
Michaela Fregonese, paranaense de Curitiba, consolidou-se como um dos maiores nomes do surfe de ondas gigantes no cenário internacional entre as mulheres.
Aos 43 anos, a big rider escreveu seu nome na história ao conquistar no Big Wave Challenge 2025, evento realizado no último sábado em Newport Beach, Califórnia, EUA, dois dos prêmios mais importantes: Onda do Ano e Maior Onda do Ano, feitos alcançados em uma sessão memorável em Jaws, na ilha de Maui, no Havaí.
Acima vídeo de Tim Bonython que registra a bomba em Jaws que garantiu o prêmio a Fregonese.
Reconhecida por sua coragem e dedicação ao esporte, Michaela inspira uma nova geração de mulheres e representa o Brasil no mais alto nível do big surf mundial.
Na entrevista abaixo, ela compartilha os bastidores de sua conquista, as emoções de enfrentar mares gigantes e os desafios de uma carreira marcada pela superação constante.
Como foi o momento em que você soube que havia vencido o prêmio de Onda do Ano e Maior Onda do Ano?
Eu venci a Maior Onda Feminino, que já foi uma alegria enorme! Eles estavam anunciando a Onda do Ano e eu não esperava realmente. Achei que iriam anunciar a Justine Dupont com vencedora. Quando falaram meu nome eu quase cai dura pra trás!

O que representa alcançar esse patamar no cenário mundial do big surfe? Você sente medo quando pega uma bomba daquelas?
Sempre foi um sonho esse resultado, era algo que já tento desde 2019, quando fiquei em segundo lugar com um tubo em Jaws. Quanto a ter medo, tento transformá-lo em adrenalina, respirar fundo, pensar em coisas boas e estar sempre preparada pra qualquer situação.
Acima vídeo do tubo enorme que Michaela pegou em Jaws na temporada 2019/2020.
Jaws parece ser um lugar especial na sua trajetória. O que torna essa onda única para você?
Com certeza ela se tornou única depois de pegar aquele tubo em Jaws, em 2019, puxada pelo Jorge Pacelli. Aquela tinha sido minha primeira vez fazendo tow-in em Jaws e então me apaixonei por aquela onda! Por isso que sempre que vejo um swell lá e tenho condições pra ir, eu nem penso, só vou.
Abaixo as ondas indicadas a Maior Onda da Temporada Feminino.
Acima vídeo com as ondas das indicadas à categoria Maior Onda do Ano 2024/2025.
Quais foram os maiores desafios e obstáculos que você enfrentou ao longo da carreira até chegar a este reconhecimento?
Acho que a falta de patrocínios. Atualmente, o banco Topázio me paga um salário. Mas sempre tive que trabalhar muito pra poder conquistar minhas coisas. A falta de um time também torna as coisas mais difíceis pra mim.
Em um esporte historicamente dominado por homens, qual é a importância de ver mulheres brasileiras conquistando recordes mundiais?
O surfe de ondas grandes realmente tem poucas mulheres. Eu me sinto muito orgulhosa de mim mesma e das mulheres que se destacam nesse esporte que amo tanto.

O que passa pela mente no exato momento em que desce uma onda gigante?
Quando estou descendo uma onda gigante só penso em completá-la. Mas, quando dá certo é a melhor sensação do mundo, realmente inexplicável.
Você tem planos de buscar o recorde mundial e superar a marca da Maya Gabeira em Nazaré?
O recorde mundial pode até ter sido batido com essa onda de Jaws, ainda estou correndo atrás disso.
Como é sua rotina de preparação física e mental para enfrentar mares de até 20 metros e qual seu próximo desafio?
Procuro treinar todos os dias, seja dentro ou fora da água, quando estou surfando mar gigante o coração quase sai pela boca, então eu acho que é bom fazer esportes que aceleram o coração. Sobre a próxima meta, a temporada está chegando e já estou me preparando pra ela! Nazaré e Havaí. Quero pegar ondas boas e surfar bem.
Acima, vídeo completo da cerimônia, que foi transmitida ao vivo.
O que é mais difícil, ser mãe ou big rider?
Ser mãe é um desafio e tanto porque a preocupação, apreensão, medo, são constantes, mas ao mesmo tempo é a melhor coisa do mundo! O surfe de ondas grandes ao mesmo tempo que é difícil, é muito prazeroso.
Como você se inspira e que conselho daria para meninas que sonham em entrar no universo do surfe de ondas grandes?
Minha inspiração vem do amor que eu sinto pelas ondas grandes, amo esse esporte e espero surfar até não poder mais. Sobre meu conselho, falaria para ser dedicada, persistente, sonhar grande, nunca desistir, pois não é fácil, mas não é impossível.
Canais citados na matéria WSL, Big Wave Challenge