Yago Dora está a uma bateria do título mundial, um sonho para o atleta e seu pai que caminharam juntos durante vários anos pelos circuitos até o atleta chegar e brigar na elite frente a frente com os melhores do CT. Como progenitor e também técnico, Leandro “Grilo” bateu na trave duas vezes para entrar no WSL Finals, e só viu o filho chegar na decisão da temporada pouco mais de um ano após passar o bastão de coach para Leandro da Silva. A performance melhorou ou o distanciamento familiar foi o que ajustou o percurso do atleta?
Técnico de Yago desde a etapa de El Salvador de 2024, realizada no mês de junho nas ondas de Punta Roca, Leandro da Silva é muito próximo dos dois. Ele foi formado em um projeto pessoal de Grilo, o AprimoreSurf, que treina surfistas amadores e profissionais com um método próprio. Antes da troca, Yago terminou em sétimo lugar no ranking em 2023. No ano seguinte, quando os dois Leandros atuaram em parte diferentes do ano, Yago terminou a temporada a uma posição de participar do Finals 5.
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“O ano passado foi um ano dessa transição pra mim, em que eu comecei a tomar algumas decisões, fazer algumas mudanças na minha carreira, de começar a assumir mais as rédeas mesmo da minha carreira. Sempre fiquei muito sob a tutela do meu pai, e a gente conquistou muita coisa juntos, mas agora, com 29 anos, já um adulto, senti essa necessidade de tomar as rédeas, de eu ser o responsável pelo meu futuro e assumir a responsabilidade pelas minhas coisas. Sinto que isso foi muito bom pra mim”, contou Yago pouco antes de vestir a lycra amarela de líder do ranking no Tahiti Pro 2025.
“Foi um processo difícil para ambos, tanto para mim, para tomar a decisão, quanto para ele, de aceitar isso e conseguir enxergar que poderia ser algo positivo para mim e para minha carreira. Tenho uma gratidão enorme pelo meu pai e por tudo que ele fez e ainda faz por mim. Ele segue junto com a gente, né? Agora com outro papel, de pai mesmo, de estar ali assistindo, torcendo junto e estando ali também para o que eu precisar. Mas eu sinto que tem sido muito bom fazer esse trabalho separado com o Leandro da Silva”, complementou o cara a ser batida no WSL Finals 2025.
“Eu acho que a gente pode falar de várias coisas, mas eu não conheço o trabalho deles na parte técnica, de fato. Conheço os pensamentos do Leandro da Silva. Ele é um cara que compartilha algumas coisas comigo, a gente é camarada e colega de profissão. Nós nos conhecemos no ano passado em El Salvador e surfamos juntos. Tivemos dias bons para trocar ideias, e foi assim que me aproximei um pouco mais do Yago. Já o conheço há muitos anos, mas esse tempo no Tour com o Yago e o Grilo (Leandro Dora) fez com que eu me aproximasse mais dele e do próprio Grilo”, contou Pedro Robalinho, coach brasileiro que trabalhou com grandes nomes do surfe nacional, como a atleta duas vezes vice-campeã mundial Silvana Lima (2008 e 2009) e Leo Neves, que fez parte da elite. Robalinho, que vive em Maui, levou o surfista da ilha havaiana Imaikalani deVault até o CT e ficaram juntos até o início deste ano. Foi nesse período que ficou mais próximo da família Dora.
“O que eu sei é que a relação de trabalho do Yago com o pai já estava ficando desgastada. Acredito que o Yago estava querendo uma atenção especial só para ele, e as disputas diretas com o Jack devem ter uma influência nisso também. Acho que esse talvez seja até o ponto principal, e a mudança se fez necessária”, contou Robalinho. “Acredito que houve um acordo geral e está todo mundo bem com isso. Acho que essa energia positiva em torno da mudança, por mais que tenha gerado alguns sentimentos como pai e filho, atleta e treinador, é importante. Como profissional, você tem que ceder um atleta, mesmo que seja seu filho, que trabalhou tanto tempo e produziu tanto, para outro coach. Tudo isso gera alguns tipos de sentimentos, mas o resultado final é importante para o Yago, e é o que ele quer”.
Grilo saiu, mas a sua influência segue fazendo parte. “Pensando no lado do Grilo, também há uma influência ali. Yago continua sendo seu filho e seu atleta de alguma maneira, pois Leandro da Silva foi formado na AprimoreSurf. É mais uma prova de que a mudança ficou dentro do mesmo grupo de trabalho”. Mesmo assim, Robalinho notou mudanças. “Sim, senti mudanças, mas acho que a principal foi a confiança que o Yago ganhou por ter um treinador só dele, que não é mais seu pai. Não é mais aquele cara que, desde pequeno, te ensinou a escovar os dentes, a cuidar da cama, a se alimentar direito… tudo isso ao longo de muitos anos. É uma relação difícil de se ter. Na maioria das vezes, os pais acabam entregando o filho para outro técnico em algum momento, e acho que esse momento chegou para o Yago”.
Para Robalinho, a chave mental foi virada e rendeu resultados. “Vejo que as partes psicológicas e de confiança ganharam um impulso enorme. Essa separação, do Yago sair um pouco da equipe do pai e de ter toda a luz sobre ele, sem ter que dividir o espaço com outros, deu um ganho gigantesco para ele. Dentro das ambições dele como atleta e do coach Leandro da Silva como treinador, eles uniram essa energia, e o foco deu nisso. Estarem em primeiro no ranking para mim já é como se fossem campeões mundiais, e agora eles estão brigando para confirmar isso neste último dia, que deve ser na próxima terça”, fechou o coach brasileiro.
WSL Finals 2025 – O WSL Finals 2025 reúne, em Fiji, os cinco melhores homens e as cinco melhores mulheres do ranking para disputarem os títulos mundiais do masculino e do feminino. De acordo com a previsão, as baterias devem ser realizadas na próxima terça-feira (2) no arquipélago do Pacífico Sul, segunda (1) no Brasil devido ao fuso horário.
Transmissão ao vivo – Todas as etapas do WSL Championship Tour são transmitidas ao vivo no Sportv e Globoplay. As disputas também podem ser vistas pelo WorldSurfLeague.com e pelo Aplicativo, além do Canal da WSL no YouTube.















