The Allman Brothers Band

Ao vivo no Fillmore East, 1970

Allman Brothers ao vivo no Fillmore East, gravado em 1970, é o ponto alto da carreira de uma das bandas mais importantes dos Estados Unidos.
Allman Brothers Band

Este show antológico do grupo americano The Allman Brothers foi gravado no Fillmore East em 1970 e hoje, 52 anos depois, é um dos registros mais emblemáticos do rock blues branco desta banda dos irmãos Greg (vocal e teclado) e Duane (guitarra), ambos já mortos.

O filme infelizmente não traz o show completo que faz parte de um álbum duplo, mas inclui as essenciais In Memory of Elizabeth Reed e Whippin’ Post, música que seria gravada pelo guitarrista Frank Zappa nos anos 80, depois de ser pedida por um fã durante um show na Suécia.

Zappa então teria obrigado a banda a ensaiar Whipping Post por vários anos seguidos sob a alegação de que eles teriam que saber interpretar caso algum fã pedisse novamente. Não foi o caso, e a música acabou fazendo parte de dois álbuns, Them or Us, de estúdio, e Does Humour Belongs In Music, ao vivo.

Nota da redação Precisa estar logado no Spotify para ouvir as músicas do playlist abaixo na íntegra.


A trágica história do Almann Brothers (Por Dave Ling, Classic Rock, 2019) Assim como tudo parecia estar dando certo para os Allman Brothers, drogas, mortes e desintegração levaram o sonho ao esquecimento.

Os Allman Brothers estão tocando Layla com uma postura fluida, visivelmente alerta aos padrões de mudança da música. No lado esquerdo do palco, a figura diminuta de Gregg Allman fica presa entre o órgão Hammond e o gabinete Leslie atrás de sua cabeça.

Ele se inclina para o microfone, com os cabelos loiros balançando em volta dos ombros. Sua voz lamentosa e rouca ainda tem essa vantagem convincente, não afetada pela devastação do tempo, apesar de outras devastações.

Na parte de trás do palco estão outros dois membros originais: os bateristas Butch Trucks e Jaimoe, com 35 anos de telepatia rítmica. Como se isso não bastasse, há outro percussionista, Marc Quinones – apenas uma dúzia de anos na banda – tocando congas no centro do palco.

O guitarrista Warren Haynes, que ingressou na banda há 14 anos, parece atuar como ponto de apoio musical da banda, enquanto o baixista Oteil Burbage surfa a onda do ritmo. E escondido pelos percussionistas está um garoto alto e magro, com longos cabelos loiros em um rabo de cavalo, absorvido em sua guitarra, emitindo o mesmo tom de “pássaro chorando” de Clapton no original Layla, gravado em 1970.

Naquela época, era outro garoto magro e de cabelos compridos, Duane Allman; hoje à noite é o sobrinho de 23 anos, de Butch Trucks, Derek Trucks.

“Essa é apenas a segunda vez que tocamos e foi a melhor delas”, revela Gregg na tarde seguinte em sua suíte de hotel. “Foi ideia de Butch – e uma ótima ideia, devo dizer”, e ri com seu suave sotaque sulista, uma pitada do charme que se mostrou irresistível ao longo dos anos.

Butch e Gregg estavam entre os presentes em um dia de setembro de 1970 no estúdio Criteria de Miami, quando Duane sugeriu acelerar o riff triste com o qual Clapton estava brincando e depois criou o riff mágico de sete notas.

“Acho que a maioria de nós estava lá”, diz Gregg, recostando-se no sofá. “As pessoas estavam pra lá e pra cá… Faz três décadas e… eu não sei.” Mas você não esquece um riff assim tão fácil.

“Não, você realmente não sabe.” Ele se inclina para frente e sacode o gelo em seu copo. “Há alguns momentos que eu lembro. Foi nessa época que Clapton passou de uma SG para a Fender, e meu irmão pegou uma Gibson – é claro. E então… ufa!”

“Mas eu ainda acho que Clapton fica melhor tocando aquela Gibson – todas as coisas que ele fez com John Mayall e Cream”. Era exatamente aquela coisa fluida, cara: a SG, aqueles pequenos humbuckers e suas mãos.

Quando Clapton se juntou a Duane Allman para as importantes sessões de gravação do álbum Layla, os Allman Brothers estavam ocupados se tornando a banda ao vivo mais quente da América. Duane e seu irmão Gregg, um ano mais novo, haviam sido criados em Nashville por sua mãe, e numa antecipação ameaçadora do futuro, seu pai havia sido morto por um mochileiro que roubou sua casa.

Ironicamente, foi Gregg quem primeiro pegou a guitarra. No começo, Duane estava mais interessado em motos. Mas, quando Gregg se converteu, em um show de B.B. King, ao conhecer o órgão Hammond B3, Duane já tinha menos graxa e mais calos nos dedos da mão esquerda.

A família Allman havia se mudado para Daytona Beach, Flórida, e os irmãos tocavam em bandas locais até terminar os estudos em 65. Eles então formaram o Allman Joys e excursionaram pelo circuito local, tocando rhythm and blues influenciados por grupos britânicos como The Yardbirds, The Spencer Davis Group e, é claro, Cream. Eles então tiveram uma breve e desastrosa experiência na badalada Los Angeles, como The Hour Glass, vestidos com roupas psicodélicas e presos em um contrato com a gravadora, quando, na verdade, tudo o que eles queriam era só tocar.

A única coisa boa dessa má viagem ocorreu enquanto Duane estava gripado. Ele passou duas semanas inteiras desenvolvendo uma impressionante técnica de slide usando o frasco de vidro do remédio Coricidin.

Dali em diante, ele mal podia se separar da guitarra ou do Coricidin. Ou, como Duane respondeu ao lendário John Hammond (o homem que produziu Aretha Franklin, Bob Dylan e Bruce Springsteen) quando perguntou como ele havia ficado tão bom: “Cara, eu aproveitava todas as noites, por três anos, para praticar”.

Enquanto Gregg permanecia na costa oeste, contratualmente vinculado a um álbum solo, em 1968 Duane voltou para a Flórida e se juntou novamente a bandas locais, incluindo a Second Coming obcecada por Cream, que já tinha seu próprio guitarrista Dickey Betts e o baixista Berry Oakley.

Duane também deu um tempo quando foi contratado para gravar com Wilson Pickett e a banda Hourglass. Ele sugeriu a Picket regravar Hey Jude, dos Beatles, ensinou a banda os arranjos e criou um solo sublime.

O single vendeu um milhão de cópias e Duane foi subitamente reconhecido como grande músico de estúdio. Mas ele estava ansioso para formar uma banda. E foi Phil Walden, que lhe deu a oportunidade, sugerindo-lhe para formar um trio e vir a Macon, na Geórgia, para gravar pelo seu recém-formado selo Capricorn.

Duane estava tão empolgado que apareceu com uma banda de seis integrantes, tendo recrutado Betts e Oakley do The Second Coming, dois bateristas de estúdio com quem ele tocara – Jai “Jaimoe” Johanson e Butch Trucks, além de chamar Gregg de volta de La La Land.

Gregg ri ao pensar que foi o último a se juntar aos Allman Brothers:

“Lembro-me de entrar na sala, e havia dois conjuntos de bateria montados e Duane estava enfiando a letra de Trouble No More de Muddy Waters na minha mão dizendo: “há duas batidas extras no final de cada compasso”. “Acabei de chegar após dirigir atravessando o país e não estou pronto para isso”. Eu disse: “acho que não posso fazer isso”. E ele começou a dizer: “Seu pequeno idiota”, para mim na frente de todos aqueles caras que eu nem conhecia. Então, peguei a letra da mão dele e disse: ‘Chute essa porra”.

Agora havia uma saudável rivalidade entre os irmãos para adicionar à música inebriante que a banda estava trabalhando no apertado apartamento de dois quartos em Macon. Eles desciam a rua até o cemitério, e tocavam ao lado de uma lápide gravada como In memory of Elizabeth Reed, alimentados por uma combinação de vinho, maconha e cogumelos mágicos que se tornariam o logotipo da banda.

Como uma iniciação pela irmandade, cada membro da banda tatuou um cogumelo na perna – certamente mais romântico do que reunir caranguejos na turnê do Texas, alguns meses depois.

Seu primeiro álbum, The Allman Brothers Band, em 1969, lançou as bases para um novo estilo de rock. Misturando blues, com um toque soul jazzístico, e uma nova vibração sulista (em oposição ao ritmo reacionário dos caipiras), caracterizada pelos vocais rudes e sinceros de Gregg, as linhas duplas de guitarra que variavam de gentis dedilhados ao toque frenético junto ao pulsar percussivo implacável.

Eles demonstraram seu lado psicodélico nos lânguidos da suntuosa Dreams antes de finalizar o álbum com a empolgante Whipping Post. Tendo feito o álbum que queriam, os Allman Brothers embarcaram em uma maratona para promovê-lo.

Nos dois anos seguintes, eles fizeram 500 shows surpreendentes e efetivamente viveram na estrada, parando apenas para se juntar a Eric Clapton no álbum Layla de Derek & The Dominos e para gravar o segundo álbum, Idlewild South.

O segundo álbum dos Allmans foi ainda melhor que o primeiro, graças ao produtor Tom Dowd, que captou a essência da energia bruta da estrada. Dickey Betts também apareceu com duas pedras preciosas: Revival e a imponente In Memory Of Elizabeth Reed (a favorita do cemitério), que rapidamente passou a ter mais do que o dobro de sete minutos de duração quando tocada ao vivo.

E no palco era onde os Allmans brilhavam todas as noites por duas a três horas, um show de encanto que começava uma trajetória diferente a cada noite, dependendo da química entre eles e dos produtos químicos dentro deles.

No futuro, Enlightened Rogues (espertos iluminados) seria a descrição, por Duane, da banda e da equipe de estrada, e eles viveram a vida de foras da lei do rock’n’roll ao máximo – em uma velocidade para entorpecer o tédio e a exaustão de viajar, e depois ajeitar o humor com uma mistura de produtos farmacêuticos que variavam de psicodélicos a opiáceos.

Mas era uma estratégia de alto risco. O primeiro a explodir foi Twiggs, o gerente de tour, que puxou uma faca para um dono de clube em Buffalo, que se recusava a pagá-los após um show. Na luta que se seguiu, o proprietário foi esfaqueado e morreu. Twiggs foi acusado de assassinato em primeiro grau.

Outro roadie foi baleado na coxa por um policial de folga em Macon por “resistir à prisão depois de recusar uma multa por excesso de velocidade”. A banda também já esperava uma apreensão de drogas ocorrer.

Depois de uma batida em Nova York, quando jogaram um pacote contendo heroína pela janela do carro no momento em que estavam sendo revistados por um policial (e voltaram para resgatá-la), a sorte acabou no Alabama em março de 1971, quando a polícia encontrou maconha, PCP e heroína na van da banda.

Todos os membros da banda mais três roadies enfrentavam sentenças de prisão, até que algumas barganhas jurídicas os colocaram em liberdade provisória. Mas, estranhamente, Twiggs foi considerado inocente de sua acusação de assassinato por motivo de insanidade, depois de uma performance induzida por metadona.

Isso permitiu à defesa provar que qualquer pessoa razoável ficaria louca ao trabalhar para os irmãos Allman. Após seis meses em uma instituição de saúde mental, Twiggs conseguiu retomar seu emprego anterior.

Mas a música continuava melhorando. E o álbum gravado antes do problema no Alabama, Live At The Fillmore East, era forte candidato ao melhor álbum ao vivo já feito.

Com gravações retiradas de quatro longos sets, a banda estava em uma forma fascinante, rasgando canções como Statesboro Blues, Stormy Monday e You Don’t Love Me com 20 minutos antes de encerrar com uma versão de 22 minutos de Whipping Post.

Live At The Fillmore foi o avanço que a banda e a gravadora estavam procurando, vendendo meio milhão de cópias alguns meses após seu lançamento em julho de 1971. A capa do álbum mostra a banda, que odiava posar para fotos, na frente de seus equipamentos, embalados e prontos para a estrada.

Todos estão rindo, particularmente Gregg, que está apontando para um Duane de aparência presunçosa, com as mãos entrelaçadas na virilha, escondendo um saco de cocaína que ele acabara de receber de um “amigo” que passava.

Quando a banda saiu da estrada em outubro de 1971, eles estavam completamente esgotados. Então terminaram algumas músicas para o próximo álbum, mas ficou claro que precisavam de descanso, recuperação e desintoxicação. O último item não ocorreu, então eles se concentraram no primeiro.

Em 29 de outubro, montando sua amada Harley Davidson em Macon, Duane desviou para evitar um caminhão que se aproximava e derrapou com a moto caindo em cima dele, morrendo três horas depois em razão de ferimentos internos.

Dizer que a banda estava emocionalmente despreparada é um eufemismo. Berry Oakley destruiu seu carro no caminho de volta do hospital. A esposa de Gregg, Shelley, destruiu o dela dois dias depois. Os cinco membros restantes da banda tocaram no funeral. Eles lidaram com o ocorrido a base de sedativos e voltando à estrada. Suas vidas domésticas, especialmente a de Gregg, eram voláteis demais para ficar em casa.

Duane havia participado de todo o próximo álbum, Eat A Peach, incluindo Mountain Jam de 33 minutos baseada em First There Is A Mountain, de Donovan, além de três faixas que havia produzido no estúdio.

Naturalmente, a tragédia aumentou o interesse pela banda, e o álbum alcançou o Top Five quando foi lançado no início de 1972. Mas a banda ainda estava sem rumo, mesmo depois de terem trazido o jovem pianista Chuck Leavell, já que adicionar outro guitarrista era algo nunca considerado.

Felizmente, Dickey Betts aceitou o desafio musical e criou duas músicas excelentes para o álbum Brothers And Sisters – a maravilhosa balada country Ramblin’ Man, que foi o primeiro e maior sucesso dos Allmans, e a instrumental Jessica (usada como tema no programa automobilístico de TV Top Gear). Mas antes que eles pudessem terminar o álbum, Berry Oakley esmagou sua moto em um ônibus.

A princípio, ele se levantou e seguiu atordoado. Mas em casa, começou a delirar, morrendo no hospital algumas horas depois de hemorragia cerebral. A autópsia revelou o dobro do limite legal de álcool no sangue.

A morte de Oakley aconteceu um ano e uma semana após a de Duane, e os acidentes ocorreram a menos de um quilômetro e meio. Ambos tinham 24 anos. Berry foi o mais afetado pela morte de Duane. Os dois foram enterrados juntos, não muito longe de Elizabeth Reed.

Entorpecida, a banda continuou, recrutando para o baixo, Lamar Williams, amigo de Jaimoe, e teve o ano de maior sucesso de todos os tempos em 1973, quando o álbum Brothers And Sisters liderou as paradas por cinco semanas e os shows aumentaram em proporção, culminando no Festival de Watkins Glen, no norte do estado de Nova York, com 600 mil pessoas.

Havia apenas três bandas na lista: The Grateful Dead que tocou por cinco horas, The Band e Allman Brothers por três horas cada, depois todos voltaram para uma jam e tocaram por mais 90 minutos.

O sucesso não conseguia encobrir as rachaduras. Gregg continuava drogado ou se casando novamente, e a frustração de Dickey com a falta de liderança produzia algumas mudanças de humor alarmantes. A banda que havia passado dois anos na estrada com a mesma van agora tinha limusines separadas.

Mas uma nuvem de tempestade maior estava se acumulando, sem que nenhum deles pudesse ter previsto, mesmo se estivessem limpos. As imensas quantidades de drogas fornecidas à banda vinham em grande parte da gangue Hawkins, que já estava sendo investigada pelo FBI.

Quando a polícia pegou o roadie de Gregg, John ‘Scooter’ Herring e seu fornecedor, ambos possuindo conexões com tal gangue, os policiais tinham evidências cruciais e começaram a apertá-los.

Quando a trilha das drogas terminava na porta de Gregg, ele também logo sentiu o aperto e enfrentou uma sentença de prisão, a menos que testemunhasse contra Scooter – que havia salvo sua vida duas vezes.

Não ajudou o fato de Gregg ter embarcado em um turbilhão de romance / casamento / separação / reconciliação ad infinitum com Cher, que passou das notícias para a novela e depois para a farsa, e isso significava que a mídia estava presente para vê-lo “detonar” Scooter no Tribunal.

Por não denunciar a gangue Hawkins, em julho de 1976, Scooter recebeu uma sentença de 75 anos de prisão. Na verdade, Gregg tinha poucas alternativas. E com todas as menções à gangue de Hawkins evitadas inescrupulosamente no tribunal, a história real não surgiu até que a gangue foi finalmente presa.

Gregg foi considerado traidor pelos outros, que declararam a banda morta. Não que a banda tenha mostrado muito sinal de vida nos dois anos anteriores, embora o álbum Win Lose Or Draw (que apresentava a banda inteira em apenas três faixas) os mantivesse no esquecimento a que estavam agora acostumados.

Enquanto Gregg encontrou consolo em um bebê com Cher e gravou o álbum Two The Hard Way em dupla com ela (ele estava tão apaixonado que desistiu da heroína, mas se viciou em metadona), Dickey Betts e Butch Trucks estavam perigosamente fora de controle. Ao ter recusada a entrada em um clube noturno, Butch jogou sua Mercedes contra a entrada e manteve o pé no acelerador até queimar todos os pneus; Dickey exalou sua raiva de uma maneira mais pessoal, com os amigos e esposas sentindo seu desconforto.

Por um tempo, Gregg e Dickey tocaram suas próprias bandas, enquanto Butch, que ficou sóbrio e saiu de Macon – criou o Sea Level. Mas nenhum deles representava um terço dos Allman Brothers.

Então, de repente, em 1977, os royalties dos Allmans secaram. Mas no momento em que descobriram como foram enganados, o selo Capricorn também estava quebrando.

Quando Scooter foi libertado, após apelação, e o resto da banda foi desintoxicado o suficiente para entender a história completa, eles conseguiram terminar uma reunião. Então se sentiram capazes de adicionar um segundo guitarrista, Dan Toler, que tocava com Dickey Betts.

Enlightened Rogues (a frase de Duane) vendeu um milhão de cópias quando foi lançado em 1979, sendo um retorno à boa forma. Mas já era tarde demais para a Capricorn Records, que faliu no final daquele ano, levando quase US$ 4 milhões do dinheiro dos Allmans com ela.

A única renda da banda era proveniente de shows, mas a estrada era ruim para Gregg. Ele trocou a metadona pelo álcool, mas Cher se recusou a se inscrever na próxima série da novela, deixando Gregg sozinho com a garrafa. Embora ele estivesse com uma nova noiva, modelo russa 12 anos mais nova, quando entrou na clinica de reabilitação no final do ano.

O falso amanhecer de 1979 se transformou na longa noite escura dos anos 80. Antes de mais nada, a banda assinou contrato com a gravadora Arista, do magnata Clive Davis. Ele estava produzindo grande sucesso revivendo Aretha Franklin, mas os Allman Brothers eram feitos de coisas mais tóxicas.

“Eu nem gosto de pensar nos discos da Arista”, reflete Gregg. “Tínhamos outras pessoas na banda e no estúdio. E foi realmente muito ruim. Não sei por que Clive Davis foi a favor. Eu mesmo fui voto vencido.

Gregg reconhece o histórico de Clive, “tudo foi feito à sua maneira. E o problema desse jogo é que você precisa continuar jogando. Então você é tão bom quanto o seu último hit.”

Isso não era um problema para os Allman Brothers – no momento, eles não faziam nenhum sucesso. O problema era que eles não podiam mais garantir uma audiência ao vivo. Eles estavam passando por maus momentos, e os fãs perceberam isso antes. Eles também não conseguiam lidar com os prazos da gravadora.

No final de 1981, eles entraram em apatia e desapareceram de vista, exceto quando o ex-baixista Lamar Williams morreu de câncer e o gerente de turnê, assassino reprimido e entusiasta de pára-quedismo Twiggs faleceu quando seu equipamento não abriu, ou quando Gregg continuava mergulhando no álcool ou nas drogas.

A lenda foi desenterrada em 1989 com Dreams, uma caixa de quatro CDs com faixas inéditas que remontam ao inicio em Daytona Beach, além de uma “nova” faixa dos shows no Fillmore. As vendas de Dreams geraram lucros – sem que a banda precisasse tocar ao vivo novamente – mas ninguém queria repetir o último desastre. Os presságios eram certamente melhores – Gregg e Dickey estavam quase sóbrios.

Então chega Warren Haynes, guitarrista de country e blues que tocava na banda de Dickey. “Eu sempre fui um grande fã dos Allman Brothers e os conheci dez anos antes”, diz ele. “Eu estava planejando um álbum solo quando recebi uma ligação dizendo: ‘Estamos colocando os Allman Brothers juntos novamente. Você gostaria de participar? Todos os aspectos positivos superaram os negativos, então eu meio que pulei com os dois pés.”

Havia também um contrato dos Allmans com a Epic Records: “Bem, eu tinha um contrato com a Epic naquela época”, explica Gregg, “e Dickey também”. Provavelmente parecia uma conspiração – “Ei, o que temos aqui?”. Ele ri.

A Epic ficou preocupada quando a banda insistiu em fazer uma turnê antes da gravação – eles não achavam que a banda sobreviveria à turnê. Mas o álbum resultante, Seven Turns, foi melhor do que o esperado; os Allmans estavam de volta em plena forma.

Desta vez, ninguém dava nada como garantido, e com razão. Embora Dickey, Jaimoe e Gregg estavam revitalizados o suficiente pelos novos casamentos (Gregg pela quinta vez), havia tensões subjacentes causadas pelos lapsos de Gregg e pelo comportamento errático de Dickey.

Por um tempo, isso não pareceu importar. Shades Of Two Worlds, em 1991, manteve o ímpeto, mas An Evening With The Allman Brothers propiciou comparações desagradáveis com o álbum Fillmore.

A culpa foi da banda por repetir muitas músicas em vez de seguir com as coisas novas. E os demônios de Dickey estavam se aproximando. Algumas noites ele parava de tocar sem motivo aparente.

Quando ele foi preso após uma briga com sua esposa em um quarto de hotel em junho de 1993 e foi para a clínica de reabilitação, a banda continuou a turnê com guitarristas substitutos.

A noite em que Zakk Wylde se juntou à banda provavelmente foi a formação mais bizarra de sua história. Durou um show e provou que, embora você possa se dar bem com muitas coisas nos Allman Brothers, a postura de heavy metal não é uma delas.

Quando Dickey voltou, ele estava de volta aos negócios, como de costume. Gregg costumava fazer sua reabilitação na Califórnia entre as turnês, apenas para manter a tradição. Dickey tornou-se um solitário cada vez mais imprevisível.

Em 1997, Warren Haynes e o baixista Allen Woody não aguentaram mais e se mandaram para formar o Gov’t Mule, que possuía uma consideração quase fundamentalista pelos princípios musicais originais dos Allmans.

“Sabíamos que as pessoas pensariam que éramos loucos por deixar uma instituição como os Allman Brothers”, admite Warren. “Nós sentimos que era uma distensão, juntamente com o fato de que havia muita discórdia na época. Não havia muita criação musical; não se escreviam letras, sem ensaios, verificação do som, nenhuma conversa sobre um novo disco. Enquanto isso, o Gov’t Mule estava fazendo todas essas coisas, então fiquei muito mais feliz fazendo isso.”

Os Allmans continuaram, tocando cerca de 60 shows por ano e lançando álbuns ao vivo para manter os fãs felizes. Mas no verão de 2000, o comportamento de Dickey estava novamente ameaçando o bem-estar da banda e, relutantemente, eles tiveram que suspendê-lo da turnê de verão.

“Não é possível demitir Dickey”, explicou o membro fundador Butch Trucks na época.

Dickey reclamou amargamente de sua suspensão, com as insinuações sobre seus problemas de jogo, drogas e álcool. Sua esposa também falou por ele, mas menos de um mês depois ela estava chamando a polícia para sua casa na Flórida, depois de outro tumulto. E novamente quatro meses depois. E novamente quase um ano depois.

“Ele era louco como um morcego raivoso, você sabe”, diz Gregg. “Quero dizer, eu também tenho certa quantidade de loucura. Costumava fazer, talvez ainda o faça”, continua ele, com o realismo de um viciado em recuperação.

“Mas o principal é que as coisas não estavam funcionando musicalmente. E esse foi o golpe final. Minha inspiração foi para… – ele aponta um dedo para o copo vazio na mão. “A bebida estava apenas assumindo o controle da coisa toda.”

E ele não poderia dizer se ou quando Dickey retornaria. “Nesse momento, não sei se ele quer voltar ou não, na verdade não”, diz Gregg, balançando a cabeça.

Enquanto isso, os Allman, que geralmente triunfavam na adversidade, traziam Warren de volta a pedido de Gregg, estabelecendo uma nova parceria de guitarra com Derek Trucks de 21 anos, que já havia tocado com vários notáveis bluesmen, e pela primeira vez com a banda quando tinha 11 anos!

“Isso foi assustador, muito estranho”, lembra Gregg. “Quero dizer, a maior influência dele foi meu irmão e, meu Deus, o que mais eu poderia pedir. Lembro que, depois que ele tocou conosco pela primeira vez, colocou o boné de beisebol – ele era jovem demais para ficar no local – e saiu pelos fundos jogando bola com seu irmãozinho.”

“Lembro que Gregg continuava vindo para mim enquanto tocávamos e dizia: “O que há com esse garoto?”, Acrescenta Warren. “Ficávamos rindo”. Mas era impossível contar às pessoas sobre ele, na verdade, porque cada pessoa dizia: ‘Bem, eu tenho certeza que ele é bom para a idade dele”, porque você realmente não espera que alguém dessa idade toque como se tivesse 30.”

Derek e Warren trazem uma sensibilidade contemporânea para a banda, no sentido do improviso, ao estilo pioneiro dos Allmans, ampliando-o e dando-lhes um novo impulso. “A banda sempre se estruturou na improvisação, agora mais do que nunca”, diz Warren. “O set list é diferente todas as noites. Estamos tentando injetar mais material novo, mais material novo velho e alguns covers estranhos para que possamos nos divertir e agitar o tempo todo. A idéia é sobre não tocar as músicas do mesmo jeito todas as noites.”

“Essa é a única maneira”, concorda Gregg. “Se algum de nós tivesse que fazer isso individualmente, a banda não teria passado de um hobby. E agora que a nuvem escura com seu mau tempo passou, é realmente um novo dia para os Allman Brothers”, ele conclui enfaticamente.

Isso explica a inclusão de músicas como Layla em seus shows e a vitalidade de Hittin’ The Note, o primeiro álbum de estúdio em uma década e sem dúvida o mais gratificante desde os anos 70.

Eles tocam por 75 minutos e apresentam uma versão mais lenta e um pouco soul de Heart Of Stone dos Rolling Stones.

“Pensei que, se fizéssemos dessa maneira, seria perfeito para a voz de Gregg”, explica Warren. “Eles escreveram no inicio de carreira, e acho que se tivessem escrito mais tarde, no Beggars Banquet, por exemplo, provavelmente teriam diminuído a velocidade também.”

“Sim”, Gregg ri, “teria sido muito, muito lento até então!” E entre gargalhadas, os dois tocam uma versão arrastada e “stoned” da música.

“Pense sobre isso”, diz Gregg, enquanto o riso diminui, “há três caras na banda que não cresceram ouvindo essa música. Eles provavelmente nem conhecem o original.

“Isso mesmo”, diz Warren. “Derek pediu para ouvir o original depois de tocá-la. Ele não havia nascido quando foi lançada.”

Gregg se diverte com a ideia. “Quero dizer, eu tinha apenas três anos”, acrescenta Warren. Gregg parece momentaneamente desconcertado. “Oh, shit!” Ele diz, levantando-se e rindo mais.

Dan Toler morreu em 2011, Butch Trucks suicidou-se em janeiro de 2017 e Gregg Allman faleceu em junho do mesmo ano. Os Allman Brothers fizeram seu último show em 28 de outubro de 2014 no Beacon Theatre.

Fonte Maquiavelli.

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    Elemento chave do novo projeto gráfico da plataforma, o icônico logo da Waves ganha forma de ondulação.

    Episódio de estreia da série documental O Pico revela a história da Paúba, desde a era dos nomes falsos e placas pichadas ao campo de treino que ajudou a moldar Gabriel Medina, passando pelo trágico acidente de Taiu Bueno. Toda onda tem uma história. Algumas são escritas em campeonatos, outras em imagens que atravessam décadas. Algumas nascem de momentos de glória, outras carregam marcas deixadas por tragédias que o tempo jamais apaga. Poucas ondas brasileiras reúnem tantos capítulos quanto a Paúba. Ela pertence a uma categoria especial de lugares que habitam conversas de estacionamento, capas de revista, vídeos compartilhados entre amigos e sessões imaginadas durante anos. Há lugares que, mesmo sem terem sido vistos de perto, já ocupam um espaço especial dentro de quem sonha com ondas. Para muitos brasileiros, Paúba é um desses lugares. Escondida entre o mar e a serra no litoral norte paulista, a pequena praia construiu uma reputação capaz de atravessar gerações. Seus tubos pesados, a bancada rasa e as condições frequentemente desafiadoras transformaram o pico em um dos lugares mais respeitados e temidos do surfe nacional. Foi ali que Gabriel Medina desenvolveu parte importante da técnica que o ajudaria a conquistar três títulos mundiais e enfrentar alguns dos tubos mais perigosos do planeta. Foi ali também que o big rider Taiu Bueno sofreu o acidente que mudaria sua vida para sempre. Por trás da fama da Paúba existe uma coleção de histórias. Histórias de pescadores e caiçaras. De fotógrafos, bodyboarders e surfistas. De amizades construídas dentro e fora d’água. De dias perfeitos e acidentes que marcaram profundamente a memória do surfe brasileiro. Durante muitos anos, a localização da Paúba foi protegida como um segredo. Revistas utilizavam nomes falsos para não entregar o pico. Placas eram pichadas para confundir visitantes. Quem encontrava aqueles tubos preferia mantê-los longe dos holofotes. Agora, chegou a hora de contar essa história. Paúba foi escolhida para inaugurar O Pico, nova série documental da Waves criada para explorar algumas das ondas mais emblemáticas do Brasil através das pessoas que ajudaram a construir suas identidades. A série integra o conjunto de novos produtos apresentados pela Waves em sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso). Para contar essa trajetória, a equipe reuniu personagens que viveram diferentes momentos da evolução do pico. Gente que testemunhou a transformação de uma praia quase desconhecida em um dos lugares mais respeitados do surfe nacional. Gente que viu Gabriel Medina chegar ainda menino. Gente que ajudou a escrever capítulos que jamais apareceriam em rankings, resultados ou manchetes. Ao longo do episódio, personagens como Sebastian Rojas, Felipe Paúba, JP Costa, Ditinho, Lúcia Frigerio, Ian Gouveia, Caio Costa, Zecão Rennó e outros nomes que fazem parte da memória da praia ajudam a reconstruir essa trajetória através de relatos raramente registrados em um mesmo lugar. As gravações aconteceram durante um grande swell que atingiu a região no início de maio. Com apoio da previsão do Waves Pro, a equipe mobilizou cinegrafistas locais e registrou um dos maiores dias do ano na Paúba até então. As ondas apareceram exatamente como gostam de se apresentar por lá: agressivas, imprevisíveis, desafiadoras, porém lindas e mágicas ao mesmo tempo. O resultado é um mergulho em uma história que fala de muito mais do que surfe. Fala sobre pertencimento, comunidade e coragem, porque a verdadeira história de uma onda raramente está apenas dentro d’água. Ela vive nas pessoas que cresceram ao seu redor. Nas amizades construídas ao longo dos anos. Nos medos superados. Nas vacas inesquecíveis. Nos tubos que ninguém viu. E nas histórias contadas depois que o mar acalma. Pegar um tubo na Paúba faz parte do imaginário de gerações de surfistas brasileiros, mas para entender de verdade por que esse pequeno trecho de areia exerce tamanho fascínio, é preciso conhecer as histórias que quebram junto com suas ondas. Aperte o play e descubra por que Paúba não é para qualquer um.

    Episódio de estreia da série documental O Pico revela a história da Paúba, dos tempos de segredo e nomes falsos ao pico que ajudou a formar Gabriel Medina e marcou para sempre a vida de Taiu Bueno.

    Feliz. Esse é o melhor adjetivo para descrever o momento que John John Florence vive. Quando ele deixou o Circuito Mundial, logo após conquistar seu terceiro título mundial, escolheu um novo rumo para sua carreira, sem garantia nenhuma de que a difícil decisão iria dar certo. Mas deu, e muito.  É justamente sobre exemplos e escolhas que girou boa parte da descontraída conversa do havaiano com o jornalista Adrian Kojin, que pode ser conferida no primeiro episódio do Wavescast. O podcast, que está sendo lançado pela maior plataforma surfe do Brasil como um dos produtos em destaque na sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso), chega para oferecer aos usuários da Waves o que pensam os maiores nomes do surfe mundial. Ter John John estrelando o primeiro episódio foi sem dúvida um privilégio. Escutar John John explicando que não foram os títulos mundiais de Tom Curren o que mais o marcou na trajetória do lendário californiano, mas sim sua coragem de escolher caminhos diferenciados do que se esperava dele, é revelador. “Eu admirava que ele conseguia fazer o que parecia certo para ele, sem estar preso a uma coisa ou outra”, diz ele ao reverenciar Curren como sua maior influência. Tem também John John celebrando seus outros dois grandes ídolos no surfe. Sobre Kelly Slater, ele se declara impressionado com sua capacidade de continuar performando num nível tão alto, “é incrível que ele consiga, na idade dele, ainda surfar do jeito que surfa”. Quanto ao que sentia ao testemunhar Andy Irons em ação, ele destaca a originalidade nas linhas traçadas, que o deixavam com a “sensação de que ele era imprevisível no que ia fazer na onda”.  No que diz respeito aos surfistas brasileiros no Tour, John John é só elogios. Para ele, a tempestade brasileira continua forte e a chance de mais um título mundial verde amarelo é grande. Sobre sua disputa particular com Gabriel Medina, para ver quem chega ao quarto título mundial antes – que deixou de acontecer esse ano quando ele resolveu partir para outra volta ao mundo velejando com a família – John disse sorrindo que “teria sido muito divertido, Gabriel tem sido um dos melhores. Ele me faz focar de verdade”. São 45 minutos de papo rolando solto e os assuntos são muitos. Dos perigos de surfar sozinho em lugares isolados, ao desejo de avistar o Cristo Redentor do deck de seu catamarã, John John demonstra sempre uma grande satisfação com o estilo de vida que optou em seguir. Ele conta que tem saudades do Tour, mas que não troca nada pelas experiências pelas quais tem passado ao lado da sua mulher e filho de dois anos de idade. Liberdade acima de tudo. Vale muito conferir.

    Estreia do Wavescast traz o tricampeão mundial John John Florence direto do seu veleiro enquanto navega pelo Pacífico, falando de Tom Curren, Kelly Slater, Andy Irons, Gabriel Medina e muito mais.

    Tentar explicar a sensação de surfar para quem não pega onda é uma tarefa complicada. Não sem razão uma das frases mais clássicas de nosso universo tão particular é aquela que diz que “Só um surfista conhece o sentimento”. Desde sempre foi uma das favoritas entre a equipe que faz a Waves. Mas, não faz muito tempo, alguém trouxe outra frase genial escutada para uma reunião de pauta, uma descrição tão apurada do nosso comportamento que ficamos absolutamente fascinados com sua sutileza e precisão: “Nós gastamos anos perseguindo segundos”. Tempo é o bem mais valioso que um ser humano pode ter. Se ele ou ela for um surfista, multiplique por muitas vezes esse valor. Surfistas precisam gastar muito tempo para poder sentir aquela sensação que dura uns poucos, ínfimos e efêmeros, segundos.  Mas é aí que reside o verdadeiro milagre do surfe. Na capacidade que a interação entre homem, prancha e ondas possui de alterar a percepção do tempo. Shaun Tomson, o sul-africano campeão mundial em 1977, considerado um dos maiores embaixadores que o surfe já teve, segue, aos 70 anos de idade, brilhando os olhos ao explicar que “o tempo se expande dentro do tubo”. Enquanto Gerry Lopez, eterno rei de Pipeline, que ainda entuba fundo e com muito estilo, celebra o efeito câmera lenta. “Quanto mais rápido eu deslizo, mais lentamente as coisas parecem acontecer.” Hoje a plataforma Waves pega uma nova onda, em disparada ao futuro, mas sem nunca deixar de reverenciar a essência do surfe. Todo surfista sonha com a onda perfeita, é onde ele quer estar. Por 28 anos esse foi o compromisso da Waves com seus usuários. Agora mais do que nunca. Quando a onda digital despontou no horizonte do surfe, a Waves remou forte e se tornou o primeiro veículo especializado no Brasil a botar pra baixo. Muitas séries vieram depois, e nunca amarelamos.  Mas chegou um momento em que percebemos que o lipe estava ameaçando correr mais veloz do que nossa capacidade de aceleração. Hora de reavaliar o posicionamento, se certificar de que as ferramentas utilizadas estão em sintonia com o desafio à frente e buscar entender ainda mais como podemos ser úteis a quem busca nossos serviços. É isso mesmo, a vocação da Waves é a de servir a comunidade do surfe. Informando, inspirando, indicando quando e onde as melhores ondas estarão acontecendo. Economizando tempo, para garantir mais segundos de onda. Na nossa prioridade é o usuário quem manda, e nesse novo momento estamos abrindo canais para que essa interação aconteça da forma mais eficiente possível.  Atualizamos o visual do site, facilitando a maneira como os surfistas interagem com a previsão, que foi expandida para 16 dias no Waves Pro. Vamos seguir publicando matérias com nossa reconhecida credibilidade, mas buscando ainda mais profundidade. Preservar e fomentar a rica cultura do surfe é um dever nosso, como principal veículo de mídia surfe na América Latina. Nesses tempos velozes, nosso Instagram receberá uma atenção ainda mais apurada, para divulgar o que de mais relevante está acontecendo no universo surfe. Ao mesmo tempo em que destacamos as frases, imagens, tópicos mais significativos de nossa produção editorial.  Nesse sentido, a TV Waves, nosso canal no YouTube, está sendo reinaugurada. Já estão disponíveis o primeiro episódio de “O Pico” e do Wavescast. Teremos muito mais conteúdo preenchendo a grade. Para começar, fomos à praia da Paúba retratar um dia de ondas grandes no campo de treino do tricampeão mundial Gabriel Medina e aproveitamos para contar a história de uma onda na qual tragédia e glória estão próximas demais uma da outra.  No nosso programa de entrevistas, o havaiano tricampeão mundial, John John Florence, responde do meio do Oceano Pacífico às perguntas feitas por Adrian Kojin, que quis entender o que o levou a abandonar as competições para viver com a família a bordo de um catamarã, cruzando os mares do planeta. Estamos apenas no início dessa nova onda que decidimos dropar com toda nossa energia. Muita coisa bacana está sendo programada para que a plataforma Waves se torne cada vez mais o centro em torno do qual gravita uma comunidade de surfistas, que tem as ondas como prioridade em suas vidas. Cada segundo surfado possui um valor enorme. E nós queremos que esses segundos virem minutos, horas, dias, uma vida dentro d’água. Sabemos que isso é impossível, mas nós gostamos de sonhar. Fica o convite para você sonhar com a gente.  NO LUGAR CERTO NA HORA CERTA É ONDE TODO SURFISTA SONHA EM ESTAR A FELICIDADE VEM EM ONDAS E NÓS SABEMOS ONDE E QUANDO

    Em nova fase e com visual remodelado, Waves evolui plataforma, expande seus produtos e reafirma o compromisso de quase três décadas: garantir que os surfistas estejam no lugar certo, na hora certa.

    A quinta etapa do Championship Tour da WSL chegou ao seu dia de encerramento neste sábado (13), nas ondas de Punta Roca, La Libertad, em El Salvador. Após uma breve pausa, o evento retornou com as quartas de final em um mar de boa formação, com ondas com pouco mais de um metro nas séries. O sábado em El Salvador terminou com um resultado histórico para o surfe europeu: Leonardo Fioravanti superou Italo Ferreira e se tornou o primeiro italiano a conquistar um título na elite mundial da WSL. Coroando uma campanha impecável, Fioravanti encerrou a competição sendo dono de três das cinco maiores notas de toda a etapa (9.00, 8.50 e 8.33). Apesar do vice-campeonato, Italo Ferreira deu mais uma prova de sua impressionante resiliência. Apenas dois dias antes do início da janela em Punta Roca, o potiguar sofreu um acidente no mar: foi atingido pela prancha de outro surfista durante uma sessão livre e precisou levar oito pontos no joelho direito. Mesmo assim, competiu em alto nível até o último dia. A grande decisão começou com Fioravanti ditando o ritmo ao abrir a bateria com um high score de 8.33. Italo tentou responder de imediato, mas a onda não ofereceu potencial e rendeu apenas 3.60. Consistente, o italiano logo somou um 6.17, abrindo uma vantagem confortável de 14.50 contra 5.33 do brasileiro. A oito minutos do fim, Italo incendiou a disputa. O potiguar encontrou uma excelente rampa, executou um aéreo perfeito e arrancou um 7.50 dos juízes. No entanto, Fioravanti não deu margem para a virada e, na sequência, cravou um 7.00 para selar o placar. Com 15.33 contra 10.90 do brasileiro, Leonardo saiu da água extasiado para celebrar a conquista inédita para a Itália. Com o resultado em El Salvador, Italo Ferreira garante a manutenção da cobiçada lycra amarela, seguindo na liderança do ranking mundial. Já o campeão Fioravanti dá um salto importante e assume a terceira colocação na corrida pelo título. Na final feminina, a pentacampeã mundial Carissa Moore (HAV) protagonizou uma final eletrizante contra a australiana Tyler Wright e conquistou seu segundo título consecutivo na temporada. Embalada pela vitória recente na etapa de Raglan, na Nova Zelândia, a havaiana mostrou frieza de campeã: encontrou a onda que precisava a menos de cinco minutos do fim e arrancou uma virada espetacular sobre a adversária. A bateria começou morna, com ambas as surfistas arriscando em ondas sem muito potencial. O ritmo mudou quando Carissa anotou um 5.50 em sua segunda tentativa. Tyler respondeu à altura, encaixando boas manobras para arrancar um 7.67. A havaiana não se intimidou e, logo em seguida, cravou a maior nota do confronto: um excelente 8.33. A seis minutos do fim, a australiana voltou a assumir a liderança ao marcar um 6.17. No entanto, mostrando toda a sua experiência, Carissa aproveitou os instantes finais para surfar uma onda decisiva de 6.77. Com a virada no apagar das luzes, a pentacampeã fechou o somatório em 15.10 contra 13.84 de Wright, garantindo a taça. Semifinais O clássico brasileiro entre Italo Ferreira e Gabriel Medina marcou as semifinais. Em uma bateria extremamente acirrada, o potiguar levou a melhor sobre o tricampeão mundial e, com o resultado, garantiu a manutenção da liderança do ranking. A disputa começou quente, com Medina abrindo com uma onda consistente. Combinando batidas e rasgadas, ele arrancou um 7.67 dos juízes. Italo respondeu à altura: encaixou bem na bancada, distribuiu manobras fortes e anotou 7.17. Na sequência, o potiguar arriscou um aéreo em uma nova onda e, mesmo sem completar a aterrissagem com perfeição, conseguiu os pontos necessários para assumir a liderança provisória da bateria. Sem se abalar, Gabriel surfou uma onda bastante técnica, rendendo um 5.67 e devolvendo-lhe a primeira posição. O clímax ficou para os seis minutos finais, quando ambos foram para o tudo ou nada em busca de notas maiores. Italo achou uma excelente onda, cravou 7.53 e virou o placar, somando 14.70. Medina lutou até o fim e ainda elevou seu somatório para 14.17, mas o tempo se esgotou, selando a classificação de Italo que, com o resultado, garantiu a lycra amarela (caso Medina vencesse o campeonato, ele assumiria a primeira posição do ranking). Na outra semifinal masculina em Punta Roca, Leonardo Fioravanti superou Kanoa Igarashi. O surfista japonês liderou boa parte da bateria, mas o italiano manteve o surfe sólido apresentado ao longo de todo o evento. Com uma reação decisiva nos minutos finais, Fioravanti alcançou o somatório de 12.00 e garantiu sua vaga na decisão. Abrindo as semifinais femininas, as havaianas Gabriela Bryan e Carissa Moore caíram na água para um duelo de alto nível. Gabriela começou melhor, anotando 6.50 e somando um 4.83 de backup. No entanto, Carissa Moore usou sua experiência para reverter o cenário: encontrou uma onda excelente, arrancou um 8.17 dos juízes e assegurou a classificação. Na segunda bateria feminina, as australianas Tyler Wright e Molly Picklum disputaram a última vaga para a grande final. Tyler assumiu a liderança logo no início com um expressivo 7.17. Molly chegou a assustar ao surfar a melhor onda do confronto, que lhe rendeu um 7.33, mas Tyler respondeu com um 6.73, fechou a conta e carimbou seu passaporte para a decisão. Quartas de final Dois brasileiros entraram na água neste sábado para as disputas das quartas de final: Italo Ferreira e Gabriel Medina. Italo protagonizou um verdadeiro duelo olímpico contra o taitiano Kauli Vaast, atual campeão de Paris 2024. O brasileiro levou a melhor e avançou à semifinal com um placar de 10.67 contra 8.33. O confronto foi marcado pelo equilíbrio na metade da bateria, quando ambos surfaram ondas parecidas e executaram manobras semelhantes. No entanto, a execução de Italo foi superior, rendendo-lhe um 6.50 contra um 5.00 de Kauli, o que o colocou na liderança. A dez minutos do fim, o potiguar trocou sua segunda nota por um 4.17, enquanto o taitiano somou apenas 3.33. A bateria chegou ao fim com Kauli precisando de um 5.67 para a virada, mas sem sucesso. Já Gabriel Medina teve um

    Italiano Leonardo Fioravanti e havaiana Carissa Moore faturam etapa de El Salvador no Circuito Mundial. Italo Ferreira é vice e mantém liderança do ranking.

    Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

    Fernando "Fedoca" Lima reúne em livro mais de cinquenta anos de história vivida e câmera na mão. Do Píer de Ipanema a Pipeline, de Bob Marley aos Rolling Stones no Maracanã.

    O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

    Com as primeiras ondas já reveladas, a piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios entrega um cardápio de ondas para cada nível e cada estilo de surfe.

    Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

    Conheça a história de Pedro Müller, o Águia, que competiu por mais de duas décadas e ficou conhecido como um dos mais conscientes e estratégicos da história do país.