Previsão de Ondas

Ciclone de Oeste para Leste

Ciclone de Oeste para Leste faz mar subir na quinta-feira. Sexta e sábado são as melhores condições de ondas no Sul e Sudeste.

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Ciclone extratropical se forma nesta quarta-feira na região do Rio da Prata, próximo a Punta de Leste no Uruguai. Na quinta-feira o modelo ICON já mostra o ciclone se afastado da quando se forma a pista de geração de ondas de Sul e a ressaca na costa do Uruguai até o Rio Grande do Sul. A cor vermelha marca a frente fria e a frente quente onde está a tempestade. Importante notar quebra da onda de Rossby de quarta (12h) para quinta (3h da madrugada). (www.ventusky.com)

Novamente vamos sair do domínio do Anticiclone Subtropical para um ciclone extratropical, rápido e com geração de uma ondulação secundária para a costa brasileira, visto que a ondulação principal vai seguir à deriva do vento oeste, indo na direção da África.

Desde que comecei a escrever para vocês, eu comento sobre este ano de El Niño, e como a circulação atmosférica está zonal, empurrando os ciclones para leste.

Hoje vou apresentar o aplicativo Ventusky, ele também mostra os resultados do modelo ICON, ECMWF, GFS e outros. Para quem está acostumado com o Windy, não tem muita diferença.

Qual a diferença? Pouca, somente no resultado da previsão em certas áreas do globo, onde a assimilação de dados locais produz diferenças na previsão de cada modelo. Em geral, como falei anteriormente, eu prefiro o ECMWF e/ou o ICON, e/ou o GFS para a localidades nos Estados Unidos, já que ele foi desenvolvido lá.

Nesta terça-feira, a ondulação ainda é de leste na região sudeste e nordeste, e uma nova e fraca ondulação de sul na região sul.

Conforme prevemos, na quarta-feira um ciclone se forma no Rio da Prata e corre para alto mar nesta quinta-feira, gerando um campo de vento e geração de ondas. Porém, o ciclone segue esta circulação imposta pelo El Niño, com a alta pressão subtropical muito forte impedindo a passagem dos ciclones para a região sudeste do Brasil, forçando o deslocamento dos centros de baixa pressão na direção leste, para o Meio do Atlântico e na direção da África.

No sul do Brasil o vento entra com força nesta quarta e quinta. Primeiro, os pré-frontais (antes da frente fria), de leste nesta terça e quarta. Depois, os pós-frontais de sul na quinta-feira, virando para oeste, depois da frente fria, quando o ciclone se desloca então para oceano aberto.

As costas do Uruguai e do Rio Grande do Sul é que vão sentir os ventos fortes de leste, virando para muito fortes de oeste. Esta não é uma condição muito favorável para gerar ondas grande para a região sudeste.

Mapas de pressão atmosférica em superfície para terça, quarta e quinta, mostram um ciclone se formando na região Sul, na foz do Rio da Prata, que gera boas ondas só na quinta, quando se afasta da costa e abre a pista de geração de ondas de sul (Fonte CODA). Sexta-feira deve ser o melhor da na região sul e sábado na região sudeste.

Previsão das Ondas

Região Sul: As ondas entram ainda de sul nesta terça-feira do Rio Grande do Sul a Florianópolis, com 1 metro devido a passagem de um ciclone na região das Malvinas. Nas praias no norte do estado de Santa Catarina, é possível que tenham uma influência de leste do anticiclone subtropical.

Está prevista uma forte lestada na quarta-feira no Rio Grande do Sul e Uruguai, fim do dia, divido ao anticiclone subtropical tentando barrar a entrada do ciclone extratropical.

Na quarta-feira, temos o ciclone se formando junto à costa do Uruguai, na foz do Rio da Prata, com influência no Sul do Rio Grande do Sul. Então, na quinta o ciclone extratropical provoca uma maré meteorológica desde Punta de Leste, no Uruguai, até Santa Marta, em Santa Catarina.

A virada de Leste para Oeste vai causar ventos fortes no Rio Grande do Sul e mostra que ainda há uma forte circulação para oeste, com a onda de Rossby sem muita amplitude. Isto é, não proporcionando a geração da ondulação de sul-sudeste durante muito tempo, assim essa ondulação sobe e desce muito e rápido.

Este ciclone de quinta-feira vai gerar uma boa ondulação na região sul, a altura das ondas sobe nesta quinta-feira, com 1,5-2 metros de sul, virando para S-SE com 11 segundos e 1,5 na sexta, quando o vento será um terral fraco.

Previsão das ondas da NOAA com base no modelo Wave Watch 3 para a região de Florianópolis (75 m de profundidade). A ondulação de S-SE gerada pelo ciclone que passou nas Malvinas na segunda-feira deixa o mar com ondas de 1 metro até quarta. Na quinta a chegada da ondulação de sul gerada pelo ciclone no Uruguai. Ondas com 1,5-2 metros nas praias, e uma segunda bombada na sexta-feira, quando teremos a melhor condição da semana com ondas de 11 segundos, 1,5 m e vento terral. (Gráficos: João Dobrochisnky)

Excelentes ondas nesta sexta em todas as praias do Sul. Especialmente destaco, Cassino, Tramandaí, Atlântida e Torres no Rio Grande do Sul; Vila, Rosa, Ferrugem e Silveira em Garopaba; Joaquina, Mole, Galheta, Moçambique e Santinho em Florianópolis; Brava e Navegantes e São Francisco do Sul no Norte de Santa Catariana; Matinhos, Caiobá e Ilha do Mel no Paraná. Vai quebrar bonito no Sul do Brasil.

Região Sudeste: A nova ondulação chega na sexta-feira e sábado, com excelentes condições de vento e altura significativa em 1,5 metro e 11 segundos de período de pico.
Até lá, nesta terça, quarta e quinta-feira, a influência do Anticiclone Subtropical e a passagem de um ciclone pelas Malvinas deixa as praias com duas ondulações de diferentes direções. Uma vinda de Leste até quarta, e outra, de Sul. que chega na quarta com 1 metro e 12 segundos, o que pode fazer o mar subir e descer durante a semana, de acordo com a direção incidente.

As praias de São Paulo terão ondas de 1 metro e 12 segundos até quinta, sem muita pressão devido a longa distância da zona de geração. Na sexta, o mar sobe de Sul com 11 segundos e 1,5 metro, sendo que em algumas praias pode ocorrer uma formação maior devido a refração das ondas. Ondulação mais encaixada.

No litoral do Rio de Janeiro, voltado para o Sul, recebe boas ondas na semana, com 1 metro em média até quinta e subindo para 1,5-2 na sexta. Os melhores picos devem ser Prainha, Recreio, Posto 4 da Barra, São Conrado e Castelinho na capital carioca, e Itacoatiara em Niterói. A condição sem vento pela manhã deve favorecer a melhores ondas neste período.

Região Nordeste: Persiste a ondulação de 1,5-2 metros vinda de sudeste/leste que dominou quase todo este mês de julho. As ondas são excelentes nesta terça-feira, embora à tarde o vento deixe o mar mais bagunçado.

Na quarta e quinta vamos ter subidas e descidas rápidas, pois o anticiclone subtropical está trocando energia com o ciclone que se forma na região sul. Então, deve haver uma intensificação do ciclone no período da tarde, o que favorece a geração de ondas para a manhã de quinta-feira. Sem tanto vento no período da manhã.

Após o ciclone, teremos uma condição de S-SE na sexta-feira e sábado, principalmente na região sul do estado da Bahia. Enquanto de Salvador ao Rio Grande do Norte a ondulação de L-SE ainda deve ter influência na incidência das ondas. A altura significativa entre constante vai variar entre 1-1,5 metro.

Região Norte: a lestada da semana começa a perder influência no litoral nordestino entre Rio Grande do Norte e Ceará. O mar baixa e ficam as vagas de leste. Não há uma previsão boa para esta semana, porém ao que tudo indica uma nova tempestade deve se formar no Hemisfério Norte, o que pode trazer ondas limpas e perfeitas a partir de sexta-feira.

Veremos no decorrer da semana.

Modelo de ondas para quarta, quinta e sexta. O ciclone que roda no Rio da Prata gera uma ondulação de sul com 1,5-2 metros de altura significativa, que vai durar até sábado na região Sudeste (www.ventusky.com).

Heitor Tozzi
Oceanógrafo e Mestre em Estudos Costeiros, trabalha com morfodinâmica de praias e impacto de tempestades na costa desde 1991, quando fez parte do 1º grupo de Sentinelas do Mar (Watching Waves in Brazil). Como pesquisador já embarcou em navios de Norte a Sul do Brasil, Golfo do México, Angola e Indonésia. Velejador e surfista nas horas vagas, atualmente é pesquisador do doutorado em Meteorologia no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), onde estuda os processos de Interação Oceano-Atmosfera para geração dos Ciclones.