Bells Beach

O grande ficou menor

Quem poderia imaginar que ondas tão grandes seriam surfadas com pranchas tão pequenas?

Pois é, parece que as guns ficaram mesmo para ondas acima de “grande pra caramba”. Sim, porque lá em Bells as ondas estavam grandes. Acredite. O que você viu na TV/web durante a segunda etapa da elite da WSL, em 2019, foi um mar de tamanho G. Pesado, em certos momentos, especialmente no inside.

Décadas atrás teríamos visto em Bells um desfile de guns, pranchas com muito mais tamanho e volume do que aquelas usadas no dia a dia ou nos anos 80 e 90. O surfe evoluiu. Os atletas evoluíram. As pranchas também.

A maior parte dos atletas, tanto no masculino quanto no feminino, pousaram em Bells com pranchas antes consideradas pequenas. Poucas tinham mais do que 6’2”. Fora Owen Wright ou Jordy Smith, que usam pranchas maiores normalmente, não havia o que pudéssemos chamar de guns.

Devo concordar que alguns atletas, poucos, ficaram um tanto sem prancha para manter curvas necessariamente tão longas, mas, no geral, as pranchas, mesmo parecendo pequenas, funcionaram bem para a habilidade de cada um.

Tudo bem, houve quem buscou prancha emprestada, mas isso é mais um sinal de que julgam desnecessário levar pranchas maiores. 

A verdade é que tudo aquilo que havia de bico a mais naquelas 6’4” e maiores, dos anos 80 e 90, foi comprimido nas atuais 6’ e menos. Vale lembrar que no quiver do Kelly Slater para Bells, em 2012, a maior prancha já era uma 6’.

Opa. Pronto, esse é o ponto. As pranchas evoluíram muito no quesito design. Tudo o que um atleta de ponta precisa está ali, condensado no “pequeno” tamanho das pranchas atuais. Só que esses atletas também evoluíram, muito.

A evolução deles e do esporte, coletivamente, também permitiu mais controle das pranchas em alta velocidade e pressão. O condicionamento físico deles é completamente diferente do que havia no século passado. Só que a maioria de nós não é atleta de ponta.

Esse texto me veio só para lembrar o quanto ainda precisamos, nós mortais, de um quiver com pranchas com tamanhos realmente diferentes para ondas de tamanhos distintos. Seja pela remada, pela segurança ou pela linha que podemos traçar numa onda maior. Lógico, isso se aplica para situações um tanto raras em nossas praias, mesmo assim, ainda tenho uma 6’5” no quiver. Só para garantir. Vai que…

Obs: O que será que usarão lá em Margaret caso as ondas cresçam de verdade?

Legenda vídeo: Michael Peterson, Mark Richards e outras lendas do surfe estavam com pranchas de uma só quilha. Pranchas maiores num Bells bem menor, mas isso foi em 1975.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.