Layback Pro

Tainá e Herdy são campeões sul-americanos

Tainá Hinckel e Mateus Herdy conquistam títulos sul-americanos no Layback Pro, etapa do QS que acontece na Praia Mole, Florianópolis (SC).
Layback Pro 2024, Praia Mole, Florianópolis (SC)

O Layback Pro apresentado pela Prefeitura de Florianópolis já definiu os títulos sul-americanos da World Surf League (WSL), com três catarinenses festejando conquistas na sexta-feira chuvosa na Praia Mole.

Tainá Hinckel e Mateus Herdy são os campeões da temporada 2023/2024 da WSL South America e Heitor Mueller confirmou sua classificação para o Challenger Series, o circuito de acesso para a elite mundial que disputa o Championship Tour (CT). A batalha pelas últimas vagas prossegue neste sábado, que vai começar pelas quartas de final das duas categorias, ao vivo pelo WorldSurfLeague.com.

No Dia Internacional da Mulher, as damas primeiro, então as meninas abriram a sexta-feira do Layback Pro apresentado pela Prefeitura de Florianópolis. Logo na primeira bateria do dia, Tainá Hinckel confirmava o principal título da América do Sul, se passasse para as quartas de final.

Foi uma disputa de poucas ondas boas, mas Tainá avançou em segundo lugar, no confronto vencido pela cearense Yanca Costa. Elas eliminaram a argentina Vera Jarisz e outra brasileira, Gabriely Vasque. Tainá saiu do mar sem saber que a classificação lhe garantia o título de campeã sul-americana da temporada 2023/2024.

“Ah é? Sou campeã já? Que irado. Estou muito feliz com esse título, irado demais”, vibrou Tainá Hinckel, logo que foi informada da conquista antecipada do título sul-americano. “Esse era o meu principal objetivo nesse evento, então estou muito feliz que já consegui, amarradona mesmo. Foi uma temporada de altos e baixos, mas um ano relativamente muito bom pra mim. Eu tive bons resultados, então fico muito feliz com esse título. Estou pronta para ir pro Challenger Series, representar o Brasil esse ano”.

Tainá Hinckel já tinha sido bicampeã sul-americana da categoria Pro Junior em 2016 e 2019, agora consegue o principal título da World Surf League no continente, o de melhor surfista profissional da América do Sul. Essa conquista inédita para a sua carreira, coroou uma temporada brilhante da surfista da Guarda do Embaú.

No ano passado, foi campeã brasileira da CBSurf e também do Circuito Banco do Brasil de Surfe. E neste ano, conseguiu vaga para representar o Brasil nas Olímpiadas de Paris e confirmou a classificação para o Challenger Series 2024 como campeã sul-americana.

Já o título igualmente inédito para Mateus Herdy, foi confirmado antes dele competir na sexta-feira, com as eliminações dos seus dois únicos concorrentes. O primeiro a cair foi o também catarinense Lucas Vicente, depois o pernambucano Luel Felipe.

Com isso, ninguém mais poderia tirar o primeiro lugar no ranking do Mateus Herdy, que também foi campeão sul-americano Pro Junior em 2017 e em 2018 conquistou o título mundial da World Surf League nessa categoria. Ele estava concentrado para competir, quando foi avisado que já era o campeão sul-americano de 2023/2024.

“Irado, animal, caraca… não sabia. Eu estava concentradão aqui pra minha bateria. Sério mesmo que já sou campeão?”, questionou Mateus Herdy. “Muito irado. Fazia muito tempo que eu não ganhava nenhum título da WSL e estou amarradão. Com certeza, vou entrar na bateria agora bem mais tranquilo. Eu vi que tinha que passar minhas duas baterias hoje pra garantir o título, estou focado nisso ainda, mas agora estou até mais leve pra surfar. Pô, irado saber disso, então agora quero ganhar o campeonato”.

A sexta-feira começou com 15 surfistas tendo chances matemáticas de entrar no grupo dos 7 que se classificam para o Challenger Series, pelo ranking da WSL South America, que está sendo finalizado nesta semana no Layback Pro apresentado pela Prefeitura de Florianópolis. Todas as oito baterias da terceira fase, tinham alguém disputando classificação. Os dois últimos colocados no G-7 competiram juntos na terceira bateria e Heitor Mueller venceu, mas Lucas Vicente ficou em último. Dos 15 concorrentes deles, somente 8 avançaram para a rodada classificatória para as quartas de final.

Vaga confirmada – Foi nessa fase que fechou a sexta-feira na Praia Mole, quando Heitor Mueller garantiu sua classificação para o Challenger Series. A bateria foi tensa, com poucas ondas boas e o surfista de São Francisco do Sul estava em último lugar nos minutos finais.

O também catarinense Matheus Navarro liderava, com o paraibano José Francisco, que há muitos anos mora em Florianópolis, em segundo lugar. Heitor entrou na briga com uma nota 4,97 e na última onda arriscou uma pancada muito forte de backside, que completou.

José Francisco também surfou uma onda e ficou a expectativa pelas notas. A do Fininho, como José é conhecido, valeu 5,27 e ele ultrapassou Matheus Navarro. A do Heitor Mueller foi nota 6,43, que o levou para o primeiro lugar, com Fininho passando em segundo e Matheus sendo eliminado, junto com Felipe Oliveira.

A vitória foi anunciada e Heitor Mueller ainda nem imaginava que a passagem para as quartas de final já garantia sua vaga entre os 7 indicados para o Challenger Series, pelo ranking da WSL South America.

Ele só ficou sabendo quando foi entrevistado: “Sério, não, você tá de brincadeira, sério mesmo?”, vibrou Heitor Mueller. “Cara, nem sei o que falar agora. Estou me tremendo todo, porque o Challenger Series, para mim, é uma conquista muito grande. Esta bateria foi alucinante, com poucas ondas, só ondas de uma manobra e acabou que deu certo. Eu pedi pra Deus, Ele me deu aquela esquerda no final e estou muito amarradão. Meu Deus, Challenger esse ano cara, não sei nem o que falar, é quase inacreditável”.

Duas vagas – Os rankings da temporada 2023/2024 da WSL South America, que está sendo encerrada nessa semana no Layback Pro, classifica 7 homens e 3 mulheres para o circuito de acesso para a elite mundial do World Surf League Championship Tour.

Após os resultados do sábado, restam duas vagas para definir na categoria feminina e duas também na masculina. As duas que defendem vaga no G-3, a vice-líder Sophia Medina e a terceira colocada, Laura Raupp, competiram juntas com duas peruanas que brigavam por classificação, Melanie Giunta e Arena Rodriguez Vargas.

Essa bateria definiu os dois últimos nomes para as quartas de final e foi bem disputada. A Arena Rodriguez surfou a melhor onda, com a nota 6,33 recebida, garantindo a vitória por 10,93 pontos a 10,70 da Laura Raupp, que se classificou em segundo lugar.

Laura precisava passar a bateria, pois Isabelle Nalu já havia tirado o terceiro lugar dela no ranking. A briga entre elas pela vaga no Challenger Series é fase a fase. A Sophia Medina terminou em terceiro na bateria, mas só sai do G-3 com uma única combinação, se a Isabelle Nalu vencer o Layback Pro numa final com a Laura Raupp.

“Eu vi que a Belinha (Isabelle Nalu) tinha passado já e eu estava bem nervosa nessa bateria, porque todas as meninas surfam muito bem”, destacou Laura Raupp. “Inclusive a final que fiz aqui na Praia Mole (em 2021), quando eu ganhei meu primeiro título no QS, foi com a Melanie (Giunta). Eu já competi com a Sophia (Medina) diversas vezes, com a Arena (Rodriguez Vargas) também, então sabia que a bateria ia ser muito difícil. Nossa, estou superfeliz de ter passado. Só um pouco triste da Sophia não ter passado junto comigo, mas vamos com tudo, porque eu quero muito essa vaga no Challenger”.

Últimas vagas – Com a derrota da Melanie Giunta, apenas Isabelle Nalu e Arena Rodriguez Vargas seguem na briga pelas duas últimas vagas femininas no Challenger Series 2024, que estão com Sophia Medina e Laura Raupp.

Bela Nalu fez a melhor apresentação entre as meninas na sexta-feira, conseguindo a maior nota desta quarta edição do Layback Pro na Praia Mole, 8,50. Ela precisa ficar na frente da Laura Raupp para se classificar para o Challenger Series, enquanto a peruana Arena Rodriguez Vargas já precisa vencer o campeonato e a final não pode ser com a Laura e nem com a Isabelle.

No ranking masculino, também só restam duas vagas a serem definidas. Os ameaçados são o paulista Edgard Groggia em penúltimo lugar no G-7 e o catarinense Lucas Vicente em último. A batalha pelas vagas masculinas foi muito mais intensa na sexta-feira, praticamente em cada bateria. Lucas Vicente deixou a porta aberta, ao ser eliminado na terceira fase.

Alguns ficaram a um passo de lhe tirar da lista, mas também perdiam, como os paulistas Gabriel Klaussner na terceira fase e Rodrigo Saldanha e o saquaremense Valentin Neves na rodada que formou as quartas de final.

Estreia do campeão – Essa terceira fase foi encerrada com Mateus Herdy vencendo a sua primeira bateria como campeão sul-americano de 2023/2024 da World Surf League. Foi uma disputa fraca de ondas, mas o catarinense conseguiu a vitória, com seu amigo, o carioca Lucas Silveira, que há muitos anos mora em Florianópolis, passando em segundo lugar na última onda que surfou. O chileno Roberto Araki tinha chance de vaga no Challenger Series, mas foi eliminado, junto com o paulista Eric Bahia.

“Eu achei que ia me ajudar saber antes que eu era campeão, mas acho que me atrapalhou, porque fiquei feliz demais e entrei querendo quebrar a bateria”, disse Mateus Herdy. “Só que o mar estava bem difícil, foi uma bateria muito apertada e ficou todo mundo bem próximo nos pontos. Até foi bem massa o final da bateria, emocionante, só que as notas foram bem baixas e eu tava pensando que ia ter notas mais altas. Mas é muito irado ser campeão. Na minha carreira, um dos meus focos é sempre ganhar títulos da WSL. Eu já ganhei o Pro Junior sul-americano e mundial, então esse título agora é incrível pra mim”.

A um passo da vaga – Na sequência, foi iniciada a rodada classificatória para as quartas de final do Layback Pro apresentado pela Prefeitura de Florianópolis. Na primeira bateria, Rodrigo Saldanha, que tinha tirado a maior nota – 9,17 – do campeonato com um aéreo na terceira fase, já entraria no G-7 se passasse, tirando o Lucas Vicente da lista.

Mas, ele perdeu junto com outro concorrente, Daniel Adisaka, para o já garantido no Challenger Series, Michael Rodrigues, e Igor Moraes, que não está brigando por classificação. José Francisco avançou na bateria seguinte com o Heitor Mueller e agora ultrapassa o Lucas Vicente, se vencer o Michael Rodrigues nas quartas de final.

Depois, Lucas Silveira venceu um confronto com três surfistas disputando classificação para o Challenger Series. Nele, Valentin Neves estava passando em segundo até o último minuto e entraria no G-7 se isso acontecesse.

No entanto, o jovem paranaense Lukas Camargo acertou um aéreo e segue na briga por vaga no Challenger Series também. Lucas Silveira agora, assim como José Francisco, está a um passo da vaga no G-7. Ele entra na lista se passar para as semifinais, na bateria contra outro concorrente , o paulista Caio Costa.

“Acho que eu não queria saber disso (risos)”, disse Lucas Silveira. “Mas, não dá pra se enganar, porque o objetivo principal é a classificação para o Challenger. Eu imaginava que precisava ganhar o campeonato pra garantir, então vou manter esse pensamento de ir até a final. O negócio é continuar bateria por bateria, porque as outras foram bem tensas. Essa agora foi a primeira que fluiu um pouco melhor e a Praia Mole é incrível para campeonatos, porque é muito constante e estou amarradão por estar avançando. A previsão das ondas é boa pra amanhã e vai ser um dia decisivo para todos”.

Garantidos no Challenger – Das 10 vagas para o Challenger Series, disputadas nos rankings regionais da WSL South America, 6 já estão definidas e restam 2 na categoria masculina e 2 na feminina.

A lista dos confirmados começa pela nova campeã sul-americana, Tainá Hinckel, seguindo com os pernambucanos Ian Gouveia e Luel Felipe, o cearense Cauã Costa, o catarinense Heitor Mueller e o capixaba Rafael Teixeira. No momento, estão com suas vagas ameaçadas, os paulistas Edgard Groggia e Sophia Medina e os catarinenses Lucas Vicente e Laura Raupp.

A Prefeitura de Florianópolis apresenta o Layback Pro na Praia Mole, uma realização da Agência Esporte & Arte (AEA) e Swell Eventos. A etapa do QS 3000 masculina e feminina, é licenciada pela WSL Latin America para a Layback Park fechar a temporada 2023/2024 com patrocínio da TVBShorts, Corona, Oakberry e Real Estruturas; apoio da Evoke, D´Vicz Sorvetes, MB Marketing e Eventos, Federação Catarinense de Surf (FECASURF) e Associação de Surf da Praia Mole (ASPM); parceria de mídia do site Waves.com.br e produção da FIRMA na transmissão ao vivo pelo WorldSurfLeague.com.

Quartas de final do Layback Pro
Masculino – 5.o lugar com 1.423 pontos:

1.a: Michael Rodrigues (BRA) x José Francisco (BRA)
2.a: Heitor Mueller (BRA) x Igor Moraes (BRA)
3.a: Lucas Silveira (BRA) x Caio Costa (BRA)
4.a: Mateus Herdy (BRA) x Lukas Camargo (BRA)
Feminino – 5.o lugar com 1.423 pontos:
1.a: Daniella Rosas (PER) x Yanca Costa (BRA)
2.a: Tainá Hinckel (BRA) x Isabelle Nalu (BRA)
3.a: Laura Raupp (BRA) x Juliana dos Santos (BRA)
4.a: Arena Rodriguez Vargas (PER) x Alexia Monteiro (BRA)

Segunda Fase Feminino – 1.a e 2.a passam para as quartas de final:———-3.a=9.o lugar (945 pontos) e 4.a=13.o lugar (796 pts)

1.a: 1-Yanca Costa (BRA), 2-Tainá Hinckel (BRA), 3-Vera Jarisz (ARG), 4-Gabriely Vasque (BRA)
2.a: 1-Isabelle Nalu (BRA), 2-Daniella Rosas (PER), 3-Kalea Gervasi (PER), 4-Julia Duarte (BRA)
3.a: 1-Juliana dos Santos (BRA), 2-Alexia Monteiro (BRA), 3-Luara Mandelli (BRA), 4-Dominic Barona (ECU)
4.a: 1-Arena Rodriguez Vargas (PER), 2-Laura Raupp (BRA), 3-Sophia Medina (BRA), 4-Melanie Giunta (PER)

Terceira fase Masculino – 3.o=17.o lugar (480 pts) e 4.o=25.o lugar (400 pts):
1.a: 1-Igor Moraes (BRA), 2-José Francisco (BRA), 3-Fernando Junior (BRA), 4-Santiago Muniz (ARG)
2.a: 1-Rodrigo Saldanha (BRA), 2-Felipe Oliveira (BRA), 3-Alex Ribeiro (BRA), 4-Alejo Muniz (BRA)
3.a: 1-Heitor Mueller (BRA), 2-Daniel Adisaka (BRA), 3-Kayki Araujo (BRA), 4-Lucas Vicente (BRA)
4.a: 1-Matheus Navarro (BRA), 2-Michael Rodrigues (BRA), 3-Ryan Kainalo (BRA), 4-Messias Felix (BRA)
5.a: 1-Valentin Neves (BRA), 2-Adriano de Souza (BRA), 3-Luel Felipe (BRA), 4-Gabriel Klaussner (BRA)
6.a: 1-Lukas Camargo (BRA), 2-Thiago Camarão (BRA), 3-Marcos Correa (BRA), 4-Gustavo Henrique (BRA)
7.a: 1-Caio Costa (BRA), 2-Uriel Sposaro (BRA), 3-Wallace Vasco (BRA), 4-Anderson da Silva (BRA)
8.a: 1-Mateus Herdy (BRA), 2-Lucas Silveira (BRA), 3-Roberto Araki (CHL), 4-Eric Bahia (BRA)
Quarta fase Masculino – 1.o e 2.o passam para as quartas de final:
———-3.o=9.o lugar (945 pontos) e 4.o=13.o lugar (796 pts)
1.a: 1-Michael Rodrigues (BRA), 2-Igor Moraes (BRA), 3-Rodrigo Saldanha (BRA), 4-Daniel Adisaka (BRA)
2.a: 1-Heitor Mueller (BRA), 2-José Francisco (BRA), 3-Matheus Navarro (BRA), 4-Felipe Oliveira (BRA)
3.a: 1-Lucas Silveira (BRA), 2-Lukas Camargo (BRA), 3-Valentin Neves (BRA), 4-Uriel Sposaro (BRA)
4.a: 1-Mateus Herdy (BRA), 2-Caio Costa (BRA), 3-Adriano de Souza (BRA), 4-Thiago Camarão (BRA)

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.