
A quinta etapa do Championship Tour da WSL chegou ao seu dia de encerramento neste sábado (13), nas ondas de Punta Roca, La Libertad, em El Salvador. Após uma breve pausa, o evento retornou com as quartas de final em um mar de boa formação, com ondas com pouco mais de um metro nas séries.
O sábado em El Salvador terminou com um resultado histórico para o surfe europeu: Leonardo Fioravanti superou Italo Ferreira e se tornou o primeiro italiano a conquistar um título na elite mundial da WSL. Coroando uma campanha impecável, Fioravanti encerrou a competição sendo dono de três das cinco maiores notas de toda a etapa (9.00, 8.50 e 8.33).
Apesar do vice-campeonato, Italo Ferreira deu mais uma prova de sua impressionante resiliência. Apenas dois dias antes do início da janela em Punta Roca, o potiguar sofreu um acidente no mar: foi atingido pela prancha de outro surfista durante uma sessão livre e precisou levar oito pontos no joelho direito. Mesmo assim, competiu em alto nível até o último dia.

A grande decisão começou com Fioravanti ditando o ritmo ao abrir a bateria com um high score de 8.33. Italo tentou responder de imediato, mas a onda não ofereceu potencial e rendeu apenas 3.60. Consistente, o italiano logo somou um 6.17, abrindo uma vantagem confortável de 14.50 contra 5.33 do brasileiro.
A oito minutos do fim, Italo incendiou a disputa. O potiguar encontrou uma excelente rampa, executou um aéreo perfeito e arrancou um 7.50 dos juízes. No entanto, Fioravanti não deu margem para a virada e, na sequência, cravou um 7.00 para selar o placar. Com 15.33 contra 10.90 do brasileiro, Leonardo saiu da água extasiado para celebrar a conquista inédita para a Itália.
Com o resultado em El Salvador, Italo Ferreira garante a manutenção da cobiçada lycra amarela, seguindo na liderança do ranking mundial. Já o campeão Fioravanti dá um salto importante e assume a terceira colocação na corrida pelo título.

Na final feminina, a pentacampeã mundial Carissa Moore (HAV) protagonizou uma final eletrizante contra a australiana Tyler Wright e conquistou seu segundo título consecutivo na temporada. Embalada pela vitória recente na etapa de Raglan, na Nova Zelândia, a havaiana mostrou frieza de campeã: encontrou a onda que precisava a menos de cinco minutos do fim e arrancou uma virada espetacular sobre a adversária.
A bateria começou morna, com ambas as surfistas arriscando em ondas sem muito potencial. O ritmo mudou quando Carissa anotou um 5.50 em sua segunda tentativa. Tyler respondeu à altura, encaixando boas manobras para arrancar um 7.67. A havaiana não se intimidou e, logo em seguida, cravou a maior nota do confronto: um excelente 8.33. A seis minutos do fim, a australiana voltou a assumir a liderança ao marcar um 6.17. No entanto, mostrando toda a sua experiência, Carissa aproveitou os instantes finais para surfar uma onda decisiva de 6.77. Com a virada no apagar das luzes, a pentacampeã fechou o somatório em 15.10 contra 13.84 de Wright, garantindo a taça.

Semifinais
O clássico brasileiro entre Italo Ferreira e Gabriel Medina marcou as semifinais. Em uma bateria extremamente acirrada, o potiguar levou a melhor sobre o tricampeão mundial e, com o resultado, garantiu a manutenção da liderança do ranking.
A disputa começou quente, com Medina abrindo com uma onda consistente. Combinando batidas e rasgadas, ele arrancou um 7.67 dos juízes. Italo respondeu à altura: encaixou bem na bancada, distribuiu manobras fortes e anotou 7.17. Na sequência, o potiguar arriscou um aéreo em uma nova onda e, mesmo sem completar a aterrissagem com perfeição, conseguiu os pontos necessários para assumir a liderança provisória da bateria.
Sem se abalar, Gabriel surfou uma onda bastante técnica, rendendo um 5.67 e devolvendo-lhe a primeira posição. O clímax ficou para os seis minutos finais, quando ambos foram para o tudo ou nada em busca de notas maiores. Italo achou uma excelente onda, cravou 7.53 e virou o placar, somando 14.70. Medina lutou até o fim e ainda elevou seu somatório para 14.17, mas o tempo se esgotou, selando a classificação de Italo que, com o resultado, garantiu a lycra amarela (caso Medina vencesse o campeonato, ele assumiria a primeira posição do ranking).
Na outra semifinal masculina em Punta Roca, Leonardo Fioravanti superou Kanoa Igarashi. O surfista japonês liderou boa parte da bateria, mas o italiano manteve o surfe sólido apresentado ao longo de todo o evento. Com uma reação decisiva nos minutos finais, Fioravanti alcançou o somatório de 12.00 e garantiu sua vaga na decisão.
Abrindo as semifinais femininas, as havaianas Gabriela Bryan e Carissa Moore caíram na água para um duelo de alto nível. Gabriela começou melhor, anotando 6.50 e somando um 4.83 de backup. No entanto, Carissa Moore usou sua experiência para reverter o cenário: encontrou uma onda excelente, arrancou um 8.17 dos juízes e assegurou a classificação.
Na segunda bateria feminina, as australianas Tyler Wright e Molly Picklum disputaram a última vaga para a grande final. Tyler assumiu a liderança logo no início com um expressivo 7.17. Molly chegou a assustar ao surfar a melhor onda do confronto, que lhe rendeu um 7.33, mas Tyler respondeu com um 6.73, fechou a conta e carimbou seu passaporte para a decisão.

Quartas de final
Dois brasileiros entraram na água neste sábado para as disputas das quartas de final: Italo Ferreira e Gabriel Medina.
Italo protagonizou um verdadeiro duelo olímpico contra o taitiano Kauli Vaast, atual campeão de Paris 2024. O brasileiro levou a melhor e avançou à semifinal com um placar de 10.67 contra 8.33. O confronto foi marcado pelo equilíbrio na metade da bateria, quando ambos surfaram ondas parecidas e executaram manobras semelhantes. No entanto, a execução de Italo foi superior, rendendo-lhe um 6.50 contra um 5.00 de Kauli, o que o colocou na liderança. A dez minutos do fim, o potiguar trocou sua segunda nota por um 4.17, enquanto o taitiano somou apenas 3.33. A bateria chegou ao fim com Kauli precisando de um 5.67 para a virada, mas sem sucesso.
Já Gabriel Medina teve um desafio duplo: encarar o mexicano Alan Cleland e as difíceis condições do mar, que havia piorado bastante devido a um forte vento maral (onshore). Cleland largou na frente com uma boa onda de 6.17. Sem se desesperar, Medina construiu seu somatório com notas 4.50 e 4.00, assumindo a liderança a dez minutos do fim. Com as ondas escassas e difíceis, o tricampeão mundial usou a tática a seu favor. Faltando quatro minutos, espremeu uma onda longa e, com muito esforço, trocou sua nota mais baixa por um 4.30. O mexicano precisava de apenas 2.70 para virar, mas cometeu um erro de prioridade: esperou demais por uma onda de potencial que nunca veio. No minuto final, foi para o “tudo ou nada” em uma onda muito fraca, recebeu apenas 1.93 e viu Medina avançar.
Nas outras duas baterias das quartas de final, Kanoa Igarashi derrotou Callum Robson (AUS) pelo placar de 14,67 a 13, 27 e Leonardo Fioravanti superou Marco Mignot (FRA) por 15,93 a 13.

Nas disputas femininas das quartas de final, o Brasil se despediu da competição com Luana Silva. Única representante do país na chave, ela acabou superada pela pentacampeã mundial Carissa Moore (HAV) por 13.67 a 6.07 nas quartas de final. A derrota custou caro para Luana: caso chegasse à final, ela poderia assumir a liderança do ranking mundial, dependendo de um tropeço da australiana Molly Picklum.
O confronto foi marcado pela escassez de ondas. Durante os primeiros 20 minutos, o mar não colaborou e nenhuma das atletas conseguiu construir notas expressivas. Carissa liderava com um modesto 2.50, fruto de duas rasgadas e uma queda, enquanto Luana somava apenas 0.59. O cenário mudou a 12 minutos do fim, quando a brasileira encontrou uma onda longa e bem trabalhada, anotando 5.67. No entanto, a experiência da havaiana falou mais alto. A sete minutos do término, Carissa achou uma onda excelente, cravou um 8.00 e virou o placar para 10.50 a 5.94. Logo depois, ela ainda somou um 5.67 para liquidar a fatura.
Nas outras disputas da rodada, a havaiana Gabriela Bryan dominou a israelense Anat Lelior, vencendo por 14.83 a 7.50. Na sequência, a australiana Molly Picklum superou a norte-americana Caroline Marks em um duelo forte (14.33 a 11.50). Fechando a fase, a também australiana Tyler Wright levou a melhor sobre a norte-americana Caitlin Simmers em uma bateria apertada, vencendo por 13.33 a 12.27.

Demais brasileiros em El Salvador
Oitavas de final
Yago Dora
Nosso campeão mundial de 2025 caiu nas oitavas de final para o francês Marco Mignot por uma diferença cruel de apenas 0.01 ponto: 12.84 a 12.83. Yago começou a bateria em desvantagem, vendo o francês largar na frente com um 6.67. A reação do brasileiro foi espetacular: encontrou uma excelente onda, cravou um 8.00 e assumiu a ponta. Logo depois, somou um 4.83, consolidou a liderança e passou a arriscar mais. Mignot ficou precisando de um 6.17 para virar. No minuto final, em um desfecho dramático, o francês surfou sua última onda, recebeu exatamente o 6.17 dos juízes e roubou a vaga do brasileiro no apagar das luzes.
Samuel Pupo
Samuel Pupo travou um duelo acirrado contra Leonardo Fioravanti, mas acabou eliminado pelo italiano por 15.50 a 14.29. Fioravanti começou forte, abrindo vantagem com um 5.33 e logo em seguida cravando um expressivo 8.17. Sem se abater, Samuel começou a reagir e a encaixar seu surfe. Com 20 minutos restantes no cronômetro, o brasileiro marcou um 5.67, deixando a bateria em aberto e precisando de um 7.84 para virar.
O desfecho foi de tirar o fôlego. Samuel foi para o tudo ou nada e conseguiu a nota excelente que buscava: um 8.60 que o colocou de volta no jogo. Porém, Fioravanti não deu margem para o azar. Na onda seguinte, o italiano garantiu um 7.33, recuperou a ponta do placar e frustrou a reação do brasileiro.
João Chianca
Em um confronto decidido nos detalhes, João “Chumbinho” Chianca acabou superado por Kauli Vaast por 12.76 a 10.76. O brasileiro dominou o placar durante quase toda a disputa, mas viu a vitória escapar nos dois minutos finais, quando Vaast conseguiu um 5.43 decisivo. Com o mar não oferecendo novas oportunidades, Chianca não conseguiu reverter a situação e se despediu da etapa.

Round 2
Filipe Toledo
Único brasileiro a já ter vencido a etapa de El Salvador (2023), Filipe Toledo travou um duelo duro na 11ª bateria do dia contra Kauli Vaast, atual campeão olímpico. O caminho do bicampeão mundial ficou complicado logo no início, quando o adversário abriu a disputa com um excelente 8.33. Filipinho não se entregou e ensaiou uma reação ao arrancar um 7.00 dos juízes, passando a precisar de um 6.54 para a virada. O drama se estendeu até o último minuto: o paulista encontrou uma boa onda, executou suas manobras, mas a nota 6.37 bateu na trave. Com o resultado, Vaast garantiu a classificação e eliminou Toledo da competição.
Mateus Herdy
Mateus Herdy também não conseguiu avançar na etapa de El Salvador da WSL. O catarinense protagonizou um confronto de altíssimo nível contra Leonardo Fioravanti no Round 2, mas acabou levando a pior nos detalhes. Em uma bateria definida por décimos, o italiano levou a melhor com um somatório de 15.04 contra 14.70 do brasileiro, selando mais uma eliminação verde e amarela na rodada.
Alejo Muniz
Logo na sequência da queda de Miguel Pupo, foi a vez de Alejo Muniz entrar na água para encarar Kanoa Igarashi (JAP). Em sua temporada de despedida do surfe profissional, o brasileiro tentou impor seu ritmo e construiu um somatório inicial com duas notas medianas (5.60 e 5.00). No entanto, o japonês encontrou a melhor onda do confronto, cravou um 7.17 e assumiu a liderança. Administrando a vantagem com inteligência até o soar da buzina, Kanoa garantiu a vaga nas oitavas de final, onde enfrentará justamente Eli Hanneman, o algoz de Miguel.
Miguel Pupo
Miguel Pupo foi o primeiro brasileiro a se despedir da competição, caindo ainda na segunda rodada. O paulista até tentou reagir na bateria com boas manobras de backside, garantindo uma nota 6.83, mas não alcançou o somatório necessário para a virada. Seu algoz foi o havaiano Eli Hanneman, que chegou com moral após eliminar o local Bryan Perez mais cedo. Em total sintonia com o mar de Punta Roca, Hanneman definiu o confronto logo no início, encaixando duas excelentes ondas na bancada que lhe renderam notas 8.33 e 7.33.
Agora, o Championship Tour chega ao Brasil para a sexta etapa da temporada: o Vivo Rio Pro, em Saquarema, que será disputado de 19 a 27 de junho.
CT 2026 Top 10 Masculino após El Salvador
1 – Italo Ferreira (BRA) – 30.525 pontos
2 – Gabriel Medina (BRA) – 26.610
3 – Leonardo Fioravanti (ITA) – 26.130
4 – Yago Dora (BRA) – 22.950
5 – Miguel Pupo (BRA) – 22.385
6 – Samuel Pupo (BRA) – 19.895
7 – George Pittar (AUS) – 18.640
8 – Kanoa Igarashi (JAP) – 18.470
9 – Ethan Ewing (AUS) – 17.745
10 – Griffin Colapinto (EUA) – 17.490
12 – Filipe Toledo – 16.150*
23 – Joao Chianca – 9.640*
24 – Alejo Muniz – 9.640*
28 – Mateus Herdy – 8.245*
CT 2026 Top 10 Feminino após El Salvador
1 – Gabriela Bryan (HAV) – 30.320 pontos
2 – Carissa Moore (HAV) – 28.745
3 – Molly Picklum (AUS) – 28.120
4 – Luana Silva (BRA) – 27.090
5 – Lakey Peterson (EUA) – 23.490
6 – Sawyer Lindblad (EUA) – 22.970
7 – Caitlin Simmers (EUA) – 22.320
8 – Caroline Marks (EUA) – 18.235
9 – Tyler Wright (AUS) – 17.545
10 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) – 16.830
