Quads matadoras

Filipe Toledo quebrou no Taiti, mas pouco se falou sobre um detalhe importante: a sua quadriquilha.

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Filipe Toledo chegou às semifinais do Tahiti Pro com uma atuação brilhante de backside.

Não sei se muita gente reparou, mas Filipe Toledo, líder do ranking da WSL, competiu em Teahupoo o tempo todo com uma quatro quilhas round pin (rabeta estreita) 5’10”, shapeada por Marcio Zouvi, da Sharp Eye.

O surfe de backside apresentado por Filipe foi de tirar o fôlego de qualquer um, especialmente daqueles que acham que as quads não são tão boas para backside. Na verdade, vejo poucos Tops confiando numa quad como fez Filipe, seja para que lado for.

Claro, ele teve tempo de testar a prancha desenvolvida especialmente para essa etapa, mas é justamente aí que Filipe mostrou seu amadurecimento sem deixar de ser ousado.

O brasileiro teve tempo de testar a prancha desenvolvida especialmente para essa etapa.

Lembrei-me de Vitor Ribas, há décadas, me dizendo que não tinha tempo de testar quadriquilhas, pois tinha medo de mudar seu jeito de surfar e ter que voltar às triquilhas na etapa seguinte, logo ali. Isso poderia confundir tudo. De lá para cá muita coisa mudou, mas não muito.

A maneira como Filipe cravou as bordas na base, gerou velocidade e conectou manobras muito bem controladas, mesmo com o power dele e da onda. Foi de encher os olhos. Tenho certeza de que as quatro quilhas pesaram nessa equação.

Marcio “Tubba” Domingues estava na Califa com Zouvi e explicou a prancha mágica. “Esse modelo de semi-gun, dentro dos modelos Sharp Eye, é chamado de SG-1, a princípio somente para pranchas maiores, para um surfe de ondas grandes, pesadas e com muita velocidade. Mas ele foi todo redesenhado para tamanhos menores, que se encaixariam para o uso do Filipe dentro dos tamanhos que ele mais usa no quiver para ondas como Teahupoo”, revela.

“O modelo é desenhado com um  leve V-Bottom, que começa na área do bico, passando para uma transição do meio da prancha para a área das quilhas, de suave para um deep double concave. O edge antes do começo das quilhas da frente é mais pra fora, ou seja, deixando a borda mais hard uma polegada e meia, já que foram redesenhadas para quatro quilhas, para maior velocidade para frente no sentido projeção. Quads são ótimas nesse quesito”, acrescenta Tubba.

Quads do atual líder do Tour.

“A borda também é levemente baixa para manter a aceleração nas manobras. Ela tem uma saída de tail mais alta, para mais passagem de água, além de maior flutuação na área do peito, para boa remada e entrada na onda, características normais para uma gun. O Zouvi teve até que fazer um bico mais no estilo das pranchas antigas para acomodar o volume adiantado. O Filipe se adaptou muito bem a esse modelo já nos treinos que antecederam o evento, mantendo seu estilo de surfe”, completa Tubba.

Sim, a gente viu o resultado. Sou fã de quatro quilhas e creio que, depois de Kelly Slater, Filipe Toledo possa se tornar o novo disseminador das quads em certos tipos de ondas.