Mexican Pipeline

SOS Puerto Escondido

Puerto Escondido luta pela recuperação de onda lendária e comunidade une-se para remover quebra-mar no Mexican Pipeline.

A onda mais famosa do México perdeu força nas últimas duas décadas — agora, surfistas e pescadores unem esforços para a devolver à sua forma natural. Durante mais de vinte anos, a icônica onda de Playa Zicatela, em Puerto Escondido, conhecida mundialmente como Mexican Pipeline, tem passado por alterações profundas. A causa? Um quebra-mar construído em Bahía Principal, cerca de 1 quilômetro ao norte da praia, que bloqueou o fluxo natural de areia e alterou a formação das ondas.

A estrutura, erguida para proteger os barcos de pesca locais, acabou por reter toneladas de areia, fazendo com que a praia recuasse até 100 metros em alguns pontos e transformando o outrora poderoso beachbreak numa onda curta e muitas vezes desordenada.

O furacão que mudou tudo

Em junho de 2025, o furacão Erick atingiu a costa de Oaxaca com força suficiente para destruir parte do quebra-mar. O que aconteceu em seguida foi um exemplo notável de união comunitária: pescadores, surfistas e famílias juntaram-se para remover manualmente as pedras e blocos de cimento que ficaram espalhados pela praia.

Contudo, ainda resta muito trabalho por fazer — as rochas submersas exigem maquinaria pesada para serem retiradas. Para completar a operação, a comunidade local lançou uma campanha de angariação de fundos com o objetivo de reunir 2 milhões de pesos (cerca de US$ 108 mil dólares). As doações são geridas pelo Fondo Oaxaqueño para la Conservación de la Naturaleza, uma ONG mexicana reconhecida oficialmente.

Doações estão disponíveis através da página oficial da campanha GoFundMe.

A onda sofreu tremendamente

Entre os que apoiam a causa está Greg Long, duas vezes campeão mundial de ondas grandes e visitante assíduo de Puerto Escondido. Numa mensagem partilhada nas suas redes sociais, Long destaca:

“Ano após ano, este quebra-mar tem aprisionado areia, fazendo com que a praia avance dezenas de metros, o que faz a onda quebrar muito mais perto da areia. Embora ainda haja momentos épicos, a onda sofreu tremendamente. Hoje, muitas vezes, torna-se quase impossível de surfar quando está pequeno.”

O surfista apela à comunidade internacional: “Se já surfou Zicatela, se admiras as suas ondas ou simplesmente acredita na força das pessoas e da natureza em harmonia — este é o momento de ajudar.”

Uma causa global para um património do surfe

A esperança é que, ao remover o quebra-mar, as correntes naturais e o fluxo de areia sejam restaurados, permitindo que Zicatela volte a respirar e recupere a sua lendária forma tubular.

O tema foi amplamente explorado no documentário Place of Thorns (Now Now Media), que analisa a história, a cultura e os desafios ambientais enfrentados por Puerto Escondido.

Para muitos surfistas, esta é mais do que uma questão local — é um símbolo global de como pequenas intervenções humanas podem alterar ecossistemas inteiros e de como a comunidade do surfe pode unir-se para a restauração.

Assista mais vídeos no canal Salvemos Puerto Escondido

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