Marcio Zouvi

Shaper do olhar afiado

Confira entrevista com Marcio Zouvi, shaper brasileiro mais requisitado do Circuito Mundial de Surfe.
Marcio Zouvi entre as pranchas campeãs de Filipe Toledo.

O carioca Marcio Zouvi, 57 anos, fundador da Sharp Eye Surfboards, começou sua jornada no Brasil consertando pranchas. Ele é o típico carioca: nasceu em Copacabacana, morou na Gávea e em seguida mudou-se para Jacarepaguá, bairro onde ficou até migrar para os Estados Unidos em no início dos anos 1990 para aprender a falar inglês.

Na Califórnia, ele começou a trabalhar em fábricas de pranchas, aprimorando suas habilidades e conhecimentos. Ao longo dos anos, Zouvi teve a oportunidade de observar e se inspirar no trabalho de diversos shapers renomados, como Rusty, Al Merrick, Gary Linden, Greg Webber e Byrne. Ele destacou a importância de cada shaper em sua época, influenciando e moldando o design de pranchas para se adequar ao estilo de surfe contemporâneo.

Em relação ao uso de pranchas alternativas, Zouvi acredita que, embora sejam divertidas e adequadas para certas condições, elas não substituirão as pranchas modernas de alto desempenho. Zouvi ressalta a importância de adequar o design da prancha ao estilo de surfe e às condições da onda.

Quando questionado sobre a evolução das pranchas, Zouvi enfatiza a importância do material, destacando a inovação trazida pelo carbono e outros materiais avançados. Ele menciona que, embora haja espaço para melhorias no design, a evolução do material desempenha um papel significativo na otimização do desempenho das pranchas.

Fale sobre seu começo como shaper:
Eu comecei no Brasil, não como profissional, mas fazendo alguns consertos e até arriscando alguns poucos shapes. Eu estudava e comecei a consertar pranchas e comecei em meados dos anos 1980. Recentemente eu até trouxe uma dessas pranchas antigas aqui para a Califórnia e percebi que tinha até alguma qualidade. Sempre fui um cara que observava muito as pranchas, as linhas dos shapers, e saiu uma prancha razoável.

Quando eu vim para os Estados Unidos para aprender inglês, isso no início dos anos 1990,  dei um rolê em algumas fábricas com o intuito de começar a trabalhar com pranchas.  Consegui um emprego consertando pranchas e aí fui aprimorando. É lógico que a diferença era grande, pois havia materiais, ferramentas, e muita coisa que eu não conhecia.

Eu trabalhava nessa fábrica que fazia desde o conserto até as pranchas para vários shapers e ali eu fui aprendendo mais. Eram pranchas de muitos shapers, de todos os tipos e tamanhos. Eu via desde guns, pranchas normais, longboards, funboards, todas pranchas de ponta de alto nível. Então eu comecei a ter acesso a uma quantidade enorme de designs. E ali eu comecei a fazer minhas próprias pranchas. Eu fundei a Sharp Eye em 1993.

Você é de que parte do Rio?
Meu pai é de Copacabana e nasci lá. Ele jogava vôlei e eu ficava na praia desde moleque. Depois a gente mudou para a Gávea e de lá, quando eu tinha 15 anos, meu pai decidiu que iríamos nos mudar para Jacarepaguá porque ele não queria mais morar em apartamento, e iríamos morar em uma casa.

E ali em Jacarepaguá eu comecei a frequentar a praia da Barra da Tijuca, onde surfava direto. Meu contato com pranchas de surfe no Brasil não foi nada profissional, mas cheguei a comprar blocos na Clark Foam, conheci bastante gente, mas nada profissional, era um lance bem artesanal.

Quais são os shapers que são referência para você?
Hoje em dia já não dá mais pra dizer isso. Porque cada shaper viveu uma época na qual teve destaque. Alguns pela inovação, ou pela maneira de interpretar o surfe de sua época. Porque o surfe vai evoluindo, então os atletas daquela época demandavam um tipo de design que fazia com que eles conseguissem fazer o surfe daquela época.

Quando eu cheguei nos Estados Unidos quem estava no topo era o Rusty, o Al Merrick e o Gary Linden. São essas três marcas que mais despontavam. Eu fui para a Austrália e lá tínhamos a Aloha do Greg Clougn, a Insight, do Greg Webber, a Byrne também. Então eu fui vendo uma grande quantidade de designs diferentes. Lembro que o design era bem parecido até mais ou menos no início dos anos 1990, quando o Greg Webber trouxe uma ideia na época louca, que foi uma prancha com um concave muito grande que ele fez para o Tom Curren.

No início ele fez uma prancha muito longa, depois foi diminuindo. Não que o concave tenha sido inventado por ele, mas esse tipo de fundo  revolucionou o design a partir desse momento. Na época todo mundo fazia fundo flat, v-bottom, canaletas. O concave foi um fundo que, literalmente, deu uma acelerada nas pranchas e hoje em dia esse fundo, com algumas variações, é o que está vigente. Então houveram várias pessoas que eu observei ao longo de minha carreira.

Qual é o fundo mais versátil em sua opinião?
Até hoje, o single concave no pé da frente, bem acentuado, diminuindo um pouco a profundidade dele em direção ao pé de trás e correndo para um flat na saída, tem sido um dos fundos mais velozes que faço. Às vezes eu introduzo um double entre as quilhas. Houve momentos em que coloquei concaves profundos entre as quilhas para dar um lift diferente, e as maroleiras funcionaram muito bem com essa combinação.

Mas eu sempre trabalho com esses fundos côncavos, tentando colocá-los em posições diferentes na prancha. Em cada lugar que coloco, a prancha reage de forma diferente. Não é algo simples, do tipo “ah, eu uso full concave”. Não. Dentro do conceito de concave, há uma variedade enorme, tanto na profundidade quanto em onde esse fundo é aplicado na prancha, então é um estudo bem interessante.

Você ainda sente saudades dos tempos de plaina?
Cara, é meio nostálgico isso aí. Eu tenho umas plainas paradas aqui na fábrica: Skill, Hitachi.  Mas, saudade…saudade eu não tenho. Entretanto outro dia eu até estava pensando em pegar uma plaina para ver se ainda consigo fazer uma prancha na mão… Tem tantos anos que não corro plaina.

Mas é aquilo, né, é quase como voltar no tempo para uma época em que havia todo esse romantismo do shaper estar na sala de shape com a plaina fazendo aquela escultura, porque a prancha era praticamente uma escultura feita à mão.

Depois que o shape ficava pronto tinha todo aquele processo de pega-lo e levar para a laminação, ou pintura e  sinto falta desse processo. Mas hoje em dia, em termos de negócios seria impossível você trabalhar com plaina, ainda mais com as máquinas que temos, com a precisão incrível dos programas, arquivos. É impossível pra mim, mas há muitas pessoas que ainda curtem esse tipo de trabalho.

Tenho visto uma nova geração aqui nos EUA que gosta de fazer pranchas manualmente e tem tentado reativar isso como um estilo. É legal, é maneiro, mas é uma outra época.

Você fez prancha para muita gente, mas quem foi o primeiro surfista de alto desempenho que usou suas pranchas?
Quando eu estava aqui consertando pranchas, eu conheci muita gente que surfava muito bem. Não necessariamente profissionais, mas amadores, freesurfers que pegavam bem. E esses caras começaram a pedir que eu fizesse algumas pranchas, até cheguei a ter uma pequena equipe local.

Cheguei a ser capa das revistas Surfer e Surfing. A Surfer foi com o Todd Morcon da Flórida já a Surfing foi com o Dean Kennedy, que eram surfistas locais muito bons. Essas capas saíram em março de 1995 e isso deu uma levantada na marca. Eu já tinha criado o logo em 1993 e a partir daí o pessoal começou a reparar nas pranchas e perguntar que marca era aquela.

Aí eu conheci um cara que era o melhor surfista de Nova Jersey, o Dean Randazzo, que surfava muito! A gente fechou uma parceria e ele foi o primeiro cara a entrar no Tour com minhas pranchas. Mas não durou muito, pois ele se machucou logo no início e não teve uma carreira sólida. Depois cheguei a fazer umas pranchas para o Jeremy Flores quando ele tinha 17 anos.

Ele entrou no Tour –  em 1999 se não me engano –  com minhas pranchas e o pessoal na elite começou a prestar atenção nos meus shapes. Mas naquele época, por mais que eu viajasse muito, ninguém era meu atleta oficialmente. Essa relação mais profissional, oficial, começou mesmo em 2014 quando o Filipe entrou no Tour. Aí realmente a marca deu uma explodida.

E brasileiro, quem foi o primeiro?
Foi o Binho Nunes, que foi capa da Fluir. Mas muitas pessoas que vinham para a Califórnia faziam pranchas comigo. Entre eles o Guilherme Herdy, Renan Rocha, Tadeu Pereira e até o Fábio Gouveia, para quem inclusive hoje eu faço pranchas para seu filho, Ian. Mas oficialmente mesmo, o cara que entrou no tour para ficar foi o Filipe.

Antes de ter o reconhecimento internacional, as pessoas se surpreendiam quando descobriam que você é brasileiro?
Aqui tem uma certa discriminação natural né. Os gringos são muito fechados, tanto o americano quanto o australiano. Eles não são muito receptivos para com outras culturas. E como eles sempre dominaram o mercado de design, não olhavam para a América Latina e para a própria Europa em si.

Eles sempre ditaram as regras. Mas na verdade a gente começou a inovar rapidamente. O shaper americano não viajava muito e lembro que quando viajei para a Austrália me deparei com métodos de construção que eu não conhecia, diferentes dos aplicados aqui nos EUA. Eu trouxe para a Califórnia e os caras se surpreenderam, falavam: “que isso?” Ou seja, eu fui alterando coisas aqui e eles começaram a prestar atenção em mim.

Eu trouxe o carbono lateral que não se usava, fui uma das primeiras pessoas a usar o concave porque eu estava lá na Austrália quando o Greg Webber começou a fazer. Então eu cheguei aqui com várias novidades e nego olhava e falava: “que isso cara, essa prancha não vai funcionar não.”

Você é um cara que recebe informações de grandes nomes do surfe como Kanoa Igarashi, Filipe Toledo, Jack Robinson, Tatiana Weston-Webb, entre outros. Como você lida com tanta quantidade de dados de alto nível e como você se inspira para criar novos modelos?
Estamos sempre aprimorando, aprendendo. Os caras são diferentes entre si. O Filipe tem um surfe diferente do resto, então você tem que ficar ajustando constantemente. Agora, não é só fazer prancha de equipe, a gente tem que sobreviver.

Temos que ajustar esse design para as pessoas que não são surfistas profissionais, preciso ajustar essas medidas para o mercado, digamos, normal para que a prancha não fique uma Ferrari que só atletas de alto nível consigam pilotar.

Em termos de pesquisa, estamos em plena evolução. Eu viajo muito, estou sempre no Havaí para ver o que tem de novidade relacionada a guns. Tem coisa que a gente acerta, tem coisa que não dá certo e estamos sempre correndo atrás. No caso dos competidores,  estou sempre buscando entender a onda para fazer a melhor prancha para o pico em que ele vai competir.

No início eu tive que viajar para conhecer as ondas do Tour, para ver o que funcionava. Eu não queria que o cara levasse pranchas que não funcionassem. Então é isso, para cada um é bem diferente. O Jack Robinson, por exemplo, é um cara mais pesado com um tipo de pegada diferente, o Filipe mais ágil e leve e por ai vai.

Ainda há espaço para refinamento em termos de design, ou a evolução das pranchas está atrelada ao material?
Ainda tem espaço para melhorar. À medida que a gente vai descobrindo mais sobre design, vamos cada vez mais acertando a medida que as encomendas dos atletas vão chegando, vamos evoluindo e melhorando. Mas ultimamente o material tem tomado a dianteira nessa evolução.

A gente recentemente começou a trabalhar com a maior fábrica do mundo na Tailândia, e essa fábrica me deu acesso a materiais que eu nunca tive antes. Então eu comecei a testar novas coisas, com uma gama enorme de flexibilidade, espumas diferentes.

Estou trazendo bastante coisa nova e a gente continua testando. Agora mesmo estamos esperando um tecido super novo, com uma nova combinação… então estamos vendo muita coisa acontecendo em termos de material.

É lógico que temos restrições, porque o material quando você começa a ir nessa direção encarece muito a prancha, mas aqui nos EUA o mercado tem grana para absorver isso. No Brasil a prancha fica muito cara. Mas sim, eu concordo que no material ainda temos muito que evoluir.

Como você enxerga a piscina de ondas na evolução do surfe e consequentemente das pranchas?
Esse advento da piscina realmente foi uma injeção de gás no surfe, pois está trazendo um crowd novo de pessoas que começaram a surfar, que não necessariamente moram perto do mar e que às vezes nunca surfaram no mar. A gente tem visto pessoas que estão saindo ali do Texas, de Waco, que estão surfando bem.

Ou seja, está abrindo um leque enorme de possibilidades. Porque é uma onda boa, com uma consistência artificial com variações. Então ficou muito mais fácil para você testar a prancha e conseguir ajustá-la. Esse avanço vai facilitar para a gente refinar ainda mais o design.

Porque às vezes você fazia o design e até o cara testar em uma onda ideal, às vezes durava até seis meses para termos um retorno realmente confiável e hoje com as piscinas esse processo foi bem acelerado. Nós já ganhamos duas vezes com o Filipe na piscina uma vez com a Johanne Defay.

E agora o próximo Stab in The Dark será realizado na piscina do Kelly em Abu Dhabi e ele está querendo fazer a melhor prancha que funcione na piscina dele. Ele me convidou junto com outros shapers e o test pilot será o próprio Kelly, que conhece muito bem a onda, e ninguém melhor que ele para dizer o que funciona melhor por lá. Então vamos ver o que vai sair…

Fale sobre sua vitória no Stab In The Dark:
O Stab In The Dark, no início, era uma coisa que eu não levava muita fé, apesar de ter um apelo de marketing muito bom. Eu não gostava da proposta de fazer uma prancha para uma pessoa que você não sabe quem é, surfar em um lugar que você também não sabe. São tantas variáveis, tantos designs, tantas opções que eu posso empregar. Antes eles só falavam: olha, o cara gosta de surfar de 5’10” com o volume X.

E eu posso fazer milhões de coisas com essas informações. Ou seja, no final das contas era meio que uma sorte. Para mim era sorte. Agora eles começaram a facilitar. Por exemplo, agora com o Kelly, a gente já sabe que ele irá surfar com a prancha e aonde… então vai ficar bem mais fácil de conseguir fazer a coisa certa. Aí eu realmente acredito que aí todos os shapers irão colocar tudo que eles têm de conhecimento para tentar acertar.

Agora, quando a gente ganhou com o Taj Burrow na Austrália, foi realmente muito bom para a gente internacionalmente. Deu uma levantada enorme porque criou muito interesse a respeito do design campeão que foi a Inferno 72, todo mundo queria saber, todo mundo queria testar.

E eu me impressionei porque não sabia que o Stab tinha essa penetração tão grande no mundo inteiro, talvez não tanto no Brasil porque é em inglês, mas fora teve uma repercussão muito grande então foi muito bom.

Estamos passando por um momento de releituras de pranchas, você acredita que surfistas da elite mundial usarão pranchas chamadas alternativas como biquilhas, fishes, etc?
Não. Porque o modelo alternativo, se você voltar ao passado, são designs que foram criados numa época em que o surfe era bem diferente. Então você não consegue fazer a mesma linha que uma prancha moderna faz. Vão ter condições em que talvez você faça, mas vai ganhar em um lado e perder do outro.

Por exemplo, uma biquilha pode funcionar muito bem em um dia muito alinhado em J-Bay, por exemplo, você vai ter uma velocidade incrível mas você não vai conseguir dar aquela rasgada enterrando a borda no pocket como você faz com um triquilha com um concave mais acertado, com uma curva certa, então penso que você vai ter que descer o nível do seu surfe para se moldar ao que o design consegue entregar.

Agora é lógico que esses designs são muito divertidos. E no dia a dia, principalmente pra quem não tem um nível de surfe muito grande, uma biquilha e até uma monoquilha, pode fazer sua cabeça.Tem gente que vem me procurar interessado nesse tipo de prancha. Então hoje em dia, principalmente aqui fora, vale tudo porque aqui você tem uma variedade de ondas muito grande: fracas, alinhadas, point breaks, ondas bem longas e você tem ondas bem fortes também.

No Brasil a maioria das ondas são fortes e quebram em beach breaks, principalmente no Rio onde você tem muito power. No Rio, fora a Macumba, as ondas são bem difíceis de você surfar com pranchas alternativas. Aqui na Califórnia, quando você entra em uma loja, de setenta a oitenta por cento não é high performance, o que vende é alternativo. Aí os 30% são high performance. Já quando você vai para a Austrália é o contrário. Isso se deve ao fato de lá as ondas serem muito mais fortes.

Na Austrália, você vê lá no fundo da loja três, quatro pranchas alternativas e alguns longboards. Porque ninguém compra, porque fora Nossa Dua e alguns picos que tem ali em Byron Bay o resto é tudo onda forte.

Qual a primeira coisa que você olha em uma prancha?
Eu olho o outline e depois vou logo para a curva. Mas o que mais me impressiona não é a prancha, porque toda prancha tem sua validade. O que me impressiona é o desempenho do atleta. Como eu estou sempre acompanhando o tour, quando eu vejo alguém surfando muito, me desperta o interesse em ver qual o equipamento que ele está surfando.

Porque toda prancha vai funcionar para alguém, vai ter alguma característica que vai se ajustar a alguém, a alguma condição. Mas quando eu vejo perfeição, no sentido de ver a melhor performance naquela condição, eu quero ver o equipamento.

Porque o designer do cara acertou em cheio. Aquele cara está surfando com o melhor equipamento para aquela onda então eu vou olhar a prancha para ver todas as características para ver o que tem naquela prancha que funcionou para aquele cara.

Qual seu modelo que mais faz sucesso?
Ainda é o Inferno 72, vencedora do Stab In The Dark. Essa prancha tem vendido bastante. No nível high performance, a 77 do Filipe tem uma procura muito grande por parte dos atletas.Agora para marola temos a Cheat Code que tem saído muito também. Ela é uma prancha com o rocker mais relaxado, mais área no outline, mais volume no geral, com uma curvinha boa para quem está saindo de uma prancha maior indo para um menor e já quer fazer umas manobras e precisa de um pouco mais de curva na prancha.

Ou seja, ela não é uma prancha com o rocker flat, retro. Ela é uma prancha que não chega a ser high performance mas tem uma pegada moderna que se adapta muito bem ao usuário médio, digamos assim.

O que é mais difícil, ajustar uma prancha para o Filipe Toledo, ou ajustar uma prancha para o surfista mediano?
Acho que para o surfista mediano é mais difícil porque é tudo uma questão de informação. O cliente não passa essa informação como ele deveria passar. Às vezes me passa uma informação que não é precisa e quando você faz a prancha para o cara ele não está preparado para aquilo.

É importantíssimo o surfista chegar e mandar a real: meu nível de surfe é esse, eu estou dando umas manobras assim, ainda preciso disso, não tenho muita força nas manobras, preciso de mais volume, para você realmente desenhar a prancha certa, porque surfe é um esporte difícil, não é um esporte que você já começa mandando bem, demora… então se você está com equipamento errado aí que dificulta ainda mais.

Então conversar com o shaper ou com uma loja boa que tenha bons vendedores que vão conseguir te indicar a prancha correta, ou mesmo ligar para a fábrica e trocar uma ideia com a gente, é primordial.

No caso do Filipe, eu já conheço e os ajustes são bem pequenos, mais relacionados a quando ele ganha ou perde peso, ou quando ele está indo para ondas nas quais eu sei que tenho que fazer mais ajustes, então ele, mas fora isso é bem tranquilo.

Rola muito a síndrome do “quero ser o Filipe Toledo”, com aquele cara que acha que vai surfar como ele por conta da prancha?
Tem gente que acha que pegando a prancha dele, acha que vai conseguir surfar, não igual, mas parecido com ele. A coisa é tão psicológica, que antes de ele anunciar que deixaria o tour, o quiver dele para Portugal já estava pronto.

E aí o Seth Moniz, que é mais ou menos do mesmo tamanho que ele, veio aqui na fábrica e viu as pranchas do Filipe, e falou: “O Filipe não vai pegar não?” Eu falei, não. E ele falou, “Posso pegar elas?” Eu falei pode. Aí ele pegou e falou, “Nossa as pranchas são demais, como se eu fizesse pro Filipe melhor do que eu faço pra ele…rs.”

Isso porque estava escrito ali a dedicatória para o Filipinho… Aí ele falou “as pranchas são mágicas!” Aí eu falei, pô cara, não é assim, isso tá na sua cabeça. As pranchas que faço pra você são iguais às do Filipe, o shape, o material, tudo. Mas tem essa influência psicológica. Muitas vezes ele acha que está preparado para um certo tipo de design, já coloca uma expectativa muito grande no equipamento.

Fale sobre as diferentes construções, Epóxi e PU:
À medida que o pessoal foi ficando mais velho o epóxi pode ser uma ótima opção. Eu por exemplo, que vou fazer 58 anos, comecei a usar mais epóxi. Tive que aumentar o volume obviamente, mas eu ainda gosto de surfar com pranchas menores.

Uso 5’10” mas aumentando o volume. E o volume não me atrapalha tanto se a prancha for levinha. Então eu estou indo mais para o carbono e epóxi. Mas são dois materiais bem distintos. E isso que falei se aplica ao nível de surfe mediano pra baixo.

No que eu tenho visto, as pranchas de epóxi se enquadram mais nas pranchas menores, mais largas, porque é um material que tem mais flutuabilidade e quando são bem feitas são mais leves e duráveis. São dois materiais que têm sua vantagem e tem que saber usar.

Já quando você começa a ir para o high performance você já tem que saber aplicar o epóxi, porque em condições de muito vento, muito chop, com carneirinhos, por exemplo, ele começa a ser mais sensível, ela já não funciona tão bem.

Já o PU atura melhor esse tipo de condição pois tem uma consistência diferente, vai correr na onda de forma diferente. Por isso o PU é o material usado em 90% das pranchas do Tour. Como disse antes, é uma questão de saber usar o material.

Muitas vezes as pessoas acham que o material que vai fazer a prancha andar e não é. O certo é você adequar o material para o tipo de onda que você vai surfar. De acordo com o que o surfista me passa, eu vou trabalhar no design e depois vou sugerir o material.

O intuito é que o material otimize o design em termos de performance e não o oposto, como muita gente pensa. Começa pelo design e depois você escolhe o material que melhor se adequa.

E o carbono, é a melhor opção atualmente?
Ultimamente o carbono tem sido uma alternativa muito boa. Ela é uma prancha que tem apresentado um grande diferencial. Dá para perceber na maneira como ela surfa. Não é necessariamente inquebrável como muita gente acha. Tem gente que pensa que a prancha é à prova de bala, que vai comprar a prancha e vai durar cem anos, não, não é assim… Ela ainda quebra.

Até dá para fazer uma prancha de carbono inquebrável, mas a prancha vai ficar horrível, dura, pesada e muito difícil de surfar. A ideia é que você utilize a flexibilidade do carbono e que a reação, a “mola”, te dê uma resposta melhor, a ideia é que o carbono otimize essa resposta de uma forma muito mais forte.

O carbono tem sido uma prancha muito interessante e a gente tem trabalhado com outros tipos de carbono, com PVC, Kevlar. Também temos vários tipos de carbono, com tramas diferentes de 90 graus, 45 graus, de 30 graus. Então cada um terá uma resposta diferente dentro da água, um feeling, e isso para o profissional é show porque ele vai notar a diferença e vai saber ajustar às condições que vai surfar naquela ocasião. Já para um cara de nível médio pra baixo não vai fazer tanta diferença.

Fale sobre os compromissos corporativos da Sharp Eye:
Esse é o outro lado da fabricação de pranchas. Quando a gente começou minha preocupação era praticamente exclusiva com o produto, o design etc. Mas atualmente preciso me preocupar com o lado business, que é o lado que vai ocupando muito mais tempo do que você imagina.

A gente tem uma equipe muito boa e eu fico mais responsável pela parte internacional. São duas empresas a Sharp Eye USA e a Internacional. A USA é toda operada pelos caras aqui na fábrica da Califórnia, eu só crio os designs e trabalho com a equipe.

Já a internacional eu é quem toco e tenho viajado o mundo inteiro, tratando de licenciamentos no Brasil, na Austrália, no Peru, em Bali, tem fábrica na França, em Portugal, na Tailândia então eu tenho que fazer o run, tenho que controlar a qualidade e cuidar para que nosso padrão de qualidade seja mantido.

Quem dera eu ficar só na praia, fazendo design, surfando. Mas essa parte é fundamental, e é importante porque viajando eu vejo muita coisa acontecendo. Porque cada lugar tem alguém criando algo novo para surfar nas condições do lugar.

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    Próxima chamada para o possível Finals Day do MEO Rip Curl Pro Portugal, em Peniche, acontece nesta sexta-feira (23) às 5h da manhã (horário de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates em nosso fórum. Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30 Filipe Toledo (BRA)3 – Italo Ferreira (BRA) 15.00 x 10.43 Jack Robinson (AUS)4 – Guilherme Ribeiro (POR) 10.33 x 5.00 Kanoa Igarashi (JAP)5 – Yago Dora (BRA) 13.66 x 11.67 Connor O’Leary (JAP)6 – Ethan Ewing (AUS) 15.73 x 11.17 Frederico Morais (POR)7 – Seth Moniz (HAV) 12.80 x 12.60 Miguel Pupo (BRA)8 – Griffin Colapinto (EUA) 17.17 x 13.27 Kauli Vaast (FRA) Quartas de final 1 – Morgan Cibilic (AUS) 10.00 x 10.60 Gabriel Medina (BRA)2 – Italo Ferreira (BRA) 12.83 x 6.84 Guilherme Ribeiro (POR)3 – Yago Dora (BRA) 15.84 x 3.00 Ethan Ewing (AUS)4 – Seth Moniz (HAV) 14.17 x 14.50 Griffin Colapinto (EUA) Semifinais 1 – Gabriel Medina (BRA) x Italo Ferreira (BRA)2 – Yago Dora (BRA) x Griffin Colapinto (EUA) Round 1 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 11.33 x 3.53 Luana Silva (BRA)2 – Francisca Veselko (POR) 8.54 x 7.90 Sawyer Lindblad (EUA)3 – Caitlin Simmers (EUA) 14.16 x 7.93 Nadia Erostarbe (ESP)4 – Carissa Moore (HAV) 12.33 x 6.76 Johanne Defay (FRA)5 – Teresa Bonvalot (POR) 11.40 x 10.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Lakey Peterson (EUA) 11.17 x 7.10 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 15.74 x 11.10 Yolanda Hopkins (POR)8 – Erin Brooks (CAN) 12.50 x 7.27 Tyler Wright (AUS) Quartas de final 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 7.43 x 7.34 Francisca Veselko (POR)2 – Caitlin Simmers (EUA) 11.50 x 8.93 Carissa Moore (HAV)3 – Teresa Bonvalot (POR) 5.10 x 10.00 Lakey Peterson (EUA)4 – Molly Picklum (AUS) 11.33 x 6.83 Erin Brooks (CAN) 1 – Caitlin Simmers (EUA) 11.33 x 10.26 Bettylou Sakura Johnson (HAV)2 – Molly Picklum (AUS) 8.63 x 7.40 Lakey Peterson (EUA) Final 1 – Caitlin Simmers (EUA) x Molly Picklum (AUS)

    Próxima chamada para possível Finals Day do MEO Rip Curl Pro Portugal, em Peniche, acontece nesta sexta-feira (23) às 5h da manhã (horário de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.