Estadual do Rio

Buzianos festejam na Prainha

Surfistas de Búzios, Aysha Ratto e Sunny Pires são campeões profissionais do Rio. Prainha Surf Pro/Am 2024 decide títulos de 13 categorias.
Prainha Surf Pro/Am 2024, Rio de Janeiro

O Prainha Surf Pro/Am 2024 reuniu a nata do surfe carioca em 3 dias de disputas que decidiram os títulos estaduais de 13 categorias. Atletas de outros estados e até de outro país também marcaram presenta no santuário do esporte que funcionou com ondas de até 1 metro na quinta (19) e na sexta (20), e de 0,5 metro no sábado (21).

A quinta foi toda dos surfistas profissionais e ao final do dia foram conhecidos os semifinalistas. As esquerdas foram o principal caminho das vitórias no dia, porém a escolha era fundamental, já que muitas não ofereciam partes críticas. As maiores marcas do dia foram conquistadas na categoria Profissional Feminino. Sarah Ozório anotou 8.00 na melhor apresentação da quinta-feira e venceu pela primeira fase com o somatório de 13.75 pontos.

O destaque entre os homens foi Weslley Dantas. O ubatubense, campeão da última etapa da divisão de elite nacional no início de dezembro, realizada em São Conrado, venceu pelos Rounds 2 e 3 do Prainha Surf Pro/Am 2024 e avançou em segundo lugar na primeira fase. Weslley conquistou as maiores marcas da categoria na quinta-feira na bateria que valeu vaga na semifinal, somatório 13.40 e nota 7.40 pontos.

Na sexta-feira foram conhecidos os campeões estaduais da temporada e do Prainha Surf Pro/Am 2024 nas categorias Profissional, Sub 18 e Sub 16. Atual campeã profissional do Rio, Tais Almeida venceu pela semifinal e avançou junto com Aysha Ratto (2ª). Sarah Ozório venceu a segunda semifinal e Paloma Olivero também conquistou vaga na decisão ao ficar em segundo lugar na bateria.

Aysha não deu chances para as adversárias na final. A buziana marcou as duas maiores notas da decisão (7.65 e 6.50) e deixou Sarah Ozório em segundo lugar, Tais Almeida em terceiro e Paloma Olivero na terceira posição.

Weslley Dantas venceu pela semi com uma nota 8.90 pontos, conquistada com um aéreo. Pedro Neves ficou em segundo e também foi pra decisão. Na outra bateria da fase deu Sunny Pires (1º) e o colombiano Romeo Chaves (2º). A final foi equilibrada e o resultado saiu depois do apito final, já com os atletas na areia. Depois de momentos de ansiedade, Weslley Dantas comemorou a vitória, a sua primeira na Prainha.

Sunny Pires também teve motivos pra comemorar. Com o vice no Prainha Surf Pro /Am 2024 ele tornou-se campeão estadual, o primeiro do atleta de Búzios. Pedro Neves (3º) e Romeo Chaves (4º) completaram o pódio.


Sub 18 Masculino – Campeão na etapa de Cabo Frio, Fabricio de Jesus era o cara a ser superado na Sub 18 Masculino. Ele fez boa estreia e venceu com o somatório que acabou sendo o maior da categoria (12.75), porém ficou em último na semi e viu seus adversários na luta pelo título avançarem para a final. Um deles era Nathan Hereda que avançou junto com Pablo Gabriel nas duas fases iniciais, sempre em segundo lugar. Porém na final Nathan inverteu as ordens, deixou Pablo em segundo e comemorou o título do Prainha Surf Pro/Am e do estadual. Rafael Lutfy (3º) e Fred Siqueira (4º) também foram para o pódio.


Sub 18 Feminino – Sarah Ozório chegou em primeiro lugar no ranking da categoria Sub 18 Feminino após vence a etapa de Cabo Frio. Ela chegou bem na decisão, terminou em quarto lugar e conquistou pontos suficientes para ficar com o título estadual. A campeã do Prainha Surf Pro/Am foi Leticia Calleia. Lanay Thompson foi a vice-campeã, seguida de Paloma Olivero (3ª).


Sub 16 Masculino – Número 1 do ranking, Pablo Gabriel chegou com tudo na Sub 16 Masculino. Ele chegou na decisão tendo o maior somatório da categoria (14.25), mas não se deu bem na final, terminou em quarto lugar e viu Nathan Hereda vencer e ficar com o troféu de campeão do Prainha Surf Pro/Am 2024 e do estadual. João Victor Coutinho (2º) e Phellype Silva (3º) também subiram no pódio.


Sub 16 Feminino – A catarinense que atualmente vive no Rio, Nalu Demski, chegou no Prainha Surf Pro/Am 2024 como líder do ranking. A segunda colocada, Sofia Tinoco, caiu na semi e facilitou seu caminho, porém na final a catarinense ficou terceiro lugar e viu Lanay Thompson vencer e ficar com o troféu de campeã estadual. Leticia Calleia foi a vice-campeã da etapa e Eloah de Souza terminou em quarto lugar. Nalu ficou em segundo lugar no ranking.

As disputas das categorias Sub 14, Sub 12, Grand-Master e Longboard foram realizadas no sábado, que teve ondas de 0,5 metro. As direitas estavam pequenas, mas longas e com boas paredes para manobras.

Sub 14 Masculino – Phellype Silva não deu chances pra ninguém na Sub 14 Masculino. O surfista venceu em Cabo Frio e também na cidade do Rio. No Prainha Surf Pro/Am 2024 ele fez as maiores marcas e faturou a etapa e o troféu de campeão estadual. O catarinense Cauã Demski (2º), Cauã Diniz (3º) e João Peixoto (4º) completaram o pódio.


Sub 14 Feminino – Assim como Phellype, Lanay Thompson também venceu no Rio e em Cabo Frio e é campeã estadual. Ela deixou Eloah de Souza em segundo lugar, mesmo resultado da prova da Região dos Lagos. As paulistas Julia Stefani (3ª) e Eduarda Stefani (4ª) também foram finalistas do Prainha Surf Pro/Am 2024.


Sub 12 Masculino – O líder da Sub 12 Masculino caiu na semifinal da etapa da Prainha, mas ainda assim ficou com o título estadual. Na etapa do Rio o campeão foi o capixaba Kaleb Henrique. Em segundo ficou Thomaz Monteiro, seguido de Lui da Matta (3º) e de Jhimy Costa (4º).


Sub 12 Feminino – A campeã estadual da Sub 12 Feminino é Ana Clara Pinheiro. Ela ficou em segundo lugar no Prainha Surf Pro/Am 2024 e garantiu o troféu de melhor da categoria na temporada. A vencedora no Rio foi Brenda Moura. Ana Oliveira (3ª) e Julia Maiseller (4ª) completaram a final do evento.


Grand Master – Angelino Santos foi o cara na Grand Master. O atleta fez os três maiores somatórios da categoria e faturou o título da etapa. Claudio Freitas terminou na segunda posição, Erik Petric na terceira e Cristiano Silva na quarta.


Longboard Masculino – Pedro Bento e Rodrigo de Souza travaram boa batalha na decisão da categoria Longboard Masculino. Pedro levou a melhor e deixou Rodrigo em segundo. Zezinho Sepetiba (3º) e Dede Viegas (4º) também foram para o pódio.


Longboard Feminino – Ayllar Cinti venceu com folgas a categoria Longboard Feminino. A surfistas deixou pra trás Daniele Siqueira (2ª), Kamila Tavares (3ª) e Cris Pires (4ª).

O Prainha Surf Pro/Am 2024 distribuiu R$ 30.000,00 para a categoria Profissional (metade para os homens e metade para as mulheres), além de Blocos Keahana e acessórios de surfe Organics para as demais categorias.

Premiação

Profissional: 15 mil reais para cada categoria

Sub-18 | Sub-16 | Sub-14 | Sub-12 | Longboard | Grand-Master: Blocos Keahana e acessórios de surfe Organics

Distribuição da premiação Profissional: 1º: R$ 5.000 | 2º: R$ 3.200 | 3º: R$ 2.100 | 4º: R$ 1.600 | 5º: R$ 900 | 5º: R$ 900 | 7º: R$ 650 | 7º: R$ 650

Apresentado pela Prefeitura do Rio através da Secretaria Municipal de Esportes – SMEL, o Prainha Surf Pro/AM 2024 é uma realização da Federação de Surfe do Estado do Rio de Janeiro (FESERJ) com suporte da Associação dos Surfistas e Amigos da Prainha (ASAP). O evento conta com o apoio da Monster Energy, Keahana, Layback, M2, e divulgação do Waves. Apoio institucional do Parque Natural Municipal da Prainha.

Prainha Surf Pro/AM 2024
Profissional Masculino

1 Weslley Dantas 12.40

2 Sunny Pires 11.35

3 Pedro Neves 8.90

4 Romeo Chaves (EQU) 8.60

Campeão Estadual: Sunny Pires
Profissional Feminino

1 Aysha Ratto 14.15

2 Sarah Ozório 8.80

3 Tais Almeida 6.75

4 Paloma Olivero 3.90

Campeã Estadual: Aysha Ratto
Sub 18 Masculino

1 Nathan Hereda 8.70

2 Pablo Gabriel 8.65

3 Rafael Lutfy 8.10

4 Fred Siqueira 7.75

Campeão Estadual: Nathan Hereda
Sub 18 Feminino

1 Leticia Calleia 8.85

2 Lanay Thompson 6.55

3 Paloma Olivero 5.15

4 Sarah Ozório 4.55

Campeã Estadual: Sarah Ozório
Sub 16 Masculino

1 Nathan Hereda 12.00

2 João Victor Coutinho 8.05

3 Phellype Silva 6.80

4 Pablo Gabriel 4.65

Campeão Estadual: Nathan Hereda
Sub 16 Feminino

1 Lanay Thompson 8.00

2 Leticia Calleia 5.05

3 Nalu Demski (SC) 4.40

4 Eloah de Souza 3.90

Campeã Estadual: Lanay Thompson
Sub 14 Masculino

1 Phellype Silva 10.75

2 Cauã Demski (SC) 9.35

3 Cauã Diniz 6.00

4 João Peixoto 3.50

Campeão Estadual: Phellype Silva
Sub 14 Feminino

1 Lanay Thompson 11.50

2 Eloah de Souza 7.50

3 Julia Stefani (SP) 5.60

4 Eduarda Stefani (SP) 4.65

Campeã Estadual: Lanay Thompson
Sub 12 Masculino

1 Kaleb Henrique (ES) 14.75

2 Thomaz Monteiro 10.90

3 Lui da Matta 5.40

4 Jhimy Costa 5.00

Campeão Estadual: Chico Toledo
Sub 12 Feminino

1 Brenda Moura 5.23

2 Ana Clara Pinheiro 4.65

3 Ana Oliveira Freire 2.25

4 Julia Maiseller 1.85

Campeã Estadual: Ana Clara Pinheiro
Longboard Masculino

1 Pedro Bento 10.00

2 Rodrigo de Souza 8.50

3 Zezinho Sepetiba 4.10

4 Dede Viegas 2.55

Campeão Estadual: Pedro Bento
Longboard Feminino

1 Ayllar Cinti 9.00

2 Daniele Siqueira 3.90

3 Kamila Tavares 3.25

4 Cris Pires 2.60

Campeã Estadual: Ayllar Cinti
Grand Master

1 Angelino Santos 10.10

2 Claudio Freitas 10.00

3 Erik Petric 7.40

4 Cristiano Silva 5.65

Campeão Estadual: Angelino Santos
Evento: Prainha Surf Pro/AM 2024
(etapa carioca do Circuito Estadual de Surf do Rio de Janeiro 2024)

Data: entre 19 e 21 de dezembro de 2024

Local: Prainha (Zona Oeste do Rio de Janeiro)

Patrocínio Master: Prefeitura do Rio através da Secretaria Municipal de Esportes – SMEL

Apoio: Monster Energy | Keahana | Layback | M2

Realização: Federação de Surfe do Estado do Rio de Janeiro (FESERJ)

Suporte: Associação dos Surfistas e Amigos da Prainha (ASAP)

Apoio de Mídia: Waves

Apoio Institucional: Parque Natural Municipal da Prainha

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.