Rip Curl WSL Finals

Medina é tricampeão mundial

Gabriel Medina vence Filipe Toledo duas vezes no Rip Curl WSL Finals e garante terceiro título mundial em Trestles, Califórnia (EUA).

0
Gabriel Medina é tricampeão mundial.

Gabriel Medina é tricampeão mundial. O brasileiro venceu as duas baterias decisivas do Rip Curl WSL Finals contra Filipe Toledo e garantiu o título. Em duelo de alto nível, Medina fez duas notas no critério excelente (9.03 e 8.50) contra uma do adversário (8.53), para vencer a segunda e decisiva bateria, pelo placar de 17.53 a 16.36 pontos.

Clique aqui para ver a reportagem do feminino

Clique aqui para ver as fotos

Clique aqui para ver o vídeo

“Estou muito feliz. Consegui atingir minha maior meta e estou chorando agora porque é uma mistura de muitas emoções de uma vez só”, disse Gabriel Medina, ainda dentro d’água, após a segunda vitória sobre Filipe Toledo. “Foi um ano longo e estou muito feliz por estar fazendo parte de tudo isso. Os brasileiros estão dominando, indo muito bem e é uma sensação muito boa, difícil até de descrever, poder ajudar nessa evolução e eles sempre me incentivam a melhorar cada vez mais também”.

 

Ver essa foto no Instagram

 

Uma publicação compartilhada por World Surf League (@wsl)

Gabriel Medina entrou no seleto grupo de agora seis surfistas que conquistaram três títulos mundiais, mas é o primeiro goofy-footer (que usa o pé direito à frente da prancha) a conseguir isso. Todos os outros surfam com o pé esquerdo à frente da prancha, o onze vezes campeão mundial Kelly Slater, o tetracampeão Mark Richards e os tricampeões Tom Curren, Andy Irons (in memoriam) e Mick Fanning. Medina foi o primeiro brasileiro a ser campeão mundial em 2014, ganhou seu segundo título em 2018 e o terceiro sacramentou o pentacampeonato do Brasil. Adriano de Souza também foi o melhor do mundo em 2015 e Italo Ferreira em 2019.

“Estou muito feliz. Não é todo dia que você atinge sua meta, o seu sonho que parece ser impossível, até você conseguir”, disse Gabriel Medina, após ser carregado pela torcida que lotou a praia de Trestles. “É um dia muito especial para mim e toda glória para Deus, que sempre me fez trabalhar forte e nunca desistir. Eu não falo muito bem, então tento deixar meu surfe falar por mim. Hoje foi um dia histórico na minha vida e vou poder contar para meu filho, quando tiver, que precisa surfar e se dedicar muito para ganhar um título”.

Gabriel Medina realiza o sonho de ser tricampeão mundial de surfe.

Gabriel Medina falou um pouco sobre este novo formato para definir o campeão mundial, que a World Surf League inaugurou no Rip Curl WSL Finals: “Eu acho que a parte mental foi a mais difícil. Quando você fica na frente dos outros no ranking, acha que já deveria ter ganhado o título, mas vim aqui para surfar e se tiver que surfar mais para ganhar, eu vou surfar. Eu trabalhei forte antes de vir para cá e se tivesse que surfar seis baterias, eu estaria pronto para isso. É incrível ganhar o primeiro título disputado assim, especialmente com o Filipe (Toledo), que para mim é o melhor surfista nestas ondas de Trestles”.

“Ele (Filipe) me deu os parabéns lá dentro e fora d´água também e a verdade é que sempre há muito respeito entre todos nós. Algumas pessoas pensam que somos rivais e até pode ser dentro d´água, mas eu respeito todo mundo. O Filipe, o Italo e todos que estão no Tour, são bons o suficiente para vencer também e eu aprendi que tem que respeitar a todos. A gente viaja pelo mundo inteiro e, mentalmente e emocionalmente, isso é muito difícil, então a gente se apoia com amor e amizade entre nós”, disse o tricampeão mundial.

Gabriel Medina e Carissa Moore festejam em Trestles.

Medina chegou ao Rip Curl WSL Finals como líder do ranking, após fazer cinco finais e vencer duas das sete etapas realizadas na temporada 2021. Com essa posição, ele esperou as primeiras baterias do WSL Finals para conhecer seu adversário na luta pelo título. Filipe Toledo superou Conner Coffin e Italo Ferreira e teve a chance de ser o novo campeão mundial, mas um dos dois deveria vencer duas baterias na melhor de três.

Na primeira, o número 19 foi marcante. Filipe escolheu uma esquerda para começar, mas errou a primeira manobra. Gabriel foi numa direita e, sem manobras expressivas, largou com 5.00 pontos. Aos cinco minutos de duelo Filipinho acelerou. Ele começou com uma rasgada, executou um cutback, rasgou forte na borda e fez um layback potente para fechar a apresentação. A nota foi 7.00 pontos.

Filipe Toledo rasga forte a parede aberta de Tresltes.

Rolou um momento sem ação, até que Filipe errou mais uma vez, e Medina assumiu a liderança com 7.30 pontos numa direita. Filipinho passou a precisar de 5.31 e a bateria chegou aos 19 minutos. Ele pegou outra esquerda, faz quatro fortes manobras e vibrou. Na onda de trás, outra esquerda, Medina fez três manobras, a última um aéreo muito alto, completado com segurança.

Filipe arrancou 8.33 pontos e assumiu a liderança, mas de forma provisória, pois Medina anotou 9.00 e foi para a primeira posição, de onde não saiu mais. Ele ainda tentou a virada numa direita boa, mas se atrapalhou num movimento e ficou com 7.37 quando precisava de 7.98.

 

Ver essa foto no Instagram

 

Uma publicação compartilhada por World Surf League (@wsl)

Perdendo de 1 x 0, Filipe começou a segunda bateria atacando uma direita com vontade, e mesmo sem completar o aéreo reverse que tentou no final, largou com 7.83 pontos. Medina surfou logo depois, e de backside anotou 6.33.

Aos seis minutos de disputa, Medina remou numa esquerda. Ele abriu com um aéreo reverse, seguido de um cutback, de uma rasgada forte e de outro aéreo reverse. A nota foi 8.50 pontos. Com a nota, Filipe passou a precisar de 7.01 para assumir a liderança, mas passou a errar quase tudo que tentava. Na sequência, Medina tentou um aéreo muito alto, mas caiu na aterrissagem.

Gabriel Medina decola alto rumo ao alto do pódio.

Quando a bateria foi reiniciada, após um tubarão aparecer no line up, Medina acertou um back flip numa esquerda, e ainda executou mais duas rasgadas e uma batida. A nota 9.03 o deixou muito à frente do adversário, porém Filipinho queria voltar para o jogo.

Quando restavam 13 minutos para o fim, Filipe destruiu uma direita e anotou 8.53, mas a distância ainda era grande (9.70) e não deu pra ele. Final de disputa, Gabriel 17.53 a 13.36 pontos.

Caminho de Filipe – O trajeto de Filipe até as baterias contra Medina começou com um susto, e dos grandes. O brasileiro competiu no segundo duelo masculino do Rip Curl WSL Finals e perdia a bateria até os três minutos finais, quando conseguiu a virada.

Conner Coffin começou a disputa com uma excelente escolha de onda. O norte-americano destruiu uma direita longa e anotou 8.50 pontos. Logo depois Conner fez 3.83 e aumentou a distância para Filipe. O brasileiro só surfou uma onda após 18 minutos de bateria. Mas ele escolheu muito bem, e com três fortes manobras numa direita da série, sendo duas rasgadas na pressão e uma batida forte na junção, voltou para a briga com 8.40.

Conner Coffin dá trabalho, mas acaba eliminado.

O tempo passava e nada do brasileiro surfar. Ele precisava de 4.61 pontos e viu o norte-americano aumentar a distância com uma esquerda bem surfada, que valeu 5.83. Porém quando restavam três minutos para o término, Filipe pegou uma direita de tamanho médio para o dia, um pouco espumada, mas rasgou forte duas vezes e voou com rotação no final para arrancar 8.17 dos juízes e vencer.

Filipe x Italo – Depois a briga foi brazuca. Filipinho foi pra cima de Italo Ferreira e fez estrago nas direitas de Trestles. Com um surfe rápido, fluído e forte, com um repertório de manobras variadas, Filipe não deu chances para o conterrâneo. Ele fez as duas maiores notas do confronto, 8.50 e 7.47 pontos, e ainda descartou 7.33 e 7.07 para vencer pelo placar de 15.97 a 12.44.

Assim como Filipe, Italo também surfou quatro ondas. Na melhor, uma direita, ele anotou 7.27 pontos. No final, precisando de 8.56 para vencer, acelerou de backside e voou muito alto, mas caiu na aterrissagem e se despediu da briga pelo título mundial.

Italo Ferreira tenta virada com voo alto, mas erra e perde para Filipe Toledo.

Conner x Morgan – Antes de tudo isso, Conner enfrentou o australiano Morgan Cibilic na primeira bateria masculina do Rip Curl WSL Finals. O norte-americano iniciou o duelo com três boas rasgadas, além de uma batida na junção de uma direita. A nota foi 7.83 pontos.

Morgan não foi bem nas duas primeiras tentativas, mas perto do meio da bateria surfou uma boa direita. O australiano fez quatro manobras, entre rasgadas e batida na junção, e anotou 6.17.

Morgan Cibilic cai na primeira batalha masculina do Rip Curl WSL Finals.

Os dois seguiram ativos, mas sem encontrar ondas com potencial, até que quando restavam sete minutos para o fim, o norte-americano remou numa boa direita. Com duas fortes rasgadas e mais uma batida na junção, garantiu mais 7.17 pontos e disparou na frente.

Morgan passou a precisar de 8.83 pontos e segurou a prioridade, porém não teve mais chances e deu adeus ao Rip Curl WSL Finals. Conner avançou e agora enfrenta Filipe Toledo.

Resultados do Rip Curl WSL Finals

Masculino

Bateria 1

Conner Coffin (EUA) 15.00 x 9.84 Morgan Cibilic (AUS)

Bateria 2

Filipe Toledo (BRA) 16.57 x 14.33 Conner Coffin (EUA)

Bateria 3

Filipe Toledo (BRA) 15.97 x 12.44 Italo Ferreira (BRA)

Bateria 4

Gabriel Medina (BRA) 16.30 x 15.70 Filipe Toledo (BRA)

Bateria 5

Gabriel Medina (BRA) 17.53 x 16.36 Filipe Toledo (BRA)

Feminino

Bateria 1

Johanne Defay (FRA) 12.17 x 6.70 Stephanie Gilmore (AUS)

Bateria 2

Sally Fitzgibbons (AUS) 11.33 x 6.86 Johanne Defay (FRA)

Bateria 3

Tatiana Weston-Webb (BRA) 13.17 x 11.73 Sally Fitzgibbons (AUS)

Bateria 4

Tatiana Weston-Webb (BRA) 15.20 x 14.06 Carissa Moore (HAV)

Bateria 5

Carissa Moore (HAV) 17.26 x 15.60 Tatiana Weston-Webb (BRA)

Bateria 6

Carissa Moore (HAV) 16.60 x 14.20 Tatiana Weston-Webb (BRA)