Guga Arruda

Os testes não param

Guga Arruda coloca seus foguetes para funcionar nas condições adversas de Florianópolis (SC).

Sempre viajo em busca de boas ondas para testar os meus novos modelos de prancha. Alguns são realmente novos e outros são apenas um aperfeiçoamento dos modelos já consagrados, as versões do ano 2020. Neste ano, a pandemia limitou as viagens, então os testes tiveram que rolar aqui mesmo em Florianópolis (SC), onde moro e fica a sede da Powerlight.

Floripa é um lugar difícil de onda. Elas costumam ser bem curtas e rápidas. São cavadas, mas fecham bastante. Por isso são boas para tubos e aéreos, até porque venta bastante, sempre de lado, o que facilita as decolagens. O vento ou é sul ou é nordeste, geralmente forte. O terral é raro, e só rola de manhã cedo.

Mas graças a Deus tem sido um ano de boas ondas, tanto no outono como no inverno. Recebemos ondulações abundantes e as pranchas estão funcionando muito bem, em qualquer condição. Existem males que vêm para o bem – e é sempre válido procurar e encontrar esse bem.

É exatamente nessas condições adversas do litoral brasileiro que a grande maioria dos nossos clientes tem a chance de surfar. Por isso, são nessas condições que as pranchas precisam funcionar. Diferentemente das pranchas gringas, que são criadas e testadas em ondas perfeitas. Assim, nesta temporada as pranchas da Powerlight voaram mesmo nas ondas imperfeitas, o que é o mais difícil e desejado.

Enquanto isso, o sonho é que as fronteiras reabram para que possamos desfrutar novamente de ondas melhores e mais fáceis, nas principais locações mundo afora. Mas não tenho dúvidas: o surfista que se adapta em ondas difíceis e com a sua prancha de confiança, terá grande sucesso quando for dropar ondas perfeitas. Já o surfista que tem uma prancha boa e ondas perfeitas à disposição, nem sempre se sairá bem em condições mais irregulares.

Esse é o grande trunfo dos surfistas e shapers brasileiros: temos que fazer funcionar em qualquer condição.

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