The Allman Brothers Band

Ao vivo no Fillmore East, 1970

Allman Brothers ao vivo no Fillmore East, gravado em 1970, é o ponto alto da carreira de uma das bandas mais importantes dos Estados Unidos.
Allman Brothers Band

Este show antológico do grupo americano The Allman Brothers foi gravado no Fillmore East em 1970 e hoje, 52 anos depois, é um dos registros mais emblemáticos do rock blues branco desta banda dos irmãos Greg (vocal e teclado) e Duane (guitarra), ambos já mortos.

O filme infelizmente não traz o show completo que faz parte de um álbum duplo, mas inclui as essenciais In Memory of Elizabeth Reed e Whippin’ Post, música que seria gravada pelo guitarrista Frank Zappa nos anos 80, depois de ser pedida por um fã durante um show na Suécia.

Zappa então teria obrigado a banda a ensaiar Whipping Post por vários anos seguidos sob a alegação de que eles teriam que saber interpretar caso algum fã pedisse novamente. Não foi o caso, e a música acabou fazendo parte de dois álbuns, Them or Us, de estúdio, e Does Humour Belongs In Music, ao vivo.

Nota da redação Precisa estar logado no Spotify para ouvir as músicas do playlist abaixo na íntegra.


A trágica história do Almann Brothers (Por Dave Ling, Classic Rock, 2019) Assim como tudo parecia estar dando certo para os Allman Brothers, drogas, mortes e desintegração levaram o sonho ao esquecimento.

Os Allman Brothers estão tocando Layla com uma postura fluida, visivelmente alerta aos padrões de mudança da música. No lado esquerdo do palco, a figura diminuta de Gregg Allman fica presa entre o órgão Hammond e o gabinete Leslie atrás de sua cabeça.

Ele se inclina para o microfone, com os cabelos loiros balançando em volta dos ombros. Sua voz lamentosa e rouca ainda tem essa vantagem convincente, não afetada pela devastação do tempo, apesar de outras devastações.

Na parte de trás do palco estão outros dois membros originais: os bateristas Butch Trucks e Jaimoe, com 35 anos de telepatia rítmica. Como se isso não bastasse, há outro percussionista, Marc Quinones – apenas uma dúzia de anos na banda – tocando congas no centro do palco.

O guitarrista Warren Haynes, que ingressou na banda há 14 anos, parece atuar como ponto de apoio musical da banda, enquanto o baixista Oteil Burbage surfa a onda do ritmo. E escondido pelos percussionistas está um garoto alto e magro, com longos cabelos loiros em um rabo de cavalo, absorvido em sua guitarra, emitindo o mesmo tom de “pássaro chorando” de Clapton no original Layla, gravado em 1970.

Naquela época, era outro garoto magro e de cabelos compridos, Duane Allman; hoje à noite é o sobrinho de 23 anos, de Butch Trucks, Derek Trucks.

“Essa é apenas a segunda vez que tocamos e foi a melhor delas”, revela Gregg na tarde seguinte em sua suíte de hotel. “Foi ideia de Butch – e uma ótima ideia, devo dizer”, e ri com seu suave sotaque sulista, uma pitada do charme que se mostrou irresistível ao longo dos anos.

Butch e Gregg estavam entre os presentes em um dia de setembro de 1970 no estúdio Criteria de Miami, quando Duane sugeriu acelerar o riff triste com o qual Clapton estava brincando e depois criou o riff mágico de sete notas.

“Acho que a maioria de nós estava lá”, diz Gregg, recostando-se no sofá. “As pessoas estavam pra lá e pra cá… Faz três décadas e… eu não sei.” Mas você não esquece um riff assim tão fácil.

“Não, você realmente não sabe.” Ele se inclina para frente e sacode o gelo em seu copo. “Há alguns momentos que eu lembro. Foi nessa época que Clapton passou de uma SG para a Fender, e meu irmão pegou uma Gibson – é claro. E então… ufa!”

“Mas eu ainda acho que Clapton fica melhor tocando aquela Gibson – todas as coisas que ele fez com John Mayall e Cream”. Era exatamente aquela coisa fluida, cara: a SG, aqueles pequenos humbuckers e suas mãos.

Quando Clapton se juntou a Duane Allman para as importantes sessões de gravação do álbum Layla, os Allman Brothers estavam ocupados se tornando a banda ao vivo mais quente da América. Duane e seu irmão Gregg, um ano mais novo, haviam sido criados em Nashville por sua mãe, e numa antecipação ameaçadora do futuro, seu pai havia sido morto por um mochileiro que roubou sua casa.

Ironicamente, foi Gregg quem primeiro pegou a guitarra. No começo, Duane estava mais interessado em motos. Mas, quando Gregg se converteu, em um show de B.B. King, ao conhecer o órgão Hammond B3, Duane já tinha menos graxa e mais calos nos dedos da mão esquerda.

A família Allman havia se mudado para Daytona Beach, Flórida, e os irmãos tocavam em bandas locais até terminar os estudos em 65. Eles então formaram o Allman Joys e excursionaram pelo circuito local, tocando rhythm and blues influenciados por grupos britânicos como The Yardbirds, The Spencer Davis Group e, é claro, Cream. Eles então tiveram uma breve e desastrosa experiência na badalada Los Angeles, como The Hour Glass, vestidos com roupas psicodélicas e presos em um contrato com a gravadora, quando, na verdade, tudo o que eles queriam era só tocar.

A única coisa boa dessa má viagem ocorreu enquanto Duane estava gripado. Ele passou duas semanas inteiras desenvolvendo uma impressionante técnica de slide usando o frasco de vidro do remédio Coricidin.

Dali em diante, ele mal podia se separar da guitarra ou do Coricidin. Ou, como Duane respondeu ao lendário John Hammond (o homem que produziu Aretha Franklin, Bob Dylan e Bruce Springsteen) quando perguntou como ele havia ficado tão bom: “Cara, eu aproveitava todas as noites, por três anos, para praticar”.

Enquanto Gregg permanecia na costa oeste, contratualmente vinculado a um álbum solo, em 1968 Duane voltou para a Flórida e se juntou novamente a bandas locais, incluindo a Second Coming obcecada por Cream, que já tinha seu próprio guitarrista Dickey Betts e o baixista Berry Oakley.

Duane também deu um tempo quando foi contratado para gravar com Wilson Pickett e a banda Hourglass. Ele sugeriu a Picket regravar Hey Jude, dos Beatles, ensinou a banda os arranjos e criou um solo sublime.

O single vendeu um milhão de cópias e Duane foi subitamente reconhecido como grande músico de estúdio. Mas ele estava ansioso para formar uma banda. E foi Phil Walden, que lhe deu a oportunidade, sugerindo-lhe para formar um trio e vir a Macon, na Geórgia, para gravar pelo seu recém-formado selo Capricorn.

Duane estava tão empolgado que apareceu com uma banda de seis integrantes, tendo recrutado Betts e Oakley do The Second Coming, dois bateristas de estúdio com quem ele tocara – Jai “Jaimoe” Johanson e Butch Trucks, além de chamar Gregg de volta de La La Land.

Gregg ri ao pensar que foi o último a se juntar aos Allman Brothers:

“Lembro-me de entrar na sala, e havia dois conjuntos de bateria montados e Duane estava enfiando a letra de Trouble No More de Muddy Waters na minha mão dizendo: “há duas batidas extras no final de cada compasso”. “Acabei de chegar após dirigir atravessando o país e não estou pronto para isso”. Eu disse: “acho que não posso fazer isso”. E ele começou a dizer: “Seu pequeno idiota”, para mim na frente de todos aqueles caras que eu nem conhecia. Então, peguei a letra da mão dele e disse: ‘Chute essa porra”.

Agora havia uma saudável rivalidade entre os irmãos para adicionar à música inebriante que a banda estava trabalhando no apertado apartamento de dois quartos em Macon. Eles desciam a rua até o cemitério, e tocavam ao lado de uma lápide gravada como In memory of Elizabeth Reed, alimentados por uma combinação de vinho, maconha e cogumelos mágicos que se tornariam o logotipo da banda.

Como uma iniciação pela irmandade, cada membro da banda tatuou um cogumelo na perna – certamente mais romântico do que reunir caranguejos na turnê do Texas, alguns meses depois.

Seu primeiro álbum, The Allman Brothers Band, em 1969, lançou as bases para um novo estilo de rock. Misturando blues, com um toque soul jazzístico, e uma nova vibração sulista (em oposição ao ritmo reacionário dos caipiras), caracterizada pelos vocais rudes e sinceros de Gregg, as linhas duplas de guitarra que variavam de gentis dedilhados ao toque frenético junto ao pulsar percussivo implacável.

Eles demonstraram seu lado psicodélico nos lânguidos da suntuosa Dreams antes de finalizar o álbum com a empolgante Whipping Post. Tendo feito o álbum que queriam, os Allman Brothers embarcaram em uma maratona para promovê-lo.

Nos dois anos seguintes, eles fizeram 500 shows surpreendentes e efetivamente viveram na estrada, parando apenas para se juntar a Eric Clapton no álbum Layla de Derek & The Dominos e para gravar o segundo álbum, Idlewild South.

O segundo álbum dos Allmans foi ainda melhor que o primeiro, graças ao produtor Tom Dowd, que captou a essência da energia bruta da estrada. Dickey Betts também apareceu com duas pedras preciosas: Revival e a imponente In Memory Of Elizabeth Reed (a favorita do cemitério), que rapidamente passou a ter mais do que o dobro de sete minutos de duração quando tocada ao vivo.

E no palco era onde os Allmans brilhavam todas as noites por duas a três horas, um show de encanto que começava uma trajetória diferente a cada noite, dependendo da química entre eles e dos produtos químicos dentro deles.

No futuro, Enlightened Rogues (espertos iluminados) seria a descrição, por Duane, da banda e da equipe de estrada, e eles viveram a vida de foras da lei do rock’n’roll ao máximo – em uma velocidade para entorpecer o tédio e a exaustão de viajar, e depois ajeitar o humor com uma mistura de produtos farmacêuticos que variavam de psicodélicos a opiáceos.

Mas era uma estratégia de alto risco. O primeiro a explodir foi Twiggs, o gerente de tour, que puxou uma faca para um dono de clube em Buffalo, que se recusava a pagá-los após um show. Na luta que se seguiu, o proprietário foi esfaqueado e morreu. Twiggs foi acusado de assassinato em primeiro grau.

Outro roadie foi baleado na coxa por um policial de folga em Macon por “resistir à prisão depois de recusar uma multa por excesso de velocidade”. A banda também já esperava uma apreensão de drogas ocorrer.

Depois de uma batida em Nova York, quando jogaram um pacote contendo heroína pela janela do carro no momento em que estavam sendo revistados por um policial (e voltaram para resgatá-la), a sorte acabou no Alabama em março de 1971, quando a polícia encontrou maconha, PCP e heroína na van da banda.

Todos os membros da banda mais três roadies enfrentavam sentenças de prisão, até que algumas barganhas jurídicas os colocaram em liberdade provisória. Mas, estranhamente, Twiggs foi considerado inocente de sua acusação de assassinato por motivo de insanidade, depois de uma performance induzida por metadona.

Isso permitiu à defesa provar que qualquer pessoa razoável ficaria louca ao trabalhar para os irmãos Allman. Após seis meses em uma instituição de saúde mental, Twiggs conseguiu retomar seu emprego anterior.

Mas a música continuava melhorando. E o álbum gravado antes do problema no Alabama, Live At The Fillmore East, era forte candidato ao melhor álbum ao vivo já feito.

Com gravações retiradas de quatro longos sets, a banda estava em uma forma fascinante, rasgando canções como Statesboro Blues, Stormy Monday e You Don’t Love Me com 20 minutos antes de encerrar com uma versão de 22 minutos de Whipping Post.

Live At The Fillmore foi o avanço que a banda e a gravadora estavam procurando, vendendo meio milhão de cópias alguns meses após seu lançamento em julho de 1971. A capa do álbum mostra a banda, que odiava posar para fotos, na frente de seus equipamentos, embalados e prontos para a estrada.

Todos estão rindo, particularmente Gregg, que está apontando para um Duane de aparência presunçosa, com as mãos entrelaçadas na virilha, escondendo um saco de cocaína que ele acabara de receber de um “amigo” que passava.

Quando a banda saiu da estrada em outubro de 1971, eles estavam completamente esgotados. Então terminaram algumas músicas para o próximo álbum, mas ficou claro que precisavam de descanso, recuperação e desintoxicação. O último item não ocorreu, então eles se concentraram no primeiro.

Em 29 de outubro, montando sua amada Harley Davidson em Macon, Duane desviou para evitar um caminhão que se aproximava e derrapou com a moto caindo em cima dele, morrendo três horas depois em razão de ferimentos internos.

Dizer que a banda estava emocionalmente despreparada é um eufemismo. Berry Oakley destruiu seu carro no caminho de volta do hospital. A esposa de Gregg, Shelley, destruiu o dela dois dias depois. Os cinco membros restantes da banda tocaram no funeral. Eles lidaram com o ocorrido a base de sedativos e voltando à estrada. Suas vidas domésticas, especialmente a de Gregg, eram voláteis demais para ficar em casa.

Duane havia participado de todo o próximo álbum, Eat A Peach, incluindo Mountain Jam de 33 minutos baseada em First There Is A Mountain, de Donovan, além de três faixas que havia produzido no estúdio.

Naturalmente, a tragédia aumentou o interesse pela banda, e o álbum alcançou o Top Five quando foi lançado no início de 1972. Mas a banda ainda estava sem rumo, mesmo depois de terem trazido o jovem pianista Chuck Leavell, já que adicionar outro guitarrista era algo nunca considerado.

Felizmente, Dickey Betts aceitou o desafio musical e criou duas músicas excelentes para o álbum Brothers And Sisters – a maravilhosa balada country Ramblin’ Man, que foi o primeiro e maior sucesso dos Allmans, e a instrumental Jessica (usada como tema no programa automobilístico de TV Top Gear). Mas antes que eles pudessem terminar o álbum, Berry Oakley esmagou sua moto em um ônibus.

A princípio, ele se levantou e seguiu atordoado. Mas em casa, começou a delirar, morrendo no hospital algumas horas depois de hemorragia cerebral. A autópsia revelou o dobro do limite legal de álcool no sangue.

A morte de Oakley aconteceu um ano e uma semana após a de Duane, e os acidentes ocorreram a menos de um quilômetro e meio. Ambos tinham 24 anos. Berry foi o mais afetado pela morte de Duane. Os dois foram enterrados juntos, não muito longe de Elizabeth Reed.

Entorpecida, a banda continuou, recrutando para o baixo, Lamar Williams, amigo de Jaimoe, e teve o ano de maior sucesso de todos os tempos em 1973, quando o álbum Brothers And Sisters liderou as paradas por cinco semanas e os shows aumentaram em proporção, culminando no Festival de Watkins Glen, no norte do estado de Nova York, com 600 mil pessoas.

Havia apenas três bandas na lista: The Grateful Dead que tocou por cinco horas, The Band e Allman Brothers por três horas cada, depois todos voltaram para uma jam e tocaram por mais 90 minutos.

O sucesso não conseguia encobrir as rachaduras. Gregg continuava drogado ou se casando novamente, e a frustração de Dickey com a falta de liderança produzia algumas mudanças de humor alarmantes. A banda que havia passado dois anos na estrada com a mesma van agora tinha limusines separadas.

Mas uma nuvem de tempestade maior estava se acumulando, sem que nenhum deles pudesse ter previsto, mesmo se estivessem limpos. As imensas quantidades de drogas fornecidas à banda vinham em grande parte da gangue Hawkins, que já estava sendo investigada pelo FBI.

Quando a polícia pegou o roadie de Gregg, John ‘Scooter’ Herring e seu fornecedor, ambos possuindo conexões com tal gangue, os policiais tinham evidências cruciais e começaram a apertá-los.

Quando a trilha das drogas terminava na porta de Gregg, ele também logo sentiu o aperto e enfrentou uma sentença de prisão, a menos que testemunhasse contra Scooter – que havia salvo sua vida duas vezes.

Não ajudou o fato de Gregg ter embarcado em um turbilhão de romance / casamento / separação / reconciliação ad infinitum com Cher, que passou das notícias para a novela e depois para a farsa, e isso significava que a mídia estava presente para vê-lo “detonar” Scooter no Tribunal.

Por não denunciar a gangue Hawkins, em julho de 1976, Scooter recebeu uma sentença de 75 anos de prisão. Na verdade, Gregg tinha poucas alternativas. E com todas as menções à gangue de Hawkins evitadas inescrupulosamente no tribunal, a história real não surgiu até que a gangue foi finalmente presa.

Gregg foi considerado traidor pelos outros, que declararam a banda morta. Não que a banda tenha mostrado muito sinal de vida nos dois anos anteriores, embora o álbum Win Lose Or Draw (que apresentava a banda inteira em apenas três faixas) os mantivesse no esquecimento a que estavam agora acostumados.

Enquanto Gregg encontrou consolo em um bebê com Cher e gravou o álbum Two The Hard Way em dupla com ela (ele estava tão apaixonado que desistiu da heroína, mas se viciou em metadona), Dickey Betts e Butch Trucks estavam perigosamente fora de controle. Ao ter recusada a entrada em um clube noturno, Butch jogou sua Mercedes contra a entrada e manteve o pé no acelerador até queimar todos os pneus; Dickey exalou sua raiva de uma maneira mais pessoal, com os amigos e esposas sentindo seu desconforto.

Por um tempo, Gregg e Dickey tocaram suas próprias bandas, enquanto Butch, que ficou sóbrio e saiu de Macon – criou o Sea Level. Mas nenhum deles representava um terço dos Allman Brothers.

Então, de repente, em 1977, os royalties dos Allmans secaram. Mas no momento em que descobriram como foram enganados, o selo Capricorn também estava quebrando.

Quando Scooter foi libertado, após apelação, e o resto da banda foi desintoxicado o suficiente para entender a história completa, eles conseguiram terminar uma reunião. Então se sentiram capazes de adicionar um segundo guitarrista, Dan Toler, que tocava com Dickey Betts.

Enlightened Rogues (a frase de Duane) vendeu um milhão de cópias quando foi lançado em 1979, sendo um retorno à boa forma. Mas já era tarde demais para a Capricorn Records, que faliu no final daquele ano, levando quase US$ 4 milhões do dinheiro dos Allmans com ela.

A única renda da banda era proveniente de shows, mas a estrada era ruim para Gregg. Ele trocou a metadona pelo álcool, mas Cher se recusou a se inscrever na próxima série da novela, deixando Gregg sozinho com a garrafa. Embora ele estivesse com uma nova noiva, modelo russa 12 anos mais nova, quando entrou na clinica de reabilitação no final do ano.

O falso amanhecer de 1979 se transformou na longa noite escura dos anos 80. Antes de mais nada, a banda assinou contrato com a gravadora Arista, do magnata Clive Davis. Ele estava produzindo grande sucesso revivendo Aretha Franklin, mas os Allman Brothers eram feitos de coisas mais tóxicas.

“Eu nem gosto de pensar nos discos da Arista”, reflete Gregg. “Tínhamos outras pessoas na banda e no estúdio. E foi realmente muito ruim. Não sei por que Clive Davis foi a favor. Eu mesmo fui voto vencido.

Gregg reconhece o histórico de Clive, “tudo foi feito à sua maneira. E o problema desse jogo é que você precisa continuar jogando. Então você é tão bom quanto o seu último hit.”

Isso não era um problema para os Allman Brothers – no momento, eles não faziam nenhum sucesso. O problema era que eles não podiam mais garantir uma audiência ao vivo. Eles estavam passando por maus momentos, e os fãs perceberam isso antes. Eles também não conseguiam lidar com os prazos da gravadora.

No final de 1981, eles entraram em apatia e desapareceram de vista, exceto quando o ex-baixista Lamar Williams morreu de câncer e o gerente de turnê, assassino reprimido e entusiasta de pára-quedismo Twiggs faleceu quando seu equipamento não abriu, ou quando Gregg continuava mergulhando no álcool ou nas drogas.

A lenda foi desenterrada em 1989 com Dreams, uma caixa de quatro CDs com faixas inéditas que remontam ao inicio em Daytona Beach, além de uma “nova” faixa dos shows no Fillmore. As vendas de Dreams geraram lucros – sem que a banda precisasse tocar ao vivo novamente – mas ninguém queria repetir o último desastre. Os presságios eram certamente melhores – Gregg e Dickey estavam quase sóbrios.

Então chega Warren Haynes, guitarrista de country e blues que tocava na banda de Dickey. “Eu sempre fui um grande fã dos Allman Brothers e os conheci dez anos antes”, diz ele. “Eu estava planejando um álbum solo quando recebi uma ligação dizendo: ‘Estamos colocando os Allman Brothers juntos novamente. Você gostaria de participar? Todos os aspectos positivos superaram os negativos, então eu meio que pulei com os dois pés.”

Havia também um contrato dos Allmans com a Epic Records: “Bem, eu tinha um contrato com a Epic naquela época”, explica Gregg, “e Dickey também”. Provavelmente parecia uma conspiração – “Ei, o que temos aqui?”. Ele ri.

A Epic ficou preocupada quando a banda insistiu em fazer uma turnê antes da gravação – eles não achavam que a banda sobreviveria à turnê. Mas o álbum resultante, Seven Turns, foi melhor do que o esperado; os Allmans estavam de volta em plena forma.

Desta vez, ninguém dava nada como garantido, e com razão. Embora Dickey, Jaimoe e Gregg estavam revitalizados o suficiente pelos novos casamentos (Gregg pela quinta vez), havia tensões subjacentes causadas pelos lapsos de Gregg e pelo comportamento errático de Dickey.

Por um tempo, isso não pareceu importar. Shades Of Two Worlds, em 1991, manteve o ímpeto, mas An Evening With The Allman Brothers propiciou comparações desagradáveis com o álbum Fillmore.

A culpa foi da banda por repetir muitas músicas em vez de seguir com as coisas novas. E os demônios de Dickey estavam se aproximando. Algumas noites ele parava de tocar sem motivo aparente.

Quando ele foi preso após uma briga com sua esposa em um quarto de hotel em junho de 1993 e foi para a clínica de reabilitação, a banda continuou a turnê com guitarristas substitutos.

A noite em que Zakk Wylde se juntou à banda provavelmente foi a formação mais bizarra de sua história. Durou um show e provou que, embora você possa se dar bem com muitas coisas nos Allman Brothers, a postura de heavy metal não é uma delas.

Quando Dickey voltou, ele estava de volta aos negócios, como de costume. Gregg costumava fazer sua reabilitação na Califórnia entre as turnês, apenas para manter a tradição. Dickey tornou-se um solitário cada vez mais imprevisível.

Em 1997, Warren Haynes e o baixista Allen Woody não aguentaram mais e se mandaram para formar o Gov’t Mule, que possuía uma consideração quase fundamentalista pelos princípios musicais originais dos Allmans.

“Sabíamos que as pessoas pensariam que éramos loucos por deixar uma instituição como os Allman Brothers”, admite Warren. “Nós sentimos que era uma distensão, juntamente com o fato de que havia muita discórdia na época. Não havia muita criação musical; não se escreviam letras, sem ensaios, verificação do som, nenhuma conversa sobre um novo disco. Enquanto isso, o Gov’t Mule estava fazendo todas essas coisas, então fiquei muito mais feliz fazendo isso.”

Os Allmans continuaram, tocando cerca de 60 shows por ano e lançando álbuns ao vivo para manter os fãs felizes. Mas no verão de 2000, o comportamento de Dickey estava novamente ameaçando o bem-estar da banda e, relutantemente, eles tiveram que suspendê-lo da turnê de verão.

“Não é possível demitir Dickey”, explicou o membro fundador Butch Trucks na época.

Dickey reclamou amargamente de sua suspensão, com as insinuações sobre seus problemas de jogo, drogas e álcool. Sua esposa também falou por ele, mas menos de um mês depois ela estava chamando a polícia para sua casa na Flórida, depois de outro tumulto. E novamente quatro meses depois. E novamente quase um ano depois.

“Ele era louco como um morcego raivoso, você sabe”, diz Gregg. “Quero dizer, eu também tenho certa quantidade de loucura. Costumava fazer, talvez ainda o faça”, continua ele, com o realismo de um viciado em recuperação.

“Mas o principal é que as coisas não estavam funcionando musicalmente. E esse foi o golpe final. Minha inspiração foi para… – ele aponta um dedo para o copo vazio na mão. “A bebida estava apenas assumindo o controle da coisa toda.”

E ele não poderia dizer se ou quando Dickey retornaria. “Nesse momento, não sei se ele quer voltar ou não, na verdade não”, diz Gregg, balançando a cabeça.

Enquanto isso, os Allman, que geralmente triunfavam na adversidade, traziam Warren de volta a pedido de Gregg, estabelecendo uma nova parceria de guitarra com Derek Trucks de 21 anos, que já havia tocado com vários notáveis bluesmen, e pela primeira vez com a banda quando tinha 11 anos!

“Isso foi assustador, muito estranho”, lembra Gregg. “Quero dizer, a maior influência dele foi meu irmão e, meu Deus, o que mais eu poderia pedir. Lembro que, depois que ele tocou conosco pela primeira vez, colocou o boné de beisebol – ele era jovem demais para ficar no local – e saiu pelos fundos jogando bola com seu irmãozinho.”

“Lembro que Gregg continuava vindo para mim enquanto tocávamos e dizia: “O que há com esse garoto?”, Acrescenta Warren. “Ficávamos rindo”. Mas era impossível contar às pessoas sobre ele, na verdade, porque cada pessoa dizia: ‘Bem, eu tenho certeza que ele é bom para a idade dele”, porque você realmente não espera que alguém dessa idade toque como se tivesse 30.”

Derek e Warren trazem uma sensibilidade contemporânea para a banda, no sentido do improviso, ao estilo pioneiro dos Allmans, ampliando-o e dando-lhes um novo impulso. “A banda sempre se estruturou na improvisação, agora mais do que nunca”, diz Warren. “O set list é diferente todas as noites. Estamos tentando injetar mais material novo, mais material novo velho e alguns covers estranhos para que possamos nos divertir e agitar o tempo todo. A idéia é sobre não tocar as músicas do mesmo jeito todas as noites.”

“Essa é a única maneira”, concorda Gregg. “Se algum de nós tivesse que fazer isso individualmente, a banda não teria passado de um hobby. E agora que a nuvem escura com seu mau tempo passou, é realmente um novo dia para os Allman Brothers”, ele conclui enfaticamente.

Isso explica a inclusão de músicas como Layla em seus shows e a vitalidade de Hittin’ The Note, o primeiro álbum de estúdio em uma década e sem dúvida o mais gratificante desde os anos 70.

Eles tocam por 75 minutos e apresentam uma versão mais lenta e um pouco soul de Heart Of Stone dos Rolling Stones.

“Pensei que, se fizéssemos dessa maneira, seria perfeito para a voz de Gregg”, explica Warren. “Eles escreveram no inicio de carreira, e acho que se tivessem escrito mais tarde, no Beggars Banquet, por exemplo, provavelmente teriam diminuído a velocidade também.”

“Sim”, Gregg ri, “teria sido muito, muito lento até então!” E entre gargalhadas, os dois tocam uma versão arrastada e “stoned” da música.

“Pense sobre isso”, diz Gregg, enquanto o riso diminui, “há três caras na banda que não cresceram ouvindo essa música. Eles provavelmente nem conhecem o original.

“Isso mesmo”, diz Warren. “Derek pediu para ouvir o original depois de tocá-la. Ele não havia nascido quando foi lançada.”

Gregg se diverte com a ideia. “Quero dizer, eu tinha apenas três anos”, acrescenta Warren. Gregg parece momentaneamente desconcertado. “Oh, shit!” Ele diz, levantando-se e rindo mais.

Dan Toler morreu em 2011, Butch Trucks suicidou-se em janeiro de 2017 e Gregg Allman faleceu em junho do mesmo ano. Os Allman Brothers fizeram seu último show em 28 de outubro de 2014 no Beacon Theatre.

Fonte Maquiavelli.

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Com condições difíceis em Supertubos, Italo começou melhor e chegou a abrir vantagem, mas o tricampeão encontrou uma onda decisiva. Medina encaixou um tubo seguido de uma manobra aérea, recebeu 8.17 e virou o confronto. Com 11.67 pontos, superou os 10.10 de Italo e garantiu presença em sua terceira final da temporada. Na outra semifinal, Yago Dora acabou eliminado por Griffin Colapinto. O líder do ranking somou 8.83 pontos, contra 14.33 do norte-americano. Durante a bateria, Yago sofreu uma queda e precisou sair do mar para trocar a prancha, perdendo tempo importante na tentativa de reação. Com os resultados, Medina terminou como vice-campeão, enquanto Italo e Yago dividiram a terceira posição na etapa portuguesa. “É sempre divertido competir aqui. É uma onda muito divertida de surfar. Fazer uma final com Griffin foi especial. Ele é um surfista incrível e tem sido muito legal acompanhar sua evolução. Ele me inspira a me esforçar ainda mais, e estou aqui para fazer essa galera trabalhar duro! Estou feliz com minha performance e espero ter uma chance em Pipe”, diz Gabriel Medina. Brasileiros seguem na briga pelo título Apesar da derrota na decisão, Medina ganhou uma posição no ranking mundial e passou a ocupar o quarto lugar, com 43.210 pontos, ultrapassando Miguel Pupo. Yago Dora permanece na liderança, com 48.865 pontos, seguido por Italo Ferreira, com 46.015. Campeão em Peniche, Griffin Colapinto subiu para a terceira posição, com 43.695 pontos. Miguel Pupo completa os cinco primeiros, com 42.770. A diferença entre os principais candidatos mantém a disputa aberta nas duas últimas etapas da temporada. Em 2026, o título mundial será definido pela pontuação acumulada ao longo do Championship Tour, sem uma final em formato de mata-mata. Molly Picklum vence no feminino Entre as mulheres, a australiana Molly Picklum conquistou sua primeira vitória da temporada ao superar a norte-americana Caitlin Simmers por 13.33 a 12.84 na final em Supertubos. Atual campeã mundial, Picklum somou notas 7.83 e 5.50 para garantir o título e assumir a liderança do ranking feminino, ultrapassando Carissa Moore. Próxima parada: Filipinas O Championship Tour segue agora para Cloud 9, na ilha de Siargao, nas Filipinas, com janela de competição entre 31 de outubro e 10 de novembro. Depois da estreia filipina no calendário, a temporada será encerrada em Pipeline, no Havaí, onde serão definidos os campeões mundiais de 2026. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30

    Gabriel Medina perde de virada para Griffin Colapinto e termina com o segundo lugar no MEO Rip Curl Pro Portugal 2026, etapa portuguesa do Circuito Mundial da WSL.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.