Indonésia sem crowd

Picuruta pega as bombas

Picuruta Salazar surfa sozinho esquerdas tubulares e perfeitas na Indonésia.

Picututa Salazar está fazendo uma longa viagem pelo Oceano Índico. Ele começou a trip passando por Uluwatu, e ainda vai passar pelo Timor até chegar nas Maldivas. No momento, a lenda do longboard brasileiro está na ilha de Sumba, que fica próxima as ilhas de Lombok e Sumbawa, a 50 minutos de voo de Bali.

Hospedado no Resort Nihi, considerado um dos melhores hotéis do mundo, Picuruta viu entrar a primeira ondulação de inverno de verdade do país. A previsão indicava ondas de mais de três metros para quarta-feira (25).

Mas já na terça (24), o mar já amanheceu enorme. “O swell antecipou. Logo pela manhã já estava grande pra caramba. Eu queria aproveitar esse swell”, conta Picuruta, que estava louco para cair na água, mas se viu sem companhia para surfar e sem pranchas adequadas. “O cara que veio comigo se machucou e não podia entrar na água. E aqui só tinham dois surfistas neste hotel que é muito caro, e eles não queriam surfar aquelas ondas. Além de tudo eu estava sem prancha. A maior que trouxe pra Bali era uma 6’4, afinal nunca encontro condições tão grandes”, conta.

Mas com muita vontade de surfar, Picuruta correu para arrumar um equipamento adequado e também alguém que lhe fizesse companhia. Afinal, ele não conhecia a onda e não tinha ninguém no outside. “Consegui uma prancha 7′ pés e procurei um guia local de Bali, que leva a galera para mergulhar e pescar. Pensei que, pelo tamanho dos peixes que ele pegava, pelo menos ele tinha pulmão para aguentar uns caldos ali”, brinca.

“Mas ele ficou meio apreensivo. E eu também na adrenalina. Querendo cair na água, ao mesmo tempo apavorado, porque não conhecia o pico, estavam vindo umas séries grandes. E afinal não sou nenhum garotinho, tenho 62 anos. Por mais que eu tenha experiência, estar ali sozinho é complicado. Estoura a cordinha, quebra a prancha, eu ficaria na roubada”, diz.

Apesar de apreensivo, ao ver aquelas ondas perfeitas quebrando, Picuruta não aguentou esperar a boa vontade de ninguém. “Me deu uma louca, pulei na água. Fui para o pico e fiquei 10 a 20 minutos estudando a onda”, revela. “A onda era difícil, corria muito na bancada. Mas coloquei pra dentro e o tubo já rodou”.

Fazia tempo que Picuruta não pegava ondas tão grandes e tão perfeitas. “Conheço vários lugares no mundo e poucas vezes peguei tantas ondas tubulares tão rápido”, fala. Depois de uma hora e meia dentro d’água sozinho, Picuruta avista o guia e um surfista. “O guia estava nervoso, não estava seguro. Ainda bem que não fiquei dependendo dele”, conta aliviado.

Picuruta acabou pegando mais uma onda e saiu da água completamente realizado. “Fazia tempo que o velhinho aqui não pegava ondas deste tamanho, ainda mais um tubão desses”, comemora.

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