
Yago Dora é o novo campeão mundial. O título veio em sua sétima temporada na elite. Surfista de 29 anos, nascido em Curitiba, mas criado em Florianópolis, tirou seu foco principal do futebol para o surfe aos 11 anos até se tornar o quinto brasileiro a conquistar o caneco de melhor surfista do planeta. Confira a trajetória dele no Championship Tour da WSL.
O brazuca entrou no CT em 2018 após terminar a temporada 2017 do QS em 6º lugar. Na ocasião, ele teve como melhores resultados duas vitórias em eventos de nível 6.000, em Newcastle, Austrália, e em Açores, Portugal. No ano anterior, havia ficado na 43ª posição. No ano seguinte, ainda competiu o QS e terminou o ano em 31º lugar. Naquele tempo ainda não existia o Challenger Series, que hoje é a segunda divisão do esporte, e o QS a terceira.

Em 2017, Yago venceu a triagem para a etapa brasileira da elite, o Rio Pro, e só parou na semifinal do evento realizado em Saquarema. No caminho até a fase ele derrotou três campeões mundiais: o havaiano John John Florence, Gabriel Medina e o australiano Mick Fanning. Naquele ano, ele também competiu contra os melhores do mundo em Fiji, terminando em 25º lugar.
Em seu ano de estreia na elite (2018), Yago teve como melhor resultado, nas 11 etapas do tour, um quinto lugar em Pipeline, Havaí. Ele finalizou a temporada na 21ª posição. Em 2019, chegou a duas quartas de final, uma delas na piscina de ondas do norte-americano Kelly Slater, localizada na Califórnia (EUA), e a outra em Pipeline.
A pandemia parou o mundo em 2020 e, em 2021, o circuito foi retomado, dessa vez com o WSL Finals, competição que reuniria os cinco melhores homens e as cinco melhores mulheres para um dia de disputas, quando seriam conhecidos os campeões mundiais. Outra mudança radical foi a criação do corte, que tirava do circuito os surfistas que ficassem abaixo dos 22 homens e das 10 mulheres do ranking após as cinco primeiras etapas. Yago, dessa vez, chegou três vezes às quartas e finalizou o ano em nono lugar. Seus melhores resultados foram conquistados na Austrália (Narrabeen e Rottnest Island) e novamente na piscina Surf Ranch.

O final de 2021 não foi bom para Yago. O surfista machucou o pé esquerdo durante a aterrissagem de um aéreo, em uma sessão de treinos no Brasil, e ficou de fora de toda a primeira parte de 2022. Ele recebeu um convite da WSL para retornar à elite em 2023 e também competiu a parte final do CT 2022. Yago chegou à semifinal das etapas do Rio e de Jeffreys Bay, África do Sul. Ele terminou o tour na 19ª posição mesmo contando somente metade das etapas da temporada.
O ano de 2023 marcou a arrancada de Yago até o título mundial. Ele venceu sua primeira etapa na carreira, o Rio Pro, e finalizou a temporada em sétimo lugar. Em 2024, foi vice-campeão em duas etapas (Rio e Jeffreys Bay) e ficou muito perto de competir no WSL Finals ao terminar na sexta posição.

O tour de 2025 não começou bem para Yago. Considerado um dos favoritos ao título em Pipeline, ele foi eliminado na etapa ainda na repescagem. Depois, cresceu no ranking: ficou em quinto na piscina dos Emirados Árabes, venceu em Portugal, parou nas quartas de El Salvador e nas oitavas de Bells Beach, Austrália. Na Gold Coast, Austrália, voltou a ser eliminado nas quartas e, em Margaret River, também no país da Oceania, teve seu segundo pior resultado no ano, 17º lugar. Ele voltou a crescer no ranking com vitória indiscutível em Trestles, Califórnia, ficou em quinto lugar no Rio, foi vice em Jeffreys Bay e finalizou a temporada regular em 9º lugar no Taiti.

WSL Finals 2025 – Yago chegou ao WSL Finals 2025 como líder do ranking e precisava de apenas uma bateria para ser campeão mundial. Caso perdesse a primeira bateria da final, a disputa passaria a ser melhor de três.
Seu adversário foi Griffin Colapinto, que surfou as duas ondas iniciais da bateria de 35 minutos. Na primeira, ele não fez nada (0.50), e na segunda acertou cinco ataques, um deles forte e expressivo. A nota foi 5.17 pontos. Yago estreou no WSL Finals 2025 aos cinco minutos. Ele executou duas manobras poderosas, uma rasgada linkada com uma batida, e largou com 7.33 pontos. Griffin tentou responder rapidamente, mas anotou 1.77 e permaneceu em segundo lugar. Na sequência, Yago adicionou 3.50 ao placar.
Aos 12 minutos, o norte-americano foi em busca dos 5.67 pontos que precisava para vencer. Ele rasgou duas vezes, depois bateu escalando e entrou num tubo. Griffin desapareceu dentro de Cloudbreak e saiu por baixo da crista. A atuação valeu 6.33 e a liderança.

Os dois surfaram aos 20 minutos. Yago deixou a primeira onda de uma série passar e Griffin atuou, mas a esquerda não foi boa. O brasileiro pegou a onda seguinte e rasgou antes de acertar dois laybacks expressivos. Ele conquistou 8.33 pontos e deixou o adversário na necessidade de 9.33 para vencer.
O norte-americano usou a prioridade aos 18 minutos, mas saiu após rasgar duas vezes em seções cheias. Yago ficou no pico sozinho e pegou uma das maiores ondas do dia, mas ela acabou não sendo boa. Griffin pegou a esquerda seguinte, mas ela fechou. Os dois travaram um duelo de remada no retorno ao pico e o brasileiro venceu para ficar com a prioridade. Os atletas não mexeram no placar nos últimos minutos e Yago ficou com o troféu de melhor surfista do planeta.

Técnicos – Yago desde novo teve o pai como técnico. Leandro “Grilo” treinou o filho até a etapa de Jeffreys Bay de 2024, quando Leandro da Silva, também formado por ele, passou a ser o coach. Essa mudança partiu do atleta, que quis ter as rédeas de sua vida profissional.
Oitavo título – Yago é o quinto brasileiro a conquistar o título mundial. O primeiro caneco veio com Gabriel Medina, em 2014. No ano seguinte, foi a vez de Adriano de Souza. Medina terminou novamente como número 1 em 2018 e, em 2019, Italo Ferreira foi o cara. Medina conquistou seu terceiro título em 2021 e, nos dois anos seguintes, deu Filipe Toledo. O único surfista não brasileiro que tem troféus do CT nos últimos 11 anos é o havaiano John John Florence, que foi o melhor em 2016, 2017 e 2024.