Anarquilha

Valeu, Marcos Valle

Na estreia da coluna Anarquilha, jornalista Alceu Toledo Junior entrevista o compositor Marcos Valle, autor de Vamos Pranchar, dentre outros sucessos.
Marcos Valle, de calção listrado, era local do Arpoador no início dos anos 60. Sentado, o irmão dele, Paulo Sérgio.

Amigos e amigas do Waves, galera geral! É uma alegria imensa estar de volta ao amado portal onde escrevemos tantas histórias iradas desde quando participei do lançamento em 1998, como editor.

Agora, com a coluna Anarquilha no meu personagem mais surfer alien de capital paulista, onde estou meio sem querer. Meu sonho era voltar a morar no Rio de Janeiro, onde vivi no início dos anos 80, ou em Santos, terra do meu amado Santos Futebol Clube.

Viver no Rio de Janeiro é morar bem demais. Boas ondas, clima perfeito, mulheres maravilhosas, Maracanã lotado, mas um caos urbano de muitas emoções a cada swell e também em cada novo assalto ou enquadro.

Um dia, durante um chat de trabalho, sugeri para o meu amigo Fernando Iesca, o diretor do Waves, a criação desta coluna Anarquilha para jogar uma conversa e falar das coisas boas do surfe, a cultura, a evolução infinita, e também das coisas meio chatas, como o mercado e as roubalheiras das baterias.

Também falamos da coluna falar de música, meio ambiente, moda e de outros temas nacionais, internacionais e interplanetários, sobretudo agora que ocorre um repentino abate de ovnis que aparentemente são terráqueos mesmo.

Como muitos da nova geração não me conhecem, vou me apresentar: 63 anos, 37 anos de mídia. Fiquei em pé pela primeira vez numa prancha em 1974, praia de Pitangueiras, Guarujá (SP). Já fui editor das revistas Fluir, Hardcore, Off Shore e Guitar Player BR. Também fui editor de uma aventura pseudo editorial que apelidei de gestaposurf, mas graças a Deus fui demitido a tempo de tentarem me converter. Fui frila da Inside e da Venice por muitos anos e também escrevi uma vez para a Trip e outras publicações bem menos importantes.

Conheço in loco a cena do surfe na Argentina, México, Estados Unidos e Havaí. O mais próximo da Europa que já estive foi quando escrevi um texto para a revista espanhola Tres60, sobre a cena heavy metal e punk aqui no BR, nos anos 90, nem sei se essa revista ainda resiste. Também nunca fui para Austrália ou Indonésia.

Entre personagens de várias áreas diferentes e equidistantes entre si, entrevistei Dick Dale, Joey Ramone, Jello Biafra, Mike Patton, Kelly Slater, Tom Curren, Nat Young, Sunny Garcia, Richie Collins, Peter Troy, Peter Townsend, Brad Gerlach, Mark Richards, Wayne Bartholomew, Dick Brewer, Ben Aipa, Derek Hynd, Cheyne Horan, Sally Fitzgibbons, Bethany Hamilton, Garrett McNamara, Johnny Boy Gomes, Buttons Kaluhiokalani, Damian Hardman, Dave Macaulay, Bad Brains, Nuclear Assault, The Church, Midnight Oil e outras paradas que eu esqueci.

Do lado de cá, falei com Picuruta, Almir e Lequinho Salazar, Paulinho, Amaro e Neno do Tombo, Tinguinha, Luiz Neguinho, Taiu, Dadá Figueiredo, Pedro Muller, Gabriel Medina, Silvana Lima, Carlos Burle, Eraldo Gueiros, Adriano de Souza, Yago Dora, Roberto Valério, Ricardo Toledo, Rodrigo Koxa, Maraca, Ricardo Bocão, Teco Padaratz, Fabinho Gouveia, Renan Rocha, Aurélio Miguel, Hortência, Chloé Calmon, Mariana Becker, Claudia Ferrari, Claudia Saboia Lemos; governador Mário Covas, governador Esperidião Amin, governador Leonel Brizola, vice-presidente Aureliano Chaves, presidente Andrés Perez (Venezuela), vereador Eder Jofre, senador Tancredo Neves, senador Teotônio Vilela; Tostão, Zico, Sócrates, Falcão, Denilson, Casagrande, Rogério Ceni, Zagallo e Ziraldo; as bandas Ratos de Porão, Replicantes, Titãs, Blitz, Plebe Rude, Sepultura, Helena Meireles; e os cronistas esportivos que eu sempre admirei Luiz Mendes (o homem da palavra fácil), Sergio Baklanos, Orlando Duarte, Alberto Helena Junior e Vital Bataglia, entre outros que eu também esqueci.

Meu sonho era entrevistar o genial compositor e guitarrista Frank Zappa, meu grande ídolo do rock. Mas, não tive tempo, ele se foi cedo deste mundo, em 1992, assim como Jimi Hendrix, bem antes. Gostaria de ter entrevistado também outro gênio que eu curto demais, Miles Davis.

Enfim, eu não entrevistei o Zappa, mas tirei uma foto do George Duke, tecladista da segunda fase da banda dele, o Mothers of Invention, durante um festival de jazz no Rio de Janeiro, em 1978, quando eu dei de cara com este parceiro fundamental. Ele estava junto com o baixista Stanley Clarke, então da banda Return To Forever, outro grupo emblemático da era do jazz fusion.

Também conheci o violinista francês Jean-Luc Ponty. Mas, ele foi meio estrela na entrevista e disse que não iria falar sobre os tempos que ele tocou com Frank Zappa e John McLaughlin, da Mahavishnu Orchestra. Então, o resto da entrevista foi total perda de tempo.

Porém, destino generoso e tive a oportunidade de entrevistar o carioca Marcos Valle, cantor, compositor, pianista, tecladista e surfista, autor de Vamos Pranchar, grande ídolo da MPB, criador deste hit remoto de praia, 1964, uma pedrada da mesma geração de Surfboard, de Tom Jobim, e Exército do Surf, da ternurinha loura Wanderléa.

Para quem anda esquecido, Marcos Valle também criou músicas temas de novelas, como Pigmalião 70, O Cafona e Ossos do Barão, bem como a clássica abertura de Vila Sésamo, programa infantil de muito sucesso nos anos 70.

Na boa, muito privilegiada a oportunidade de falar com Marcos Valle, 79 anos, um legend do surfe e um monumento da música brasileira, ainda mais para estrear minha coluna no Waves! A entrevista já era pra ter sido publicada há uns tempos. Mas, uns contratempos deram uma embaçada e graças ao empenho do Fernandera estamos aê.

Voltando à minha retrospectiva, meus melhores amigos no surfe sempre foram Marcelo Torok, Nelsinho Corvo e Edilson Souza entre a galera da rua. Dadá Figueiredo, o surfista punk, bem como Julio Adler, o texto mais natural e sobrenatural do surfe brasileiro, são grandes pirações e inspirações incomuns.

Entre o povo da mídia, minha admiração e amizade por Carol Keller, Felipe Fernandes, Rafael Sobral, Bruno Lemos, Alberto Sodré, Reinaldo “Dragão” Andraus, Zé Lúcio Cardim, Marco Ferragina, Agobar Junior, Cândido Coelho Neto, Marcelo Bueno, Carlos Lorch, Fernando Iesca, Ricardo Macario, Nancy Geringer, Xandão Barros, Adrian Kojin, Alexandre Versiani, Alexandre Toledo Piza, Chico Padilha, Veri Bressane, Fábio Maradei, Fábio Bolota, Paulo Anshovinhas (corajosamente, publicou meu pior texto, Skate of Fuck, numa das primeiras edições da revista Yeah!), os irmãos Bebeto, Ado (velho Carsa) e o Claudio Martins de Andrade (Alemão Claudjones), fundador da Fluir, Waves e Surf & Beach Show, o grande kahuna midiático que me trouxe para este mundo das ondas fluidas em 1985, quando eu era bagre das Relações Públicas da Infraero, no aeroporto do Galeão e estagiava na Aipress.

Outros caras irados do percurso, mestre das letras Tulio Brandão, Pablo Dominguez, Fernando Costa Netto, Marcelo Lacerda, Ricardo Bocão, João Valente, Fred d’Orey, Ledo Ronchi e Alexandre Andreatta, meu chefe na Fluir nos anos 80.

Por essas e outras, acabei me tornando editor do site Waves por longos 15 anos, da fundação em 1998 até 2013, e hoje ainda monto as minhas pautas nos finais de semana. Também tenho um blog que está meio parado, o Surfreak – manobras impussyveis. E estou com outro projeto em andamento, o Bikini LIFE, site de moda praia para mulheres.

Mas, a parte realmente interessante da minha carreira foi ter sido empresário da banda hardcore Ratos de Porão. Nunca ganhei assim uma grana com esta história de punk, mas era muito divertido viajar com aqueles malucos da Vila Piauí e fazer shows no Rose Bom Bom, Madame Satã ou Circo Voador, lá pelo final dos anos 80.

No final, acabei dando uma contribuição quando escrevi, em parceria com o vocalista João Gordo, algumas letras em inglês para aquele que seria o álbum grunge deles: Just Another Crime in Massacreland, com as faixas Satanic Bullshit, C.R.A.C.K. e Video Macumba, minha obra prima, um monstrengo grindcore que fala de uma fita maluca enviada por Mike Patton, do Mr. Bungle e do Faith No More, para o Max Cavalera, quando ele ainda era do Sepultura.

Também trabalhei em alguns jornais e na agência Publifolha. Mas, nunca fui muito atraído para este negócio de ser redator publicitário ou repórter com hora para chegar e não ter hora para sair.

Então, minha carreira na grande imprensa simplesmente não decolou. De qualquer maneira, a principal reportagem até hoje foi fora do meio do surfe, quando escrevi sobre o futebol na masmorra medieval do Carandiru, para a revista Placar, em 1996.

Como nenhum jornal aqui me mandaria cobrir eventos no Havaí, Califórnia, Austrália ou México, acharam por bem me mandar pra cadeia, onde passei cerca de um mês enjaulado, dia sim, dia não, para entrevistar condenado e falar de bola no terrão do Pavilhão 9.

Isso bem antes de Os Racionais lançarem a icônica crônica hip hop Diário de um Detento.

Foi uma experiência única. Cheguei a almoçar em cela com os prisioneiros. E também entreguei taça para time campeão de uma das ligas internas do presídio. Essa matéria, A Bola Rola Solta Na Cadeia, me trouxe um momento de libertação na vida, pois fez parte de um especial da editora Abril, 100 Anos de Revista no Brasil, publicação que circulou apenas para alguns privilegiados e que me foi presenteada por outro grande amigo que fiz no surfe, o diretor de arte Fábio Bosquê Ruy.

Pessoalmente teve um importante significado, uma vez que o meu velho pai era cria da Abril. Onde estiver, imagino que ele teria ficado contente por conta da minha reportagem ter ido parar na história das revistas no Brasil, justamente onde ele gostava tanto de trabalhar.

Ainda tive publicada outra reportagem na cadeia, desta vez para o falecido Notícias Populares. Ali emplaquei uma grande manchete no jornal que espremia e saía sangue: Terapia do sopapo acalma presos na detenção!

Manchete de autoria de um surfista, Fernando Costa Netto, o Dandão, local do Monduba, Guarujá, anos 70, cria da Trip e então editor do jornal mais bizarro da história da imprensa no país. O famigerado NP, que todo mundo lia pendurado nas bancas mas que ninguém comprava. Estampava o bandido da luz vermelha ou o bebê-diabo, trazia verdades e mentiras que marcaram época com as manchetes mais sensacionalistas, surrealistas e escandalosas.

De volta ao meio do surfe, a reportagem sobre o Hang Loose Pro Contest 1986, publicada na Fluir 18, chegou a ser bem elogiada, a ponto de eu ter levado um prêmio de melhor reportagem da história, oferecido pela Assembléia Legislativa de São Paulo, em 2004, em homenagem ao Dia do Surfe.

Então, esta é a parte boa da minha história profissional. E eu me sinto bastante realizado por estar aqui, de volta ao Waves pela porta da frente, reconhecido pela minha biografia e por ter feito a minha parte nessa história de compromisso com o esporte, apoiando campeonatos, divulgando atletas e inspirando a transformação pelas ondas.

Até porque hoje o surfe no Brasil nunca esteve tão em alta. E isso tem muito a ver com as performances aéreas de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Filipe Toledo e outros voadores de muita imaginação em cima de uma prancha, legítimos herdeiros da tradição em nosso país e que vem desde Santos Dumont, o pai da aviação!

Depois dos recentes títulos mundiais, incluindo a medalha de ouro do Italo, premiações em ondas grandes, livro de recordes com Rodrigo Koxa e a maior onda da história, por aqui só se fala de surfe. E isso nem poderia ser diferente, pela avalanche de boas notícias,  sobretudo depois de tantos anos de dificuldades, incompreensão, ostracismo, roubadas e decepções no circuito mundial.

Mas, aqui já tem bastante gente falando e bem do surfe competição. Então, na estreia da minha coluna Anarquilha eu aproveito para sair do palanque e falar um pouco de MPB e de Arpex anos 60, afinal, eu entrevistei nada mais nada menos que o lendário Marcos Valle, gênio criativo de dezenas de discos e que, não por acaso, era um lendário local do tradicional pico do Rio de Janeiro.

Marcos Valle é o autor, em parceria com o irmão Paulo Sérgio, da clássica Vamos Pranchar, uma bossa de batida perfeita e que descreve de forma totalmente lúdica o nascimento do surfe nas não menos clássicas esquerdas do Arpoador, berço esplêndido do surfe nacional.

Ao lado de monstros sagrados da MPB, como Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Eumir Deodato, Egberto Gismonti, Hermeto Paschoal, entre tanto outros gênios que vão de Villa-Lobos a Pixinguinha, de Tim Maia a Chico Science, Marcos Valle construiu sua imensa reputação com centenas de sucessos nas praias da bossa-nova, tropicalismo, funk samba, eletro e até mesmo do rap mais recentemente, ao ser sampleado por artistas como Jay Z, Kanye West, Pusha T e Marcelo D2.

Numa entrevista concedida por e-mail, muito gentil e atencioso com o nosso Waves, Marcos Valle conta detalhes da época de ouro do surfe no Arpoador, falando sobre a galera e a cena toda.

Ele também fala de seu maior sucesso, Samba de Verão, a segunda música brasileira mais importante da história, depois de Garota de Ipanema. “Sou muito grato ao Samba de Verão, que foi um sucesso na minha carreira muito cedo. Afinal, Samba de Verão estoura em 1964 no Brasil. Eu nasci em 1943, estava ali com 21 anos. Com 21 anos você já tem uma música que se torna a segunda música brasileira mais importante no mundo até hoje, então, eu sou muito grato à ela”, revela.

Mas, dentro d’água, Vamos Pranchar era mais cantada. “Em 1964, no Arpoador, a música Vamos Pranchar era mais sucesso do que Samba de Verão, justamente por falar do nosso esporte. Era comum a gente descer as ondas cantando Vamos Pranchar”, recorda.

Como cortesia ao Waves, ele enviou uma versão instrumental fantástica de Vamos Pranchar, que eu nem sabia da existência. E veja que, das cerca de 800 músicas compostas por ele, eu tenho pelo menos umas duzentas no meu iPod, melodias e letras incríveis como Próton, Elétron, Neutron, Wanda Vidal, Ela é Carioca, Com Mais de Trinta, Mentira, Que Bandeira, Os Grilos, México 70, O Cafona, Democústico, Mustang Cor de Sangue, Flamengo Até Morrer, Meu Herói, Parabéns e tantas outras que nem tenho como despejar tudo por aqui, algumas destas estão num playlist mais abaixo.

Pra ir logo direto ao assunto, Anarquilha é um projeto de longa duração e, com o tempo, espero que se torne um espaço interativo bem divertido para discutir este lance de onda e de outros temas que podem ter alguma coisa a ver.

Não hesitem disparar o clique aqui para meter o pau do Fórum, para descer a lenha, esculachar legal ou sugerir novos conteúdos. Mas, também agradeço a quem, por ventura, venha a tecer alguns elogios, até eu entrar novamente em forma e acertar a mão legal deste digitalk.

Logo eu volto com mais gás, novas pautas, novos assuntos e temas mais salgados destes de todo mundo xingar ou achar o máximo! Enquanto isso, espero que saboreiem, sem pressa, essa tão esperada entrevista com o ídolo Marcos Valle.

Em 1964, ano do golpe militar, você lançou a clássica música Vamos Pranchar, um dos primeiros registros do surfe na MPB. O que te inspirou nesta composição?

Eu comecei a pegar onda mesmo em 1960 no Arpoador. E essa música, Vamos Pranchar, é uma consequência disso aí. Da mesma maneira de Samba de Verão, que se tornou um sucesso, e que também fala dessa coisa de sol, de praia, de mar, enfim, da sensualidade que existe no esporte.

No fundo, foi assim que me inspirei para fazer Samba de Verão. E Vamos Pranchar também, que era isso, mas mais específico. Imaginei aquela coisa mesmo de estar descendo a onda, aquelas pranchas de madeira da época, muito instáveis nas manobras, as meninas esperando na areia. Poucas as mulheres pegavam. As garotas que pegavam onda eram a Fernanda Guerra, Maria Helena Beltrão, não tinha mais, talvez mais uma. As namoradas ficavam esperando na areia.

Então, essa música Vamos Pranchar é bem essa visão. Ela foi lançada por mim, na verdade, um pouco antes do golpe militar. Quando eu fiz Samba de Verão e a gravadora viu que ia se tornar um sucesso, eu gravei um compacto simples. Não deu para esperar um segundo disco.

Eu tinha gravado meu primeiro disco em 1963 e o segundo ia sair exatamente em 1964. Mas, não dava para eu esperar sair o disco, porque a música estava precisando ser lançada logo, segundo o plano de divulgação da gravadora, que era a Odeon.

É uma gravação que um lado é Samba de Verão e o outro lado é Vamos Pranchar. Muito engraçado nisso tudo, é que Samba de Verão estourou no mundo inteiro e também ali no Arpoador. Mas, para te falar a verdade, no Arpoador a música Vamos Pranchar era mais sucesso do que Samba de Verão, justamente por falar do nosso esporte.

Era comum a gente descer as ondas cantando. O pessoal também cantava comigo, os outros surfistas, era uma coisa bem interessante.

Como foi que você e o teu irmão começaram a surfar no Arpoador?

Sim, eu e o meu irmão surfávamos no Arpoador, isso é verídico. A gente sempre foi muito ligado em esporte por conta do meu pai. Ele era advogado mas nos incentivou aos exercícios, ele mesmo gostava muito.

E desde cedo nos acostumamos a fazer todos os tipos de esportes, começamos com o jiu-jitsu e a natação, que aliás foi ótima quando a gente resolveu pegar onda. E a gente morava perto da praia, em Copacabana, quase no Posto 6. Dali para o Arpoador era um pulo.

Então, a gente pegou onda ali por muito tempo. Paulo Sérgio pegou mais tempo, porque  logo eu fui para os Estados Unidos pra tocar lá, bem cedo. Aí, eu parei. Quando eu voltei, trouxe uma prancha de fibra de vidro, mas não continuei, porque aí eu já estava seguindo a minha carreira musical, mas o meu irmão seguiu mais tempo surfando.

Quem fazia parte da turma do surfe dos irmãos?

A turma era o Arduíno Colassanti, Jorge Paulo Lehman, Mário Bração, Jaime, que a gente chamava de Persegue e era muito bom, Geraldinho Dutra, Valcir, que a gente chamava de 22, porque existia o 21 na praia.

Quem mais? Eu lembro também do Sabu, que ficava ali com a gente, Charuto, que depois se tornou dono da marca de roupas Richards. Tinha os irmãos Mudo e Mudinho. Essa era a turma que pegava com a gente nessa época.

Como era a cena do surfe em Ipanema e arredores?

A cena do surfe em Ipanema era bem concentrada no Arpoador. De vez em quando, eu me lembro que a gente fazia umas incursões na praia da Macumba, mas era difícil porque as pranchas de madeirite eram pesadas, a gente tinha que arrumar carro, isso quando a gente conseguia.

Um pedia o carro do pai, outro pegava não sei das quantas e era complicado chegar à praia da Macumba. Tinha que subir a pé, aquela grama, aqueles morros todos pra chegar. Não era fácil não, mas a gente ia.

Mas, aquela cena de Ipanema era concentrada mesmo no Arpoador. Todo mundo ali no calçadão, batendo papo, trocando ideias sobre revistas americanas de surfe quando chegavam.

Quando tinha filme sobre surfe todo mundo ia ver junto. Fernanda Guerra fala uma coisa, e é verdade, teve um filme que quem quisesse levar a prancha não pagava. Tinha umas festas no fim de semana entre os surfistas.

Era um clima bem assim, uma cena americana adaptada ao Rio de Janeiro. Era todo mundo amigo, todo mundo surfista, todo mundo saudável, os namoros eram ali mesmo. Enfim, era uma cena bem alegre que existia ali nessa época.

Pranchar era tipo uma gíria na época?

A gente usava a palavra pranchar, sim. “Vamos pranchar”, por isso que eu resolvi colocar. Foi uma ideia que eu tive e passei para o meu irmão, mas eu colaborei bastante nesta letra.

Normalmente eu faço a música e o meu irmão faz a letra. Mas, nessa música eu fiz “vem, vamos entrar nessa onda, vamos descer essa onda, leva sua prancha pro mar… você não deve ter medo, veja que não tem segredo, é só se equilibrar”.

Enfim, a letra toda é assim, muito eu imaginando estar pegando onda, eu mesmo descendo a onda. Então, esse termo era muito usado, “vamos pranchar”. Eram aquelas pranchas de madeirite, pesadas, tinha que carregar na cabeça.

E a gente usava um pé de pato, cortado, senão não dava pra subir na prancha, usava pra dar um pouco de impulso e compensar um pouco do peso da prancha.

Havia outros surfistas naquela cena de Bossa Nova no início dos anos 60?

Tinha outros surfistas, mas não vou lembrar de todos. Não eram tantos, mas os que eu me lembro são os que eu citei. Tinha alguns de nomes engraçados, o Macaco, ele era muito bom. Ele mesmo se apelidou assim. Depois que veio outra geração.

Encontrei ao menos duas interpretações bacanas de Vamos Pranchar, uma com o Quarteto em Cy e outra, em inglês, com Sylvia Telles, que inclusive faz parte da trilha sonora de um vídeo com a surfista australiana Stephanie Gilmore.

Eu não conhecia esse documentário da Stephanie Gilmore, com a gravação da nossa música pela Sylvinha Telles, não conhecia não. Fui ver depois que você me falou e estou curtindo muito. Eu adoro essa gravação da Sylvinha Telles, acho ótima. Ela foi feita primeiro no Brasil, depois nos Estados Unidos.

A do Quarteto em Cy também é muito boa. E eu gravei, você não conhece essa gravação, como eu falei no início. Porque a gente estava num compacto, não estava num LP. Só depois, nos relançamentos, quando relançam meus discos no Japão, na Europa, tal, e no próprio Brasil. Quando fizeram relançamentos incluem como faixa bônus.

Eu acho que Vamos Pranchar entra no meu segundo disco, Um Compositor e Um Cantor. Originalmente, não estava. Então, tem essas gravações, da Sylvinha, do Quarteto e essa minha também. De repente, vou procurar essas coisas no YouTube e te mando.

Com uma tonelada de clássicos em sua carreira, Samba de Verão é a mais conhecida de todas. Mas, qual a sua música preferida?

É difícil dizer qual é a música preferida, porque tem umas coisas que você vai gostar mais, porque, de repente, tiveram mais sucesso. Logicamente eu sou muito grato ao Samba de Verão, que foi um sucesso na minha carreira muito cedo. Afinal, Samba de Verão estoura em 1964 no Brasil. Eu nasci em 1943, estava ali com 21 anos. Com 21 anos você já tem uma música que se torna a segunda música brasileira mais importante no mundo até hoje, então, eu sou muito grato à ela.

E adoro ouvir todas as versões, cada tipo de reação que faz ser diferente, dentro do jazz, do pop, se é DJ, eu gosto de tudo. Eu sou um cara muito aberto para essas coisas. E gosto muito de incluir no show. As pessoas gostam muito.

Mas, eu vou mudando os arranjos. Samba de Verão tem vários e vários arranjos, exatamente para estar sempre renovando. Eu Preciso Aprender a Ser Só, Terra de Ninguém, tem Estrelar (Tem que correr, tem que suar, tem que malhar, vamos lá! Musculação, respiração, ar no pulmão, vamos lá! Tem que esticar, tem que dobrar, tem que encaixar, vamos lá! Um, dois e três; é sem parar, mais uma vez…), é tanta coisa, nem sei.

Eu tenho umas 800 músicas. E eu também sou muito ligado nas coisas que eu acabo de fazer. Então, é difícil escolher. Mas, é como eu disse pra você, Samba de Verão foi um cartão de visita muito importante pra mim, tanto no Brasil quanto no exterior.

O que acha de ser sampleado por caras como Marcelo D2 e por Jay Z?

Essa coisa de ser sampleado foi excelente para mim. Da mesma maneira que ali, na década de 90, os DJs europeus descobriram minha música e começaram a tocar nas pistas de dança e aquilo foi despertando o interesse daquela garotada, e isso abriu totalmente um outro público pra mim, a coisa do sample também.

Quando o Marcelo D2 sampleou Mentira, aquilo foi ótimo. Ele fez quando estava com o Planet Hemp, depois ele fez também quando estava em carreira solo. Excelente, isso foi muito bom.

Isso aí, fora do Brasil, começou com um atrás do outro. Quando eu vi, era muita coisa, Jay Z, Kanye West, Pusha T, Tom Misch, meu parceiro, meu amigo, que depois eu conheci. E tem outros, Childish Gambino, um atrás do outro. E eu gosto muito.

Quando ouvi o Jay Z, eu gostei demais que ele pegou minha música chamada Ele e Ela e virou Thank You. Kanye West pegou minha música Bodas de Sangue e transformou em New God Flow. Pusha T também botou uma música chamada Pain com Bodas de Sangue.

Acho isso muito bom, porque além do fato de eu gostar mesmo, você pega um público diferente. O cara que vai ouvir o Jay Z, e aquela música foi bastante sucesso com ele, as pessoas querem saber que sample é aquele. Quem não conhece o Marcos Valle, ali da turma dele, vai acabar sabendo. E com isso você vai adicionando público. Isso tudo é absolutamente bem-vindo.

Em sua imensa discografia arrasadora, qual álbum recomendaria para as novas gerações de surfistas?

Recomendaria para a turma do surfe, o meu álbum mais recente, Cinzento. Esse disco, tudo de música nova que eu fiz, é muito groove. O nome é Cinzento, embora seja engraçado por eu estar falando com o pessoal do surfe, porque eu acho que o momento de cultura no Brasil, de arte, é complicado pelo tipo de conduta de governo que a gente tem.

Então, botei o nome de Cinzento por causa disso, da coisa do prejuízo à cultura. Mas, apesar de ser Cinzento, ele é muito suingado. As músicas são todas minhas mas tem letra do Emicida, que aliás chama Cinzento e ele canta comigo.

Tem músicas com o Bem Gil, Moreno Veloso, Zélia Duncan, Domenico Lancellotti, Kassin, Jorge Vercilio. Também tem uma letra do meu irmão, letra do Ronaldo Bastos. Então, é um disco que tem um groove e ao mesmo tempo tem um mistério. Tem um verão presente ali, eu recomendaria: Cinzento.

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Nota da redação: Precisa estar logado no Spotfy para ouvir as músicas do playlist abaixo na íntegra.

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    Próxima chamada para o possível Finals Day do MEO Rip Curl Pro Portugal, em Peniche, acontece nesta sexta-feira (23) às 5h da manhã (horário de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates em nosso fórum. Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30 Filipe Toledo (BRA)3 – Italo Ferreira (BRA) 15.00 x 10.43 Jack Robinson (AUS)4 – Guilherme Ribeiro (POR) 10.33 x 5.00 Kanoa Igarashi (JAP)5 – Yago Dora (BRA) 13.66 x 11.67 Connor O’Leary (JAP)6 – Ethan Ewing (AUS) 15.73 x 11.17 Frederico Morais (POR)7 – Seth Moniz (HAV) 12.80 x 12.60 Miguel Pupo (BRA)8 – Griffin Colapinto (EUA) 17.17 x 13.27 Kauli Vaast (FRA) Quartas de final 1 – Morgan Cibilic (AUS) 10.00 x 10.60 Gabriel Medina (BRA)2 – Italo Ferreira (BRA) 12.83 x 6.84 Guilherme Ribeiro (POR)3 – Yago Dora (BRA) 15.84 x 3.00 Ethan Ewing (AUS)4 – Seth Moniz (HAV) 14.17 x 14.50 Griffin Colapinto (EUA) Semifinais 1 – Gabriel Medina (BRA) x Italo Ferreira (BRA)2 – Yago Dora (BRA) x Griffin Colapinto (EUA) Round 1 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 11.33 x 3.53 Luana Silva (BRA)2 – Francisca Veselko (POR) 8.54 x 7.90 Sawyer Lindblad (EUA)3 – Caitlin Simmers (EUA) 14.16 x 7.93 Nadia Erostarbe (ESP)4 – Carissa Moore (HAV) 12.33 x 6.76 Johanne Defay (FRA)5 – Teresa Bonvalot (POR) 11.40 x 10.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Lakey Peterson (EUA) 11.17 x 7.10 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 15.74 x 11.10 Yolanda Hopkins (POR)8 – Erin Brooks (CAN) 12.50 x 7.27 Tyler Wright (AUS) Quartas de final 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 7.43 x 7.34 Francisca Veselko (POR)2 – Caitlin Simmers (EUA) 11.50 x 8.93 Carissa Moore (HAV)3 – Teresa Bonvalot (POR) 5.10 x 10.00 Lakey Peterson (EUA)4 – Molly Picklum (AUS) 11.33 x 6.83 Erin Brooks (CAN) 1 – Caitlin Simmers (EUA) 11.33 x 10.26 Bettylou Sakura Johnson (HAV)2 – Molly Picklum (AUS) 8.63 x 7.40 Lakey Peterson (EUA) Final 1 – Caitlin Simmers (EUA) x Molly Picklum (AUS)

    Próxima chamada para possível Finals Day do MEO Rip Curl Pro Portugal, em Peniche, acontece nesta sexta-feira (23) às 5h da manhã (horário de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.