Panda ao ataque

Direto da Austrália, Willian Cardoso fala sobre a expectativa para a estreia no Championship Tour.

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Vitor Nassiffe
Willian Cardoso faz sua estreia no CT neste domingo, contra Adriano de Souza e Ace Buchan em Snapper Rocks.

Surfista de Balneário Camboriú (SC), Willian Cardoso, 32, fará sua estreia no Championship Tour em 2018 depois de passar 12 anos na divisão de acesso e bater na trave em várias ocasiões.

No ano passado, depois de avançar ao quarto round do QS 10000 em Haleiwa, a espera foi recompensada e o catarinense finalmente garantiu sua vaga no Tour ao lado dos também estreantes Yago Dora, Jessé Mendes, Tomas Hermes e Michael Rodrigues.

Dono de um estilo agressivo na água, mas muito tranquilo fora dela, “Panda” já participou de algumas etapas do CT, e viveu bons momentos, como a vitória sobre o 11x vezes campeão mundial Kelly Slater em Bells Beach, no ano de 2013.

Panda conseguiu um quinto lugar no QS 6000 em Newcastle nesta temporada.

Bastante motivado, ele quer usar essa experiência a favor e já está na Austrália, onde participou de duas etapas do QS 6000 e conseguiu um quinto lugar em Newcastle. Agora, o foco é o Quiksilver Pro Gold Coast, que começa neste domingo (11), em Snapper Rocks.

Direto da Gold Coast, Panda conversou com a reportagem do Waves sobre a expectativa para esta temporada.

Como está a preparação para a primeira etapa do CT?

Eu me preparei em casa, mais a parte física, porque deu pouca onda neste verão. Fiz uma trip pra Barbados, onde consegui me preparar um pouco, e tive a oportunidade de chegar cedo aqui na Austrália e pegar algumas ondinhas em Snapper. Procurei usar todas as pranchas que eu trouxe nas etapas do QS para ir me adaptando o mais rápido possível.

Catarinense em ação durante a última temporada havaiana.

Qual a expectativa para a sua estreia na elite?

Estou bem feliz de realizar este sonho e fazer parte do CT. A expectativa é a melhor possível, já competi praticamente em todas as ondas em que vão ter etapas, então essa experiência pode contar um pouco a favor. Me sinto muito à vontade em várias destas ondas e acredito que tenho chances de fazer um grande ano.

Como você enxerga o grande número de brasileiros no CT deste ano? Acredita que isso pode trazer alguma vantagem?

Era questão de tempo de ter o maior número de atletas no CT. Há alguns anos estávamos batendo na trave, as coisas não aconteciam da forma que tinham que acontecer. Vai ser muito bom ter esses atletas ao nosso lado, é importante estar com eles e assim nos sentimos mais em casa.

Como foi saber que depois de tanta luta finalmente chegou ao Tour?

Foi gratificante! Foram momentos de muita felicidade, e continuo muito feliz por estar dentro do CT. A ficha ainda não caiu, acho que só vai cair quando chegar em Snapper e começar o ano. Mas quero que essa sensação dure o ano inteiro, pois está sendo muito prazerosa. A expectativa e a vontade de surfar todas estas ondas são enormes.

Em 2013, quando despachou Kelly Slater em Bells Beach: experiência pode contar a favor.

Você tem um surfe de muita pressão e um estilo polido. Como você pretende tirar proveito disso?

Realmente acabo sendo bem visto quando as ondas sobem um pouco. Meu jeito de surfar favorece nestas condições e acaba dando uma certa vantagem. Mas acho que no CT todo mundo tem esse mesmo approach, cada um com o seu diferencial. Pretendo explorar ao máximo cada coisa boa que tiver no meu surfe para me sair melhor. Quero agredir a onda com o máximo de força possível.

Já esteve na piscina do Kelly?

Nunca estive lá, mas já estou tentando me programar para ir antes do evento do CT e tentar surfar o máximo possível. Também procuro ver os vídeos da galera, tento desenhar uma linha e estou muito ansioso pra chegar lá e ver aquele sonho se tornando realidade.

Quem fará suas pranchas neste ano?

As minhas pranchas, quem tem feito é o Alexandre, da Snapy Surfboards. Tenho trabalhado com ele há um bom tempo, desde o ano de 2007, e a gente conseguiu acertar vários modelos. Graças a Deus também consegui fechar alguns bons patrocínios neste ano, parceiros que acreditaram no meu potencial e estão me dando a oportunidade de competir.

Nos arredores de Balneário Camboriú, cidade que vai representar no CT 2018.

Mande um recado para a galera que vai torcer para você nesta temporada.

Não só para mim, mas para toda a nação brasileira. Este ano vai ser muito bom pra nós, somos 11 no masculino e mais a Silvana Lima. Espero que vocês possam nos acompanhar, nos assistir mesmo com fuso horário e todas essas coisas, e seja um ano de muito brilho, garra e dedicação.