CEO da WSL

Erik Logan vem para o debate

Erik Logan concede entrevista exclusiva ao Waves e fala sobre as polêmicas da WSL sem cerimônias, além das estratégias de negócio em sua gestão, como CEO da liga.
CEO da WSL, Erik Logan tinha medo do mar e só começa a surfar aos 40 anos

Uma série de mudanças constantes vêm acontecendo no lado competição do nosso esporte, desde que Erik Logan assumiu o cargo de CEO da WSL em 2020. Ex-presidente da Oprah Winfrey Network (OWN), o executivo encarou o desafio de tornar o Championship Tour (CT) da WSL um produto mais rentável em vendas de direitos e transmissão, porém algumas de suas decisões geram grandes polêmicas e discussões na comunidade do surfe.

Algumas dessas mudanças foram consideradas radicais por boa parte do público fiel. A final única em Trestles e o corte de atletas ao meio da temporada são alguns exemplos, além de outras novidades estruturais no calendário de competições, bem como o sistema de classificação para o CT. Muitos acreditam que estas novidades ajudam a expandir o esporte em nível global, enquanto outros questionam se são justas com os atletas. O público mais core, composto em sua maioria por sufistas praticantes e seguidores do Circuito de longa data, também diverge nas opiniões.

Como se não bastasse tantos motivos para discussão, a WSL ainda é alvo constante de críticas públicas no julgamento de baterias. A cada etapa é comum observar entre os espectadores questionamentos sobre os critérios do júri e a transparência deste processo. Muitas vezes essas discussões envolvem inclusive os próprios atletas, seja nos bastidores das competições ou publicamente, nas redes sociais.

Erik Logan nos recebeu cordialmente e com muita simpatia para um bate-papo e uma entrevista exclusiva ao Waves, em que todas essas e muitas outras questões foram abordadas e respondidas com naturalidade e sem cerimônias. O executivo não fugiu das perguntas e trouxe argumentos que podem enriquecer o debate, bem como proporcionar maior compreensão a partir de novos pontos de vista.

Convidamos os leitores para uma análise mais detalhada e um debate sobre os novos rumos do esporte que tanto amamos em nosso fórum. Confira a entrevista a seguir.

Como você avalia as mudanças que fez na gestão da WSL, desde que você assumiu a posição de CEO em 2020?

Eu assumi esta posição no início de 2020. Italo Ferreira tinha acabado de vencer o seu primeiro título mundial em Pipeline, em uma final épica contra o Gabriel Medina. Com isso veio a percepção e a oportunidade de repensarmos o formato do título mundial, uma vez que tivemos uma rara bateria final valendo o título em muitos anos.

Quando me tornei CEO da WSL foi uma época emocionante e a companhia estava começando realmente a ganhar tração. Mas nove dias depois, a pandemia veio com tudo. Precisamos cancelar a etapa de abertura do Circuito Mundial em Snapper Rocks e por fim o Circuito inteiro em 2020.

A partir daí tive que navegar em conjunto com o meu time de gestão, para decidirmos como proceder em tempos de pandemia. Tivemos que fazer várias mudanças sob a perspectiva da organização e também dos formatos.

A pandemia causou uma série de impactos sobre todas as pessoas, em suas carreiras, em decisões a serem tomadas, mudanças de lugares e muitas outras coisas. Isso também trouxe oportunidades à nossa companhia, de estarmos em lugares diferentes e voltarmos a alguns outros.

O que posso dizer a respeito das mudanças de gestão que tivemos está principalmente no nível Sênior, com a Jessi Miley-Dyer como Vice-Presidente de Tours e Chefe de Competição da WSL, Sarah Swanson como CMO (Chief Marketing Officer), Dave Prodan como nosso Chief Strategy Officer e Jason Eckert como CFO (Chief Financial Officer) vindo da NBA. Essas mudanças foram muito positivas, porque nós encontramos uma maneira de especializar a entidade com mais expertises vindas de fora do surfe. A nossa CMO, por exemplo, trabalhou durante anos na NFL. A Jessi já foi campeã mundial Pro Junior de surf.

Eu acho que da perspectiva de gerenciamento, nós tivemos uma série de outras mudanças, o que é muito comum em todos os negócios. Nós tivemos um ótimo começo e eu não poderia estar mais feliz com o nosso time de lideranças. Com os gerentes gerais também, como o Ivan Martinho, que faz um ótimo trabalho no Brasil.

Nós realmente nos focamos no Championship Tour e trouxemos uma série de inovações, como começar a temporada em Pipeline, ter competição feminina em todas as etapas, inclusive em Pipeline, o corte no meio do ano, o novo formato para coroar o campeão mundial em Trestles, a chegada do Challenger Series, dentre outras.

Os surfistas e os executivos da WSL têm uma única intenção em comum: criar a maior plataforma para o surfe no mundo. E olhando para a nossa performance no decorrer deste ano, acho que estamos no caminho certo para atingir este objetivo.

Neste processo de criar a maior plataforma para o surfe do mundo, entendemos que a liga como uma empresa precisa dar lucro. Do outro lado temos o surfe como esporte e os atletas. Como vocês tentam buscar o equilíbrio entre desenvolver um negócio lucrativo sem perder os princípios do esporte e a essência do surfe?

Esta é uma discussão constante que nós temos. Sobre como equilibrar o progresso do esporte e o esporte como um negócio. Uma vez que iniciamos essa organização, penso que a coisa mais importante que fazemos na empresa é coroar o campeão mundial. Esta é a base a partir da qual todas as outras decisões vêm. Algumas coisas que pensamos juntos são sobre como amplificar e criar este momento não somente para os surfistas, mas também para os fãs, patrocinadores e a comunidade global do surfe, com momentos sólidos.

Se você olhar para o nosso Tour agora, o que acontece é que quando você começa em Pipeline, isso se torna um grande momento. O corte no meio da temporada e geralmente a parada antes dela como conhecíamos antes. Bells Beach foi um grande momento. Obviamente os cinco que tentam chegar às finais também é outro grande momento, até o Taiti, além do WSL Finals como último grande momento.

Então, o que acontece quando você cria essas narrativas nesses momentos?Estruturalmente, do ponto de vista competitivo, você começa a agregar milhões de pessoas. Assim, como falamos com o WSL Finals, tivemos cerca de 8,5 milhões de pessoas impactadas. E esse número continua a crescer. Em relação ao ano anterior aumentou 22%. Esse é um registro realmente bom de dados. E o que acontece quando você cria essas narrativas e nossos surfistas entendem do que somos capazes? Junto com a Sherie R. Cohen, nossa Diretora de Faturamento (Chief Revenue Officer), somos capazes de alavancar essas audiências agora para patrocinadores globais, porque no final das contas, os nossos patrocinadores estão procurando algumas coisas diferentes.

Primeiramente, eles estão procurando uma maneira de se integrar ao esporte mais inspirador do mundo, que é o surfe. Depois, eles têm produtos para vender também, então estão procurando um público que possa aproveitar para comprar coisas. Quanto mais público e olhos tivermos, mais receita podemos gerar. Em terceiro lugar, eles estão procurando maneiras de realmente se integrar profundamente com o evento e com o nosso negócio.

A vila patrocinada que nós temos em Saquarema é um exemplo perfeito disso. Uma das maiores que temos em todo o Circuito. A presença que temos quando a gente vem para o Brasil é a maior de todas, e os patrocinadores veem isso. Parte da alquimia do negócio é sobre isso. Como utilizamos a estratégia para conduzir essa equação entre o lado profissional do surfe pela maior plataforma e ao mesmo tempo colocar nossos surfistas nas melhores ondas do planeta. Em seguida descobrir como alavancar isso de uma perspectiva de patrocínio. Tudo funciona em equilíbrio, mas no core, nós sempre colocamos o esporte em primeiro lugar.

Falando sobre esse crescimento de público na audiência de vocês, sabemos que aqui no Brasil, por exemplo, temos pelo menos 1 milhão de surfistas praticantes, de acordo com algumas pesquisas. Talvez até mais do que isso, se considerarmos todo mundo que já teve contato com o esporte na prática. Nós os chamamos de público core, que é muito importante para nós e com quem nós conversamos diariamente.
Nesta busca por novos públicos e novos fãs, como que vocês fazem para encontrar o equilíbrio e não deixarem também de atender ou de se comunicar com este público core de surfistas? Qual a estratégia de vocês para encontrar este equilíbrio sem abandonar os antigos fãs?

Se sairmos um pouco do universo do surfe, vamos olhar para futebol, para o beisebol. Olhe para o futebol americano, beisebol Americano, basquete americano. Olhe para o críquete. Olhe para o rúgbi. Todos os esportes. Eles estão focando em dois vetores muito semelhantes.

O primeiro é impulsionar o público, se dirigir e alcançar as pessoas onde quer que elas estejam. E isso através da distribuição de conteúdo e outras coisas dessa natureza, sempre expondo o esporte. Porque quanto mais todas as ligas, incluindo a nossa, expuserem os seus esportes, mais receita podem gerar.

Mas o segundo, que eu acho que é o que fica realmente interessante, é que todos eles estão impulsionando as inovações para o esporte também. Todo esporte que você olhar tem níveis e áreas de inovação, seja a introdução ou não de um relógio de tiro, se é ou não uma introdução da maneira como eles mudam as regras de horas extras, a maneira como eles mudam as regras dos playoffs.

Todo esporte, até mesmo a Fórmula 1, se você olhar para ela, está sempre mudando não só para modificar o esporte em si, mas para tentar melhorar a dinâmica competitiva ou criar algo mais emocionante para os fãs.

O que geralmente acontece diante disso é que você tem um grupo core de pessoas apaixonadas que amam o esporte, como eu também amo, mas que não gostam de mudanças. E normalmente as pessoas não gostam de mudanças. Isso gera um debate, porém não necessariamente uma discórdia. Discussões do tipo, se devemos ou não ter uma linha de 3 pontos na NBA, se o ponto extra no futebol americano deve ou não ser chutado da linha de três jardas. O nosso esporte não é inoculado a partir disso. Nós certamente sabemos disso e abraçamos isso.

Mas quando voltamos como uma liderança em si, e isso é o que sempre dizemos, a nossa intenção é criar a maior plataforma do mundo para o surfe profissional e colocar os melhores surfistas do planeta em cima dela, para impulsioná-los em suas carreiras no esporte para a frente. Essa estratégia é o que permite que o esporte continue a crescer. Continue marchando em direção à sua sustentabilidade como um negócio.

Essa tensão que fica no meio de tudo isso é algo em que eu presto muita atenção também. É uma pergunta que eu escuto muito também, tanto das pessoas, como em outras entrevistas que já participei. Eu só tento destacar e dar mais contexto porque sei que são muitos fãs. E nem todos eles se sentam em nossos lugares no escritório, nem sempre sentam ao lado dos negócios do esporte. Eles se concentram no que devem se concentrar, que é apenas o que está acontecendo no oceano ou o que está acontecendo com os nossos surfistas. Há muitas outras dinâmicas que nos fazem informar ou ter decisões melhores, e trazer isso ao conhecimento do público.

Em meio a todo esse processo de inovação, como vocês equilibram as mudanças necessárias com a opinião, as necessidade e os desejos dos atletas? Os atletas participam de todas as decisões em consenso sempre? Ou a WSL toma as decisões e apenas comunica os atletas? E sobre a escolha do calendário e das ondas que podem favorecer mais aos regulars ou goofy footers, como funciona esta parte?

Os atletas também são nossos acionistas. Nós conversamos o tempo todo. Eu, pessoalmente, falo muito com eles. Vou a muitos dos eventos, inclusive estive na etapa do Brasil este ano. De fato temos um grande diálogo. A Jessi Miley-Dyer também faz um grande trabalho nesta parte, não apenas falando sobre tópicos e modificações que temos que fazer na temporada, mas também sobre outras mudanças que precisaremos fazer para 2023. Até mesmo conversas sobre o planejamento de longo prazo. Imagine como que é surfar por quatro a cinco anos fora de casa. Por sinal, isso é algo que o surfe como nunca fez antes, tendo uma visão muito a longo prazo em termos de como estamos dirigindo esporte.

Temos um ótimo sistema que a maioria das pessoas conhece, que são os representantes dos surfistas. Temos dois homens e duas mulheres. Do lado dos homens temos o Connor O’Leary e o Jadson André, que eu diria que é o brasileiro favorito de todos (risos). Do lado feminino temos a australiana Tyler Wright e a francesa Joanne Defay. Então os representantes dos surfistas têm uma linha direta. E têm intensificado não só a defesa de opiniões dos atletas, mas também trabalham em uma coordenação mais rigorosa com a Jessi, com o Renato Hickel, com o Travis Logie e todas as outras pessoas com as quais você está muito familiarizado, sobre um monte dessas questões.

Então, quando nós como liga dizemos que precisamos tomar uma decisão no futuro, sempre temos uma conversa com os surfistas e eles nos dão suas opinões. Você sabe, que só no CT, entre competidores e convidados nós temos quase 50 surfistas. Então, nem sempre 100% deles estarão 100% de acordo sobre 100% das coisas. Não é assim que as coisas são.

Mas o que tentamos fazer e o que eu pessoalmente faço, como fiz em Bells Beach, é sentar com eles e explicar as realidades e os desafios dos negócios que temos no mundo hoje, bem como o cenário econômico global e tentar fornecer todo o contexto aos nossos surfistas, para que eles possam ter o mesmo conjunto de dados que nós temos, em termos de desempenho da audiência, retorno econômico e viagens. Todos os fatores necessários para se montar um calendário.

Então passamos muito tempo juntos. Acho que a melhor maneira de enquadrar isso é sempre tendo conversas muito abertas, nas quais compartilhamos com eles as informações. De todos esses surfistas, há alguns que estão muito engajados com todos os temas, que querem falar sobre isso. E alguns são do tipo “apenas deixe-me saber o que eu preciso fazer”. Tentamos equilibrar isso juntos. Mas é assim que funciona com os surfistas.

Já do ponto de vista dos fãs, acho que o feedback é sempre ótimo saber. Não importa a decisão que a gente tome, geralmente ouvimos pontos positivos e negativos. Mas o que sabemos olhando para os números é que a maior parte das pessoas estão consumindo o esporte. E no meio de tudo isso é o que está impulsionando o negócio na verdade.

Algumas pessoas amam algumas coisas, outras odeiam outras coisas. Nós tentamos ouvir a todos, porque você nunca sabe. Quando você ouve as pessoas descobre que algumas têm críticas e outras têm pontos bons. E às vezes elas apontam, como já aconteceu comigo algumas vezes, que há coisas que eu não tinha pensado antes. E esses são bons pontos. Levo em consideração para as próximas decisões. Então eu realmente acho que toda a equipe e a empresa têm uma forma muito aberta e transparente de ouvir feedbacks e de se comunicar.

Falando sobre o formato escolhido para o WSL Finals. Obviamente sabemos que o surfe é um esporte que depende da condição das ondas e da natureza para acontecer. Nem sempre temos a melhor condição no dia esperado ou agendado. Um exemplo disso é o que vimos nas finais em Trestles neste ano.
Tomemos como exemplo o que aconteceu com a Carissa Moore. O atleta compete o ano inteiro em condições diversas e consegue ser o melhor de todos com consistência, dentro da variação de condições no decorrer da temporada, para então perder o título mundial em apenas um dia, em condições de ondas como as que vimos, devido a este novo formato.
Como que a WSL vê uma situação como esta? Na tua opinião, o que é mais emocionante de assistir, uma final em Trestles ou em Pipeline? E Por quê?

Bem, há muito o que desmembrar dentro dessas perguntas. Então vamos começar com o formato. Estamos nele há dois anos. Nesse tempo tivemos quatro atletas que conquistaram o seed nº1, sendo dois homens e duas mulheres. Três ganharam o título mundial. A Carissa perdeu para a Steph neste ano, mas também ganhou da Tatiana no ano anterior.

De acordo com o feedback que recebemos da grande maioria dos surfistas, da grande maioria dos fãs, da grande maioria de tudo o que vimos como evidência e a propósito os números que indicam isso, a ideia de criar um dia de finais para os campeões mundiais ganharem o título na água é uma coisa muito especial e significativa.

Veja a declaração da Stephanie Gilmore sobre o que significou para ela vencer o seu 8º título mundial, porém pela primeira vez dentro do oceano. Nós ouvimos muitas opiniões sobre isso. Ouvimos opiniões de campeões como Kelly Slater, Mick Fanning e outros, sobre a oportunidade de vencer um título no dia e dentro do oceano. E isso é esporte. E vamos ser honestos, podemos passar por uma lista de exemplos de pessoas que se saem bem o ano todo e ainda assim têm que ganhar no dia decisivo.

Acontece com pilotos de F1, acontece com times de futebol, acontece nas Olimpíadas, acontece o tempo todo. Quando as pessoas falam sobre ganhar um título mundial em um único dia, se olharmos para isso… Veja o Italo Ferreira. Como sabemos, ele treinou toda sua vida para conseguir ganhar uma medalha de ouro nas Olimpíadas. E eu certamente diria que as ondas que tivemos em Chiba eram muito inferiores ao que vimos este ano em Trestles, por exemplo. E se ele não tivesse ganhado sua medalha de ouro, teria que esperar quatro anos para tentar de novo.

Então eu não concordo necessariamente com essa percepção. Acho que é uma grande coisa para o esporte e que os surfistas e todo mundo vêem isso. Em termos de qualidade de onda, a minha resposta para isso é bastante simples. Todo mundo tem que competir nas mesmas condições e você sabe que não podemos escolher também um dia grande e perfeito em Pipeline. Veja em quantos anos, por exemplo, nós tivemos que colocar a competição na água em Pipeline sem a melhor das condições esperadas pra esse pico. O nosso esporte está sujeito a estas condições o tempo todo.

Olhe para G-Land, por exemplo. Este ano nós não tivemos nenhum dia de ondas boas por lá durante a janela. Mas se você diminuir o zoom e olhar para os 10 eventos, mais as finais, e olhar para cada ano, os dados diriam que você tem eventos que deram certo e eventos que não deram tão certo em termos de ondas. Isso é exatamente o que acontece quando você compete no oceano.

Trestles ainda oferece a uma pista mais justa e versátil para não condicionar a vitória apenas aos tubos ou a um determinado modo de surfar, a não distorcer de uma certa maneira. E vimos dois tipos diferentes de surfe nos últimos dois anos em Lowers. Vimos uma onda de alta performance e mais previsível este ano. No anterior foi onda maior, porém quase que passando do ponto, se você bem se lembrar. Então acho que essa é a dinâmica que pensamos quando olhamos para essas duas coisas.

Mas voltando ao teu ponto sobre Pipeline, você sabe que nós melhoramos a janela. Sabemos que historicamente as melhores ondas em Pipeline sempre aconteceram mais pro final de janeiro, e fazíamos a nossa etapa em dezembro. Então você sabe que não é surpresa que quando fizemos a etapa em Pipe no início deste ano, tivemos ondas melhores, por estarmos em uma janela melhor.

Falando agora sobre o julgamento, que é um tema polêmico em muitos esportes. Muitas vezes o público e os fãs não concordam com as decisões dos juízes, principalmente em um esporte com critérios de avaliação tão subjetivos, como o surfe.
Gostaria de abordar contigo não a mudança de critérios, mas a discussão é sempre sobre como tornar as decisões dos juízes mais transparentes a cada dia de competição, tanto para o público, quanto para os competidores, que muitas vezes saem insatisfeitos com os resultados.
Vendo de fora, às vezes temos a sensação de que nem sempre a adaptação do critério é esclarecido pelos juízes nos diferentes dias de uma competição, principalmente em decisões polêmicas, ou a cada mudança de tipo de onda.
O que você acha que poderia ser feito para que a transparência fosse trabalhada melhor nessas situações?

Acho que uma das grandes coisas do nosso esporte é a subjetividade. Eu acho que é uma parte muito importante do que fazemos e acontece em muitos esportes, como no skate, na patinação e em muitos outros esportes olímpicos, por exemplo.

Eu não tenho nada além da maior consideração, respeito e confiança na integridade da nossa equipe e de todos os nossos juízes, liderados pela Jessi e pelo Pritamo (Ahrendt). Eles têm um trabalho extraordinariamente difícil. Eles ficam sentados por horas e horas, observando onda após onda após onda. E têm a capacidade de utilizar a tecnologia para realmente comparar ondas do início do dia, para que as escalas se construam.

Há diversas coisas que tentamos fazer sobre o julgamento. Uma delas é sobre o Richie Porta, que já foi nosso Head Judge, aparecer cada vez mais em nossa transmissão ao vivo, explicando não somente sobre os critérios, mas também outras situações do surfe que os fãs possam não saber apenas lendo o livro de regras, como situações específicas de prioridades e outras coisas bem específicas. Ele também pode comparar as ondas entre as baterias e as escalas de notas entre elas.

O que mais me impressiona em nossos juízes é a consideração e o tempo que eles levam para atribuir uma pontuação. Uma das coisas que os fãs sempre perguntam repetidamente após uma onda é sobre qual é o placar. Acho que é importante destacar o fato de que a razão pela qual essas pontuações levam algum tempo é porque as ondas estão realmente sendo avaliadas. Os juízes estão realmente julgando todos os detalhes das ondas e para isso utilizando também o replay. Neste meio tempo, obviamente você vê escrito em nosso placar: “esperando por pontuação”.

Isso é porque há o cuidado, a integridade e o foco em acertar. Não importa se essa pontuação sai cinco segundos ou cinco minutos depois da onda. As reações serão sempre as reações, mas a parte mais importante para nós é a integridade do processo. Como você pode ver na nossa série na Apple TV, Make or Break. Nós permitimos câmeras lá dentro.

Então você sabe que tentamos fazê-lo de uma forma muito autêntica para que todos possam vê-la. Temos também cinco juízes numa bateria, que atribuem 5 notas. A maior e a menor são cortadas e uma média entre as outras 3 é feita. Então eu acho que é uma boa nota final, mas também acho, de uma perspectiva do processo, que estamos continuamente tentando encontrar maneiras de educar os fãs.

Sobre o corte do meio da temporada no CT. Por um lado vocês inovam, criam um drama e trazem mais emoção para os fãs. Por outro lado isso muda o plano de carreira de muito atletas, assim como a introdução do CS entre o QS e o CT. Como você analisa os pontos positivos e os negativos de todos esses novos fatores?

Uma das coisas mais importantes que tentamos fazer com este novo sistema de 3 níveis, que envolvem o Championship Tour, o Challenger Series e os QS regionais, é criar e estimular mais surfe em nível regional, além de tentar organizar e torná-lo mais eficiente para os surfistas se qualificarem. Ao fazer isso, também estamos tentando fazer mais campeonatos e descobrir uma maneira de melhorar a qualidade das ondas.

Como um fã apaixonado pelo surfe, você sabe que temos um time completo pré-corte com 50 surfistas, entre homens e mulheres. Sendo assim, um evento leva cerca de 4 dias e meio para ser concluído, enquanto a maioria dos swells dura cerca de três dias. Pós-corte, quando já temos uma quantidade menor de surfistas, podemos correr e finalizar tudo em torno de 3 dias.

Então, quando você olha para as performances e para as ondas que temos na segunda metade da temporada, especificamente em J-Bay ou no Taiti, fomos capazes de acelerar e nos concentrarmos nas melhores ondas, mantendo os surfistas competindo em ótimas condições. Por exemplo, em J-Bay, se estivéssemos com todos os surfistas do início da temporada, as finais teriam acontecido em outras condições e provavelmente em ondas com vento maral, porque o swell basicamente acabou.

Isso é um grande benefício que poucas pessoas estão cientes. Estamos apenas lidando com padrões que acompanhamos há cinco décadas, então temos uma boa compreensão do que é isso. Se você olhar os dados e as performances verá isso. Essa é a primeira coisa que eu acho que melhora o nível.

A segunda é se você olhar para os surfistas que historicamente competiam nas etapas do QS de 10 mil pontos. Eles tinham que competir no CT e ainda dar um jeito de viajar para competir também nessas etapas de alta pontuação. E então eles estavam cruzando o mundo, ou seja, competindo em duas turnês. Uma logística difícil para competir ao mesmo tempo.

O corte do meio da temporada é uma pausa limpa, que permite aos nossos surfistas começarem a surfar o Challenger Series em maio, em Snapper Rocks. A propósito, a melhor época do ano para Snapper, como sabemos, pois até os australianos chamam de “maio mágico”.

Em paralelo uma outra plataforma voltando à nossa intenção de aumentar a exposição para as pessoas requalificarem, sendo dez homens e cinco mulheres pelo Challenger Series. Acho que é importante também falar que apenas o Challenger nos trouxe um crescimento na audiência digital de 25% em 2021, por exemplo, em comparação com 2020.

E continua crescendo, porque agora os fãs acompanham. Costumávamos ter etapas de 10 mil pontos em cima dos CTs, e o fã não tinha certeza sobre qual assistir, era muito confuso. Mas se você é um fã, agora é muito claro quais são as prioridades. Você sabe onde está o CT, onde está o Challenger, onde está o Tour de Longboard, etc. Nós facilitamos as coisas para o fã. Acho que esses são os principais pontos positivos.

Sobre os pontos negativos, acho que são óbvios. Você tem atletas do CT que não continuam competindo na segunda metade da temporada, como o Leo Fioravanti, que é um exemplo fantástico. Léo não escapou do corte em Margaret River, foi para o Challenger e se re-qualificou em primeiro lugar.

Ele voltará ao CT na primeira etapa em Pipeline e deve ir longe, pois voltará ainda mais poderoso e com mais confiança para o CT. Então acho que há uma série de pontos positivos, mas os negativos são o fato de ser novo, ter mais viagens e ter mais baterias para disputar, porque tem bem mais surfistas competindo. São essas coisas que estamos olhando no esporte, mas acho que os pontos positivos são enormes.

A última coisa que vou te dizer sobre os três níveis, é sobre a força que os eventos regionais ganham. Tivemos há pouco um evento regional do QS em Saquarema e foi emocionante. Nós temos esses eventos regionais em todas as nossas sete regiões. Eles são realmente fundamentais, porque agora os surfistas locais não têm que gastar tanto dinheiro viajando pelo mundo para se qualificarem ao Challenger Series. Eles podem ficar em casa.

Os brasileiros podem competir em sua região, ao invés de terem que viajar em busca de um evento de 5.000 ou 10.000 pontos, do outro lado do mundo, onde eles podem não ter grana suficiente para ir.

Acho que este é nosso primeiro ano completo para ser justo com a empresa. Acho que houve um monte de aprendizados e que à medida que avançarmos vamos continuar a modificar e ajustar o que for necessário.

Minha resposta foi um pouco longa (risos), mas você fez uma pergunta muito boa, então eu tinha que ser atencioso com isso.

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    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.

    A Seleção Brasileira está convocada para o ISA World Surfing Games 2026. A Confederação Brasileira de Surf anunciou nesta segunda-feira (5) os seis atletas que representarão o país entre os dias 6 e 15 de novembro, em Punta Rocas, no Peru, na competição que abre o ciclo classificatório do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. No masculino, o Brasil será representado por Yago Dora, Italo Ferreira e Miguel Pupo. Os três são os brasileiros mais bem colocados no ranking do Championship Tour em 2026. Yago, atual campeão mundial, lidera a classificação; Italo ocupa a terceira posição; e Miguel chegou ao quarto lugar depois da vitória em Trestles. O time feminino terá Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel. Luana é a única brasileira no CT, enquanto Laura garantiu presença como campeã brasileira de 2025. Sophia Medina seria a representante vinda do Challenger Series, mas recusou a convocação, abrindo a vaga para Tainá, a próxima brasileira no ranking. Segundo a Confederação, os critérios de convocação priorizam os três melhores atletas brasileiros no ranking do CT da temporada. Caso as vagas não sejam preenchidas, passam a valer na sequência o Challenger Series, considerando o melhor brasileiro até a 40ª posição, bem como o ranking brasileiro de 2025. Vaga extra em Los Angeles Além das medalhas individuais em Punta Rocas, o ISA World Surfing Games terá peso direto na composição das equipes para os Jogos Olímpicos de 2028. O país campeão por equipes no masculino conquista uma vaga olímpica extra, assim como o campeão por equipes no feminino. A vaga pertence ao país, e não ao atleta que obtiver o resultado. Normalmente, cada nação poderá levar até dois surfistas por gênero aos Jogos, mas esse número pode chegar a três caso o país conquiste uma das vagas extras por equipes nos ISA World Surfing Games de 2026 ou 2027. O Brasil conhece bem esse caminho. Em Paris 2024, foi o único país a competir com o número máximo de atletas tanto no masculino quanto no feminino depois de vencer os títulos por equipes do ISA World Surfing Games 2024 nas duas categorias. As medalhas olímpicas do surfe em Los Angeles 2028 serão disputadas entre 15 e 23 de julho, em Lower Trestles, na Califórnia, palco onde Miguel Pupo venceu recentemente uma etapa do CT 2026. Seleção Brasileira MasculinoYago DoraItalo FerreiraMiguel Pupo FemininoLuana SilvaLaura RauppTainá Hinckel Como funciona a classificação para Los Angeles 2028 Para o Brasil, a classificação olímpica passa por diferentes caminhos, que seguem uma ordem de prioridade. O principal será o Championship Tour de 2028: o ranking considerado entre 15 de agosto de 2027 e 15 de junho de 2028 distribuirá oito vagas masculinas e oito femininas, com limite de um atleta por país em cada gênero. O segundo caminho será o ISA World Surfing Games 2028, que classificará outros sete homens e sete mulheres, novamente com apenas uma vaga por país em cada gênero. Na prática, por essas duas vias, um país poderá garantir até dois surfistas no masculino e dois no feminino: um pelo CT e outro pelo Mundial da ISA. É aí que os Mundiais de 2026 e 2027 ganham importância especial. O país campeão por equipes em cada gênero recebe uma vaga olímpica adicional, o que abre a possibilidade de chegar a Los Angeles com três atletas no masculino e/ou três no feminino. Essa vaga pertence ao país, e não ao surfista que conquistar o resultado. No caso brasileiro, caberá ao COB e à Confederação Brasileira de Surfe definir posteriormente quem ocupará a posição. Outro caminho para os brasileiros será os Jogos Pan-Americanos de 2027, também programados para Punta Rocas. Os campeões masculino e feminino garantem classificação para Los Angeles 2028, mas a vaga deixa de ser utilizada caso o atleta posteriormente se classifique por uma via considerada superior, como o CT ou o ISA World Surfing Games 2028. O sistema ainda prevê vagas por competições continentais, país-sede e universalidade. Entre elas estão os Jogos Asiáticos de 2026, vagas para África e Oceania pelo ISA Games 2027, o Campeonato Europeu de 2027 e vagas destinadas aos Estados Unidos como anfitriões, caso o limite máximo por país ainda não tenha sido preenchido.

    Yago Dora, Italo Ferreira, Miguel Pupo, Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel representam o Brasil de 6 a 15 de novembro em Punta Rocas, na abertura do ciclo olímpico para Los Angeles 2028.

    O Finals Day teve as melhores condições de toda a semana na Praia de Maresias, em São Sebastião (SP). Ondas de aproximadamente 1,5 metro, boa formação e vento terral receberam as disputas a partir das quartas de final neste sábado (3), no encerramento da terceira etapa do Challenger Series 2026. No fim do dia, a festa foi brasileira. Ryan Kainalo superou Alister Reginato na decisão masculina, garantiu o título e deixou Maresias na liderança do ranking. No feminino, a australiana Charli Hately derrotou a portuguesa Francisca Veselko. Ambos conquistaram 10.000 pontos no ranking. Ryan voa e assume a liderança Único brasileiro a chegar ao Finals Day, Ryan Kainalo teve um sábado perfeito em Maresias. Depois de superar o peruano Lucca Mesinas nas quartas de final, o paulista dominou o australiano Oscar Berry na semifinal e chegou à primeira decisão da carreira no Challenger Series. Na final contra Alister Reginato, Ryan abriu sua conta com um aéreo alto para receber 6.83. Depois, conectou três manobras fortes na parte crítica da onda e arrancou 7.67, chegando a 14.50 pontos. Reginato terminou com 5.83 e, a quatro minutos do fim, ainda precisava de 9.17 para virar a bateria. Ryan administrou a vantagem até a buzina e, ao sair da água, correu para abraçar o pai. “Estou muito feliz, ainda digerindo tudo isso. Foi um dia inesquecível. A praia estava cheia, a torcida brasileira é diferente de tudo. Energia surreal. Estou muito feliz, de verdade”, celebra Ryan Kainalo. O brasileiro já havia produzido um dos grandes momentos do dia na semifinal contra Oscar Berry. Ryan acertou um aéreo full rotation para receber 8.50, maior nota masculina do Finals Day, colocou o australiano em combinação e venceu por 14.20 x 3.73. Com os 10.000 pontos da vitória, o surfista de 20 anos assumiu a liderança do Challenger Series e deu um passo importante na corrida por uma vaga no Championship Tour de 2027. Charli Hately leva o feminino No feminino, Charli Hately também alcançou a primeira decisão da carreira no Challenger Series e aproveitou a oportunidade. A australiana de 17 anos derrotou Francisca Veselko por 14.33 x 10.67 na final, com notas 7.83 e 6.50. Charli mostrou paciência para encontrar as melhores direitas de Maresias e atacou as ondas com um backside potente. “É loucura. Não consigo acreditar que venci. Coloquei minha cabeça no lugar, peguei as ondas e agora tudo parece surreal. Sou muito grata. A todos em casa, à minha família, a todos que estão torcendo. Sou muito agradecida”, afirma Hately. A campanha teve ainda uma virada importante na semifinal. Charli passou os primeiros 20 minutos atrás de Anat Lelior, mas encontrou as ondas na reta final, marcou 7.33 e 6.50 e avançou com 13.83 x 10.97. Com o título, a australiana somou 10.000 pontos e saltou para a décima colocação do Challenger Series, com 11.940 pontos. Francisca assume vice-liderança Vice-campeã em Maresias, Francisca Veselko também deixou São Sebastião em posição importante na corrida pelo CT. A portuguesa eliminou Teresa Bonvalot nas quartas e teve uma grande atuação contra Sally Fitzgibbons na semifinal. Francisca marcou 8.83 em uma sequência de fortes manobras de frontside e venceu por 13.50 x 7.10. A nota foi a maior do feminino em toda a competição. Com os 7.800 pontos do segundo lugar, Francisca assumiu a vice-liderança do Challenger Series, atrás apenas da australiana Sierra Kerr. Números do São Sebastião Pro O feminino teve 635 ondas surfadas em 31 baterias. Francisca Veselko foi a única atleta a alcançar uma nota de critério excelente, com o 8.83 da semifinal. Charli Hately veio na sequência com 7.83 na final, mesma nota alcançada anteriormente por Sanoa Dempfle-Olin. Kana Nakashio teve a maior somatória feminina da competição, 14.40, ainda no Round das 32. Entre os homens, foram 1.092 ondas surfadas em 47 baterias. Jackson Bunch ficou com a maior nota da competição, 8.83 no Round dos 64. Ryan Kainalo veio na sequência com o 8.50 da semifinal, seguido pelo 8.33 de Joel Vaughan no Round das 32. Resultados a partir das oitavas de final Masculino Oitavas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 9.67 x Kade Matson (EUA) 5.662 – Charly Quivront (FRA) 12.00 x Joel Vaughan (AUS) 9.963 – Lucca Mesinas (PER) 10.14 x Jackson Bunch (HAV) 9.604 – Ryan Kainalo (BRA) 11.50 x Yago Dominguez (ESP) 10.105 – Alonso Correa (PER) 10.00 x Beyrick De Vries (NED) 7.836 – Kei Kobayashi (JAP) 12.83 x Jett Schilling (EUA) 9.777 – Alister Reginato (AUS) 9.50 x Crosby Colapinto (EUA) 8.338 – Ian Gentil (HAV) 9.17 x Owen Moss (EUA) 7.80 Quartas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 13.50 x Charly Quivront (FRA) 9.672 – Ryan Kainalo (BRA) 12.67 x Lucca Mesinas (PER) 11.003 – Alonso Correa (PER) 11.73 x Kei Kobayashi (JAP) 4.934 – Alister Reginato (AUS) 12.84 x Ian Gentil (HAV) 11.50 Semifinais 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.20 x Oscar Berry (AUS) 3.732 – Alister Reginato (AUS) 14.33 x Alonso Correa (PER) 9.57 Final 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.50 x Alister Reginato (AUS) 5.83 Feminino Oitavas de final 1 – Kiara Goold (PYF) 12.13 x Sierra Kerr (AUS) 10.172 – Anat Lelior (ISR) 10.00 x Amuro Tsuzuki (JAP) 8.743 – Charli Hately (AUS) 11.60 x Anon Matsuoka (JAP) 11.134 – Eweleiula Wong (HAV) 11.07 x Sol Aguirre (PER) 7.335 – Francisca Veselko (POR) 9.50 x Ziggy Aloha Mackenzie (AUS) 8.676 – Teresa Bonvalot (POR) 5.27 x India Robinson (AUS) 5.137 – Sally Fitzgibbons (AUS) 12.00 x Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 9.668 – Kana Nakashio (JAP) 7.60 x Sophia Medina (BRA) 7.03 Quartas de final 1 – Anat Lelior (ISR) 10.50 x Kiara Goold (PYF) 8.172 – Charli Hately (AUS) 11.24 x Eweleiula Wong (HAV) 8.173 – Francisca Veselko (POR) 13.16 x Teresa Bonvalot (POR) 9.704 – Sally Fitzgibbons (AUS) 10.97 x Kana Nakashio (JAP) 8.43 Semifinais 1 – Charli Hately (AUS) 13.83 x Anat Lelior (ISR) 10.972 – Francisca Veselko (POR) 13.50 x Sally Fitzgibbons (AUS) 7.10 Final 1 – Charli Hately (AUS) 14.33 x Francisca Veselko (POR)

    Charli Hately conquista título feminino e Ryan Kainalo assume topo do Challenger Series, com vitória no Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP).