Competição

Rip Curl aposta no surfe de piscina

Final norte-americana do Rip Curl GromSearch 2025 acontece nas ondas artificiais do Atlantic Park Surf e abre novos horizontes para o surfe de competição e mercado do esporte.

A final norte-americana do Rip Curl GromSearch 2025, realizada nos dias 11 e 12 de outubro, no Atlantic Park Surf, em Virginia Beach, onde recentemente foi inaugurada a primeira Wavegarden Cove da América do Norte, teve todos os elementos para servir de indicador do que está por vir no surfe mundial. Não só foram apontados os melhores surfistas Sub-16 e Sub-14 dos Estados Unidos, mas isso aconteceu num palco inédito para um evento dessa relevância, uma piscina de ondas artificiais.

O evento consagrou Finn Castle, de Huntington Beach, como o grande nome do fim de semana, com vitórias nas categorias Sub-16 e Sub-14, além do prêmio Banzai Bowls Best Air. No feminino, a canadense Ocea Green venceu a Sub-16, enquanto Teagan Meza brilhou na Sub-14. O cenário – cercado de arquibancadas, luzes e música – reforçou o caráter de espetáculo e acessibilidade desse novo modelo de competição, que aproxima o surfe de um formato de show esportivo.

A competição reuniu 64 dos melhores surfistas com menos de 16 anos e revelou uma nova geração que logo no começo de sua trajetória já está se acostumando a decidir títulos em palcos longe do mar. Nos quais as ondas são controladas e a perfeição das ondas é fruto de avanços tecnológicos e não de combinações mágicas da natureza. No Brasil já houve etapas do Grom Search na Praia da Grama e na Surfland.

“É incrível”, disse PJ Connell, vice-presidente de Marketing e E-Commerce da Rip Curl América do Norte. “Tivemos eventos em toda a América do Norte, e agora todos vieram para a piscina. É como um estádio para o surfe, todas as crianças têm a mesma oportunidade de se expressar, é muito divertido de assistir.”

A fala de Connell aponta para um novo paradigma no esporte, no qual as piscinas de ondas derrubariam antigas barreiras que sempre dificultaram a realização de eventos nos moldes tradicionais. Com ondas artificiais quebrando dentro de uma piscina, tudo se torna previsível, facilitando enormemente o trabalho dos organizadores responsáveis pela logística que envolve a competição. Enquanto no surfe tradicional a dependência do comportamento da natureza faz com que o planejamento e realização do evento sejam bem mais complicados.

Para o alto executivo da Rip Curl, “O oceano tem muitas barreiras de entrada, as condições, a temperatura, o tamanho das ondas. Com um ambiente controlado como este, você pode moldar as ondas e ajudar a desenvolver o esporte e a comunidade”. Importante notar que a mudança de cenário exaltada por Connell representa muito mais do que uma adaptação tecnológica, trata-se também de uma transformação cultural. Jovens que nunca viveram à beira-mar poderão fazer parte desse novo universo em que é possível surfar sem pisar na areia, tendo acesso às mesmas condições de treino que surfistas profissionais.

Sob esse ponto de vista, nada mais acertado que o nome do evento seja GromSearch, que se refere exatamente à busca de uma nova geração. Ainda é cedo, mas certamente já é possível visualizar a possiblidade de surfistas que tenham lapidado seu talento longe do mar estarem um dia disputando lugar no pódio em Atlantic Park.

Para Nate Stevens, gerente geral do Atlantic Park Surf, o evento é apenas o começo. “Agora temos ondas perfeitas o dia todo, todos os dias. A comunidade está empolgada. Recebemos visitantes de toda a Costa Leste, do Meio-Oeste e até da Costa Oeste.” A presença da Rip Curl em Virginia Beach impulsiona o turismo, fortalece o comércio local e transforma a cidade em um novo polo de surfe o ano inteiro.

O impacto é amplo. A expansão das piscinas de ondas está reconfigurando a economia e a estética do surfe. A indústria do surfwear, que vem há muitos anos sofrendo com uma forte retração, talvez possa encontrar terreno fértil para reforma seu crescimento ao se aproximar da cultura da piscina de surfe, já que não consegue mais ter a mesma presença dominante dentro da cultura de praia. Marcas como a Rip Curl, que construíram sua identidade na conexão com o oceano, já estão dando passos concretos para fincar sua bandeira no novo território do surfe em busca de consumidores para seus produtos.

Resultados
Categoria Boys Sub-16
1 Finn Castle – 18,43
2 Tanner Sandvig – 14,97
3 Merrik Mochkatel – 14,67
4 Makai Castle – 11,60

Categoria Boys Sub-14
1 Finn Castle – 17,23
2 Hayden Flores – 17,10
3 Giacomo Mesinas – 15,50
4 Wyatt Yount – 12,37

Categoria Girls Sub-16
1 Ocea Green – 14,50
2 Alana Lopez – 12,07
3 Marlo Harris – 11,73
4 Kaydn Persidok – 9,94

Categoria Girls Sub-14
1 Teagan Meza – 16,26
2 Auburn Hilley – 16,17
3 Estorya Martinez – 13,40
4 Amari Moore – 11,70

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)