Campanha pelo saneamento

Moradores de Maresias protestam contra a falta de saneamento básico na badalada praia do litoral norte paulista.

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No final de 2019, o FunBEA (Fundo Brasileiro de Educação Ambiental) reuniu moradores de Maresias em uma campanha para levantar o debate sobre a falta de saneamento básico na badalada praia do litoral norte paulista.

O trabalho partiu do curso de formação “Educação Ambiental e Recursos Hídricos”, realizado pelo FunBEA em parceria com o Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte. A partir de uma pesquisa de percepção socioambiental, eles descobriram o descontentamento da população que reside no bairro sobre a situação ambiental.

Dos entrevistados, 36% consideram a qualidade dos rios que deságuam na praia como péssima. Dos 137 entrevistados, 121 consideram que a principal causa é o esgoto doméstico. A pesquisa também mostrou a preocupação com resíduos sólidos, qualidade ambiental, dentre outros temas.

Dados do Comitê de Bacias do Litoral Norte (Plano de Bacias 2016-2019) também apontam uma situação extremamente crítica, onde os esgotos sanitários representam a principal fonte de poluição dos recursos hídricos, evidenciando que historicamente os investimentos se mantiveram aquém da necessidade. Os rios que entremeiam as manchas urbanas são os mais prejudicados, afetando a saúde pública e o potencial turístico.

Provocados por este diagnóstico, moradores e FunBEA resolveram criar a campanha #saneamentojá com o objetivo de mobilizar sociedade e instituições envolvidas na gestão dos recursos hídricos da região, trazendo no clipe acima um apelo: que a praia deixará de ser um santuário do surfe pra se tornar um esgoto a céu aberto.

“Maresias, esta praia magnífica, que é o destino de 35% dos turistas que visitam o município de São Sebastião, segue badalada, com sua noite incomparável, ótimos restaurantes, hotéis charmosos e cheia de surfistas ávidos por dropar suas famosas ondas. Porém, o saneamento básico continua não existindo…”, escreve o FunBEA.

“Por séculos ela foi preservada por nossos ancestrais, povos Tupinambás e caiçaras, e há apenas duas gerações em nossas mãos, deixa de ser um santuário natural para virar um esgoto a céu aberto”, continua.

“Então, como mudar essa realidade? Você repensa o seu consumo diariamente? Como seus hábitos influenciam o meio ambiente? Você participa de movimentos e colegiados? Conhece e participa do Comitê de Bacias Hidrográficas da sua região? Conhece o Plano de Bacias da sua região?”, indaga o Fundo Brasileiro de Educação Ambiental.