Surf Ranch Pro

Filipinho é campeão

Filipe Toledo bate Gabriel Medina na final e vence pela primeira vez no Surf Ranch, Califórnia (EUA).

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Filipe Toledo é o grande vencedor do Surf Ranch Pro 2021.

A história foi parecida, mas com um final diferente. Filipe Toledo venceu Gabriel Medina na terceira final consecutiva entre os dois na piscina de ondas perfeitas em Lemoore, Califórnia (EUA). Depois de ficar em segundo lugar em 2018 e 2019, Filipinho deu o troco no conterrâneo e fez a festa no Surf Ranch Pro 2021.

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A final começou com Filipe em ação, já que terminou a semi em segundo lugar, atrás de Medina. O brasileiro foi morno para os seus padrões e conquistou duas notas na casa dos sete pontos (7.50 e 7.33). Já Medina anotou 8.67 na direita e errou na esquerda.

Na sequência Filipinho voltou e destruiu a direita, para arrancar nota 9.67 dos juízes. Na sequência decolou e colocou mais 8.27 no somatório. Medina foi pra água na pressão e errou na direita, na segunda manobra após o primeiro tubo, mas ainda voltou pra onda. Quando tentou extrapolar com um voo se enrolou na aterrissagem, mas corrigiu o corpo, botou pra dentro do segundo canudo e na saída tentou um super aéreo, que também errou.

 

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Gabriel Medina ainda tinha mais uma chance na esquerda e precisava fazer bonito para arrancar os 9.28 pontos que precisava. O bicampeão da etapa começou com duas manobras muito fortes e partiu para o aéreo novamente, mas caiu.

Festa de Filipe Toledo, campeão com 17.94 pontos contra 10.60 de Gabriel Medina. Essa foi a segunda vitória de Filipe no Surf Ranch, mas a primeira numa etapa válida pela elite mundial. O primeiro título foi num evento especial de duplas, promovido pela WSL em 2020, em que foi campeão ao lado da havaiana Coco Ho.

“Finalmente! O Gabriel ganhou os outros dois eventos aqui e eu ficava com aquele gosto amargo. Então é uma ótima sensação vencer agora, especialmente contra o Gabriel, que tem dado um show no circuito e já está garantido no WSL Finals”, disse Filipe Toledo. “Hoje é um dia muito especial, é Dia dos Pais (nos EUA), minha família inteira está aqui, meus filhos, a minha esposa e meus amigos, então está sendo um evento muito significativo. Não só pela vitória, mas pelo meu surfe também. Foi incrível passar bastante tempo na Austrália com meus amigos do Tour, mas estar aqui com a família não tem preço”.

Filipe Toledo fatia a esquerda do Surf Ranch no caminho para a vitória.

Com a vitória, Filipe subiu da quarta para a terceira posição no ranking mundial. Medina segue líder. Italo Ferreira, que parou no Surf Ranch antes das semifinais, está em segundo lugar.

“Estou feliz por mais uma final, mas o Filipe venceu dessa vez”, conformou-se Gabriel Medina. “Esse evento é divertido, porque as ondas sempre são boas. Tem o lado da pressão, que deixa tudo mais interessante, mas eu queria ter mais uma chance na esquerda (risos). O Filipe é o meu favorito aqui, sempre temos batalhas boas e ele surfa muito nessas ondas. Para ser sincero, estou muito cansado e só quero ir para casa. Estou na estrada desde o Natal e ainda não voltei para casa, então sinto que preciso descansar um pouco. Apesar de estar sendo uma longa estrada, tenho viajado junto com a Yasmin (Brunet, sua esposa), então fica mais divertido e temos aproveitado bastante esse tempo juntos”.

 

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Caminho para a final – Filipinho entrou no último dia do Surf Ranch Pro como primeiro na classificação final e Medina em segundo, mas isso se inverteu na semifinal. Antes, na fase de bônus, os dois brincaram em suas ondas, pois já estavam classificados. Mas na semi o bicho pegou e rolou pressão para os dois.

A fase começou com todos os surfistas sem nenhuma pontuação. O norte-americano Griffin Colapinto entrou na água após o conterrâneo Kelly Slater errar nas duas ondas iniciais e foi bem. Griffin garantiu 8.73 pontos na direita e 7.50 na esquerda, notas que acabaram sendo as melhores notas dele nas quatro ondas surfadas. Outro que botou pressão nos brasileiros foi Kanoa Igarashi. O japonês pulou para a primeira posição após arrancar nota 8.93 na primeira direita, e 7.57 na segunda esquerda.

Gabriel Medina faz quinta final no circuito 2021.

Medina e Filipe fecharam a fase. Os dois estavam abaixo de Kanoa, mas Filipe estava se garantindo na final em segundo lugar. O bicampeão da etapa, que já tinha arrancado 8.37 na primeira direita, foi ainda melhor na segunda onda para o mesmo lado e colocou 8.83 no somatório. Mas ele ainda precisava melhorar a pontuação na esquerda, já que tinha 6.63. E ele conseguiu com manobras fortes, invertendo a prancha em algumas delas e mais dois aéreos, um reverse antes e um Kerrupt Flip depois.

A nota 9.27 levou Medina para a primeira posição e jogou Filipe para a terceira, fora da zona de classificação para a final. Mas Toledo ainda tinha duas ondas para surfar. Na direita a nota foi 9.57, conquistada com manobras potentes, jogando a rabeta por cima do lip, rasgando com força e agilidade sem perder o tempo da onda, além de bons tubos e um alley-oop. A atuação garantiu vaga na final e ele apenas brincou na esquerda, poupando energia para a finalíssima.

 

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Yago voa três vezes – Outro brazuca que participou das semifinais foi Yago Dora. Ele também deu um gás muito forte. Na melhor apresentação da fase voou três vezes numa esquerda para ganhar 9.73 dos juízes. Porém faltou uma nota boa na direita e ele acabou eliminado, finalizando o Surf Ranch Pro em quinto lugar.

“Estou muito feliz com essa esquerda e tenho mais uma depois pra tentar a nota 10 (risos)”, brincou Yago Dora. “Eu sabia que precisava compensar a queda na direita. Foi um erro estúpido. Fiquei muito fundo no tubo e não dá para fazer isso nessa onda. Uma vez que a espuma te pega, é bem difícil de sair. Mas, tenho outra chance pra tentar corrigir esse erro”, disse o brasileiro antes da segunda volta, quando melhorou o nota na direita, porém por outra ainda baixa, e que após um aéreo na esquerda, perdeu o restante da onda.

Yago Dora decola três vezes numa esquerda e faz a maior nota do evento.

Capitão – Essa foi a melhor posição de Adriano de Souza, campeão mundial de 2015 que vai se aposentar ao final da temporada. Adriano foi festejado por vários atletas, inclusive Kelly Slater, que trocou de lycra com o brasileiro. Todos os brasileiros competiram com o número 13 de Adriano de Souza, nome que também estava na camisa do time verde e amarelo.

Na semi Adriano foi competitivo, com um surfe de manobras fortes e lincadas. As melhores ondas foram a primeira direita (6.87) e a segunda esquerda (7.60).

“Esse evento é muito importante para mim e tem muitas emoções envolvidas aqui”, disse Adriano de Souza. “Fiquei honrado de o Kelly aceitar o meu tributo, porque ele foi o incentivo para eu ser surfista profissional. Uso ele como referência desde a minha infância. Ele já me deu muito trabalho, mas eu dei o troco também. Agora, no meu último ano no Tour, é muito bom estar competindo com ele e é incrível essa oportunidade de usar a lycra dele. Sei que tem uma galera mais nova que sonha em ser como ele, então hoje consegui viver essa sensação”.

 

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Italo e Pupo fora das semifinais – O domingo teve ainda a participação de Italo Ferreira e Miguel Pupo. Os dois competiram pela fase de bônus e surfaram, cada um, mais uma direita e mais uma esquerda com o intuito de melhorar o somatório da primeira fase. Eles até conseguiram, mas os outros adversários foram ainda melhores. Ambos terminaram o evento em nono lugar.

Italo Ferreira fica em nono lugar na etapa.

Ranking – Após a finalização da sexta etapa, o Tour 2021 da elite só tem mais duas para definir os cinco surfistas que brigarão pelo título mundial no Rip Curl WSL Finals, em setembro, nas ondas de Trestles, Califórnia (EUA).

Com cinco finais nas seis etapas e duas vitórias, Gabriel Medina segue mais líder do que nunca e já está confirmado na prova de Trestles. Além dele, o Brasil tem Italo Ferreira em segundo e Filipe Toledo em terceiro. No momento, além deles, o australiano Morgan Cibilic (4º) e o norte-americano Griffin Colapinto (5º) brigariam pelo título de melhor surfista do planeta.

 

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Yago Dora subiu duas posições na lista dos melhores e aparece em oitavo lugar. Adriano de Souza ganhou cinco lugares e ocupa o 13º posto, enquanto Miguel Pupo subiu de 15º para 14º. Caio Ibelli (19º), Jadson André (23º), Deivid Silva (24º), Peterson Crisanto (26º) e Alex Ribeiro (31º) completam o time brasileiro na elite do esporte.

Próxima etapa – Agora as atenções se voltam para as Olimpíadas de Tóquio, que acontecem entre os dias 23 de julho e 8 de agosto. O circuito da WSL volta em agosto. Entre os dias 10 e 20 rola o Mexico Open, nas direitas de Barra de La Cruz, e entre 24 de agosto e 3 de setembro acontece o Tahiti Pro, nas temidas esquerdas de Teahupoo.

Surf Ranch Pro 2021

Resultados do último dia

Campeão: Filipe Toledo (BRA) por 17,94 pontos (D-9,67+8,27-E)
Vice-campeão: Gabriel Medina (BRA) com 10,60 pontos (D-8,67+1,93-E)

3º lugar na Semifinal com 6.085 pontos no ranking

3º Kanoa Igarashi (JPN) com 16,93 pontos (D-8,93+8,00-E)
4º Griffin Colapinto (EUA) com 16,50 pontos (D-8,73+7,77-E)

5º lugar na Semifinal com 4.745 pontos no ranking

Adriano de Souza (BRA) com 14,47 pontos (D-6,87+7,60-E)
Yago Dora (BRA) com 13,05 pontos (D-3,33+9,73-E)
7º Ethan Ewing (AUS) com 12,77 pontos (D-7,10+5,67-E)
8º Kelly Slater (EUA) com 11,53 pontos (D-7,20+4,33-E)

9º lugar no Qualifying com 3.320 pontos no ranking

9º Conner Coffin (EUA) com 14,47 pontos (D-7,17+7,30-E)
10º Owen Wright (AUS) com 14,27 pontos (D-7,37+6,90-E)
11º Italo Ferreira (BRA) com 13,97 pontos (D-7,70+6,27-E)
12º Miguel Pupo (BRA) com 13,97 pontos (D-7,37+6,60-E)
13º Frederico Morais (PRT) com 13,67 pontos (D-7,00+6,67-E)
14º Seth Moniz (HAV) com 13,44 pontos (D-7,17+6,27-E)
15º Leonardo Fioravanti (ITA) com 13,10 pontos (D-6,23+6,87-E)
16º Morgan Cibilic (AUS) com 13,00 pontos (D-6,67+6,33-E)

Decisão feminina

Campeã: Johanne Defay (FRA) por 16,63 pontos (D-7,93+8,70-E)
Vice-campeã: Carissa Moore (HAV) com 16,23 pontos (D-8,33+7,90-E)

3º lugar na Semifinal com 6.085 pontos no ranking

Tatiana Weston-Webb (BRA) com 15,77 pontos (D-7,60+8,17-E)
4ª Sally Fitzgibbons (AUS) com 15,33 pontos (D-7,50+7,83-E)

5º lugar no Qualifying com 4.745 pontos no ranking

5ª Caroline Marks (EUA) com 14,70 pontos (D-7,70+7,00-E)
6ª Courtney Conlogue (EUA) com 14,00 pontos (D-7,37+6,63-E)
7ª Stephanie Gilmore (AUS) com 13,86 pontos (D-7,93+5,93-E)
8ª Coco Ho (HAV) com 12,84 pontos (D-6,67+6,17-E)

Top-10 do ranking da World Surf League após 6 etapas

Gabriel Medina (BRA) – 46.720 pontos
Italo Ferreira (BRA) – 33.555
Filipe Toledo (BRA) – 32.065
4º Morgan Cibilic (AUS) – 24.610
5º Griffin Colapinto (EUA) – 24.235
6º Kanoa Igarashi (JPN) – 23.545
7º Jordy Smith (AFR) – 22.770
8º Conner Coffin (EUA) – 22.205
Yago Dora (BRA) – 20.215
10º John John Florence (EUA) – 19.925

Outros brasileiros

13º Adriano de Souza (BRA) – 15.735 pontos
13º Miguel Pupo (BRA) – 15.735
19º Caio Ibelli (BRA) – 13.950
23º Jadson André (BRA) – 11.820
24º Deivid Silva (BRA) – 11.395
26º Peterson Crisanto (BRA) – 10.895
32º Alex Ribeiro (BRA) – 6.915

Top-10 do ranking feminino da World Surf League

1ª Carissa Moore (EUA) – 43.855 pontos
2ª Johanne Defay (FRA) – 34.645
3ª Sally Fitzgibbons (AUS) – 34.270
Tatiana Weston-Webb (BRA) – 33.625
5ª- Stephanie Gilmore (AUS) – 29.390
6ª Caroline Marks (EUA) – 28.660
7ª Tyler Wright (AUS) – 27.095
8ª Isabella Nichols (AUS) – 23.555
9ª Courtney Conlogue (EUA) – 21.840
10ª Keely Andrew (AUS) – 19.705