira, a locomotiva parecia lutar contra a montanha. A velocidade diminuía enquanto a altitude retirava o oxigênio de passageiros e motor. O soroche – mal das montanhas – aproximava desconhecidos, que dividiam remédios, conselhos e solidariedade. Ali compreendeu por que aquela ferrovia carregava um nome tão marcante. Em La Paz, impressionaram a resistência do povo andino, os carregadores transportando enormes volumes pelas ladeiras, os tecidos coloridos e a delicada arte em prata. Antes de deixar o litoral brasileiro, havia separado algumas conchas das praias pela beleza de suas formas. Trocá-las por pequenas peças de prata tornou-se uma das lembranças mais especiais da viagem e uma inesperada aproximação entre duas culturas ligadas pelo mar. A viagem prosseguiu margeando o Lago Titicaca. Os Caballitos de Totora, construídos com junco, pareciam ligar a história dos povos andinos às primeiras formas de deslizar sobre as águas do Pacífico. Ao cruzar a fronteira entre Bolívia e Peru, retirou as pranchas da capa para explicar às autoridades o que era o surfe. Olhou ao redor e, sem perceber, as lágrimas começaram a cair. Eram lágrimas de alegria. Depois de tantos quilômetros percorridos, o Oceano Pacífico finalmente estava ao seu alcance. A partir dali começava outra grande aventura: Punta Hermosa, Punta Rocas, Chicama, Máncora, Montañita e Galápagos. Histórias que ficarão para outro capítulo. Ao recordar essa jornada, Biteka ajuda a preservar a memória de um tempo em que viajar era aceitar o desconhecido, aprender com diferentes culturas e descobrir que, muitas vezes, o caminho era tão importante quanto o destino. Uma época que convida a refletir sobre a verdadeira essência do surfe: a aventura, o respeito à natureza e a busca constante pela evolução. Paulo Bittencourt (Biteka), nascido em Santos (SP), é surfista desde a década de 1970. Aos 65 anos continua surfando, filmando e produzindo documentários independentes sobre as culturas do surfe. Acompanhe as publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

    Conheça a história de Paulo Bittencourt, o Biteka, que cruzou a América do Sul rumo ao Pacífico em uma jornada que se tornou um marco de aventura, resiliência e paixão pelo surfe.