Raquel Heckert

Outer reef no braço

Raquel Heckert esbanja disposição na remada nas séries cavernosas de Oahu, Havaí.

Uma das principais big riders brasileiras da atualidade, a niteroiense Raquel Heckert tem desafiado os próprios limites nesta temporada havaiana. Na última quinta-feira (7), quando o caldo engrossou no North Shore de Oahu, ela partiu para uma sessão desafiadora na remada em um outer reef de da região.

A atleta é uma das convidadas do Red Bull Magnitude, evento que vai coroar as melhores big riders desta temporada de inverno no Havaí. A disputa é virtual, e as surfistas precisam enviar os clipes de suas melhores dropadas na remada entre 1º de dezembro de 2020 e 28 de fevereiro de 2021. Waimea Bay, Jaws e Phantoms são os picos que estão valendo na competição.

“Surfar esse pico na remada foi uma aventura! Havia muito vento, correnteza e estava difícil de saber onde era o pico. Ondas mutantes apareciam de todos os lados. Além disso, outras pessoas fazendo tow-in dificultavam ainda mais as coisas. Mas não desanimei e consegui pegar a maior esquerda da minha vida na remada”, detalha Raquel em depoimento ao Waves.

Em dezembro de 2020, no primeiro swell XXL desta temporada havaiana, Raquel já havia encarado uma maratona de nove horas em Waimea Bay, sendo premiada com longas ladeiras no pico. Recentemente, ela também passou a buscar o seu lugar ao sol no cobiçado outside de Pipeline. Mas, com as condições nervosas do último dia 7 de janeiro, a solução foi testar a sorte em um outer reef.

“Tomei tantas na cabeça para conseguir me posicionar que a minha memória nem consegue rebobinar a fita e recordar de todas as situações!”, brinca a atleta. “Peguei uma onda pequena para a direita com vento, mas que não contou muito porque bateu na bancada funda e engordou.”

Foi só na hora do pôr do sol, quando o vento finalmente deu uma trégua, que a big rider conseguiu encontrar a sua chance – mesmo moída de tanto remar contra a correnteza.

“Mesmo ficando escuro, minha mente estava determinada. Veio esta onda, super rápida, e quando remei parecia que ela fecharia. Mas apostei tudo e a onda se tornou uma canhota enorme, então apontei o bico para esquerda”, relata Raquel.

“Parecia que estava dropando Pipeline gigante (risos)! Só escutei os caras de tow-in gritando no canal. Vi o lip despencar e parecia que havia um tubo me encobrindo, puxei a borda para mudar a direção da prancha e ir mais para cima, mas bati em um ‘bump’ e saí voando na direção oposta”, descreve Raquel, que na sequência ainda tomou uma série cavernosa na cabeça.

“Fui parar bem no fundo, a onda literalmente me amassou. Em seguida, inflei o colete para subir mais rápido e acabou que fiquei inflada quando a segunda da série quebrou em cima de mim. Uma bomba gigante”, narra. “Senti minha costas e meu pescoço estalando em direções contrárias. Depois tomei ainda mais quatro na cabeça, ‘espumão’ branco, tudo isso ainda inflada. Só pensei: ‘pelo menos vou voltar para superfície em algum momento, está tudo bem. Estou treinada para isso e Deus está comigo’. Me abracei, aguentei o tranco e deu tudo certo”, complementa Heckert.

Na areia, Raquel foi recepcionada pelos amigos e, mesmo tossindo bastante por causa dos caldos, comemorou bastante a experiência inédita neste pico de outside. Segundo a atleta, os planos são de ficar no Havaí até o fim da temporada, entre os meses de março e abril.

Para acompanhar a rotina da big rider, siga o perfil @raquelheckert_ no Instagram.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)