Margaret River Pro

Bombas no Main Break

Margaret River Pro começa com ondas acima dos 3 metros no Main Break e sete brasileiros avançam na prova, que acontece no oeste da Austrália.

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Filipe Toledo é um dos sete brasileiros já garantidos na terceira fase do Margaret River Pro.

A previsão se confirmou e as bombas explodiram no Main Break, pico australiano sede do Margaret River Pro, quarta etapa do Tour 2021 da elite. Sete brasileiros avançaram, mas foram os gringos que deram show, entre eles o havaiano John John Florence, autor de uma nota 10, e o australiano Ryan Callinan, que arrancou 9.93 dos juízes.

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A primeira vitória brasileira veio com uma dobradinha. Peterson Crisanto e Filipe Toledo enfrentaram o australiano Connor O’Leary e a segunda bateria da prova teve apenas seis ondas surfadas nos 35 minutos de confronto.

Filipe abriu bem, com boas curvas e junção que valeram 5.67. Connor foi na sequência e conquistou um pouco menos (4.33) e Peterson só surfou quando restavam 13 minutos para o fim. O brazuca fez quatro manobras, sendo a primeira (rasgada) e a última (batida na junção) as melhores. A nota 6.33 o deixou na frente, porém com a última prioridade. Mas ninguém aproveitou as ondas que apareceram e o Peterson colocou mais 3.77 no somatório.

O tempo foi passando e quando faltavam dois minutos Connor, que tinha a prioridade, trabalhou numa direita e empurrou Filipinho pro terceiro lugar, mas o brasileiro ainda teve alguns segundos e pegou outra onda. Ele abriu com um forte layback, executou um cutback e uma rasgada, para colocar Peterson em segundo e Connor em terceiro.

“Aqui é West Oz e se a previsão é de ondas grandes, vai realmente ter ondas grandes de verdade”, disse Filipe Toledo. “Eu me senti preparado e até troquei de prancha por uma maior antes da bateria, que funcionou bem. Eu geralmente uso uma 5’9’’ ou 5’10’’, mas aqui surfei com uma 6’3’’ mais pesada, com rabeta bem fina. Me senti confortável com ela e só foi um pouco complicado identificar onde eu deveria me posicionar lá fora. Foi bem difícil, mas estou feliz pela vitória e pelo Peterson (Crisanto) também ter passado junto comigo”.

Peterson Crisanto avança em segundo lugar na bateria.

Na quarta bateria Jadson André foi pra água. Conhecido pela coragem, além da raça e da técnica, neste domingo o brasileiro mostrou tudo isso mais uma vez. O duelo aconteceu num momento que o mar estava bombando forte. Jadson completou uma direita da série logo no início e anotou 5.33 pontos. O sul-africano Jordy Smith e o australiano Reef Heazlewood também botaram pra baixo. Jordy foi construindo o placar e terminou na frente. Reef conquistou 5.00 numa única manobra embaixo do lip de uma direita grande e encostou no brasileiro.

Logo depois Jadson remou numa montanha d’água e caiu na base da onda. Um momento bizarro. Mas na sequência ele aumentou um pouco a diferença e deixou Reef na necessidade de 2.84. O aussie esperou até os dois minutos finais e usou a prioridade, mas conseguiu apenas uma rasgada sem expressão e uma vaca quando foi atacar o lip. A nota 2.10 não alterou as posições e o brasileiro avançou em segundo lugar, enquanto Reef foi para a repescagem.

Jadson André bota pra baixo nas bombas e avança para o round 3.

Duelo acirrado – Uma das baterias mais aguardadas da primeira fase do Margaret River Pro pegou fogo. Na quinta disputa masculina, Italo Ferreira encarou os australianos Jack Robinson e Jacob Wilcox, um dos convidados para o evento, que acabou roubando a cena.

Jacob começou bem (5.50), mas foi Italo que conquistou a primeira nota expressiva do duelo. Passados seis minutos, o brasileiro rasgou forte embaixo de um lip pesado e rasgou novamente colado na junção. A nota 7.83 deu a impressão de que ele teria mais tranquilidade, porém não foi isso que aconteceu.

Italo Ferreira abre duelo com nota quase excelente, mas perde primeira posição para convidado.

O brazuca até colocou mais 4.17 no somatório, porém Jack chegou junto com 7.00. Então Jacob começou a dar show. Primeiro acertou um drop difícil, rasgou com força e atacou a junção para anotar 6.97 e pular para a liderança. Italo correu pra tentar recuperar a primeira posição, mas Jacob, com uma abordagem de surfe hot dog nas ondas grandes, executou duas batidas potentes, arrancou 8.33 dos juízes e se firmou no topo.

Ameaçado por Jack, Italo fez outra direita e se distanciou um pouco com 5.93, mas o aussie chegou perto de tomar a segunda posição do brasileiro quando conseguiu 6.43 num momento que precisava de 6.77. Final de bateria e Jacob foi junto com Italo para a terceira fase, enquanto um dos surfistas apontados como candidatos ao título do evento, Jack, foi para a repescagem.

Convidado Jacob Willcox surpreende e vence bateria disputadíssima.

Medina com surfe sólido – A segunda vitória brasileira no dia veio com Gabriel Medina, logo após a estreia de Italo. O atual líder do ranking apresentou um surfe de linha, com um ataque radical nas ondas grandes do Main Break.

O bicampeão mundial começou com uma rasgada que valeu 4.00 pontos e depois melhorou com duas que valeram 6.50. Na sequência foi ainda melhor e colocou 7.43 no somatório para vencer a sexta bateria masculina da etapa.

 

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Assim como Medina, Adriano de Souza também garantiu vaga na terceira fase da competição. Mineirinho, que venceu essa prova em 2015, fez boas curvas nas direitas, mas ficou sempre sob ameaça do convidado local Cyrus Cox. O brasileiro ampliou um pouco a diferença perto do fim e confirmou o segundo lugar no duelo.

“Estou feliz em ter passado a bateria e acho que vi uma das maiores ondas numa bateria que eu já competi, hoje aqui”, disse o bicampeão mundial, Gabriel Medina. “Foi uma sensação diferente, porque o mar está bem grande e difícil, mas estou feliz com minha performance e espero continuar avançando. Independente da situação, quero fazer o meu melhor. Tem sido divertido aqui, tenho conhecido mais o lugar dessa vez e estou feliz em surfar mais essa onda”.

Gabriel Medina faz boa apresentação e vence na estreia.

Miguel também no round 3 – O domingo de disputas na Austrália terminou com mais um brasileiro garantindo vaga na terceira fase. Miguel Pupo foi bem seletivo e pegou apenas duas ondas, porém na primeira atacou as partes críticas de uma direita e fez outra boa curva próximo da junção para conquistar a maior nota do duelo (7.83).

O australiano Julian Wilson ficou muito ativo, chegou a trocar de prancha, e conseguiu ficar na frente, e o português Frederico Morais, assim como Miguel, só surfou duas direitas e terminou em terceiro precisando de 6.18 para tirar a vaga do brasileiro.

Miguel Pupo é paciente, conquista boa nota e pula para a fase 3.

Alex na repescagem – Alex Ribeiro não foi bem na estreia. O brasileiro até completou uma onda com três manobras de backside, mas nenhuma teve expressão e a nota foi baixa (3.67). Já seus adversários pegaram ondas maiores e rasgaram com pressão. O havaiano Seth Moniz venceu, enquanto o japonês Kanoa Igarashi avançou em segundo lugar com a maior nota do duelo (6.00). Alex terá uma nova chance na repescagem.

Alex Ribeiro ataca a junção, mas fica em terceiro no confronto.

Nota 10 – O primeiro dia do Margaret River Pro foi marcado pela primeira nota 10 conquistada na temporada masculina. John John Florence mostrou porque é considerado o grande favorito ao título da etapa e logo na estreia arrancou uma nota máxima com um tubo longo e uma junção atacada com fluidez, power e velocidade.

A bateria foi a terceira dos homens na competição, e pegou fogo com os três competidores partindo para o ataque nas ondas grandes, que já passavam dos 10 pés naquele momento. O francês Michel Bourez fez boas curvas, atacou cristas grossas e avançou em segundo lugar. O australiano Mikey Wright também botou pra baixo e tentou manobras fortes, porém terminou em último e vai pra repescagem.

John John Florence crava a borda na água e mostra porque é um dos favoritos para vencer a etapa.

Todos vacaram em ondas enormes. A queda do John John foi quando ele parecia querer encaixar no trilho de um tubo. Porém logo depois ele conseguiu isso e com maestria. O tricampeão da etapa dropou e botou pra dentro. A onda correu muito e ele desapareceu, mas saiu para delírio da galera na praia, que gritou alto. Ele ainda partiu pra junção e completou com facilidade. A nota foi 10, não unânime já que o juiz norte-americano da bateria deu 9.80. John John ainda teve tempo de rasgar com pressão e colocar mais 7.50 no somatório, que é o maior da prova até o momento, 17.50.

“Foi muito divertido e eu nem estava querendo ir naquela onda, porque parecia que ia fechar”, contou John John Florence, que venceu as duas últimas edições desta etapa de Margaret River em 2017 e 2019, além de uma etapa do QS em 2012. “Eu entrei nela pensando em fazer umas manobras, mas na última hora eu puxei para o tubo e ele continuou e continuou, abrindo todo o caminho até o fim. Foi um tubo realmente imprevisível aqui em Main Break, mas certamente existem alguns bons por aí, se você conseguir encontrá-los. Estou usando a mesma prancha que surfei aqui nos últimos anos e parece que sempre funciona muito bem”.

 

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Backside nervoso – Este domingo poderia ter tido duas notas máximas. Isso porque Ryan Callinan bateu na trave no score, mas em cheio numa bomba do Main Break. O australiano botou pra baixa numa morra, e entrou reto em duas manobras de backside na parte crítica da onda. Nas duas a prancha descolou da onda, mas ele conseguiu manter controle e recebeu 9.93 como prêmio. Três dos cinco juízes deram 10, mas os outros dois marcaram 9.80.

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Sul-africano no crítico – Outro que fez muito bonito neste domingo foi Matthew McGillivray. O sul-africano fez curvas fluidas em partes críticas de ondas grandes, e ainda fez uma junção pesada. As atuações foram bem recompensadas e valeram 9.00 e 8.33, que deram a ele o segundo maior somatório do dia: 17.33 pontos.

Matthew McGillivray faz curvas nas partes críticas das bombas australianas e faz segundo maior somatório do dia.

Próxima chamada – A próxima chamada para o Margaret River Pro acontece neste domingo, às 20h (de Brasília). Acompanhe as disputas ao vivo aqui no Waves.

De acordo com a previsão oficial da prova, o mar na região de Margaret River vai amanhecer com ondas ainda grandes, podendo até passar dos 3 metros em algumas séries.

Assim que a competição for reiniciada, entram na água as duas últimas baterias masculinas da primeira fase, ou a repescagem feminina. Três brasileiros ainda vão competir pelo primeiro round: Deivid Silva, Yago Dora e Caio Ibelli. Entre as meninas, Tatiana Weston-Webb estreou com vitória e já está garantida na fase das 16 melhores.

Margaret River Pro 2021

Primeira fase Masculina

1 Seth Moniz (HAV) 11.43, Kanoa Igarashi (JAP) 10.83, Alex Ribeiro (BRA) 6.00
2 Filipe Toledo (BRA) 11.50, Peterson Crisanto (BRA) 10.10, Connor O’Leary (AUS) 8.36
3 John John Florence (HAV) 17.50, Michel Bourez (FRA) 12.00, Mikey Wright (AUS) 7.50
4 Jordy Smith (AFR) 11.27, Jadson André (BRA) 7.83, Reef Heazlewood (AUS) 7.10
5 Jacob Wilcox (AUS) 15.30, Italo Ferreira (BRA) 13.76, Jack Robinson (AUS) 13.43
6 Gabriel Medina (BRA) 13.93, Adriano de Souza (BRA) 10.07, Cyrus Cox (AUS) 7.17
7 Matthew McGillivray (AFR) 17.33, Wade Carmichael (AUS) 9.60, Conner Coffin (EUA) 6.76
8 Griffin Colapinto (EUA) 13.94, Leonardo Fioravanti (ITA) 12.06, Jack Freestone (AUS) 11.84
9 Ryan Callinan (AUS) 14.46, Adrian Buchan (AUS) 7.57, Morgan Cibilic (AUS) 4.93
10 Julian Wilson (AUS) 13.07, Miguel Pupo (BRA) 11.60, Frederico Morais (POR) 7.93
11 Jeremy Flores (FRA), Owen Wright (AUS) e Deivid Silva (BRA)
12 Yago Dora (BRA), Caio Ibelli (BRA) e Ethan Ewing (AUS)

Primeira fase Feminina

1 Tatiana Weston-Webb (BRA) 11.77, Macy Callaghan (AUS) 10.84, Keely Andrew (AUS) 8.67
2 Amuro Tsuzuki (JAP) 11.56, Caroline Marks (EUA) 11.33, Malia Manuel (HAV) 8.77
3 Carissa Moore (HAV) 13.66, Nikki Van Dijk (AUS) 7.43, Willow Hardy (AUS) 6.43
4 Brisa Hennessy (COS) 11.00, Isabella Nichols (AUS) 7.93, Stephanie Gilmore (AUS) 7.13
5 Sally Fitzgibbons (AUS) 12.10, Tyler Wright (AUS) 11.50, Sage Erickson (EUA) 6.96
6 Johanne Defay (FRA) 12.10, Bronte Macaulay (AUS) 8.33 ,Courtney Conlogue (EUA) 7.33

Repescagem

1 Stephanie Gilmore (AUS), Malia Manuel (HAV) e Willow Hardy (AUS)
2 Courtney Conlogue (EUA), Keely Andrew (AUS) e Sage Erickson (EUA)

Ranking depois de três etapas

Masculino

1 Gabriel Medina (BRA) 25.600 pontos
2 Italo Ferreira (BRA) 19.405
3 John John Florence (HAV) 14.650
4 Kanoa Igarashi (JPN) 12.810
4 Conner Coffin (EUA) 12.810
6 Morgan Cibilic (AUS) 12.160
7 Jordy Smith (AFR) 11.385
8 Filipe Toledo (BRA) 10.735
8 Griffin Colapinto (EUA) 10.735
8 Frederico Morais (PRT) 10.735
11 Yago Dora (BRA) 9.395 pontos
13 Caio Ibelli (BRA) 7.970
15 Deivid Silva (BRA) 7.405
18 Jadson André (BRA) 6.905
20 Adriano de Souza (BRA) 6.340
22 Peterson Crisanto (BRA) 5.980
22 Miguel Pupo (BRA) 5.980
32 Alex Ribeiro (BRA) 2.925

Feminino

1 Carissa Moore (HAV) 23.885 pontos
2 Caroline Marks (EUA) 18.695
3 Tatiana Weston-Webb (BRA) 16.495
4 Tyler Wright (AUS) 15.220
5 Stephanie Gilmore (AUS) 14.235
6 Sally Fitzgibbons (AUS) 13.440
6 Courtney Conlogue (EUA) 13.440
8 Johanne Defay (FRA) 12.100
9 Keely Andrew (AUS) 11.875
10 Isabella Nichols (AUS) 11.455