CEO da WSL

Erik Logan vem para o debate

Erik Logan concede entrevista exclusiva ao Waves e fala sobre as polêmicas da WSL sem cerimônias, além das estratégias de negócio em sua gestão, como CEO da liga.
CEO da WSL, Erik Logan tinha medo do mar e só começa a surfar aos 40 anos

Uma série de mudanças constantes vêm acontecendo no lado competição do nosso esporte, desde que Erik Logan assumiu o cargo de CEO da WSL em 2020. Ex-presidente da Oprah Winfrey Network (OWN), o executivo encarou o desafio de tornar o Championship Tour (CT) da WSL um produto mais rentável em vendas de direitos e transmissão, porém algumas de suas decisões geram grandes polêmicas e discussões na comunidade do surfe.

Algumas dessas mudanças foram consideradas radicais por boa parte do público fiel. A final única em Trestles e o corte de atletas ao meio da temporada são alguns exemplos, além de outras novidades estruturais no calendário de competições, bem como o sistema de classificação para o CT. Muitos acreditam que estas novidades ajudam a expandir o esporte em nível global, enquanto outros questionam se são justas com os atletas. O público mais core, composto em sua maioria por sufistas praticantes e seguidores do Circuito de longa data, também diverge nas opiniões.

Como se não bastasse tantos motivos para discussão, a WSL ainda é alvo constante de críticas públicas no julgamento de baterias. A cada etapa é comum observar entre os espectadores questionamentos sobre os critérios do júri e a transparência deste processo. Muitas vezes essas discussões envolvem inclusive os próprios atletas, seja nos bastidores das competições ou publicamente, nas redes sociais.

Erik Logan nos recebeu cordialmente e com muita simpatia para um bate-papo e uma entrevista exclusiva ao Waves, em que todas essas e muitas outras questões foram abordadas e respondidas com naturalidade e sem cerimônias. O executivo não fugiu das perguntas e trouxe argumentos que podem enriquecer o debate, bem como proporcionar maior compreensão a partir de novos pontos de vista.

Convidamos os leitores para uma análise mais detalhada e um debate sobre os novos rumos do esporte que tanto amamos em nosso fórum. Confira a entrevista a seguir.

Como você avalia as mudanças que fez na gestão da WSL, desde que você assumiu a posição de CEO em 2020?

Eu assumi esta posição no início de 2020. Italo Ferreira tinha acabado de vencer o seu primeiro título mundial em Pipeline, em uma final épica contra o Gabriel Medina. Com isso veio a percepção e a oportunidade de repensarmos o formato do título mundial, uma vez que tivemos uma rara bateria final valendo o título em muitos anos.

Quando me tornei CEO da WSL foi uma época emocionante e a companhia estava começando realmente a ganhar tração. Mas nove dias depois, a pandemia veio com tudo. Precisamos cancelar a etapa de abertura do Circuito Mundial em Snapper Rocks e por fim o Circuito inteiro em 2020.

A partir daí tive que navegar em conjunto com o meu time de gestão, para decidirmos como proceder em tempos de pandemia. Tivemos que fazer várias mudanças sob a perspectiva da organização e também dos formatos.

A pandemia causou uma série de impactos sobre todas as pessoas, em suas carreiras, em decisões a serem tomadas, mudanças de lugares e muitas outras coisas. Isso também trouxe oportunidades à nossa companhia, de estarmos em lugares diferentes e voltarmos a alguns outros.

O que posso dizer a respeito das mudanças de gestão que tivemos está principalmente no nível Sênior, com a Jessi Miley-Dyer como Vice-Presidente de Tours e Chefe de Competição da WSL, Sarah Swanson como CMO (Chief Marketing Officer), Dave Prodan como nosso Chief Strategy Officer e Jason Eckert como CFO (Chief Financial Officer) vindo da NBA. Essas mudanças foram muito positivas, porque nós encontramos uma maneira de especializar a entidade com mais expertises vindas de fora do surfe. A nossa CMO, por exemplo, trabalhou durante anos na NFL. A Jessi já foi campeã mundial Pro Junior de surf.

Eu acho que da perspectiva de gerenciamento, nós tivemos uma série de outras mudanças, o que é muito comum em todos os negócios. Nós tivemos um ótimo começo e eu não poderia estar mais feliz com o nosso time de lideranças. Com os gerentes gerais também, como o Ivan Martinho, que faz um ótimo trabalho no Brasil.

Nós realmente nos focamos no Championship Tour e trouxemos uma série de inovações, como começar a temporada em Pipeline, ter competição feminina em todas as etapas, inclusive em Pipeline, o corte no meio do ano, o novo formato para coroar o campeão mundial em Trestles, a chegada do Challenger Series, dentre outras.

Os surfistas e os executivos da WSL têm uma única intenção em comum: criar a maior plataforma para o surfe no mundo. E olhando para a nossa performance no decorrer deste ano, acho que estamos no caminho certo para atingir este objetivo.

Neste processo de criar a maior plataforma para o surfe do mundo, entendemos que a liga como uma empresa precisa dar lucro. Do outro lado temos o surfe como esporte e os atletas. Como vocês tentam buscar o equilíbrio entre desenvolver um negócio lucrativo sem perder os princípios do esporte e a essência do surfe?

Esta é uma discussão constante que nós temos. Sobre como equilibrar o progresso do esporte e o esporte como um negócio. Uma vez que iniciamos essa organização, penso que a coisa mais importante que fazemos na empresa é coroar o campeão mundial. Esta é a base a partir da qual todas as outras decisões vêm. Algumas coisas que pensamos juntos são sobre como amplificar e criar este momento não somente para os surfistas, mas também para os fãs, patrocinadores e a comunidade global do surfe, com momentos sólidos.

Se você olhar para o nosso Tour agora, o que acontece é que quando você começa em Pipeline, isso se torna um grande momento. O corte no meio da temporada e geralmente a parada antes dela como conhecíamos antes. Bells Beach foi um grande momento. Obviamente os cinco que tentam chegar às finais também é outro grande momento, até o Taiti, além do WSL Finals como último grande momento.

Então, o que acontece quando você cria essas narrativas nesses momentos?Estruturalmente, do ponto de vista competitivo, você começa a agregar milhões de pessoas. Assim, como falamos com o WSL Finals, tivemos cerca de 8,5 milhões de pessoas impactadas. E esse número continua a crescer. Em relação ao ano anterior aumentou 22%. Esse é um registro realmente bom de dados. E o que acontece quando você cria essas narrativas e nossos surfistas entendem do que somos capazes? Junto com a Sherie R. Cohen, nossa Diretora de Faturamento (Chief Revenue Officer), somos capazes de alavancar essas audiências agora para patrocinadores globais, porque no final das contas, os nossos patrocinadores estão procurando algumas coisas diferentes.

Primeiramente, eles estão procurando uma maneira de se integrar ao esporte mais inspirador do mundo, que é o surfe. Depois, eles têm produtos para vender também, então estão procurando um público que possa aproveitar para comprar coisas. Quanto mais público e olhos tivermos, mais receita podemos gerar. Em terceiro lugar, eles estão procurando maneiras de realmente se integrar profundamente com o evento e com o nosso negócio.

A vila patrocinada que nós temos em Saquarema é um exemplo perfeito disso. Uma das maiores que temos em todo o Circuito. A presença que temos quando a gente vem para o Brasil é a maior de todas, e os patrocinadores veem isso. Parte da alquimia do negócio é sobre isso. Como utilizamos a estratégia para conduzir essa equação entre o lado profissional do surfe pela maior plataforma e ao mesmo tempo colocar nossos surfistas nas melhores ondas do planeta. Em seguida descobrir como alavancar isso de uma perspectiva de patrocínio. Tudo funciona em equilíbrio, mas no core, nós sempre colocamos o esporte em primeiro lugar.

Falando sobre esse crescimento de público na audiência de vocês, sabemos que aqui no Brasil, por exemplo, temos pelo menos 1 milhão de surfistas praticantes, de acordo com algumas pesquisas. Talvez até mais do que isso, se considerarmos todo mundo que já teve contato com o esporte na prática. Nós os chamamos de público core, que é muito importante para nós e com quem nós conversamos diariamente.
Nesta busca por novos públicos e novos fãs, como que vocês fazem para encontrar o equilíbrio e não deixarem também de atender ou de se comunicar com este público core de surfistas? Qual a estratégia de vocês para encontrar este equilíbrio sem abandonar os antigos fãs?

Se sairmos um pouco do universo do surfe, vamos olhar para futebol, para o beisebol. Olhe para o futebol americano, beisebol Americano, basquete americano. Olhe para o críquete. Olhe para o rúgbi. Todos os esportes. Eles estão focando em dois vetores muito semelhantes.

O primeiro é impulsionar o público, se dirigir e alcançar as pessoas onde quer que elas estejam. E isso através da distribuição de conteúdo e outras coisas dessa natureza, sempre expondo o esporte. Porque quanto mais todas as ligas, incluindo a nossa, expuserem os seus esportes, mais receita podem gerar.

Mas o segundo, que eu acho que é o que fica realmente interessante, é que todos eles estão impulsionando as inovações para o esporte também. Todo esporte que você olhar tem níveis e áreas de inovação, seja a introdução ou não de um relógio de tiro, se é ou não uma introdução da maneira como eles mudam as regras de horas extras, a maneira como eles mudam as regras dos playoffs.

Todo esporte, até mesmo a Fórmula 1, se você olhar para ela, está sempre mudando não só para modificar o esporte em si, mas para tentar melhorar a dinâmica competitiva ou criar algo mais emocionante para os fãs.

O que geralmente acontece diante disso é que você tem um grupo core de pessoas apaixonadas que amam o esporte, como eu também amo, mas que não gostam de mudanças. E normalmente as pessoas não gostam de mudanças. Isso gera um debate, porém não necessariamente uma discórdia. Discussões do tipo, se devemos ou não ter uma linha de 3 pontos na NBA, se o ponto extra no futebol americano deve ou não ser chutado da linha de três jardas. O nosso esporte não é inoculado a partir disso. Nós certamente sabemos disso e abraçamos isso.

Mas quando voltamos como uma liderança em si, e isso é o que sempre dizemos, a nossa intenção é criar a maior plataforma do mundo para o surfe profissional e colocar os melhores surfistas do planeta em cima dela, para impulsioná-los em suas carreiras no esporte para a frente. Essa estratégia é o que permite que o esporte continue a crescer. Continue marchando em direção à sua sustentabilidade como um negócio.

Essa tensão que fica no meio de tudo isso é algo em que eu presto muita atenção também. É uma pergunta que eu escuto muito também, tanto das pessoas, como em outras entrevistas que já participei. Eu só tento destacar e dar mais contexto porque sei que são muitos fãs. E nem todos eles se sentam em nossos lugares no escritório, nem sempre sentam ao lado dos negócios do esporte. Eles se concentram no que devem se concentrar, que é apenas o que está acontecendo no oceano ou o que está acontecendo com os nossos surfistas. Há muitas outras dinâmicas que nos fazem informar ou ter decisões melhores, e trazer isso ao conhecimento do público.

Em meio a todo esse processo de inovação, como vocês equilibram as mudanças necessárias com a opinião, as necessidade e os desejos dos atletas? Os atletas participam de todas as decisões em consenso sempre? Ou a WSL toma as decisões e apenas comunica os atletas? E sobre a escolha do calendário e das ondas que podem favorecer mais aos regulars ou goofy footers, como funciona esta parte?

Os atletas também são nossos acionistas. Nós conversamos o tempo todo. Eu, pessoalmente, falo muito com eles. Vou a muitos dos eventos, inclusive estive na etapa do Brasil este ano. De fato temos um grande diálogo. A Jessi Miley-Dyer também faz um grande trabalho nesta parte, não apenas falando sobre tópicos e modificações que temos que fazer na temporada, mas também sobre outras mudanças que precisaremos fazer para 2023. Até mesmo conversas sobre o planejamento de longo prazo. Imagine como que é surfar por quatro a cinco anos fora de casa. Por sinal, isso é algo que o surfe como nunca fez antes, tendo uma visão muito a longo prazo em termos de como estamos dirigindo esporte.

Temos um ótimo sistema que a maioria das pessoas conhece, que são os representantes dos surfistas. Temos dois homens e duas mulheres. Do lado dos homens temos o Connor O’Leary e o Jadson André, que eu diria que é o brasileiro favorito de todos (risos). Do lado feminino temos a australiana Tyler Wright e a francesa Joanne Defay. Então os representantes dos surfistas têm uma linha direta. E têm intensificado não só a defesa de opiniões dos atletas, mas também trabalham em uma coordenação mais rigorosa com a Jessi, com o Renato Hickel, com o Travis Logie e todas as outras pessoas com as quais você está muito familiarizado, sobre um monte dessas questões.

Então, quando nós como liga dizemos que precisamos tomar uma decisão no futuro, sempre temos uma conversa com os surfistas e eles nos dão suas opinões. Você sabe, que só no CT, entre competidores e convidados nós temos quase 50 surfistas. Então, nem sempre 100% deles estarão 100% de acordo sobre 100% das coisas. Não é assim que as coisas são.

Mas o que tentamos fazer e o que eu pessoalmente faço, como fiz em Bells Beach, é sentar com eles e explicar as realidades e os desafios dos negócios que temos no mundo hoje, bem como o cenário econômico global e tentar fornecer todo o contexto aos nossos surfistas, para que eles possam ter o mesmo conjunto de dados que nós temos, em termos de desempenho da audiência, retorno econômico e viagens. Todos os fatores necessários para se montar um calendário.

Então passamos muito tempo juntos. Acho que a melhor maneira de enquadrar isso é sempre tendo conversas muito abertas, nas quais compartilhamos com eles as informações. De todos esses surfistas, há alguns que estão muito engajados com todos os temas, que querem falar sobre isso. E alguns são do tipo “apenas deixe-me saber o que eu preciso fazer”. Tentamos equilibrar isso juntos. Mas é assim que funciona com os surfistas.

Já do ponto de vista dos fãs, acho que o feedback é sempre ótimo saber. Não importa a decisão que a gente tome, geralmente ouvimos pontos positivos e negativos. Mas o que sabemos olhando para os números é que a maior parte das pessoas estão consumindo o esporte. E no meio de tudo isso é o que está impulsionando o negócio na verdade.

Algumas pessoas amam algumas coisas, outras odeiam outras coisas. Nós tentamos ouvir a todos, porque você nunca sabe. Quando você ouve as pessoas descobre que algumas têm críticas e outras têm pontos bons. E às vezes elas apontam, como já aconteceu comigo algumas vezes, que há coisas que eu não tinha pensado antes. E esses são bons pontos. Levo em consideração para as próximas decisões. Então eu realmente acho que toda a equipe e a empresa têm uma forma muito aberta e transparente de ouvir feedbacks e de se comunicar.

Falando sobre o formato escolhido para o WSL Finals. Obviamente sabemos que o surfe é um esporte que depende da condição das ondas e da natureza para acontecer. Nem sempre temos a melhor condição no dia esperado ou agendado. Um exemplo disso é o que vimos nas finais em Trestles neste ano.
Tomemos como exemplo o que aconteceu com a Carissa Moore. O atleta compete o ano inteiro em condições diversas e consegue ser o melhor de todos com consistência, dentro da variação de condições no decorrer da temporada, para então perder o título mundial em apenas um dia, em condições de ondas como as que vimos, devido a este novo formato.
Como que a WSL vê uma situação como esta? Na tua opinião, o que é mais emocionante de assistir, uma final em Trestles ou em Pipeline? E Por quê?

Bem, há muito o que desmembrar dentro dessas perguntas. Então vamos começar com o formato. Estamos nele há dois anos. Nesse tempo tivemos quatro atletas que conquistaram o seed nº1, sendo dois homens e duas mulheres. Três ganharam o título mundial. A Carissa perdeu para a Steph neste ano, mas também ganhou da Tatiana no ano anterior.

De acordo com o feedback que recebemos da grande maioria dos surfistas, da grande maioria dos fãs, da grande maioria de tudo o que vimos como evidência e a propósito os números que indicam isso, a ideia de criar um dia de finais para os campeões mundiais ganharem o título na água é uma coisa muito especial e significativa.

Veja a declaração da Stephanie Gilmore sobre o que significou para ela vencer o seu 8º título mundial, porém pela primeira vez dentro do oceano. Nós ouvimos muitas opiniões sobre isso. Ouvimos opiniões de campeões como Kelly Slater, Mick Fanning e outros, sobre a oportunidade de vencer um título no dia e dentro do oceano. E isso é esporte. E vamos ser honestos, podemos passar por uma lista de exemplos de pessoas que se saem bem o ano todo e ainda assim têm que ganhar no dia decisivo.

Acontece com pilotos de F1, acontece com times de futebol, acontece nas Olimpíadas, acontece o tempo todo. Quando as pessoas falam sobre ganhar um título mundial em um único dia, se olharmos para isso… Veja o Italo Ferreira. Como sabemos, ele treinou toda sua vida para conseguir ganhar uma medalha de ouro nas Olimpíadas. E eu certamente diria que as ondas que tivemos em Chiba eram muito inferiores ao que vimos este ano em Trestles, por exemplo. E se ele não tivesse ganhado sua medalha de ouro, teria que esperar quatro anos para tentar de novo.

Então eu não concordo necessariamente com essa percepção. Acho que é uma grande coisa para o esporte e que os surfistas e todo mundo vêem isso. Em termos de qualidade de onda, a minha resposta para isso é bastante simples. Todo mundo tem que competir nas mesmas condições e você sabe que não podemos escolher também um dia grande e perfeito em Pipeline. Veja em quantos anos, por exemplo, nós tivemos que colocar a competição na água em Pipeline sem a melhor das condições esperadas pra esse pico. O nosso esporte está sujeito a estas condições o tempo todo.

Olhe para G-Land, por exemplo. Este ano nós não tivemos nenhum dia de ondas boas por lá durante a janela. Mas se você diminuir o zoom e olhar para os 10 eventos, mais as finais, e olhar para cada ano, os dados diriam que você tem eventos que deram certo e eventos que não deram tão certo em termos de ondas. Isso é exatamente o que acontece quando você compete no oceano.

Trestles ainda oferece a uma pista mais justa e versátil para não condicionar a vitória apenas aos tubos ou a um determinado modo de surfar, a não distorcer de uma certa maneira. E vimos dois tipos diferentes de surfe nos últimos dois anos em Lowers. Vimos uma onda de alta performance e mais previsível este ano. No anterior foi onda maior, porém quase que passando do ponto, se você bem se lembrar. Então acho que essa é a dinâmica que pensamos quando olhamos para essas duas coisas.

Mas voltando ao teu ponto sobre Pipeline, você sabe que nós melhoramos a janela. Sabemos que historicamente as melhores ondas em Pipeline sempre aconteceram mais pro final de janeiro, e fazíamos a nossa etapa em dezembro. Então você sabe que não é surpresa que quando fizemos a etapa em Pipe no início deste ano, tivemos ondas melhores, por estarmos em uma janela melhor.

Falando agora sobre o julgamento, que é um tema polêmico em muitos esportes. Muitas vezes o público e os fãs não concordam com as decisões dos juízes, principalmente em um esporte com critérios de avaliação tão subjetivos, como o surfe.
Gostaria de abordar contigo não a mudança de critérios, mas a discussão é sempre sobre como tornar as decisões dos juízes mais transparentes a cada dia de competição, tanto para o público, quanto para os competidores, que muitas vezes saem insatisfeitos com os resultados.
Vendo de fora, às vezes temos a sensação de que nem sempre a adaptação do critério é esclarecido pelos juízes nos diferentes dias de uma competição, principalmente em decisões polêmicas, ou a cada mudança de tipo de onda.
O que você acha que poderia ser feito para que a transparência fosse trabalhada melhor nessas situações?

Acho que uma das grandes coisas do nosso esporte é a subjetividade. Eu acho que é uma parte muito importante do que fazemos e acontece em muitos esportes, como no skate, na patinação e em muitos outros esportes olímpicos, por exemplo.

Eu não tenho nada além da maior consideração, respeito e confiança na integridade da nossa equipe e de todos os nossos juízes, liderados pela Jessi e pelo Pritamo (Ahrendt). Eles têm um trabalho extraordinariamente difícil. Eles ficam sentados por horas e horas, observando onda após onda após onda. E têm a capacidade de utilizar a tecnologia para realmente comparar ondas do início do dia, para que as escalas se construam.

Há diversas coisas que tentamos fazer sobre o julgamento. Uma delas é sobre o Richie Porta, que já foi nosso Head Judge, aparecer cada vez mais em nossa transmissão ao vivo, explicando não somente sobre os critérios, mas também outras situações do surfe que os fãs possam não saber apenas lendo o livro de regras, como situações específicas de prioridades e outras coisas bem específicas. Ele também pode comparar as ondas entre as baterias e as escalas de notas entre elas.

O que mais me impressiona em nossos juízes é a consideração e o tempo que eles levam para atribuir uma pontuação. Uma das coisas que os fãs sempre perguntam repetidamente após uma onda é sobre qual é o placar. Acho que é importante destacar o fato de que a razão pela qual essas pontuações levam algum tempo é porque as ondas estão realmente sendo avaliadas. Os juízes estão realmente julgando todos os detalhes das ondas e para isso utilizando também o replay. Neste meio tempo, obviamente você vê escrito em nosso placar: “esperando por pontuação”.

Isso é porque há o cuidado, a integridade e o foco em acertar. Não importa se essa pontuação sai cinco segundos ou cinco minutos depois da onda. As reações serão sempre as reações, mas a parte mais importante para nós é a integridade do processo. Como você pode ver na nossa série na Apple TV, Make or Break. Nós permitimos câmeras lá dentro.

Então você sabe que tentamos fazê-lo de uma forma muito autêntica para que todos possam vê-la. Temos também cinco juízes numa bateria, que atribuem 5 notas. A maior e a menor são cortadas e uma média entre as outras 3 é feita. Então eu acho que é uma boa nota final, mas também acho, de uma perspectiva do processo, que estamos continuamente tentando encontrar maneiras de educar os fãs.

Sobre o corte do meio da temporada no CT. Por um lado vocês inovam, criam um drama e trazem mais emoção para os fãs. Por outro lado isso muda o plano de carreira de muito atletas, assim como a introdução do CS entre o QS e o CT. Como você analisa os pontos positivos e os negativos de todos esses novos fatores?

Uma das coisas mais importantes que tentamos fazer com este novo sistema de 3 níveis, que envolvem o Championship Tour, o Challenger Series e os QS regionais, é criar e estimular mais surfe em nível regional, além de tentar organizar e torná-lo mais eficiente para os surfistas se qualificarem. Ao fazer isso, também estamos tentando fazer mais campeonatos e descobrir uma maneira de melhorar a qualidade das ondas.

Como um fã apaixonado pelo surfe, você sabe que temos um time completo pré-corte com 50 surfistas, entre homens e mulheres. Sendo assim, um evento leva cerca de 4 dias e meio para ser concluído, enquanto a maioria dos swells dura cerca de três dias. Pós-corte, quando já temos uma quantidade menor de surfistas, podemos correr e finalizar tudo em torno de 3 dias.

Então, quando você olha para as performances e para as ondas que temos na segunda metade da temporada, especificamente em J-Bay ou no Taiti, fomos capazes de acelerar e nos concentrarmos nas melhores ondas, mantendo os surfistas competindo em ótimas condições. Por exemplo, em J-Bay, se estivéssemos com todos os surfistas do início da temporada, as finais teriam acontecido em outras condições e provavelmente em ondas com vento maral, porque o swell basicamente acabou.

Isso é um grande benefício que poucas pessoas estão cientes. Estamos apenas lidando com padrões que acompanhamos há cinco décadas, então temos uma boa compreensão do que é isso. Se você olhar os dados e as performances verá isso. Essa é a primeira coisa que eu acho que melhora o nível.

A segunda é se você olhar para os surfistas que historicamente competiam nas etapas do QS de 10 mil pontos. Eles tinham que competir no CT e ainda dar um jeito de viajar para competir também nessas etapas de alta pontuação. E então eles estavam cruzando o mundo, ou seja, competindo em duas turnês. Uma logística difícil para competir ao mesmo tempo.

O corte do meio da temporada é uma pausa limpa, que permite aos nossos surfistas começarem a surfar o Challenger Series em maio, em Snapper Rocks. A propósito, a melhor época do ano para Snapper, como sabemos, pois até os australianos chamam de “maio mágico”.

Em paralelo uma outra plataforma voltando à nossa intenção de aumentar a exposição para as pessoas requalificarem, sendo dez homens e cinco mulheres pelo Challenger Series. Acho que é importante também falar que apenas o Challenger nos trouxe um crescimento na audiência digital de 25% em 2021, por exemplo, em comparação com 2020.

E continua crescendo, porque agora os fãs acompanham. Costumávamos ter etapas de 10 mil pontos em cima dos CTs, e o fã não tinha certeza sobre qual assistir, era muito confuso. Mas se você é um fã, agora é muito claro quais são as prioridades. Você sabe onde está o CT, onde está o Challenger, onde está o Tour de Longboard, etc. Nós facilitamos as coisas para o fã. Acho que esses são os principais pontos positivos.

Sobre os pontos negativos, acho que são óbvios. Você tem atletas do CT que não continuam competindo na segunda metade da temporada, como o Leo Fioravanti, que é um exemplo fantástico. Léo não escapou do corte em Margaret River, foi para o Challenger e se re-qualificou em primeiro lugar.

Ele voltará ao CT na primeira etapa em Pipeline e deve ir longe, pois voltará ainda mais poderoso e com mais confiança para o CT. Então acho que há uma série de pontos positivos, mas os negativos são o fato de ser novo, ter mais viagens e ter mais baterias para disputar, porque tem bem mais surfistas competindo. São essas coisas que estamos olhando no esporte, mas acho que os pontos positivos são enormes.

A última coisa que vou te dizer sobre os três níveis, é sobre a força que os eventos regionais ganham. Tivemos há pouco um evento regional do QS em Saquarema e foi emocionante. Nós temos esses eventos regionais em todas as nossas sete regiões. Eles são realmente fundamentais, porque agora os surfistas locais não têm que gastar tanto dinheiro viajando pelo mundo para se qualificarem ao Challenger Series. Eles podem ficar em casa.

Os brasileiros podem competir em sua região, ao invés de terem que viajar em busca de um evento de 5.000 ou 10.000 pontos, do outro lado do mundo, onde eles podem não ter grana suficiente para ir.

Acho que este é nosso primeiro ano completo para ser justo com a empresa. Acho que houve um monte de aprendizados e que à medida que avançarmos vamos continuar a modificar e ajustar o que for necessário.

Minha resposta foi um pouco longa (risos), mas você fez uma pergunta muito boa, então eu tinha que ser atencioso com isso.

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    São 28 anos na missão de dar suporte para que os fissurados em ondas estejam no lugar certo, na hora certa. Indicando o caminho, presente no dia a dia dos surfistas brasileiros, o logo da Waves tornou-se reconhecido nacionalmente, e também em âmbito internacional. Bastava ser identificado para que se soubesse que se tratava de conteúdo surfe com a mais alta credibilidade. Neste sentido, tornou-se um ícone, daqueles atrelados para sempre a um significado de compreensão imediata. Mas nem por isso imune à evolução. Foi respeitando a força já consolidada, mas buscando dar mais significado ainda às suas formas, que o recém-assumido líder criativo da plataforma Waves, Felipe Garone, se debruçou sobre o logo. O desafio consistia em tentar melhorar o que já era ótimo, com muita humildade. “Precisávamos respeitar todo um legado construído ao longo de 28 anos. A Waves sempre foi uma marca que pautou cultura, então o rebranding precisava ser sutil, sem perder conexão. Trouxemos fluidez ao logo: o W e as letras, antes muito blocadas, agora respeitam esse movimento, essa fluidez. Atualizamos as cores e deixamos a marca condizente com os tempos atuais. O logo flui, o logo surfa”, observa Felipe Garone. É verdade, como uma ondulação chegando, o novo logo da Waves convida ao surfe. A que o observador deslize por suas formas agora mais arredondadas, lembrando o movimento de sobe e desce do meio líquido que tanto prazer proporciona aos surfistas. É como se a misteriosa energia que cruza oceanos para dar tanto prazer aos surfistas, pudesse agora ser visualizada também no logo.  Para deixar ainda mais claro, Felipe Garone preparou o vídeo acima, no qual divide com os usuários da Waves como esse processo criativo ocorreu. O novo logo integra o conjunto de transformações apresentadas pela Waves em sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso). Pegue essa onda e drope o novo logo da Waves.

    Elemento chave do novo projeto gráfico da plataforma, o icônico logo da Waves ganha forma de ondulação.

    Episódio de estreia da série documental O Pico revela a história da Paúba, desde a era dos nomes falsos e placas pichadas ao campo de treino que ajudou a moldar Gabriel Medina, passando pelo trágico acidente de Taiu Bueno. Toda onda tem uma história. Algumas são escritas em campeonatos, outras em imagens que atravessam décadas. Algumas nascem de momentos de glória, outras carregam marcas deixadas por tragédias que o tempo jamais apaga. Poucas ondas brasileiras reúnem tantos capítulos quanto a Paúba. Ela pertence a uma categoria especial de lugares que habitam conversas de estacionamento, capas de revista, vídeos compartilhados entre amigos e sessões imaginadas durante anos. Há lugares que, mesmo sem terem sido vistos de perto, já ocupam um espaço especial dentro de quem sonha com ondas. Para muitos brasileiros, Paúba é um desses lugares. Escondida entre o mar e a serra no litoral norte paulista, a pequena praia construiu uma reputação capaz de atravessar gerações. Seus tubos pesados, a bancada rasa e as condições frequentemente desafiadoras transformaram o pico em um dos lugares mais respeitados e temidos do surfe nacional. Foi ali que Gabriel Medina desenvolveu parte importante da técnica que o ajudaria a conquistar três títulos mundiais e enfrentar alguns dos tubos mais perigosos do planeta. Foi ali também que o big rider Taiu Bueno sofreu o acidente que mudaria sua vida para sempre. Por trás da fama da Paúba existe uma coleção de histórias. Histórias de pescadores e caiçaras. De fotógrafos, bodyboarders e surfistas. De amizades construídas dentro e fora d’água. De dias perfeitos e acidentes que marcaram profundamente a memória do surfe brasileiro. Durante muitos anos, a localização da Paúba foi protegida como um segredo. Revistas utilizavam nomes falsos para não entregar o pico. Placas eram pichadas para confundir visitantes. Quem encontrava aqueles tubos preferia mantê-los longe dos holofotes. Agora, chegou a hora de contar essa história. Paúba foi escolhida para inaugurar O Pico, nova série documental da Waves criada para explorar algumas das ondas mais emblemáticas do Brasil através das pessoas que ajudaram a construir suas identidades. A série integra o conjunto de novos produtos apresentados pela Waves em sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso). Para contar essa trajetória, a equipe reuniu personagens que viveram diferentes momentos da evolução do pico. Gente que testemunhou a transformação de uma praia quase desconhecida em um dos lugares mais respeitados do surfe nacional. Gente que viu Gabriel Medina chegar ainda menino. Gente que ajudou a escrever capítulos que jamais apareceriam em rankings, resultados ou manchetes. Ao longo do episódio, personagens como Sebastian Rojas, Felipe Paúba, JP Costa, Ditinho, Lúcia Frigerio, Ian Gouveia, Caio Costa, Zecão Rennó e outros nomes que fazem parte da memória da praia ajudam a reconstruir essa trajetória através de relatos raramente registrados em um mesmo lugar. As gravações aconteceram durante um grande swell que atingiu a região no início de maio. Com apoio da previsão do Waves Pro, a equipe mobilizou cinegrafistas locais e registrou um dos maiores dias do ano na Paúba até então. As ondas apareceram exatamente como gostam de se apresentar por lá: agressivas, imprevisíveis, desafiadoras, porém lindas e mágicas ao mesmo tempo. O resultado é um mergulho em uma história que fala de muito mais do que surfe. Fala sobre pertencimento, comunidade e coragem, porque a verdadeira história de uma onda raramente está apenas dentro d’água. Ela vive nas pessoas que cresceram ao seu redor. Nas amizades construídas ao longo dos anos. Nos medos superados. Nas vacas inesquecíveis. Nos tubos que ninguém viu. E nas histórias contadas depois que o mar acalma. Pegar um tubo na Paúba faz parte do imaginário de gerações de surfistas brasileiros, mas para entender de verdade por que esse pequeno trecho de areia exerce tamanho fascínio, é preciso conhecer as histórias que quebram junto com suas ondas. Aperte o play e descubra por que Paúba não é para qualquer um.

    Episódio de estreia da série documental O Pico revela a história da Paúba, dos tempos de segredo e nomes falsos ao pico que ajudou a formar Gabriel Medina e marcou para sempre a vida de Taiu Bueno.

    Feliz. Esse é o melhor adjetivo para descrever o momento que John John Florence vive. Quando ele deixou o Circuito Mundial, logo após conquistar seu terceiro título mundial, escolheu um novo rumo para sua carreira, sem garantia nenhuma de que a difícil decisão iria dar certo. Mas deu, e muito.  É justamente sobre exemplos e escolhas que girou boa parte da descontraída conversa do havaiano com o jornalista Adrian Kojin, que pode ser conferida no primeiro episódio do Wavescast. O podcast, que está sendo lançado pela maior plataforma surfe do Brasil como um dos produtos em destaque na sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso), chega para oferecer aos usuários da Waves o que pensam os maiores nomes do surfe mundial. Ter John John estrelando o primeiro episódio foi sem dúvida um privilégio. Escutar John John explicando que não foram os títulos mundiais de Tom Curren o que mais o marcou na trajetória do lendário californiano, mas sim sua coragem de escolher caminhos diferenciados do que se esperava dele, é revelador. “Eu admirava que ele conseguia fazer o que parecia certo para ele, sem estar preso a uma coisa ou outra”, diz ele ao reverenciar Curren como sua maior influência. Tem também John John celebrando seus outros dois grandes ídolos no surfe. Sobre Kelly Slater, ele se declara impressionado com sua capacidade de continuar performando num nível tão alto, “é incrível que ele consiga, na idade dele, ainda surfar do jeito que surfa”. Quanto ao que sentia ao testemunhar Andy Irons em ação, ele destaca a originalidade nas linhas traçadas, que o deixavam com a “sensação de que ele era imprevisível no que ia fazer na onda”.  No que diz respeito aos surfistas brasileiros no Tour, John John é só elogios. Para ele, a tempestade brasileira continua forte e a chance de mais um título mundial verde amarelo é grande. Sobre sua disputa particular com Gabriel Medina, para ver quem chega ao quarto título mundial antes – que deixou de acontecer esse ano quando ele resolveu partir para outra volta ao mundo velejando com a família – John disse sorrindo que “teria sido muito divertido, Gabriel tem sido um dos melhores. Ele me faz focar de verdade”. São 45 minutos de papo rolando solto e os assuntos são muitos. Dos perigos de surfar sozinho em lugares isolados, ao desejo de avistar o Cristo Redentor do deck de seu catamarã, John John demonstra sempre uma grande satisfação com o estilo de vida que optou em seguir. Ele conta que tem saudades do Tour, mas que não troca nada pelas experiências pelas quais tem passado ao lado da sua mulher e filho de dois anos de idade. Liberdade acima de tudo. Vale muito conferir.

    Estreia do Wavescast traz o tricampeão mundial John John Florence direto do seu veleiro enquanto navega pelo Pacífico, falando de Tom Curren, Kelly Slater, Andy Irons, Gabriel Medina e muito mais.

    Tentar explicar a sensação de surfar para quem não pega onda é uma tarefa complicada. Não sem razão uma das frases mais clássicas de nosso universo tão particular é aquela que diz que “Só um surfista conhece o sentimento”. Desde sempre foi uma das favoritas entre a equipe que faz a Waves. Mas, não faz muito tempo, alguém trouxe outra frase genial escutada para uma reunião de pauta, uma descrição tão apurada do nosso comportamento que ficamos absolutamente fascinados com sua sutileza e precisão: “Nós gastamos anos perseguindo segundos”. Tempo é o bem mais valioso que um ser humano pode ter. Se ele ou ela for um surfista, multiplique por muitas vezes esse valor. Surfistas precisam gastar muito tempo para poder sentir aquela sensação que dura uns poucos, ínfimos e efêmeros, segundos.  Mas é aí que reside o verdadeiro milagre do surfe. Na capacidade que a interação entre homem, prancha e ondas possui de alterar a percepção do tempo. Shaun Tomson, o sul-africano campeão mundial em 1977, considerado um dos maiores embaixadores que o surfe já teve, segue, aos 70 anos de idade, brilhando os olhos ao explicar que “o tempo se expande dentro do tubo”. Enquanto Gerry Lopez, eterno rei de Pipeline, que ainda entuba fundo e com muito estilo, celebra o efeito câmera lenta. “Quanto mais rápido eu deslizo, mais lentamente as coisas parecem acontecer.” Hoje a plataforma Waves pega uma nova onda, em disparada ao futuro, mas sem nunca deixar de reverenciar a essência do surfe. Todo surfista sonha com a onda perfeita, é onde ele quer estar. Por 28 anos esse foi o compromisso da Waves com seus usuários. Agora mais do que nunca. Quando a onda digital despontou no horizonte do surfe, a Waves remou forte e se tornou o primeiro veículo especializado no Brasil a botar pra baixo. Muitas séries vieram depois, e nunca amarelamos.  Mas chegou um momento em que percebemos que o lipe estava ameaçando correr mais veloz do que nossa capacidade de aceleração. Hora de reavaliar o posicionamento, se certificar de que as ferramentas utilizadas estão em sintonia com o desafio à frente e buscar entender ainda mais como podemos ser úteis a quem busca nossos serviços. É isso mesmo, a vocação da Waves é a de servir a comunidade do surfe. Informando, inspirando, indicando quando e onde as melhores ondas estarão acontecendo. Economizando tempo, para garantir mais segundos de onda. Na nossa prioridade é o usuário quem manda, e nesse novo momento estamos abrindo canais para que essa interação aconteça da forma mais eficiente possível.  Atualizamos o visual do site, facilitando a maneira como os surfistas interagem com a previsão, que foi expandida para 16 dias no Waves Pro. Vamos seguir publicando matérias com nossa reconhecida credibilidade, mas buscando ainda mais profundidade. Preservar e fomentar a rica cultura do surfe é um dever nosso, como principal veículo de mídia surfe na América Latina. Nesses tempos velozes, nosso Instagram receberá uma atenção ainda mais apurada, para divulgar o que de mais relevante está acontecendo no universo surfe. Ao mesmo tempo em que destacamos as frases, imagens, tópicos mais significativos de nossa produção editorial.  Nesse sentido, a TV Waves, nosso canal no YouTube, está sendo reinaugurada. Já estão disponíveis o primeiro episódio de “O Pico” e do Wavescast. Teremos muito mais conteúdo preenchendo a grade. Para começar, fomos à praia da Paúba retratar um dia de ondas grandes no campo de treino do tricampeão mundial Gabriel Medina e aproveitamos para contar a história de uma onda na qual tragédia e glória estão próximas demais uma da outra.  No nosso programa de entrevistas, o havaiano tricampeão mundial, John John Florence, responde do meio do Oceano Pacífico às perguntas feitas por Adrian Kojin, que quis entender o que o levou a abandonar as competições para viver com a família a bordo de um catamarã, cruzando os mares do planeta. Estamos apenas no início dessa nova onda que decidimos dropar com toda nossa energia. Muita coisa bacana está sendo programada para que a plataforma Waves se torne cada vez mais o centro em torno do qual gravita uma comunidade de surfistas, que tem as ondas como prioridade em suas vidas. Cada segundo surfado possui um valor enorme. E nós queremos que esses segundos virem minutos, horas, dias, uma vida dentro d’água. Sabemos que isso é impossível, mas nós gostamos de sonhar. Fica o convite para você sonhar com a gente.  NO LUGAR CERTO NA HORA CERTA É ONDE TODO SURFISTA SONHA EM ESTAR A FELICIDADE VEM EM ONDAS E NÓS SABEMOS ONDE E QUANDO

    Em nova fase e com visual remodelado, Waves evolui plataforma, expande seus produtos e reafirma o compromisso de quase três décadas: garantir que os surfistas estejam no lugar certo, na hora certa.

    A quinta etapa do Championship Tour da WSL chegou ao seu dia de encerramento neste sábado (13), nas ondas de Punta Roca, La Libertad, em El Salvador. Após uma breve pausa, o evento retornou com as quartas de final em um mar de boa formação, com ondas com pouco mais de um metro nas séries. O sábado em El Salvador terminou com um resultado histórico para o surfe europeu: Leonardo Fioravanti superou Italo Ferreira e se tornou o primeiro italiano a conquistar um título na elite mundial da WSL. Coroando uma campanha impecável, Fioravanti encerrou a competição sendo dono de três das cinco maiores notas de toda a etapa (9.00, 8.50 e 8.33). Apesar do vice-campeonato, Italo Ferreira deu mais uma prova de sua impressionante resiliência. Apenas dois dias antes do início da janela em Punta Roca, o potiguar sofreu um acidente no mar: foi atingido pela prancha de outro surfista durante uma sessão livre e precisou levar oito pontos no joelho direito. Mesmo assim, competiu em alto nível até o último dia. A grande decisão começou com Fioravanti ditando o ritmo ao abrir a bateria com um high score de 8.33. Italo tentou responder de imediato, mas a onda não ofereceu potencial e rendeu apenas 3.60. Consistente, o italiano logo somou um 6.17, abrindo uma vantagem confortável de 14.50 contra 5.33 do brasileiro. A oito minutos do fim, Italo incendiou a disputa. O potiguar encontrou uma excelente rampa, executou um aéreo perfeito e arrancou um 7.50 dos juízes. No entanto, Fioravanti não deu margem para a virada e, na sequência, cravou um 7.00 para selar o placar. Com 15.33 contra 10.90 do brasileiro, Leonardo saiu da água extasiado para celebrar a conquista inédita para a Itália. Com o resultado em El Salvador, Italo Ferreira garante a manutenção da cobiçada lycra amarela, seguindo na liderança do ranking mundial. Já o campeão Fioravanti dá um salto importante e assume a terceira colocação na corrida pelo título. Na final feminina, a pentacampeã mundial Carissa Moore (HAV) protagonizou uma final eletrizante contra a australiana Tyler Wright e conquistou seu segundo título consecutivo na temporada. Embalada pela vitória recente na etapa de Raglan, na Nova Zelândia, a havaiana mostrou frieza de campeã: encontrou a onda que precisava a menos de cinco minutos do fim e arrancou uma virada espetacular sobre a adversária. A bateria começou morna, com ambas as surfistas arriscando em ondas sem muito potencial. O ritmo mudou quando Carissa anotou um 5.50 em sua segunda tentativa. Tyler respondeu à altura, encaixando boas manobras para arrancar um 7.67. A havaiana não se intimidou e, logo em seguida, cravou a maior nota do confronto: um excelente 8.33. A seis minutos do fim, a australiana voltou a assumir a liderança ao marcar um 6.17. No entanto, mostrando toda a sua experiência, Carissa aproveitou os instantes finais para surfar uma onda decisiva de 6.77. Com a virada no apagar das luzes, a pentacampeã fechou o somatório em 15.10 contra 13.84 de Wright, garantindo a taça. Semifinais O clássico brasileiro entre Italo Ferreira e Gabriel Medina marcou as semifinais. Em uma bateria extremamente acirrada, o potiguar levou a melhor sobre o tricampeão mundial e, com o resultado, garantiu a manutenção da liderança do ranking. A disputa começou quente, com Medina abrindo com uma onda consistente. Combinando batidas e rasgadas, ele arrancou um 7.67 dos juízes. Italo respondeu à altura: encaixou bem na bancada, distribuiu manobras fortes e anotou 7.17. Na sequência, o potiguar arriscou um aéreo em uma nova onda e, mesmo sem completar a aterrissagem com perfeição, conseguiu os pontos necessários para assumir a liderança provisória da bateria. Sem se abalar, Gabriel surfou uma onda bastante técnica, rendendo um 5.67 e devolvendo-lhe a primeira posição. O clímax ficou para os seis minutos finais, quando ambos foram para o tudo ou nada em busca de notas maiores. Italo achou uma excelente onda, cravou 7.53 e virou o placar, somando 14.70. Medina lutou até o fim e ainda elevou seu somatório para 14.17, mas o tempo se esgotou, selando a classificação de Italo que, com o resultado, garantiu a lycra amarela (caso Medina vencesse o campeonato, ele assumiria a primeira posição do ranking). Na outra semifinal masculina em Punta Roca, Leonardo Fioravanti superou Kanoa Igarashi. O surfista japonês liderou boa parte da bateria, mas o italiano manteve o surfe sólido apresentado ao longo de todo o evento. Com uma reação decisiva nos minutos finais, Fioravanti alcançou o somatório de 12.00 e garantiu sua vaga na decisão. Abrindo as semifinais femininas, as havaianas Gabriela Bryan e Carissa Moore caíram na água para um duelo de alto nível. Gabriela começou melhor, anotando 6.50 e somando um 4.83 de backup. No entanto, Carissa Moore usou sua experiência para reverter o cenário: encontrou uma onda excelente, arrancou um 8.17 dos juízes e assegurou a classificação. Na segunda bateria feminina, as australianas Tyler Wright e Molly Picklum disputaram a última vaga para a grande final. Tyler assumiu a liderança logo no início com um expressivo 7.17. Molly chegou a assustar ao surfar a melhor onda do confronto, que lhe rendeu um 7.33, mas Tyler respondeu com um 6.73, fechou a conta e carimbou seu passaporte para a decisão. Quartas de final Dois brasileiros entraram na água neste sábado para as disputas das quartas de final: Italo Ferreira e Gabriel Medina. Italo protagonizou um verdadeiro duelo olímpico contra o taitiano Kauli Vaast, atual campeão de Paris 2024. O brasileiro levou a melhor e avançou à semifinal com um placar de 10.67 contra 8.33. O confronto foi marcado pelo equilíbrio na metade da bateria, quando ambos surfaram ondas parecidas e executaram manobras semelhantes. No entanto, a execução de Italo foi superior, rendendo-lhe um 6.50 contra um 5.00 de Kauli, o que o colocou na liderança. A dez minutos do fim, o potiguar trocou sua segunda nota por um 4.17, enquanto o taitiano somou apenas 3.33. A bateria chegou ao fim com Kauli precisando de um 5.67 para a virada, mas sem sucesso. Já Gabriel Medina teve um

    Italiano Leonardo Fioravanti e havaiana Carissa Moore faturam etapa de El Salvador no Circuito Mundial. Italo Ferreira é vice e mantém liderança do ranking.

    Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

    Fernando "Fedoca" Lima reúne em livro mais de cinquenta anos de história vivida e câmera na mão. Do Píer de Ipanema a Pipeline, de Bob Marley aos Rolling Stones no Maracanã.

    O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

    Com as primeiras ondas já reveladas, a piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios entrega um cardápio de ondas para cada nível e cada estilo de surfe.

    Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

    Conheça a história de Pedro Müller, o Águia, que competiu por mais de duas décadas e ficou conhecido como um dos mais conscientes e estratégicos da história do país.