Tomo guns

Ousadia nas bombas

Daniel “Tomo” Thomson revoluciona conceitos do shape para ondas grandes.

Fazer pranchas que parecem espaçonaves para ondas pequenas é uma coisa. Testar modelos completamente diferentes em ondas enormes é outra. É preciso coragem do shaper e do test driver.

Daniel “Tomo” Thomson é um shaper que pensa como cientista, dando total atenção à engenharia e conceitos físicos de uma prancha e sua interação com a onda. “Embora o surfe seja algo que envolve arte sobre ondas, tem muito mais a ver com ciência do que as pessoas imaginam”, declara o próprio Tomo.

Parece natural que, vindo desse designer chegado a experiências sem preconceitos, as pranchas para ondas grandes desenhadas por ele, depois de muita conversa com Peter Mel, não são nada convencionais. Lógico, a base das Simmons está lá.

O foguete diferente tem 9 pés, com uns 21” de largura e dual fin (como as quilhas double foil de uma Simmons biquilha original). Uma retrô fish esticada com uma colocação de kell fins clássica, ou seja, quase paralelas, como o próprio outline de rabeta fish larga para uma gun.

Nessa prancha há quase nada de uma gun normal. O bico é arredondando e o deck tem um leve concave. Step Rails, aquelas bordas que fazem um degrau quando chegam ao deck, mantendo volume ao longo da prancha e, mesmo assim, deixando as bordas mais baixas.
O fundo da prancha tem um belo concave e, dentro do concave um V-Bottom profundo, no fundo todo. Mais para a rabeta, os concaves se multiplicam em quatro e, no fim das contas, fica parecendo com o casco de um jet ski, como comparou Tomo. Ou seja, o cara mudou tudo para ondas como Waimea, Mavericks e outras bombas.


Legenda vídeo: A Simmons de 1900 e bolinha foi testada e ganhou releitura do discípulo Daniel Thomson.

A ideia é fazer uma prancha que tenha mais velocidade e possa ser controlada sem que fique atolada ou ancorada na base, como acontece em muitos casos em que os big riders dropam e depois ficam presos na base, sem chance de alcançar a parede e vendo o lip passar a milhão. Com certeza há espaço para melhorar a performance dessas pranchas grandes.

A prancha – feita no meio de 2017 – que Peter Mel testou num dia de ondas sérias em Mavericks, ainda não tinha o bico redondo, como as feitas para Jamie Mitchell. Pete disse que não mudaria nada na prancha, o que é um feedback e tanto para o Tomo. Com certeza veremos mais gente testando esse design. E você? Toparia usar uma prancha que você nunca viu igual em ondas que poderiam te matar?

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