New Zealand Pro 2026

Italo e Carissa vencem em Raglan

Italo Ferreira assume liderança do ranking com vitória dominante na Nova Zelândia, enquanto Carissa Moore retorna ao topo após maternidade em final histórica em Raglan.

Os campeões mundiais e medalhistas de ouro olímpicos de Tóquio 2020, Carissa Moore e Italo Ferreira, venceram nesta segunda-feira (25) o New Zealand Pro 2026, quarta etapa do Championship Tour na temporada da World Surf League (WSL), disputada em Manu Bay, em Raglan, na Nova Zelândia. Italo derrotou o australiano Morgan Cibilic na final masculina, enquanto Carissa superou a norte-americana Sawyer Lindblad na decisão feminina. Foi um encerramento marcante para a estreia de um evento do CT masculino e feminino no país, com ondas limpas com mais de 1 metro nas séries.

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Italo Ferreira conquistou sua 11ª vitória no CT e reassumiu a liderança do ranking mundial, garantindo a lycra amarela para a próxima etapa, o Surf City El Salvador Pro, repetindo o feito do ano anterior. Campeão mundial de 2019 e medalhista de ouro olímpico, ele havia terminado como vice-campeão mundial em 2022 e 2024, e liderou o ranking em cinco etapas na última temporada antes de cair para a quarta posição. Agora, retoma o topo superando Gabriel Medina, com Yago Dora e Filipe Toledo também entre os dez melhores, além de Miguel Pupo e Samuel Pupo, totalizando seis brasileiros na briga pelas primeiras posições.

Na final, Italo enfrentou Morgan Cibilic em um duelo de estilos contrastantes: o backside sólido e crítico do australiano contra o frontside veloz e progressivo do brasileiro. Morgan começou melhor, somando 8.90 com reentradas verticais potentes. Italo respondeu com um 9.33 em uma única onda, executando dois aéreos reversos seguidos, além de manobras de borda. Com o mar diminuindo, Morgan perdeu a última oportunidade de onda, e Italo confirmou a vitória, sua primeira em mais de 12 meses.

“Estou muito feliz de vencer uma competição em uma esquerda de verdade, porque no passado tivemos Teahupo’o, Pipe, ondas grandes, mas não uma perfeita como essa”, disse Italo. “Pensei: essa pode ser minha competição, porque tenho surfado muito, me dedicado bastante. Estou há dois meses na estrada, sem meu filho, sem minha esposa. Então pensei: é hora de colocar toda a energia nesse evento. Quero agradecer a Deus por tudo, pela oportunidade de estar aqui, vencer essa competição, ter uma família incrível, uma história bonita e ainda seguir em frente. Estou criando uma nova vida agora, e tem sido incrível. Poder de pai, né? Estou muito feliz”.

“Este foi um evento incrível”, continuou. “Estávamos esperando por essa esquerda, e mesmo quando chegamos aqui na Nova Zelândia, tivemos que esperar um pouco, mas nos últimos dois dias ela ganhou vida. Mostrar um tipo de surfe diferente do que fazemos nas direitas foi muito bom e divertido. Adorei esse lugar, tive momentos incríveis surfando e com minha equipe. Mal posso esperar para voltar. Foi muito bom ouvir o apoio na final, e parabéns ao Morgan, ele surfou incrivelmente a semana inteira”.

 

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Na final feminina, Carissa Moore protagonizou um retorno histórico ao topo. A havaiana, cinco vezes campeã mundial, conquistou sua primeira vitória em etapas do CT desde 2023, após se afastar por duas temporadas para o nascimento de sua filha, ‘Olena. Dominante ao longo de todo o evento, ela registrou as maiores somatórias em todas as fases, incluindo um 19.00 quase perfeito nas semifinais, o maior do ano até aqui. Com o resultado, chega a 29 vitórias no CT, consolidando-se como a segunda maior vencedora da história.

Carissa se torna uma das poucas mulheres a vencer no CT após a maternidade, juntando-se à havaiana Melanie Bartels e à norte-americana Lisa Andersen. Sua conquista segue trajetória semelhante à da austarliana Stephanie Gilmore, que também venceu recentemente após pausa de duas temporadas.

A final foi intensa. Sawyer Lindblad abriu com uma nota baixa, e Carissa respondeu com 8.50 contra 7.67 da adversária. Após uma queda de Carissa, Sawyer assumiu a liderança com um 9.00, deixando a havaiana precisando de 8.18. A seis minutos do fim, Carissa encontrou uma seção crítica e executou três manobras fortes de backside para somar 9.40 e fechar com 17.90 no total, garantindo o título.

 

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“Essa vitória é para as mães, nunca parem de sonhar se é isso que vocês querem”, disse Carissa. “Quando me afastei há dois anos, não sabia se voltaria a sentir isso ou ter essa oportunidade de surfar ondas perfeitas com apenas outra pessoa no mar, diante de um público incrível e com minha família na praia. Nesse processo, você duvida muito de si mesma, então essa vitória significa muito para mim. Quero agradecer ao meu marido, porque sem ele isso não seria possível. À minha linda filha, que está se adaptando a todas essas condições e lugares por onde passamos, eu não conseguiria sem ela. Ela me deu uma força que eu nem sabia que tinha. Meu pai está aqui, e isso parece um ciclo completo, porque minha primeira vitória no CT foi aqui na Nova Zelândia. Ter ele aqui agora é muito especial. Minha irmã também está aqui, e toda minha família em casa tem sido incrível. Quero dedicar essa vitória ao meu amigo Greg Browning, que faleceu no ano passado. Ele foi o ser humano mais espetacular que já conheci e um exemplo de como devemos viver, com bondade e amor”.

Sobre a final, Carissa completou: “Fiquei sob pressão por boa parte da bateria. Quando a Sawyer tirou aquele 9.00, pensei: preciso de uma onda e preciso aparecer. Ela surfou muito bem o evento inteiro, respeito muito ela e acho que encontrou seu ritmo esse ano. Esse lugar tem um significado especial para mim desde 2010, quando mudou minha perspectiva sobre minha carreira e o que é sucesso. Quero agradecer à comunidade de Taranaki e também daqui, pelo apoio todos os dias. O amor, a energia e o mana desse lugar são indescritíveis e vou lembrar para o resto da vida”.

 

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Sawyer Lindblad teve o melhor resultado de sua carreira, com o terceiro vice-campeonato no CT. Única surfista a se aproximar do nível de Carissa durante o evento, a norte-americana de 20 anos apresentou um surfe de frontside de alto nível, derrotando nomes como Stephanie Gilmore, Tyler Wright e Alyssa Spencer , subindo para a quinta posição no ranking mundial.

“Foi um dia muito bom. Estou muito grata por termos tido condições incríveis para encerrar o evento”, disse Sawyer. “Foram semanas longas, parece que estou aqui há muito tempo, mas foi muito especial. Amo esse país, as pessoas são muito gentis e aproveitei muito minha estadia aqui na Nova Zelândia. Foi um bom começo de ano, e estou animada para o restante. Sinto que minha hora está chegando. Sou muito abençoada”.

Morgan Cibilic também igualou o melhor resultado da carreira ao terminar como vice-campeão. O australiano de 26 anos, que retornou ao CT, venceu nomes como Billy Stairmand, Ethan Ewing, Liam O’Brien, Rio Waida e Griffin Colapinto até chegar à final. Ele é o primeiro surfista a alcançar uma final desde a primeira fase em 2026 e subiu 16 posições no ranking, chegando ao 16º lugar.

“Sou muito grato por estar aqui. Foi uma experiência incrível”, disse Morgan. “As últimas duas semanas foram épicas. É um país incrível, com muito para fazer e ver. Mesmo sem ondas, foi ótimo explorar e aproveitar o momento. Hoje tivemos ondas incríveis e uma final épica. É sempre difícil competir contra o Italo quando ele está voando daquele jeito. Trabalhei muito nos últimos anos para voltar a esse nível, e isso prova para mim mesmo que estou de volta. Quero continuar aqui e fazer mais bons resultados esse ano. Estou nas nuvens”.

New Zealand Pro 2026

Final Masculino

1 Italo Ferreira (BRA) 17.50 x 15.80 Morgan Cibilic (AUS)

Semifinais Masculino

1 Morgan Cibilic (AUS) 15.34 x 12.20 Griffin Colapinto (EUA)

2 Italo Ferreira (BRA) 15.10 x 12.33 Yago Dora (BRA)

Final Feminino

1 Carissa Moore (HAV) 17.90 x 16.67 Sawyer Lindblad (EUA)

Ranking Masculino do CT 2026 após a quarta etapa (Nova Zelândia)
1 Italo Ferreira (BRA) 22.725
2 Miguel Pupo (BRA) 21.385
3 Gabriel Medina (BRA) 20.525
4 Yago Dora (BRA) 19.630

5 George Pittar (AUS) 17.640

6 Ethan Ewing (AUS) 16.745

7 Samuel Pupo (BRA) 16.575

8 Griffin Colapinto (EUA) 16.490

9 Leonardo Fioravanti (ITA) 16.130

10 Filipe Toledo (BRA) 15.150

11 Liam O’Brien (AUS) 13.225

12 Connor O’Leary (JAP) 13.120

13 Kanoa Igarashi (JAP) 12.385

14 Marco Mignot (FRA) 10.960

15 Jack Robinson (AUS) 10.960

16 Morgan Cibilic (AUS) 10.800

17 Rio Waida (IND) 10.065

18 Crosby Colapinto (EUA) 10.065

19 Jake Marshall (EUA) 8.640

20 Alejo Muniz (BRA) 8.640

21 Cole Houshmand (EUA) 7.745

22 Kauli Vaast (FRA) 7.745

23 Barron Mamiya (HAV) 7.745

24 Joel Vaughan (AUS) 7.745

25 Mateus Herdy (BRA) 7.245

26 Jordy Smith (AFR) 6.320

27 João Chianca (BRA) 6.320

28 Callum Robson (AUS) 5.320

29 Seth Moniz (HAV) 4.000

30 Eli Hanneman (HAV) 4.000

31 Alan Cleland (MEX) 4.000

32 Luke Thompson (AFR) 3.500

33 Ramzi Boukhiam (MAR) 2.500

34 Oscar Berry (AUS) 2.000

Ranking Feminino do CT 2026 após a quarta etapa (Nova Zelândia)

1 Gabriela Bryan (HAV) 24.235

2 Luana Silva (BRA) 22.345

3 Molly Picklum (AUS) 22.035

4 Lakey Peterson (EUA) 21.490

5 Sawyer Lindblad (EUA) 20.970

6 Carissa Moore (HAV) 18.745

7 Caitlin Simmers (EUA) 17.575

8 Bettylou Sakura Johnson (HAV) 14.830

9 Alyssa Spencer (EUA) 14.170

10 Stephanie Gilmore (AUS) 14.000

11 Caroline Marks (EUA) 13.490

12 Isabella Nichols (AUS) 12.085

13 Nadia Erostarbe (ESP) 10.085

14 Tyler Wright (AUS) 9.745

15 Erin Brooks (CAN) 7.000

16 Vahine Fierro (FRA) 7.000

17 Sally Fitzgibbons (AUS) 7.000

18 Yolanda Hopkins (POR) 6.000

19 Francisca Veselko (POR) 6.000

20 Tya Zebrowski (FRA) 5.000

21 Anat Lelior (ISR) 5.000

22 Bella Kenworthy (EUA) 4.000

23 Brisa Hennessy (CRC) 4.000

 

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