
A janela para a etapa brasileira do Circuito Mundial abre nesta sexta-feira (19) e se estende até o dia 27 de junho. Com um período de espera curto, de apenas nove dias, a organização precisará aproveitar ao máximo as condições para o surfe na Praia de Itaúna, que felizmente tem previsão de receber swell com potencial logo no início do evento. Para o dia de abertura da competição espera-se o ápice de uma boa ondulação de sul.
Com a primeira chamada diária marcada para às 7h, o evento em Saquarema (RJ) promete disputas acirradas, especialmente com os surfistas brasileiros chegando como grandes favoritos após a etapa de El Salvador.
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No cenário masculino, o Brasil domina o topo da tabela, ocupando cinco das seis primeiras posições do ranking mundial. Italo Ferreira veste a lycra amarela de líder (30.525 pontos), seguido de perto por Gabriel Medina (2º) e Yago Dora (4º). Os irmãos Miguel e Samuel Pupo fecham o pelotão de elite na 5ª e 6ª colocações. João Chianca, que atualmente ocupa a 23ª colocação no ranking, compete em casa e precisa de um bom resultado, uma combinação de fatores que podem fazer dele um dos sufistas mais perigosos nessa etapa.
A organização já divulgou os primeiros embates, que reservam fortes emoções para a torcida. Weslley Dantas está confirmado no round 1, ao lado de mais um convidado brasileiro ainda a ser anunciado. Além disso, o chaveamento já antecipa um duelo 100% nacional no round 2, colocando frente a frente Miguel Pupo e Mateus Herdy em uma bateria eliminatória de alto nível.
Mas, apesar da hegemonia brasileira na ponta da tabela, não podemos baixar a guarda. O principal nome a ser observado entre os visitantes é o italiano Leonardo Fioravanti. Atual 3º colocado no ranking, ele desembarca no Rio de Janeiro embalado após conquistar o título da etapa de El Salvador.
Outros adversários que exigem atenção são os australianos George Pittar (7º) e Ethan Ewing (9º), conhecidos por um surfe de borda polido que se encaixa muito bem nas ondas de Itaúna, além do atual defensor do título da etapa, Cole Houshmand, que mesmo não estando em grande fase, é sempre perigoso em beach breaks. Jack Robinson (14ª), o “mais brasileiro dos gringos”, é sempre uma pedra no sapato de seus adversários e se sente à vontade competindo no Brasil. O japonês Kanoa Igarashi (8º) e o norte-americano Griffin Colapinto (10º) completam a lista de estrangeiros no Top 10 com arsenal técnico suficiente para surpreender os donos da casa.

Previsão das ondas
Já no primeiro dia de janela, nesta sexta-feira (19), as séries podem ultrapassar os 2 metros, criando condições de alto nível para a competição, mas também impondo desafios extras aos atletas e à organização. O vento deve soprar terral (norte-nordeste) pela manhã, virando para maral (leste) ao longo do dia, o que pode prejudicar um pouco a formação, mas ainda assim mantendo o mar em condições razoavelmente boas.
A previsão Waves aponta sexta e sábado como os dias mais favoráveis para a competição. A ondulação de sul deve diminuir para a faixa de 1,5 metro pela manhã, com vento terral fraco, oferecendo boas condições para o surfe de alta performance. No entanto, a formação pode se deteriorar à tarde, com a entrada de ventos do quadrante oeste e posteriormente de sul.
Tudo indica que no domingo o mar estará menor, com séries com menos de 1 metro, com vento terral variável pela manhã e ventos moderados de sul-sudeste à tarde. Se a previsão se confirmar, a realização de baterias matinais no domingo será uma incógnita para a organização. Na segunda e terça-feira as condições podem piorar e, o meio da janela de espera, especialmente entre quarta e quinta-feira, um novo swell pode surgir com ventos não tão favoráveis, porém com a possibilidade de bons momentos.
Para o último dia do evento (27), há potencial para o alinhamento de todos os fatores necessários. Contudo, levando em consideração a distância dessa data, os modelos de previsão ainda podem apresentar algum ajuste sobre como as condições se desenrolarão ao final da próxima semana. Além disso, deixar a definição do evento para o último dia da janela representa um risco para a organização. Traremos mais atualizações ao decorrer da janela.

Cenário Feminino
Entre as mulheres, a havaiana Gabriela Bryan lidera o circuito, seguida de perto pela compatriota Carissa Moore, que também vem de vitória em El Salvador e é sempre uma das favoritas nas ondas potentes de Itaúna. A australiana Molly Picklum (3ª) e o forte esquadrão norte-americano completam a lista de estrangeiras perigosas.
Para o Brasil, a grande esperança no topo da tabela é Luana Silva, atual 4ª colocada e vice-campeã da etapa em 2025. O time brasileiro ganha um peso extra com o retorno de Tatiana Weston-Webb. Após abrir mão de competir no início do circuito, a brasileira entra como convidada do evento e terá um desafio duro logo de cara: enfrentará a experiente australiana Tyler Wright (9ª) em uma das baterias mais aguardadas da primeira fase.
Para a atual temporada, a WSL anunciou que os vencedores das categorias masculina e feminina receberão, além da premiação oficial em dinheiro da etapa, um veículo avaliado em R$ 342 mil. Com a soma dos valores, o campeão e a campeã poderão acumular uma recompensa próxima de R$ 750 mil. Este montante estabelece um novo marco, tornando-se a maior premiação individual já oferecida em uma etapa do Circuito Mundial disputada em território brasileiro. A premiação histórica, no entanto, é mais um capítulo de um lugar carregado de tradição quando o assunto é surfe brasileiro.

Muita história em Saquarema
A vocação de Saquarema para o esporte começou a ser forjada no início da década de 1970. Na época, surfistas que desbravavam o litoral fluminense encontraram na então pacata vila de pescadores de Itaúna um cenário de ondas perfeitas e potentes. Durante alguns anos, as ondas do lugar permaneceram um segredo bem guardado entre surfistas do Rio de Janeiro, que encontravam ali o refúgio ideal da agitação urbana da cidade grande e da repressão militar em tempos de ditadura.
O grande divisor de águas ocorreu em 1975, com a realização do primeiro Festival de Surfe de Saquarema. O evento colocou a cidade no mapa internacional da modalidade, sendo disputado em condições incomuns para os padrões brasileiros, com ondas que chegaram a 10 pés plus. A competição reuniu pioneiros do esporte no Brasil, como Pepê Lopes, Paulo Proença e Daniel Friedman, que sagrou-se campeão e faturou como prêmio uma vaga para competir no Havaí.
No ano seguinte, em 1976, a cidade sediou um evento que transcendeu o esporte e entrou para a história cultural do país. O festival “Som, Sol & Surf” ganhou o apelido de “Woodstock brasileiro” ao reunir cerca de 40 mil pessoas nas areias de Itaúna.
Além das performances na água, que culminaram em mais uma vitória de Daniel Friedman sobre Paulo Proença na final, o público acompanhou shows históricos de ícones da música nacional, como Rita Lee e Raul Seixas. O sucesso do evento, que marcou a união entre surfe e música, mudou a história do esporte no Brasil.

Após os festivais da década de 1970, Saquarema tornou-se uma escolha lógica para a realização de grandes eventos, porém, mais do que sediar competições, as ondas de Itaúna se tornaram um celeiro de talentos. A cidade é o berço de atletas que marcaram o esporte, como Raoni Monteiro, Leonardo Neves (em memória) cujo legado é seguido por seu filho, Valentin Neves, Rickson Falcão e de famílias tradicionais, como a família “Chumbo”, liderada pelo patriarca Gustavo Chumbão e representada mundialmente pelo big rider Lucas Chumbo e por João Chianca, o “Chumbinho”, atleta olímpico em Paris 2024 e Top do CT que compete em casa esse ano.
Toda essa bagagem histórica ajuda a explicar o apelido da cidade de “Maracanã do Surfe”. A comparação com o mais icônico estádio de futebol do país se justifica pela energia da torcida. A Praia de Itaúna atrai multidões que lotam as areias como em nenhuma outra etapa do Tour e criam uma atmosfera de arquibancada, com cantos e vibrações que ecoam durante as baterias.
Geograficamente, a costa oferece condições ideais para a alta performance. A praia conta com esquerdas consistentes na área conhecida como “Point”, onde está localizada o super palanque do evento.
Domínio brasileiro
Historicamente, as águas brasileiras se estabeleceram como um dos principais palcos da rivalidade entre Brasil e Austrália no surfe de alto rendimento. No recorte masculino, as duas potências dividem a liderança do retrospecto: 12 vitórias para cada lado, desde a realização da primeira etapa internacional no país, contagem que remonta à primeira competição internacional realizada em território nacional, no Arpoador, em 1976, quando Pepe Lopes venceu o lendário Waimea 5000. Desde então, as etapas da elite do circuito mundial percorreram diferentes palcos pelo país: além das icônicas praias cariocas, como a Barra da Tijuca, o evento também desembarcou em Santa Catarina (Florianópolis e Imbituba) e em São Paulo (Guarujá e São Sebastião), até encontrar seu endereço definitivo em Saquarema, a partir de 2017.

Até o início dos anos 2000, a Austrália dominava o topo dos pódios brasileiros, tendo em Dave Macaulay seu maior expoente: foram três títulos conquistados em solo nacional pelo australiano entre as décadas de 1980 e 1990. Esse cenário, no entanto, começou a se transformar em 2011, ano considerado o marco inicial da chamada Brazilian Storm, com a vitória histórica de Adriano de Souza na etapa da Barra da Tijuca, válida pelo circuito mundial. A partir de 2015, com a transição da antiga ASP para a atual World Surf League (WSL), os surfistas brasileiros passaram a ostentar um desempenho praticamente imbatível em águas tupiniquins, consolidando uma nova era de hegemonia na elite mundial do surf.
Desde então, os brasileiros dominam os pódios masculinos, vencendo sete das nove edições disputadas. O grande símbolo dessa era é Filipe Toledo, que se tornou o “Rei de Saquarema” com quatro títulos, acompanhado por vitórias de Adriano de Souza, Yago Dora e Italo Ferreira.
O tabu de Gabriel Medina
Em meio a tantos recordes e festas brasileiras, um detalhe chama a atenção: o tricampeão mundial Gabriel Medina nunca venceu uma etapa do CT no Brasil.
Apesar de ser um dos maiores nomes da história do esporte e de colecionar troféus ao redor do globo em etapas do Championship Tour, o lugar mais alto do pódio em Saquarema continua sendo um “tabu” incômodo em sua carreira brilhante. A grande pergunta que ecoa nas areias da Praia de Itaúna é: será que esse ano ele finalmente vai quebrar esse feitiço?

O jejum feminino e a esperança de pódio
Se no masculino a festa é verde e amarela, no feminino o Brasil ainda busca retomar seu espaço. Até hoje, Andrea Lopes é a única surfista brasileira a ter conquistado o título da etapa em casa, em um distante ano de 1999.
A torcida, no entanto, voltou a sonhar alto recentemente. Ano passado, Luana Silva fez uma campanha brilhante e quase chegou lá, terminando como vice-campeã e mostrando que o surfe feminino brasileiro tem força para quebrar essa hegemonia estrangeira. Tatiana Weston-Webb, que fez uma pequena pausa na carreira nos últimos anos para cuidar da saúde mental e se tornar mãe, recebeu um wildcard da WSL e voltará às competições na etapa de Saquarema, aumentando nossas chances para conquistar o pódio feminino.

Campeões das etapas da Elite Mundial do Surfe realizadas no Brasil
| Ano | Campeão Masculino | Campeã Feminina |
|---|---|---|
| 2025 | Cole Houshmand (EUA) | Molly Picklum (AUS) |
| 2024 | Italo Ferreira (BRA) | Caitlin Simmers (EUA) |
| 2023 | Yago Dora (BRA) | Caitlin Simmers (EUA) |
| 2022 | Filipe Toledo (BRA) | Carissa Moore (HAV) |
| 2019 | Filipe Toledo (BRA) | Sally Fitzgibbons (AUS) |
| 2018 | Filipe Toledo (BRA) | Stephanie Gilmore (AUS) |
| 2017 | Adriano de Souza (BRA) | Tyler Wright (AUS) |
| 2016 | John John Florence (HAV) | Tyler Wright (AUS) |
| 2015 | Filipe Toledo (BRA) | Courtney Conlogue (EUA) |
| 2014 | Michel Bourez (FRA) | Sally Fitzgibbons (AUS) |
| 2013 | Jordy Smith (RSA) | Tyler Wright (AUS) |
| 2012 | John John Florence (HAV) | Sally Fitzgibbons (AUS) |
| 2011 | Adriano de Souza (BRA) | Carissa Moore (HAV) |
| 2002 | Taj Burrow (AUS) | Melanie Bartels (HAV) |
| 2001 | Trent Munro (AUS) | Samantha Cornish (AUS) |
| 2000 | Kalani Robb (EUA) | Layne Beachley (AUS) |
| 1999 | Taj Burrow (AUS) | Andrea Lopes (BRA) |
| 1998 | Peterson Rosa (BRA) | Pauline Menczer (AUS) |
| 1997 | Kelly Slater (EUA) | Pauline Menczer (AUS) |
| 1996 | Taylor Knox (EUA) | Pauline Menczer (AUS) |
| 1995 | Barton Lynch (AUS) | Neridah Falconer (AUS) |
| 1994 | Shane Powell (AUS) | Wendy Botha (AUS) |
| 1993 | Dave Macaulay (AUS) | – |
| 1992 | Damien Hardman (AUS) | – |
| 1991 | Flavio Padaratz (BRA) | – |
| 1990 | Bradley Gerlach (EUA) | – |
| 1989 | Dave Macaulay (AUS) | – |
| 1988 | Dave Macaulay (AUS) | – |
| 1982 | Terry Richardson (AUS) | – |
| 1981 | Cheyne Horan (AUS) | – |
| 1980 | Joey Buran (EUA) | – |
| 1978 | Cheyne Horan (AUS) | – |
| 1977 | Daniel Friedmann (BRA) | Margo Oberg (EUA) |
| 1976 | Pepê Lopes (BRA) | – |

Vivo Rio Pro 2026
Round 1 (Masculino)
1 Ramzi Boukhiam (MAR) x Convidado do evento (—)
2 Luke Thompson (AFS) x Matthew McGillivray (AFS)
3 Seth Moniz (HAV) x Weslley Dantas (BRA)
4 Eli Hanneman (HAV) x Oscar Berry (AUS)
Round 2 (Masculino)
1 Jack Robinson (AUS) x Rio Waida (IND)
2 Samuel Pupo (BRA) x Alan Cleland (MEX)
3 Leonardo Fioravanti (ITA) x Seth Moniz (HAV) ou Weslley Dantas (BRA)
4 Liam O’Brien (AUS) x Jake Marshall (EUA)
5 Connor O’Leary (JAP) x Morgan Cibilic (AUS)
6 Gabriel Medina (BRA) x Luke Thompson (AFS) ou Matthew McGillivray (AFS)
7 Griffin Colapinto (EUA) x João Chianca (BRA)
8 George Pittar (AUS) x Joel Vaughan (AUS)
9 Italo Ferreira (BRA) x Ramzi Boukhiam (MAR) ou Convidado do evento (—)
10 Crosby Colapinto (EUA) x Kauli Vaast (FRA)
11 Ethan Ewing (AUS) x Alejo Muniz (BRA)
12 Kanoa Igarashi (JAP) x Cole Houshmand (EUA)
13 Yago Dora (BRA) x Eli Hanneman (HAV) ou Oscar Berry (AUS)
14 Marco Mignot (FRA) x Barron Mamiya (HAV)
15 Filipe Toledo (BRA) x Callum Robson (AUS)
16 Miguel Pupo (BRA) x Mateus Herdy (BRA)
Round 1 (Feminino)
1 Sally Fitzgibbons (AUS) x Vahine Fierro (FRA)
2 Anat Lelior (ISR) x Erin Brooks (CAN)
3 Nadia Erostarbe (ESP) x Yolanda Hopkins (POR)
4 Isabella Nichols (AUS) x Francisca Veselko (POR)
5 Stephanie Gilmore (AUS) x Tya Zebrowski (FRA)
6 Alyssa Spencer (EUA) x Brisa Hennessy (CRC)
7 Bettylou Sakura Johnson (HAV) x Bella Kenworthy (EUA)
8 Tyler Wright (AUS) x Tatiana Weston-Webb (BRA)
Round 2 (Feminino)
1 Carissa Moore (EUA) x Anat Lelior (ISR) ou Erin Brooks (CAN)
2 Lakey Peterson (EUA) x Stephanie Gilmore (AUS) ou Tya Zebrowski (FRA)
3 Molly Picklum (AUS) x Nadia Erostarbe (ESP) ou Yolanda Hopkins (POR)
4 Caitlin Simmers (EUA) x Bettylou Sakura Johnson (HAV) ou Bella Kenworthy (EUA)
5 Gabriela Bryan (HAV) x Sally Fitzgibbons (AUS) ou Vahine Fierro (FRA)
6 Caroline Marks (EUA) x Tyler Wright (AUS) ou Tatiana Weston-Webb (BRA)
7 Luana Silva (BRA) x Isabella Nichols (AUS) ou Francisca Veselko (POR)
8 Sawyer Lindblad (EUA) x Alyssa Spencer (EUA) ou Brisa Hennessy (CRC)
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