Margaret River Pro 2024

Tati avança às oitavas

Tatiana Weston-Webb fica em segundo lugar na sexta bateria da primeira fase feminina e avança às oitavas de final do Margaret River Pro 2024. Luana Silva está na repescagem.
Margaret River Pro 2024, Main Break, Austrália

O Brasil já está garantido nas oitavas de final do Margaret River Pro 2024. Tatiana Weston-Webb fechou a primeira fase feminina em segundo lugar e evitou a repescagem nesta quinta-feira (11/4) de ondas demoradas com cerca de 1 metro no pico australiano do Main Break. Luana Silva não teve a mesma sorte e enfrentará o primeiro round eliminatório da prova. WSL pretendia realizar também a primeira fase masculina, porém mudou os planos após reavaliar as condições para o surfe durante os duelos das mulheres.

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Brisa Hennessy começou melhor a sexta disputa do Margaret River Pro 2024. A costa-riquenha anotou 4.17 contra 3.67 da australiana Isabella Nichols e 0.60 de Tati. A aussie e a brasileira voltaram a surfar aos 13 minutos. Tati executou um batida e caiu quando tentou mais uma pancada. Isabella acertou um snap, depois fez um cutback e uma batida. A australiana assumiu a liderança com 6.67 e a brazuca ficou em segundo lugar com a nota 3.77 pontos. Brisa seguia com apenas uma onda surfada.

A surfista da Costa Rica reagiu na metade do duelo de 35 minutos. Brisa entrou numa direita intermediária, executou duas rasgadas e atacou uma junção espumada. Ela colocou mais 4.43 pontos no somatório, subiu para a o segundo lugar e jogou a brasileira para a última posição. Tati passou a precisar de 4.83 para evitar a repescagem.

A brasileira ficou com a prioridade até os 29 minutos quando surfou uma direita. Tati acertou uma batida e duas rasgadas antes de cair na tentativa de outra pancada. A atuação valeu 5.33 pontos e ela assumiu o segundo lugar. Brisa ficou com a prioridade e 4 minutos para marcar 4.68 e avançar na etapa, porém nenhuma série apareceu e ela caiu para a repescagem. Tati ainda achou uma direita pequena no minuto final, bateu duas vezes e colocou mais 4.23 no somatório para confirmar a vaga.


Luana na repescagem – O Margaret River Pro 2024 não começou bem para o Brasil. Luana Silva participou do primeiro confronto da etapa, ficou em último lugar e caiu para a repescagem. A australiana Molly Picklum venceu e avançou com Alyssa Spencer, surfista dos Estados Unidos que ficou na segunda posição.

Molly fez a melhor apresentação da primeira metade da bateria. Depois de cair da primeira para a última posição aos 11 minutos, a australiana reagiu aos 15 com duas manobras que valeram 6.50 pontos. Alyssa estava em segundo lugar. A norte-americana executou uma rasgada e uma batida vertical para anotar 6.33 pontos. Luana estava na última posição tendo como melhor nota 4.17, conquistada também com duas manobras. Ela precisava de 4.67 para evitar a repescagem.

A australiana aumentou um pouco a diferença para as adversárias com uma esquerda que valeu 4.83 pontos. Aos 21 minutos Alyssa e Luana entraram em ação. A norte-americana usou a prioridade e fez três ataques para garantir mais 4.33 pontos. A brasileira rasgou duas vezes, anotou 4.50 e passou a precisar de 6.17 para avançar na etapa. O tempo passou, nenhuma outra onda foi surfada e a brasileira caiu para a repescagem.

Vice-líder na repescagem – A atual vice-líder do ranking, vencedora da última etapa do CT, caiu para a repescagem. Johanne Defay chegou no último terço do duelo em segundo lugar, quando tomou uma virada da australiana Sophie McCulloch. A francesa precisava de 4.61 para vencer e chegou perto com 4.57 pontos, mas não conseguiu reverter a situação. A norte-americana Lakey Peterson venceu a disputa.

Líder nas oitavas – A terceira bateria teve um total de 50 minutos e apenas sete ondas surfadas. As norte-americanas Caitlin Simmers e Sawyer Lindblad, além da australiana Bronte Macaulay ficaram 15 minutos sem atuar e o duelo foi reiniciado. Na sequência elas ficaram mais 14 minutos sem surfar, até que a atual líder do ranking, Cailtin, abriu o duelo com rasgadas de frontside que valeram 6.00 pontos. A norte-americana ainda colocou mais 5.57 no somatório e venceu. Sawyer conquistou a maior nota do duelo, 7.00 pontos, e avançou em segundo lugar. Bronte ficou em último ao marcar 6.73 quando precisava de 6.77 para avançar. Ela terá outra chance na repescagem.


Próxima chamada e previsão das ondas – A próxima chamada para o Margaret River Pro 2024 acontece nesta quinta-feira (11), às 20h15 (de Brasília). A previsão indica ondas um pouco menores para os próximos três dias no Oeste da Austrália. As séries não devem passar de 1 metro. Para a manhã de segunda-feira (15) no país da Oceania, noite de domingo (14) no Brasil devido ao fuso horário, são esperadas direitas e esquerdas um pouco maiores, que podem chegar a 1,5 metro.

Margaret River Pro 2024
Round 1 Feminino

1 Molly Picklum (AUS) 11.33 x Alyssa Spencer (EUA) 10.66 x Luana Silva (BRA) 8.67

2 Lakey Peterson (EUA) 10.73 x Sophie McCulloch (AUS) 9.60 x Johanne Defay (FRA) 9.57

3 Caitlin Simmers (EUA)11.57 x Sawyer Lindblad (EUA) 11.00 x Bronte Macaulay (AUS) 10.96

4 Gabriela Bryan (HAV) 10.90 x Caroline Marks (EUA) 10.67 x India Robinson (AUS) 10.37

5 Bettylou Sakura Johnson (HAV) 12.33 x Tyler Wright (AUS) 11.83 x Sally Fitzgibbons (AUS) 11.57

6 Isabella Nichols (AUS) 10.34 x Tatiana Weston-Webb (BRA) 9.56 x Brisa Hennessy (CRI) 8.60

Repescagem

1 Johanne Defay (FRA) x Sally Fitzgibbons (AUS) x Bronte Macaulay (AUS)

2 Brisa Hennessy (CRI) x Luana Silva (BRA) x India Robinson (AUS)

Round 1 Masculino

1 Barron Mamiya (HAV) x Imaikalani deVault (HAV) x Eli Hanneman (HAV)

2 Jack Robinson (AUS) x Gabriel Medina (BRA) x Deivid Silva (BRA)

3 Jake Marshall (EUA) x Ramzi Boukhiam (MAR) x Kelly Slater (EUA)

4 John John Florence (HAV) x Ian Gentil (HAV) x George Pittar (AUS)

5 Ethan Ewing (AUS) x Kade Matson (EUA) x Reef Heazlewood (AUS)

6 Griffin Colapinto (EUA) x Seth Moniz (HAV) x Otis North (AUS)

7 Kanoa Igarashi (JAP) x Italo Ferreira (BRA) x Callum Robson (AUS)

8 Cole Houshmand (EUA) x Ryan Callinan (AUS) x Caio Ibelli (BRA)

9 Crosby Colapinto (EUA) x Yago Dora (BRA) x Frederico Morais (POR)

10 Jordy Smith (AFR) x Matthew McGillivray (AFR) x Jacob Willcox (AUS)

11 Rio Waida (IDN) x Connor O’Leary (AUS) x Samuel Pupo (BRA)

12 Liam O’Brien (AUS) x Leonardo Fioravanti (ITA) x Miguel Pupo (BRA)

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

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