Longboard Tour 2025

A volta de Jejé

Waves troca ideia com longboarder Jefson Silva, classificado para elite do pranchão na temporada 2025. WLT começa entre 26 e 30 de julho em Huntington Beach, Califórnia (EUA).

Com o título Sul-Americano de Longboard de 2025, Jefson Silva conquistou a vaga para o circuito mundial da modalidade, onde já esteve participando durante 11 anos, e agora voltará a enfrentar os melhores atletas do planeta. Ainda este ano, Jejé participará de quatro eventos em diferentes partes do mundo, em busca do tão sonhado título mundial.

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O circuito começa em julho, entre os dias 26 e 30, em Huntington Beach, Califórnia (EUA). As etapas seguintes serão em Bells Beach, Austrália, de 17 a 21 de setembro; Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, de 24 a 26 de outubro; e o circuito termina em El Salvador, de 5 a 9 de novembro.

Jefson agora encara os melhores do mundo no pranchão e, em cada etapa, arca com custos de aproximadamente US$ 3,5 mil (R$ 18 mil), que incluem passagem aérea, inscrição, hospedagem e alimentação. Para competir em todas as etapas, que ocorrem em diferentes países, ele busca amigos, fãs e amantes do esporte que compartilhem desse sonho e ajudem a torná-lo possível.

O Waves bateu um papo com Jejé, que revelou sua trajetória no longboard, ídolos e referências, começo na modalidade, volta ao mundial e mais.


Jefson, você é um tetracampeão brasileiro de longboard, campeão sul-americano, pan-americano, e chegou a ser 5º do mundo. Olhando para trás, qual desses títulos ou feitos você considera o mais marcante em sua carreira e por quê?

Sou quatro vezes campeão brasileiro. Conquistei o título sul-americano este ano, em 2025, e também a vaga para o circuito mundial este ano de 2025. Acredito que cada título meu tem uma história por trás, porque em todo campeonato a gente dá o máximo, e eu procuro dar o meu máximo em cada bateria. Então, acredito que todos esses títulos têm um significado muito grande para mim.

Na minha idade hoje, com 38 anos (farei 39), voltar a figurar entre os tops do circuito mundial foi uma conquista enorme. Por isso, este título sul-americano deste ano tem uma marca muito grande para mim. Acredito que, até o momento, ele tem sido o mais importante, até por conta da idade, como mencionei. Voltar a figurar entre os melhores do tour é uma conquista muito grande e gratificante, sabe? Poder ver meu surfe no patamar em que está me deixa muito contente.

Você cresceu surfando no Canto Mágico, na Praia da Baleia, um pico especial do litoral paulista. De que forma esse cenário influenciou seu estilo? E como foi levar essa base para outros tipos de ondas, nas quais você também se destaca?

Comecei a surfar no Canto Mágico. A primeira vez que fiquei de pé em uma prancha foi lá. Depois, tive um incentivo muito grande do Marcelo Aguiar, que comandava a escolinha do Canto Mágico. Ele foi o responsável por criar inúmeros atletas ali, formando nomes como Danylo Grillo, Paraíba, Robson Santos, Aristide Tavares e Thiago Camarão, e colocando-os no cenário do surfe competitivo. Há pessoas como ele até hoje, então sou muito grato ao Marcelo Aguiar por me dar os primeiros passos no começo.

Sou muito grato também ao Wagner Pupo, que apoiava nossa escolinha e, junto com Marcelo, fazia questão de ir lá dar treino para a gente todas as terças e quintas. Portanto, o Canto Mágico é muito especial para mim. É realmente a minha casa, o lugar onde me encontro, onde recarrego todas as minhas energias. Sempre que estou viajando e volto, mesmo que não tenha onda, vou lá sentar nas pedras, olhar, admirar um pouco e recarregar as energias. Estou sempre por aqui, pois é um lugar muito especial para mim, que me ensinou a surfar ondas medianas, ondas grandes, ondas um pouco mais cavadas e ondas rápidas. Devo muito a este lugar; com certeza, ele ficará marcado na minha vida para sempre.

Como longboarder profissional, você precisa transitar entre o estilo clássico e o progressivo. Como busca esse equilíbrio no seu surfe e o que te inspira em cada uma dessas vertentes?

Hoje em dia, como longboard profissional, o estilo está mudado totalmente para o clássico, só que eu venho da escola antiga, que a gente diz, a velha guarda. Eu sou de lá, da escola do Picuruta Salazar, Amaro Matos, Marcelo Freitas, Phil Rajzman, Danilo Rodrigo, Molinha… esses caras eram monstrso absurdos na rabeta. Desde então, desde pequeno, já meio que não fazia frente com eles, mas chegava junto com eles em algumas baterias.

E eu fui crescendo e lapidando meu surfe clássico, ainda na época do progressivo. Quando rolou a transição do progressivo para o clássico, me senti um pouco mais em casa, não tive tanta dificuldade de me adaptar com o estilo clássico. Transitei rápido e consegui adaptação muito rápida. Ao longo do tempo fui tentando melhorar o estilo, melhorar um monte de coisas, que dentro do estilo clássico, a gente sabe que tem que ter uma boa posição para poder obter bons scores, umas boas notas dentro do circuito mundial.

É o que eu venho buscando até hoje, melhorar o estilo, melhorar algumas curvas, algumas posições sobre a prancha. E é isso que a gente vem sempre buscando em evolução no surfe. Por mais profissional que a gente seja, estamos sempre em evolução, sempre buscando acertos e é o que nos faz correr atrás de tudo isso. Buscar melhoria para nós mesmos.

Tive essa vantagem, mas eu venho desde a época do surfe progressivo e peguei toda essa transição do surf power para o surfe clássico e venho até hoje tentando manter o meu surfe e identizá-lo na melhor forma possível.


Você se classificou novamente para a temporada o WLT. Qual a sensação de estar de volta ao Tour Mundial e o que o motivou a persistir em seu objetivo de retornar?

Como mencionei antes, mesmo com certa idade, consegui me classificar novamente para o circuito mundial. A última vez que me classifiquei para o Tour Mundial foi em 2010, e me mantive nele até 2022. Foram praticamente 12 anos no circuito mundial, quase 12 anos, porque houve um corte no meio do ano e acabei ficando de fora. Desde 2022 estou ausente, então, voltar agora ao circuito mundial me deixa muito gratificado com meu trabalho, esforço e dedicação ao esporte.

Estou muito contente e feliz por poder vestir a lycra do Circuito Mundial novamente, um lugar onde estive por muitos anos, mais de uma década. Me mantive por bons anos, já fui o quinto melhor do mundo e fiz final em Nova York, sendo vice-campeão em 2019.

Voltar agora com toda essa experiência que adquiri no circuito me faz acreditar que terei uma posição melhor. Vamos ver, há caras novas também, e alguns amigos meus ainda estão no circuito. Taylor Jensen é um grande amigo meu, e Tony Silvagni está se classificando novamente. Espero reencontrar esses caras e competir de igual para igual, que é o meu objetivo.

Estou entre os melhores do mundo e agora preciso representar não só meu lugar, a Baleia, minha cidade, São Sebastião, mas também meu país, Brasil. No momento, sou o único sul-americano classificado para o circuito mundial masculino, então tenho esse dever de representar minha bandeira e meu país da melhor forma possível. Isso me impulsiona a buscar forças onde nem sei que as tenho, para conseguir um bom resultado e sair de lá classificado para o próximo ano, pois esse é o meu objetivo.

Qual a diferença de preparação e expectativas para o circuito mundial de 2025, considerando sua experiência anterior e a evolução do longboard de competição?

Minha busca por títulos e por competição vem de muito tempo. Acredito que há uns 20 anos descobri que realmente gostava dessa vida de competição, de me pôr à prova. Desde então, nunca deixei de competir. Sempre que havia uma competição por perto, uma competição à qual eu poderia ir, eu corria atrás.

Sempre falei com muitas pessoas que nunca tive apoio no começo. Hoje em dia, graças a Deus, tenho o suporte de uma marca que me ajuda a transitar para poder competir. Mas, antes, tive o suporte de muitos amigos ali da Baleia, da galera do Baleias Broad. Isso me motivou muito, me deu muita gana pela competição, pela raia.

Então, quando entro na raia, não digo que fecho os olhos para o meu oponente, mas fico aceso o tempo inteiro. Se eu tiver um segundo de chance, vou correr atrás daquele um segundo de chance. No ano passado, consegui virar muitas baterias na regressiva, e isso meio que provou que sou um cara que não desiste tão fácil.

Acredito que a competição está dentro de mim. Desde quando coloquei a lycra pela primeira vez, em 2003 ou 2004, fiquei possuído por esse esporte, pela forma de lidar com a competição e de correr atrás da vida competitiva. Amo muito o esporte e me dedico muito a ele, pela vida competitiva. Quero estar competindo até quando eu puder. Enquanto eu puder vestir a lycra e puder estar ali guerreando por uma bateria, eu estarei. Porque essa é a minha vida, vou viver e vivo para isso.

Como você equilibra a busca por títulos e o lado competitivo com essa missão de inspirar e ajudar a galera da próxima geração?

Minha busca por títulos e meu lado competitivo estão dentro de mim, acredito. E como falei antes, desde cedo sempre gostei muito de competir e me pôr à prova. Espero que essa galera da nova geração olhe para esse lado competitivo e realmente se inspire a buscar melhorar cada vez mais o surfe, surfar ondas diferentes.

Assim como há a galera do Nordeste, de Jericoacoara, um lugar com novos talentos, a galera do Iguape também. Há muitos nomes novos aí que, acredito, vão suprir e nos amparar muito bem pelos próximos anos, porque o Brasil é um celeiro de longboard muito forte.

Então, o que tenho para dizer para a nova geração é: nunca desista. Nunca desista de seus sonhos, por mais difícil que seja. Aquele campeonato que você quer ir e às vezes não dá certo, aquela ajuda que você fica contando e às vezes não vem, mas nunca desista. Sempre corra atrás, porque uma hora você vai alcançar aquele objetivo que sempre quis lá no começo. É isso, nunca desistir dos sonhos, porque uma hora o sonho chega para todos nós.

Em fevereiro deste ano, você foi vice-campeão no Uruguay Natural Longboard Classic. Como foi essa etapa e qual a importância de um bom resultado em eventos como este para a sua preparação e confiança antes do WLT principal?

Em fevereiro deste ano, no Uruguai, fiquei em segundo lugar, fui vice-campeão. No ano passado, fui lá e fui o campeão, e este ano, o vice-campeão. A importância de começar o ano na busca dos pontos é muito significativa para mim.

Quando você começa o ano com um bom resultado, isso lá na frente vai te fazer melhor e vai te deixar um pouco mais tranquilo, não confortável, porque o final vai contar muito. Então, o começo e o final são os que dividem os pontos e os que separam, pois geralmente a diferença entre campeão e vice é sempre de poucos pontos.

Tive a sorte de começar com um bom resultado. Depois, em Saquarema, fiz um quinto lugar e tive a sorte de me consagrar campeão da etapa, o que me deu o título de campeão sul-americano e me fez, automaticamente, voltar para o circuito mundial. Estou muito contente com essa conquista e com a importância de eventos como esse.

A importância é muito grande, porque os surfistas da região, por exemplo, no Uruguai, têm bons surfistas, como o Julio e o Nátil, que já fizeram parte do circuito mundial e sonham em voltar novamente. A importância de eventos como esse no país-sede é relevante por conta dos pontos, pois são eventos caros. E, tendo eventos como esse no seu país, você não gasta tanto, então é muito bom. Assim como o Peru fez há muitos anos com o pico, que foi bicampeão mundial. Enfim, a importância desses campeonatos é significativa para nós, atletas que queremos figurar no circuito mundial.

Sendo um dos longboarders mais carismáticos do Brasil, como você enxerga a evolução do longboard como esporte no país e o que, em sua opinião, ainda precisa ser feito para que a modalidade ganhe mais visibilidade e apoio?

Eu enxergo que o Longboard está em evolução crescente no Brasil. Eu venho da velha guarda, de vinte e poucos anos atrás, uma época em que grandes nomes do Longboard brasileiro, que acredito que a nova geração nem sabe quem são, estavam começando. Na minha opinião, o Longboard está em uma evolução e crescimento muito grandes.

Temos um celeiro enorme de Longboard no país, com uma nova geração vindo muito forte, tanto na categoria masculina quanto na feminina. Temos grandes nomes como Daniel Batista, Raoni Caleb, Hideki Duarte, Robson Silva. E na feminina, não posso deixar de citar Jamile Araújo, que é muito, muito boa. Temos também a Katelyn Oliveira, de São Paulo, e a Maya, de Ubatuba. Tem também a Luana Soares, uma menina que fez um trabalho comigo no começo e hoje já figura entre as surfistas do circuito mundial.

Não podemos deixar de citar nomes como esses, que são muito importantes para a nossa evolução e para o crescimento da modalidade. Acredito que a modalidade só tem a ganhar nome, só tem a ganhar força. Nós, como profissionais, devemos apoiar os pequenos que estão vindo. Eu procuro sempre apoiar os pequenos. Também tem o Arthur, o Arturzinho, o Alídio de Ubatuba, de Itamambuca, molequinho da nova geração que vai vir muito forte.

Eu procuro sempre estar apoiando esses garotos porque, no começo, quando eu era pequeno, quando eu comecei no circuito brasileiro e nos circuitos estaduais, sempre tive o suporte de vários caras. Às vezes eu tirava dúvidas com eles e eles sempre tiveram muito carinho comigo, sempre me davam dicas, sabe? O Jane Viúdes, o Picuruta Salazar, o antigo e falecido Olimpinho, o Bajel, o Eduardo Bajé, um cara que é muito meu amigo, que me ajudou muito, sabe? O Phil Rajzman, o Carlos Bahia, todos esses caras.

É muito importante que nós, longboarders que estamos em ascensão hoje em dia, possamos ajudar esses garotos, essa nova geração, ou apadrinhar um deles, pelo menos para ele se sentir, pelo menos, ter um suporte da gente. É muito importante. Mas eu acredito que a modalidade só tem a crescer. E o meu sonho é poder ver o longboard nas Olimpíadas um dia, sabe? Vai ser muito gratificante para mim ver um brasileiro lá nos representando, sabe? Com a bandeira nos apoiando e nos representando, vai ser uma grande conquista.

Seu objetivo é o título mundial. E qual o seu plano de ação e quais os principais desafios que você prevê para a temporada 2025 do World Longboard Tour em busca desse sonho?

Hoje, meu objetivo é claro: o título mundial. Tenho certeza disso, e desde que me classifiquei, venho pensando nisso dia após dia. Meu plano de ação é treinar e surfar, me manter bem, comer bem e dormir bem.

Se houver competição antes do circuito mundial, vou competir e treinar o máximo possível para, quando chegar e colocar a prancha no circuito mundial, não me desapontar e não desapontar as milhares e milhões de pessoas que represento.

Acredito que, hoje em dia, o maior desafio ainda são os apoios e patrocínios. Tenho o apoio da Hang Loose, um patrocínio da Hang Loose, mas mesmo assim, isso ainda dificulta um pouco, porque nossas viagens são em dólar e são muito caras. Terei viagem para os Estados Unidos, depois para a Austrália, e para a piscina em Dubai, então são custos bem altos.

No momento, o desafio é realmente a arrecadação de recursos para essas viagens, que são muito caras. Fora isso, procuro buscar outros apoios. Também trabalho com a LootSurf, e como te falei, tenho o suporte da Hang Loose, mas mesmo assim, ainda é um pouco difícil. Mas continuo focado e buscando forças até onde não tenho, porque meu foco este ano é o circuito mundial, voltar lá com fé em Deus para poder fazer o meu melhor, representar meus patrocinadores que estão comigo e meus apoiadores, e tudo mais.

Para finalizar, qual mensagem você gostaria de deixar para os jovens surfistas que se inspiram em sua trajetória e almejam seguir os passos de um campeão como você?

A mensagem que eu gostaria de deixar para os próximos surfistas da nova geração e para aqueles que se inspiram, não só em mim, mas em outros também, é: nunca desista do seu sonho. Seu sonho é muito grande para você desistir no primeiro problema que tiver. Então, continue sempre pendurado no bico, nunca desista dos seus sonhos, porque sempre haverá pessoas boas ao longo do caminho para poder te ajudar, sempre nas melhores situações. Um aloha e um beijo no coração de todos os longboarders e toda a galera da comunidade do surf brasileiro.

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    A próxima chamada do MEO Rip Curl Pro Portugal está marcada para esta terça-feira (20) às 3h45 da manhã (de Brasília). Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30 Filipe Toledo (BRA)3 – Italo Ferreira (BRA) 15.00 x 10.43 Jack Robinson (AUS)4 – Guilherme Ribeiro (POR) 10.33 x 5.00 Kanoa Igarashi (JAP)5 – Yago Dora (BRA) 13.66 x 11.67 Connor O’Leary (JAP)6 – Ethan Ewing (AUS) 15.73 x 11.17 Frederico Morais (POR)7 – Seth Moniz (HAV) 12.80 x 12.60 Miguel Pupo (BRA)8 – Griffin Colapinto (EUA) 17.17 x 13.27 Kauli Vaast (FRA) Quartas de final 1 – Morgan Cibilic (AUS) x Gabriel Medina (BRA)2 – Italo Ferreira (BRA) x Guilherme Ribeiro (POR)3 – Yago Dora (BRA) x Ethan Ewing (AUS)4 – Seth Moniz (HAV) x Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 11.33 x 3.53 Luana Silva (BRA)2 – Francisca Veselko (POR) 8.54 x 7.90 Sawyer Lindblad (EUA)3 – Caitlin Simmers (EUA) 14.16 x 7.93 Nadia Erostarbe (ESP)4 – Carissa Moore (HAV) 12.33 x 6.76 Johanne Defay (FRA)5 – Teresa Bonvalot (POR) 11.40 x 10.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Lakey Peterson (EUA) 11.17 x 7.10 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 15.74 x 11.10 Yolanda Hopkins (POR)8 – Erin Brooks (CAN) 12.50 x 7.27 Tyler Wright (AUS) Quartas de final 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 7.43 x 7.34 Francisca Veselko (POR)2 – Caitlin Simmers (EUA) 11.50 x 8.93 Carissa Moore (HAV)3 – Teresa Bonvalot (POR) x Lakey Peterson (EUA)4 – Molly Picklum (AUS) x Erin Brooks (CAN)

    Próxima chamada para o MEO Rip Curl Pro Portugal em Peniche acontece nesta terça-feira (20) às 3h45 da manhã (de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates em nosso fórum.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.