Anarquilha

Valeu, Marcos Valle

Na estreia da coluna Anarquilha, jornalista Alceu Toledo Junior entrevista o compositor Marcos Valle, autor de Vamos Pranchar, dentre outros sucessos.
Marcos Valle, de calção listrado, era local do Arpoador no início dos anos 60. Sentado, o irmão dele, Paulo Sérgio.

Amigos e amigas do Waves, galera geral! É uma alegria imensa estar de volta ao amado portal onde escrevemos tantas histórias iradas desde quando participei do lançamento em 1998, como editor.

Agora, com a coluna Anarquilha no meu personagem mais surfer alien de capital paulista, onde estou meio sem querer. Meu sonho era voltar a morar no Rio de Janeiro, onde vivi no início dos anos 80, ou em Santos, terra do meu amado Santos Futebol Clube.

Viver no Rio de Janeiro é morar bem demais. Boas ondas, clima perfeito, mulheres maravilhosas, Maracanã lotado, mas um caos urbano de muitas emoções a cada swell e também em cada novo assalto ou enquadro.

Um dia, durante um chat de trabalho, sugeri para o meu amigo Fernando Iesca, o diretor do Waves, a criação desta coluna Anarquilha para jogar uma conversa e falar das coisas boas do surfe, a cultura, a evolução infinita, e também das coisas meio chatas, como o mercado e as roubalheiras das baterias.

Também falamos da coluna falar de música, meio ambiente, moda e de outros temas nacionais, internacionais e interplanetários, sobretudo agora que ocorre um repentino abate de ovnis que aparentemente são terráqueos mesmo.

Como muitos da nova geração não me conhecem, vou me apresentar: 63 anos, 37 anos de mídia. Fiquei em pé pela primeira vez numa prancha em 1974, praia de Pitangueiras, Guarujá (SP). Já fui editor das revistas Fluir, Hardcore, Off Shore e Guitar Player BR. Também fui editor de uma aventura pseudo editorial que apelidei de gestaposurf, mas graças a Deus fui demitido a tempo de tentarem me converter. Fui frila da Inside e da Venice por muitos anos e também escrevi uma vez para a Trip e outras publicações bem menos importantes.

Conheço in loco a cena do surfe na Argentina, México, Estados Unidos e Havaí. O mais próximo da Europa que já estive foi quando escrevi um texto para a revista espanhola Tres60, sobre a cena heavy metal e punk aqui no BR, nos anos 90, nem sei se essa revista ainda resiste. Também nunca fui para Austrália ou Indonésia.

Entre personagens de várias áreas diferentes e equidistantes entre si, entrevistei Dick Dale, Joey Ramone, Jello Biafra, Mike Patton, Kelly Slater, Tom Curren, Nat Young, Sunny Garcia, Richie Collins, Peter Troy, Peter Townsend, Brad Gerlach, Mark Richards, Wayne Bartholomew, Dick Brewer, Ben Aipa, Derek Hynd, Cheyne Horan, Sally Fitzgibbons, Bethany Hamilton, Garrett McNamara, Johnny Boy Gomes, Buttons Kaluhiokalani, Damian Hardman, Dave Macaulay, Bad Brains, Nuclear Assault, The Church, Midnight Oil e outras paradas que eu esqueci.

Do lado de cá, falei com Picuruta, Almir e Lequinho Salazar, Paulinho, Amaro e Neno do Tombo, Tinguinha, Luiz Neguinho, Taiu, Dadá Figueiredo, Pedro Muller, Gabriel Medina, Silvana Lima, Carlos Burle, Eraldo Gueiros, Adriano de Souza, Yago Dora, Roberto Valério, Ricardo Toledo, Rodrigo Koxa, Maraca, Ricardo Bocão, Teco Padaratz, Fabinho Gouveia, Renan Rocha, Aurélio Miguel, Hortência, Chloé Calmon, Mariana Becker, Claudia Ferrari, Claudia Saboia Lemos; governador Mário Covas, governador Esperidião Amin, governador Leonel Brizola, vice-presidente Aureliano Chaves, presidente Andrés Perez (Venezuela), vereador Eder Jofre, senador Tancredo Neves, senador Teotônio Vilela; Tostão, Zico, Sócrates, Falcão, Denilson, Casagrande, Rogério Ceni, Zagallo e Ziraldo; as bandas Ratos de Porão, Replicantes, Titãs, Blitz, Plebe Rude, Sepultura, Helena Meireles; e os cronistas esportivos que eu sempre admirei Luiz Mendes (o homem da palavra fácil), Sergio Baklanos, Orlando Duarte, Alberto Helena Junior e Vital Bataglia, entre outros que eu também esqueci.

Meu sonho era entrevistar o genial compositor e guitarrista Frank Zappa, meu grande ídolo do rock. Mas, não tive tempo, ele se foi cedo deste mundo, em 1992, assim como Jimi Hendrix, bem antes. Gostaria de ter entrevistado também outro gênio que eu curto demais, Miles Davis.

Enfim, eu não entrevistei o Zappa, mas tirei uma foto do George Duke, tecladista da segunda fase da banda dele, o Mothers of Invention, durante um festival de jazz no Rio de Janeiro, em 1978, quando eu dei de cara com este parceiro fundamental. Ele estava junto com o baixista Stanley Clarke, então da banda Return To Forever, outro grupo emblemático da era do jazz fusion.

Também conheci o violinista francês Jean-Luc Ponty. Mas, ele foi meio estrela na entrevista e disse que não iria falar sobre os tempos que ele tocou com Frank Zappa e John McLaughlin, da Mahavishnu Orchestra. Então, o resto da entrevista foi total perda de tempo.

Porém, destino generoso e tive a oportunidade de entrevistar o carioca Marcos Valle, cantor, compositor, pianista, tecladista e surfista, autor de Vamos Pranchar, grande ídolo da MPB, criador deste hit remoto de praia, 1964, uma pedrada da mesma geração de Surfboard, de Tom Jobim, e Exército do Surf, da ternurinha loura Wanderléa.

Para quem anda esquecido, Marcos Valle também criou músicas temas de novelas, como Pigmalião 70, O Cafona e Ossos do Barão, bem como a clássica abertura de Vila Sésamo, programa infantil de muito sucesso nos anos 70.

Na boa, muito privilegiada a oportunidade de falar com Marcos Valle, 79 anos, um legend do surfe e um monumento da música brasileira, ainda mais para estrear minha coluna no Waves! A entrevista já era pra ter sido publicada há uns tempos. Mas, uns contratempos deram uma embaçada e graças ao empenho do Fernandera estamos aê.

Voltando à minha retrospectiva, meus melhores amigos no surfe sempre foram Marcelo Torok, Nelsinho Corvo e Edilson Souza entre a galera da rua. Dadá Figueiredo, o surfista punk, bem como Julio Adler, o texto mais natural e sobrenatural do surfe brasileiro, são grandes pirações e inspirações incomuns.

Entre o povo da mídia, minha admiração e amizade por Carol Keller, Felipe Fernandes, Rafael Sobral, Bruno Lemos, Alberto Sodré, Reinaldo “Dragão” Andraus, Zé Lúcio Cardim, Marco Ferragina, Agobar Junior, Cândido Coelho Neto, Marcelo Bueno, Carlos Lorch, Fernando Iesca, Ricardo Macario, Nancy Geringer, Xandão Barros, Adrian Kojin, Alexandre Versiani, Alexandre Toledo Piza, Chico Padilha, Veri Bressane, Fábio Maradei, Fábio Bolota, Paulo Anshovinhas (corajosamente, publicou meu pior texto, Skate of Fuck, numa das primeiras edições da revista Yeah!), os irmãos Bebeto, Ado (velho Carsa) e o Claudio Martins de Andrade (Alemão Claudjones), fundador da Fluir, Waves e Surf & Beach Show, o grande kahuna midiático que me trouxe para este mundo das ondas fluidas em 1985, quando eu era bagre das Relações Públicas da Infraero, no aeroporto do Galeão e estagiava na Aipress.

Outros caras irados do percurso, mestre das letras Tulio Brandão, Pablo Dominguez, Fernando Costa Netto, Marcelo Lacerda, Ricardo Bocão, João Valente, Fred d’Orey, Ledo Ronchi e Alexandre Andreatta, meu chefe na Fluir nos anos 80.

Por essas e outras, acabei me tornando editor do site Waves por longos 15 anos, da fundação em 1998 até 2013, e hoje ainda monto as minhas pautas nos finais de semana. Também tenho um blog que está meio parado, o Surfreak – manobras impussyveis. E estou com outro projeto em andamento, o Bikini LIFE, site de moda praia para mulheres.

Mas, a parte realmente interessante da minha carreira foi ter sido empresário da banda hardcore Ratos de Porão. Nunca ganhei assim uma grana com esta história de punk, mas era muito divertido viajar com aqueles malucos da Vila Piauí e fazer shows no Rose Bom Bom, Madame Satã ou Circo Voador, lá pelo final dos anos 80.

No final, acabei dando uma contribuição quando escrevi, em parceria com o vocalista João Gordo, algumas letras em inglês para aquele que seria o álbum grunge deles: Just Another Crime in Massacreland, com as faixas Satanic Bullshit, C.R.A.C.K. e Video Macumba, minha obra prima, um monstrengo grindcore que fala de uma fita maluca enviada por Mike Patton, do Mr. Bungle e do Faith No More, para o Max Cavalera, quando ele ainda era do Sepultura.

Também trabalhei em alguns jornais e na agência Publifolha. Mas, nunca fui muito atraído para este negócio de ser redator publicitário ou repórter com hora para chegar e não ter hora para sair.

Então, minha carreira na grande imprensa simplesmente não decolou. De qualquer maneira, a principal reportagem até hoje foi fora do meio do surfe, quando escrevi sobre o futebol na masmorra medieval do Carandiru, para a revista Placar, em 1996.

Como nenhum jornal aqui me mandaria cobrir eventos no Havaí, Califórnia, Austrália ou México, acharam por bem me mandar pra cadeia, onde passei cerca de um mês enjaulado, dia sim, dia não, para entrevistar condenado e falar de bola no terrão do Pavilhão 9.

Isso bem antes de Os Racionais lançarem a icônica crônica hip hop Diário de um Detento.

Foi uma experiência única. Cheguei a almoçar em cela com os prisioneiros. E também entreguei taça para time campeão de uma das ligas internas do presídio. Essa matéria, A Bola Rola Solta Na Cadeia, me trouxe um momento de libertação na vida, pois fez parte de um especial da editora Abril, 100 Anos de Revista no Brasil, publicação que circulou apenas para alguns privilegiados e que me foi presenteada por outro grande amigo que fiz no surfe, o diretor de arte Fábio Bosquê Ruy.

Pessoalmente teve um importante significado, uma vez que o meu velho pai era cria da Abril. Onde estiver, imagino que ele teria ficado contente por conta da minha reportagem ter ido parar na história das revistas no Brasil, justamente onde ele gostava tanto de trabalhar.

Ainda tive publicada outra reportagem na cadeia, desta vez para o falecido Notícias Populares. Ali emplaquei uma grande manchete no jornal que espremia e saía sangue: Terapia do sopapo acalma presos na detenção!

Manchete de autoria de um surfista, Fernando Costa Netto, o Dandão, local do Monduba, Guarujá, anos 70, cria da Trip e então editor do jornal mais bizarro da história da imprensa no país. O famigerado NP, que todo mundo lia pendurado nas bancas mas que ninguém comprava. Estampava o bandido da luz vermelha ou o bebê-diabo, trazia verdades e mentiras que marcaram época com as manchetes mais sensacionalistas, surrealistas e escandalosas.

De volta ao meio do surfe, a reportagem sobre o Hang Loose Pro Contest 1986, publicada na Fluir 18, chegou a ser bem elogiada, a ponto de eu ter levado um prêmio de melhor reportagem da história, oferecido pela Assembléia Legislativa de São Paulo, em 2004, em homenagem ao Dia do Surfe.

Então, esta é a parte boa da minha história profissional. E eu me sinto bastante realizado por estar aqui, de volta ao Waves pela porta da frente, reconhecido pela minha biografia e por ter feito a minha parte nessa história de compromisso com o esporte, apoiando campeonatos, divulgando atletas e inspirando a transformação pelas ondas.

Até porque hoje o surfe no Brasil nunca esteve tão em alta. E isso tem muito a ver com as performances aéreas de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Filipe Toledo e outros voadores de muita imaginação em cima de uma prancha, legítimos herdeiros da tradição em nosso país e que vem desde Santos Dumont, o pai da aviação!

Depois dos recentes títulos mundiais, incluindo a medalha de ouro do Italo, premiações em ondas grandes, livro de recordes com Rodrigo Koxa e a maior onda da história, por aqui só se fala de surfe. E isso nem poderia ser diferente, pela avalanche de boas notícias,  sobretudo depois de tantos anos de dificuldades, incompreensão, ostracismo, roubadas e decepções no circuito mundial.

Mas, aqui já tem bastante gente falando e bem do surfe competição. Então, na estreia da minha coluna Anarquilha eu aproveito para sair do palanque e falar um pouco de MPB e de Arpex anos 60, afinal, eu entrevistei nada mais nada menos que o lendário Marcos Valle, gênio criativo de dezenas de discos e que, não por acaso, era um lendário local do tradicional pico do Rio de Janeiro.

Marcos Valle é o autor, em parceria com o irmão Paulo Sérgio, da clássica Vamos Pranchar, uma bossa de batida perfeita e que descreve de forma totalmente lúdica o nascimento do surfe nas não menos clássicas esquerdas do Arpoador, berço esplêndido do surfe nacional.

Ao lado de monstros sagrados da MPB, como Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Eumir Deodato, Egberto Gismonti, Hermeto Paschoal, entre tanto outros gênios que vão de Villa-Lobos a Pixinguinha, de Tim Maia a Chico Science, Marcos Valle construiu sua imensa reputação com centenas de sucessos nas praias da bossa-nova, tropicalismo, funk samba, eletro e até mesmo do rap mais recentemente, ao ser sampleado por artistas como Jay Z, Kanye West, Pusha T e Marcelo D2.

Numa entrevista concedida por e-mail, muito gentil e atencioso com o nosso Waves, Marcos Valle conta detalhes da época de ouro do surfe no Arpoador, falando sobre a galera e a cena toda.

Ele também fala de seu maior sucesso, Samba de Verão, a segunda música brasileira mais importante da história, depois de Garota de Ipanema. “Sou muito grato ao Samba de Verão, que foi um sucesso na minha carreira muito cedo. Afinal, Samba de Verão estoura em 1964 no Brasil. Eu nasci em 1943, estava ali com 21 anos. Com 21 anos você já tem uma música que se torna a segunda música brasileira mais importante no mundo até hoje, então, eu sou muito grato à ela”, revela.

Mas, dentro d’água, Vamos Pranchar era mais cantada. “Em 1964, no Arpoador, a música Vamos Pranchar era mais sucesso do que Samba de Verão, justamente por falar do nosso esporte. Era comum a gente descer as ondas cantando Vamos Pranchar”, recorda.

Como cortesia ao Waves, ele enviou uma versão instrumental fantástica de Vamos Pranchar, que eu nem sabia da existência. E veja que, das cerca de 800 músicas compostas por ele, eu tenho pelo menos umas duzentas no meu iPod, melodias e letras incríveis como Próton, Elétron, Neutron, Wanda Vidal, Ela é Carioca, Com Mais de Trinta, Mentira, Que Bandeira, Os Grilos, México 70, O Cafona, Democústico, Mustang Cor de Sangue, Flamengo Até Morrer, Meu Herói, Parabéns e tantas outras que nem tenho como despejar tudo por aqui, algumas destas estão num playlist mais abaixo.

Pra ir logo direto ao assunto, Anarquilha é um projeto de longa duração e, com o tempo, espero que se torne um espaço interativo bem divertido para discutir este lance de onda e de outros temas que podem ter alguma coisa a ver.

Não hesitem disparar o clique aqui para meter o pau do Fórum, para descer a lenha, esculachar legal ou sugerir novos conteúdos. Mas, também agradeço a quem, por ventura, venha a tecer alguns elogios, até eu entrar novamente em forma e acertar a mão legal deste digitalk.

Logo eu volto com mais gás, novas pautas, novos assuntos e temas mais salgados destes de todo mundo xingar ou achar o máximo! Enquanto isso, espero que saboreiem, sem pressa, essa tão esperada entrevista com o ídolo Marcos Valle.

Em 1964, ano do golpe militar, você lançou a clássica música Vamos Pranchar, um dos primeiros registros do surfe na MPB. O que te inspirou nesta composição?

Eu comecei a pegar onda mesmo em 1960 no Arpoador. E essa música, Vamos Pranchar, é uma consequência disso aí. Da mesma maneira de Samba de Verão, que se tornou um sucesso, e que também fala dessa coisa de sol, de praia, de mar, enfim, da sensualidade que existe no esporte.

No fundo, foi assim que me inspirei para fazer Samba de Verão. E Vamos Pranchar também, que era isso, mas mais específico. Imaginei aquela coisa mesmo de estar descendo a onda, aquelas pranchas de madeira da época, muito instáveis nas manobras, as meninas esperando na areia. Poucas as mulheres pegavam. As garotas que pegavam onda eram a Fernanda Guerra, Maria Helena Beltrão, não tinha mais, talvez mais uma. As namoradas ficavam esperando na areia.

Então, essa música Vamos Pranchar é bem essa visão. Ela foi lançada por mim, na verdade, um pouco antes do golpe militar. Quando eu fiz Samba de Verão e a gravadora viu que ia se tornar um sucesso, eu gravei um compacto simples. Não deu para esperar um segundo disco.

Eu tinha gravado meu primeiro disco em 1963 e o segundo ia sair exatamente em 1964. Mas, não dava para eu esperar sair o disco, porque a música estava precisando ser lançada logo, segundo o plano de divulgação da gravadora, que era a Odeon.

É uma gravação que um lado é Samba de Verão e o outro lado é Vamos Pranchar. Muito engraçado nisso tudo, é que Samba de Verão estourou no mundo inteiro e também ali no Arpoador. Mas, para te falar a verdade, no Arpoador a música Vamos Pranchar era mais sucesso do que Samba de Verão, justamente por falar do nosso esporte.

Era comum a gente descer as ondas cantando. O pessoal também cantava comigo, os outros surfistas, era uma coisa bem interessante.

Como foi que você e o teu irmão começaram a surfar no Arpoador?

Sim, eu e o meu irmão surfávamos no Arpoador, isso é verídico. A gente sempre foi muito ligado em esporte por conta do meu pai. Ele era advogado mas nos incentivou aos exercícios, ele mesmo gostava muito.

E desde cedo nos acostumamos a fazer todos os tipos de esportes, começamos com o jiu-jitsu e a natação, que aliás foi ótima quando a gente resolveu pegar onda. E a gente morava perto da praia, em Copacabana, quase no Posto 6. Dali para o Arpoador era um pulo.

Então, a gente pegou onda ali por muito tempo. Paulo Sérgio pegou mais tempo, porque  logo eu fui para os Estados Unidos pra tocar lá, bem cedo. Aí, eu parei. Quando eu voltei, trouxe uma prancha de fibra de vidro, mas não continuei, porque aí eu já estava seguindo a minha carreira musical, mas o meu irmão seguiu mais tempo surfando.

Quem fazia parte da turma do surfe dos irmãos?

A turma era o Arduíno Colassanti, Jorge Paulo Lehman, Mário Bração, Jaime, que a gente chamava de Persegue e era muito bom, Geraldinho Dutra, Valcir, que a gente chamava de 22, porque existia o 21 na praia.

Quem mais? Eu lembro também do Sabu, que ficava ali com a gente, Charuto, que depois se tornou dono da marca de roupas Richards. Tinha os irmãos Mudo e Mudinho. Essa era a turma que pegava com a gente nessa época.

Como era a cena do surfe em Ipanema e arredores?

A cena do surfe em Ipanema era bem concentrada no Arpoador. De vez em quando, eu me lembro que a gente fazia umas incursões na praia da Macumba, mas era difícil porque as pranchas de madeirite eram pesadas, a gente tinha que arrumar carro, isso quando a gente conseguia.

Um pedia o carro do pai, outro pegava não sei das quantas e era complicado chegar à praia da Macumba. Tinha que subir a pé, aquela grama, aqueles morros todos pra chegar. Não era fácil não, mas a gente ia.

Mas, aquela cena de Ipanema era concentrada mesmo no Arpoador. Todo mundo ali no calçadão, batendo papo, trocando ideias sobre revistas americanas de surfe quando chegavam.

Quando tinha filme sobre surfe todo mundo ia ver junto. Fernanda Guerra fala uma coisa, e é verdade, teve um filme que quem quisesse levar a prancha não pagava. Tinha umas festas no fim de semana entre os surfistas.

Era um clima bem assim, uma cena americana adaptada ao Rio de Janeiro. Era todo mundo amigo, todo mundo surfista, todo mundo saudável, os namoros eram ali mesmo. Enfim, era uma cena bem alegre que existia ali nessa época.

Pranchar era tipo uma gíria na época?

A gente usava a palavra pranchar, sim. “Vamos pranchar”, por isso que eu resolvi colocar. Foi uma ideia que eu tive e passei para o meu irmão, mas eu colaborei bastante nesta letra.

Normalmente eu faço a música e o meu irmão faz a letra. Mas, nessa música eu fiz “vem, vamos entrar nessa onda, vamos descer essa onda, leva sua prancha pro mar… você não deve ter medo, veja que não tem segredo, é só se equilibrar”.

Enfim, a letra toda é assim, muito eu imaginando estar pegando onda, eu mesmo descendo a onda. Então, esse termo era muito usado, “vamos pranchar”. Eram aquelas pranchas de madeirite, pesadas, tinha que carregar na cabeça.

E a gente usava um pé de pato, cortado, senão não dava pra subir na prancha, usava pra dar um pouco de impulso e compensar um pouco do peso da prancha.

Havia outros surfistas naquela cena de Bossa Nova no início dos anos 60?

Tinha outros surfistas, mas não vou lembrar de todos. Não eram tantos, mas os que eu me lembro são os que eu citei. Tinha alguns de nomes engraçados, o Macaco, ele era muito bom. Ele mesmo se apelidou assim. Depois que veio outra geração.

Encontrei ao menos duas interpretações bacanas de Vamos Pranchar, uma com o Quarteto em Cy e outra, em inglês, com Sylvia Telles, que inclusive faz parte da trilha sonora de um vídeo com a surfista australiana Stephanie Gilmore.

Eu não conhecia esse documentário da Stephanie Gilmore, com a gravação da nossa música pela Sylvinha Telles, não conhecia não. Fui ver depois que você me falou e estou curtindo muito. Eu adoro essa gravação da Sylvinha Telles, acho ótima. Ela foi feita primeiro no Brasil, depois nos Estados Unidos.

A do Quarteto em Cy também é muito boa. E eu gravei, você não conhece essa gravação, como eu falei no início. Porque a gente estava num compacto, não estava num LP. Só depois, nos relançamentos, quando relançam meus discos no Japão, na Europa, tal, e no próprio Brasil. Quando fizeram relançamentos incluem como faixa bônus.

Eu acho que Vamos Pranchar entra no meu segundo disco, Um Compositor e Um Cantor. Originalmente, não estava. Então, tem essas gravações, da Sylvinha, do Quarteto e essa minha também. De repente, vou procurar essas coisas no YouTube e te mando.

Com uma tonelada de clássicos em sua carreira, Samba de Verão é a mais conhecida de todas. Mas, qual a sua música preferida?

É difícil dizer qual é a música preferida, porque tem umas coisas que você vai gostar mais, porque, de repente, tiveram mais sucesso. Logicamente eu sou muito grato ao Samba de Verão, que foi um sucesso na minha carreira muito cedo. Afinal, Samba de Verão estoura em 1964 no Brasil. Eu nasci em 1943, estava ali com 21 anos. Com 21 anos você já tem uma música que se torna a segunda música brasileira mais importante no mundo até hoje, então, eu sou muito grato à ela.

E adoro ouvir todas as versões, cada tipo de reação que faz ser diferente, dentro do jazz, do pop, se é DJ, eu gosto de tudo. Eu sou um cara muito aberto para essas coisas. E gosto muito de incluir no show. As pessoas gostam muito.

Mas, eu vou mudando os arranjos. Samba de Verão tem vários e vários arranjos, exatamente para estar sempre renovando. Eu Preciso Aprender a Ser Só, Terra de Ninguém, tem Estrelar (Tem que correr, tem que suar, tem que malhar, vamos lá! Musculação, respiração, ar no pulmão, vamos lá! Tem que esticar, tem que dobrar, tem que encaixar, vamos lá! Um, dois e três; é sem parar, mais uma vez…), é tanta coisa, nem sei.

Eu tenho umas 800 músicas. E eu também sou muito ligado nas coisas que eu acabo de fazer. Então, é difícil escolher. Mas, é como eu disse pra você, Samba de Verão foi um cartão de visita muito importante pra mim, tanto no Brasil quanto no exterior.

O que acha de ser sampleado por caras como Marcelo D2 e por Jay Z?

Essa coisa de ser sampleado foi excelente para mim. Da mesma maneira que ali, na década de 90, os DJs europeus descobriram minha música e começaram a tocar nas pistas de dança e aquilo foi despertando o interesse daquela garotada, e isso abriu totalmente um outro público pra mim, a coisa do sample também.

Quando o Marcelo D2 sampleou Mentira, aquilo foi ótimo. Ele fez quando estava com o Planet Hemp, depois ele fez também quando estava em carreira solo. Excelente, isso foi muito bom.

Isso aí, fora do Brasil, começou com um atrás do outro. Quando eu vi, era muita coisa, Jay Z, Kanye West, Pusha T, Tom Misch, meu parceiro, meu amigo, que depois eu conheci. E tem outros, Childish Gambino, um atrás do outro. E eu gosto muito.

Quando ouvi o Jay Z, eu gostei demais que ele pegou minha música chamada Ele e Ela e virou Thank You. Kanye West pegou minha música Bodas de Sangue e transformou em New God Flow. Pusha T também botou uma música chamada Pain com Bodas de Sangue.

Acho isso muito bom, porque além do fato de eu gostar mesmo, você pega um público diferente. O cara que vai ouvir o Jay Z, e aquela música foi bastante sucesso com ele, as pessoas querem saber que sample é aquele. Quem não conhece o Marcos Valle, ali da turma dele, vai acabar sabendo. E com isso você vai adicionando público. Isso tudo é absolutamente bem-vindo.

Em sua imensa discografia arrasadora, qual álbum recomendaria para as novas gerações de surfistas?

Recomendaria para a turma do surfe, o meu álbum mais recente, Cinzento. Esse disco, tudo de música nova que eu fiz, é muito groove. O nome é Cinzento, embora seja engraçado por eu estar falando com o pessoal do surfe, porque eu acho que o momento de cultura no Brasil, de arte, é complicado pelo tipo de conduta de governo que a gente tem.

Então, botei o nome de Cinzento por causa disso, da coisa do prejuízo à cultura. Mas, apesar de ser Cinzento, ele é muito suingado. As músicas são todas minhas mas tem letra do Emicida, que aliás chama Cinzento e ele canta comigo.

Tem músicas com o Bem Gil, Moreno Veloso, Zélia Duncan, Domenico Lancellotti, Kassin, Jorge Vercilio. Também tem uma letra do meu irmão, letra do Ronaldo Bastos. Então, é um disco que tem um groove e ao mesmo tempo tem um mistério. Tem um verão presente ali, eu recomendaria: Cinzento.

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Nota da redação: Precisa estar logado no Spotfy para ouvir as músicas do playlist abaixo na íntegra.

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    Yago Dora é o campeão do Vivo Rio Pro 2026. O brasileiro derrotou o italiano Leonardo Fioravanti em uma final acirrada, impulsionado pela forte presença da torcida que lotou as areias de Itaúna, mesmo debaixo de chuva e frio. Com mar balançado e ondas com cerca de um metro e meio nas séries, Fioravanti, que chegou à decisão já com o status de novo líder do ranking mundial, repetiu a estratégia da semifinal. O italiano impôs um ritmo forte logo no início da disputa, enquanto Yago optou por ser mais paciente e seletivo na escolha de suas ondas. A tática de Fioravanti rendeu frutos iniciais, deixando-o com um somatório provisório de 8.17 (notas 5.67 e 2.50). No entanto, aos 13 minutos de bateria, Yago Dora encontrou a rampa perfeita, executou um lindo aéreo rodando e levantou a praia ao arrancar um excelente 8.50 dos juízes. Minutos depois, já na metade do confronto, o brasileiro voou novamente. Com outro aéreo bem executado, recebeu um 6.50 e fechou seu somatório em imbatíveis 15.00 pontos. Pressionado, Fioravanti passou a precisar de 9.33 para assumir a liderança. A cinco minutos do fim, o italiano arriscou um ótimo aéreo (sem rotação completa) e diminuiu a diferença com um 7.50. Nos instantes finais, ele precisava de um 7.51 para a virada, mas o mar não colaborou e ele não conseguiu surfar mais nenhuma onda, selando a vitória e o título de Yago Dora pelo placar final de 15.00 a 13.37. Com esse resultado, Yago pulou para o segundo lugar na classificação geral do CT, ficando atrás somente de Fioravanti. Italo Ferreira agora cai para a terceira posição, enquanto Gabriel Medina, eliminado na estreia em Saquarema, ocupa o quarto lugar, seguido por Miguel e Samuel Pupo. Na final feminina, a norte-americana Sawyer Lindblad superou o “fenômeno francês” Tya Zebrowski com duas ondas de pontuações ligeiramente superiores (3.90 e 3.77), fechando seu somatório em 7.67 pontos. Lidando com condições difíceis no mar durante a bateria, Zebrowski lutou bastante e surfou um número muito maior de ondas que sua adversária, em uma tentativa incessante de reverter o placar. No entanto, Tya teve que se contentar com uma pontuação total de 6.10 (3.47 e 2.63) em suas duas melhores apresentações. O esforço não foi suficiente para garantir sua primeira vitória no Championship Tour aos 15 anos de idade, feito que teria estabelecido um recorde histórico da categoria. Adotando uma postura mais estratégica, Sawyer Lindblad vibrou muito com a conquista de sua primeira vitória na carreira no CT. Com o resultado, a surfista norte-americana dá um salto importante e assume a terceira colocação no ranking mundial feminino. Semifinais masculinas A primeira bateria a entrar na água foi a semifinal entre João Chianca e Leo Fioravanti. O italiano abriu o confronto em um ritmo forte, surfando quatro ondas em menos de 10 minutos. Nas três primeiras tentativas, garantiu um 7.00 como sua melhor nota. Na sequência, apostou em um aéreo reverse e arrancou um 6.00 dos juízes. Com isso, Fioravanti pôde se dar ao luxo de descartar um 4.00 e um 5.17, enquanto o brasileiro somava apenas 3.00 pontos naquele momento. Chianca tentou reagir restando pouco mais de 20 minutos para o encerramento da bateria. Depois de aumentar sua nota de descarte para 3.67, o brasileiro pegou uma onda intermediária e executou três rasgadas expressivas para anotar 6.27. Com isso, passou a precisar de um 6.74 para a virada. A poucos minutos do fim, ele arriscou em uma onda com pouco potencial e recebeu apenas um 3.83, pontuação insuficiente para reverter o placar. Com a classificação para a final, Fioravanti garantiu 7.800 pontos e chegou a 33.930 no total, ultrapassando Italo Ferreira (que caiu nas oitavas de final e soma 33.845) e assumindo a liderança do ranking do CT. Vindo de um título inédito em El Salvador, o italiano mostrava grande inspiração na busca pela segunda conquista de sua carreira. O grande obstáculo, no entanto, seria Yago Dora, que chegou à final igualmente embalado após derrotar o australiano Ethan Ewing na outra semifinal com um placar confortável de 14.30 contra 11.67. Isso sem mencionar o forte apoio da torcida brasileira. Quartas de final masculino e semifinais feminino Após uma pausa no domingo, o Vivo Rio Pro retornou à ação na segunda-feira (22) para o seu terceiro dia de competições. Ao longo do dia, a Praia de Itaúna viu definidas as finalistas da categoria feminina e os semifinalistas do masculino, deixando o palco pronto para o aguardado “Finals Day”. A previsão se mostrou muito melhor do que o esperado logo nas primeiras horas. O dia começou com ondas limpas com pouco mais de um metro e meio, permitindo um surfe de alta performance. No entanto, com o passar das horas, o mar perdeu força e as séries ficaram escassas, forçando a organização a paralisar o evento e adiar as baterias decisivas para o próximo chamado. Impulsionado pela energia vibrante da areia, o herói local João Chianca encontrou total sintonia com o oceano. Ele surfou duas excelentes ondas em sequência para colocar a pressão sobre o australiano Morgan Cibilic, que embora tenha surfado a melhor onda da bateria, não foi o suficiente para alcançar o somatório do brasileiro, que garantiu sua primeira semifinal da temporada. O atual campeão do evento, Yago Dora, protagonizou um duelo eletrizante e de notas excelentes contra o compatriota Miguel Pupo. Em uma troca crucial, Pupo arrancou um 8.00 dos juízes, mas Dora respondeu na onda seguinte com um brilhante ataque de frontside que lhe rendeu um 8.50, selando sua classificação para a semifinal. Dora enfrentaria o australiano Ethan Ewing, que virou sua bateria contra Kauli Vaast nos segundos finais, reeditando a grande final do Vivo Rio Pro de 2023. O italiano Leonardo Fioravanti manteve o embalo de sua vitória em El Salvador e frustrou a torcida local ao eliminar Samuel Pupo na primeira bateria do dia. Fioravanti adotou a estratégia de começar forte e manter o ritmo, construindo uma estratégia que Pupo não conseguiu reverter antes do tempo esgotar. Com o melhor

    Etapa brasileira do Championship Tour termina com vitória de Yago Dora. Sawyer Lindblad vence entre as mulheres e Leonardo Fioravanti assume liderança do ranking mundial da WSL, na etapa de Saquarema.

    Uma das solicitações mais frequentes desde o lançamento da nova plataforma foi o retorno dos comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial. Por isso, a Waves volta a abrir o espaço para a comunidade acompanhar, comentar e trocar opiniões ao longo das baterias. Clique aqui para assistir ao vivo Clique aqui para saber tudo sobre a etapa de Saquarema Clique aqui para conhecer a nova fase da Waves Durante muitos anos, esse encontro entre surfistas fez parte da cobertura dos eventos na Waves. Agora, a tradição retorna renovada, mantendo o que sempre foi mais importante: a participação da comunidade. Feita de surfista para surfista, a Waves acredita que acompanhar uma etapa vai muito além de assistir às baterias. É também comentar o que acontece nas entrelinhas, discutir as notas, defender seus favoritos e trocar ideias com outros apaixonados por surfe. O Vivo Rio Pro 2026 abre a janela de competições em Saquarema (RJ) nesta sexta-feira (19). Assista às baterias, compartilhe suas opiniões e participe dos debates ao vivo com outros apaixonados por surfe em nosso fórum abaixo. Campeões das etapas da Elite Mundial do Surfe realizadas no Brasil Ano Campeão Masculino Campeã Feminina 2025 Cole Houshmand (EUA) Molly Picklum (AUS) 2024 Italo Ferreira (BRA) Caitlin Simmers (EUA) 2023 Yago Dora (BRA) Caitlin Simmers (EUA) 2022 Filipe Toledo (BRA) Carissa Moore (HAV) 2019 Filipe Toledo (BRA) Sally Fitzgibbons (AUS) 2018 Filipe Toledo (BRA) Stephanie Gilmore (AUS) 2017 Adriano de Souza (BRA) Tyler Wright (AUS) 2016 John John Florence (HAV) Tyler Wright (AUS) 2015 Filipe Toledo (BRA) Courtney Conlogue (EUA) 2014 Michel Bourez (FRA) Sally Fitzgibbons (AUS) 2013 Jordy Smith (RSA) Tyler Wright (AUS) 2012 John John Florence (HAV) Sally Fitzgibbons (AUS) 2011 Adriano de Souza (BRA) Carissa Moore (HAV) 2010 Jadson André (BRA) — 2009 Kelly Slater (EUA) — 2008 Bede Durbidge (AUS) Sally Fitzgibbons (AUS) 2007 Mick Fanning (AUS) Samantha Cornish (AUS) 2006 Mick Fanning (AUS) Layne Beachley (AUS) 2005 Damien Hobgood (EUA) — 2004 Taj Burrow (AUS) — 2003 Kelly Slater (EUA) — 2002 Taj Burrow (AUS) Melanie Bartels (HAV) 2001 Trent Munro (AUS) Samantha Cornish (AUS) 2000 Kalani Robb (EUA) Layne Beachley (AUS) 1999 Taj Burrow (AUS) Andrea Lopes (BRA) 1998 Peterson Rosa (BRA) Pauline Menczer (AUS) 1997 Kelly Slater (EUA) Pauline Menczer (AUS) 1996 Taylor Knox (EUA) Pauline Menczer (AUS) 1995 Barton Lynch (AUS) Neridah Falconer (AUS) 1994 Shane Powell (AUS) Pauline Menczer (AUS) 1993 Dave Macaulay (AUS) Neridah Falconer (AUS) 1992 Damien Hardman (AUS) Wendy Botha (AUS) 1991 Flavio Padaratz (BRA) — 1990 Fabio Gouveia (BRA) — 1989 Dave Macaulay (AUS) — 1988 Dave Macaulay (AUS) — 1982 Terry Richardson (AUS) — 1981 Cheyne Horan (AUS) — 1980 Joey Buran (EUA) — 1978 Cheyne Horan (AUS) — 1977 Daniel Friedmann (BRA) Margo Oberg (EUA) 1976 Pepê Lopes (BRA) — Vivo Rio Pro 2026 Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 7.00 x Lucas Chianca (BRA) 6.432 Matthew McGillivray (AFS) 11.67 x 5.13 Luke Thompson (AFS)3 Weslley Dantas (BRA) 9.67 x Seth Moniz (HAV) 9.074 Eli Hanneman (HAV) 9.17 x Oscar Berry (AUS) 6.50 Round 2 1 Jack Robinson (AUS) 14.33 x Rio Waida (IND) 12.532 Samuel Pupo (BRA) 11.07 x Alan Cleland (MEX) 8.503 Leonardo Fioravanti (ITA) 12.27 x Weslley Dantas (BRA) 11.604 Liam O’Brien (AUS) 13.93 x Jake Marshall (EUA) 10.835 Morgan Cibilic (AUS) 9.44 x Connor O’Leary (JAP) 9.306 Matthew McGillivray (AFS) 13.53 x Gabriel Medina (BRA) 13.137 João Chianca (BRA) 14.84 x Griffin Colapinto (EUA) 7.178 George Pittar (AUS) 15.00 x Joel Vaughan (AUS) 6.539 Italo Ferreira (BRA) 14.33 x Ramzi Boukhiam (MAR) 10.9710 Kauli Vaast (FRA) 13.73 x Crosby Colapinto (EUA) 11.5011 Ethan Ewing (AUS) 12.66 x Alejo Muniz (BRA) 10.3012 Kanoa Igarashi (JAP) 12.23 x Cole Houshmand (EUA) 11.7713 Yago Dora (BRA) 13.83 x Eli Hanneman (HAV) 12.9014 Marco Mignot (FRA) 12.74 x Barron Mamiya (HAV) 10.4315 Callum Robson (AUS) 14.93 x Filipe Toledo (BRA) 13.0016 Miguel Pupo (BRA) 12.97 x Mateus Herdy (BRA) 10.94 Round 3 1 Samuel Pupo (BRA) 15.84 x 9.94 Jack Robinson (AUS)2 Leonardo Fioravanti (ITA) 16.50 x 13.33 Liam O’Brien (AUS)3 Morgan Cibilic (AUS) 13.40 x 11.50 Matthew McGillivray (AFS)4 João Chianca (BRA) 14.30 x 13.26 George Pittar (AUS)5 Kauli Vaast (FRA) 14.17 x 12.87 Italo Ferreira (BRA)6 Ethan Ewing (AUS) 14.33 x 12.27 Kanoa Igarashi (JAP)7 Yago Dora (BRA) 15.00 x 10.33 Marco Mignot (FRA)8 Miguel Pupo (BRA) 14.03 x 12.17 Callum Robson (AUS) Quartas de Final 1 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.23 x 12.50 Samuel Pupo (BRA)2 João Chianca (BRA) 13.27 x 12.76 Morgan Cibilic (AUS)3 Ethan Ewing (AUS) 13.07 x 12.84 Kauli Vaast (FRA)4 Yago Dora (BRA) 15.67 x 13.33 Miguel Pupo (BRA) Semifinais 1 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.00 x 10.10 João Chianca (BRA)2 Yago Dora (BRA) 14.30 x 11.67 Ethan Ewing (AUS) Final Yago Dora (BRA) 15.00 x 13.17 Leonardo Fioravanti (ITA) Feminino Round 1 1 Sally Fitzgibbons (AUS) 14.50 x Vahine Fierro (FRA) 7.002 Erin Brooks (CAN) 11.26 x Anat Lelior (ISR) 9.503 Nadia Erostarbe (ESP) 10.83 x Yolanda Hopkins (POR) 9.104 Isabella Nichols (AUS) 12.50 x Francisca Veselko (POR) 11.705 Tya Zebrowski (FRA) 8.67 x Stephanie Gilmore (AUS) 7.336 Brisa Hennessy (CRC) 12.00 x Alyssa Spencer (EUA) 7.167 Bella Kenworthy (EUA) 10.10 x Bettylou Sakura Johnson (HAV) 8.938 Tatiana Weston-Webb (BRA) 11.00 x Tyler Wright (AUS) 10.46 Round 2 1 Carissa Moore (HAV) 14.50 x Erin Brooks (CAN) 13.302 Tya Zebrowski (FRA) 14.33 x Lakey Peterson (EUA) 11.033 Nadia Erostarbe (ESP) 8.40 x Molly Picklum (AUS) 7.674 Caitlin Simmers (EUA) 15.10 x Bella Kenworthy (EUA) 13.605 Gabriela Bryan (HAV) 17.33 x Sally Fitzgibbons (AUS) 13.266 Caroline Marks (EUA) 14.00 x Tatiana Weston-Webb (BRA) 13.007 Luana Silva (BRA) 12.47 x Isabella Nichols (AUS) 12.208 Sawyer Lindblad (EUA) 14.03 x Brisa Hennessy (CRC) 9.67 Quartas de Final 1 Tya Zebrowski (FRA) 12.70 x Carissa Moore (HAV) 7.772 Nadia Erostarbe (ESP) 15.83 x Caitlin Simmers (EUA) 12.233 Caroline Marks (EUA) 13.04 x Gabriela Bryan (HAV) 11.904 Sawyer Lindblad (EUA) 12.86 x Luana Silva (BRA) 12.26 Semifinais 1 Tya

    Atendendo a um dos pedidos mais frequentes da comunidade, a Waves traz de volta os comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial.

    A janela para a etapa brasileira do Circuito Mundial abre nesta sexta-feira (19) e se estende até o dia 27 de junho. Com um período de espera curto, de apenas nove dias, a organização precisará aproveitar ao máximo as condições para o surfe na Praia de Itaúna, que felizmente tem previsão de receber swell com potencial logo no início do evento. Para o dia de abertura da competição espera-se o ápice de uma boa ondulação de sul. Com a primeira chamada diária marcada para às 7h, o evento em Saquarema (RJ) promete disputas acirradas, especialmente com os surfistas brasileiros chegando como grandes favoritos após a etapa de El Salvador. Clique aqui para ver a previsão das ondas Clique aqui para participar dos debates No cenário masculino, o Brasil domina o topo da tabela, ocupando cinco das seis primeiras posições do ranking mundial. Italo Ferreira veste a lycra amarela de líder (30.525 pontos), seguido de perto por Gabriel Medina (2º) e Yago Dora (4º). Os irmãos Miguel e Samuel Pupo fecham o pelotão de elite na 5ª e 6ª colocações. João Chianca, que atualmente ocupa a 23ª colocação no ranking, compete em casa e precisa de um bom resultado, uma combinação de fatores que podem fazer dele um dos sufistas mais perigosos nessa etapa. A organização já divulgou os primeiros embates, que reservam fortes emoções para a torcida. Weslley Dantas está confirmado no round 1, assim como Lucas Chumbo, ambos anunciados como convidados do evento. Além disso, o chaveamento já antecipa um duelo 100% nacional no round 2, colocando frente a frente Miguel Pupo e Mateus Herdy em uma bateria eliminatória de alto nível. Mas, apesar da hegemonia brasileira na ponta da tabela, não podemos baixar a guarda. O principal nome a ser observado entre os visitantes é o italiano Leonardo Fioravanti. Atual 3º colocado no ranking, ele desembarca no Rio de Janeiro embalado após conquistar o título da etapa de El Salvador. Outros adversários que exigem atenção são os australianos George Pittar (7º) e Ethan Ewing (9º), conhecidos por um surfe de borda polido que se encaixa muito bem nas ondas de Itaúna, além do atual defensor do título da etapa, Cole Houshmand, que mesmo não estando em grande fase, é sempre perigoso em beach breaks. Jack Robinson (14ª), o “mais brasileiro dos gringos”, é sempre uma pedra no sapato de seus adversários e se sente à vontade competindo no Brasil. O japonês Kanoa Igarashi (8º) e o norte-americano Griffin Colapinto (10º) completam a lista de estrangeiros no Top 10 com arsenal técnico suficiente para surpreender os donos da casa. Previsão das ondas Já no primeiro dia de janela, nesta sexta-feira (19), as séries podem ultrapassar os 2 metros, criando condições de alto nível para a competição, mas também impondo desafios extras aos atletas e à organização. O vento deve soprar terral (norte-nordeste) pela manhã, virando para maral (leste) ao longo do dia, o que pode prejudicar um pouco a formação, mas ainda assim mantendo o mar em condições razoavelmente boas. A previsão Waves aponta sexta e sábado como os dias mais favoráveis para a competição. A ondulação de sul deve diminuir para a faixa de 1,5 metro pela manhã, com vento terral fraco, oferecendo boas condições para o surfe de alta performance. No entanto, a formação pode se deteriorar à tarde, com a entrada de ventos do quadrante oeste e posteriormente de sul. Tudo indica que no domingo o mar estará menor, com séries com menos de 1 metro, com vento terral variável pela manhã e ventos moderados de sul-sudeste à tarde. Se a previsão se confirmar, a realização de baterias matinais no domingo será uma incógnita para a organização. Na segunda e terça-feira as condições podem piorar e, o meio da janela de espera, especialmente entre quarta e quinta-feira, um novo swell pode surgir com ventos não tão favoráveis, porém com a possibilidade de bons momentos. Para o último dia do evento (27), há potencial para o alinhamento de todos os fatores necessários. Contudo, levando em consideração a distância dessa data, os modelos de previsão ainda podem apresentar algum ajuste sobre como as condições se desenrolarão ao final da próxima semana. Além disso, deixar a definição do evento para o último dia da janela representa um risco para a organização. Traremos mais atualizações ao decorrer da janela. Cenário Feminino Entre as mulheres, a havaiana Gabriela Bryan lidera o circuito, seguida de perto pela compatriota Carissa Moore, que também vem de vitória em El Salvador e é sempre uma das favoritas nas ondas potentes de Itaúna. A australiana Molly Picklum (3ª) e o forte esquadrão norte-americano completam a lista de estrangeiras perigosas. Para o Brasil, a grande esperança no topo da tabela é Luana Silva, atual 4ª colocada e vice-campeã da etapa em 2025. O time brasileiro ganha um peso extra com o retorno de Tatiana Weston-Webb. Após abrir mão de competir no início do circuito, a brasileira entra como convidada do evento e terá um desafio duro logo de cara: enfrentará a experiente australiana Tyler Wright (9ª) em uma das baterias mais aguardadas da primeira fase. Para a atual temporada, a WSL anunciou que os vencedores das categorias masculina e feminina receberão, além da premiação oficial em dinheiro da etapa, um veículo avaliado em R$ 342 mil. Com a soma dos valores, o campeão e a campeã poderão acumular uma recompensa próxima de R$ 750 mil. Este montante estabelece um novo marco, tornando-se a maior premiação individual já oferecida em uma etapa do Circuito Mundial disputada em território brasileiro. A premiação histórica, no entanto, é mais um capítulo de um lugar carregado de tradição quando o assunto é surfe brasileiro. Muita história em Saquarema A vocação de Saquarema para o esporte começou a ser forjada no início da década de 1970. Na época, surfistas que desbravavam o litoral fluminense encontraram na então pacata vila de pescadores de Itaúna um cenário de ondas perfeitas e potentes. Durante alguns anos, as ondas do lugar permaneceram um segredo bem guardado entre surfistas

    Palco da etapa brasileira da elite mundial, Saquarema reúne tradição, ondas icônicas, torcida única e uma premiação inédita, que pode render quase R$ 750 mil aos campeões.

    São 28 anos na missão de dar suporte para que os fissurados em ondas estejam no lugar certo, na hora certa. Indicando o caminho, presente no dia a dia dos surfistas brasileiros, o logo da Waves tornou-se reconhecido nacionalmente, e também em âmbito internacional. Bastava ser identificado para que se soubesse que se tratava de conteúdo surfe com a mais alta credibilidade. Neste sentido, tornou-se um ícone, daqueles atrelados para sempre a um significado de compreensão imediata. Mas nem por isso imune à evolução. Foi respeitando a força já consolidada, mas buscando dar mais significado ainda às suas formas, que o recém-assumido líder criativo da plataforma Waves, Felipe Garone, se debruçou sobre o logo. O desafio consistia em tentar melhorar o que já era ótimo, com muita humildade. “Precisávamos respeitar todo um legado construído ao longo de 28 anos. A Waves sempre foi uma marca que pautou cultura, então o rebranding precisava ser sutil, sem perder conexão. Trouxemos fluidez ao logo: o W e as letras, antes muito blocadas, agora respeitam esse movimento, essa fluidez. Atualizamos as cores e deixamos a marca condizente com os tempos atuais. O logo flui, o logo surfa”, observa Felipe Garone. É verdade, como uma ondulação chegando, o novo logo da Waves convida ao surfe. A que o observador deslize por suas formas agora mais arredondadas, lembrando o movimento de sobe e desce do meio líquido que tanto prazer proporciona aos surfistas. É como se a misteriosa energia que cruza oceanos para dar tanto prazer aos surfistas, pudesse agora ser visualizada também no logo.  Para deixar ainda mais claro, Felipe Garone preparou o vídeo acima, no qual divide com os usuários da Waves como esse processo criativo ocorreu. O novo logo integra o conjunto de transformações apresentadas pela Waves em sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso). Pegue essa onda e drope o novo logo da Waves.

    Elemento chave do novo projeto gráfico da plataforma, o icônico logo da Waves ganha forma de ondulação.

    Episódio de estreia da série documental O Pico revela a história da Paúba, desde a era dos nomes falsos e placas pichadas ao campo de treino que ajudou a moldar Gabriel Medina, passando pelo trágico acidente de Taiu Bueno. Toda onda tem uma história. Algumas são escritas em campeonatos, outras em imagens que atravessam décadas. Algumas nascem de momentos de glória, outras carregam marcas deixadas por tragédias que o tempo jamais apaga. Poucas ondas brasileiras reúnem tantos capítulos quanto a Paúba. Ela pertence a uma categoria especial de lugares que habitam conversas de estacionamento, capas de revista, vídeos compartilhados entre amigos e sessões imaginadas durante anos. Há lugares que, mesmo sem terem sido vistos de perto, já ocupam um espaço especial dentro de quem sonha com ondas. Para muitos brasileiros, Paúba é um desses lugares. Escondida entre o mar e a serra no litoral norte paulista, a pequena praia construiu uma reputação capaz de atravessar gerações. Seus tubos pesados, a bancada rasa e as condições frequentemente desafiadoras transformaram o pico em um dos lugares mais respeitados e temidos do surfe nacional. Foi ali que Gabriel Medina desenvolveu parte importante da técnica que o ajudaria a conquistar três títulos mundiais e enfrentar alguns dos tubos mais perigosos do planeta. Foi ali também que o big rider Taiu Bueno sofreu o acidente que mudaria sua vida para sempre. Por trás da fama da Paúba existe uma coleção de histórias. Histórias de pescadores e caiçaras. De fotógrafos, bodyboarders e surfistas. De amizades construídas dentro e fora d’água. De dias perfeitos e acidentes que marcaram profundamente a memória do surfe brasileiro. Durante muitos anos, a localização da Paúba foi protegida como um segredo. Revistas utilizavam nomes falsos para não entregar o pico. Placas eram pichadas para confundir visitantes. Quem encontrava aqueles tubos preferia mantê-los longe dos holofotes. Agora, chegou a hora de contar essa história. Paúba foi escolhida para inaugurar O Pico, nova série documental da Waves criada para explorar algumas das ondas mais emblemáticas do Brasil através das pessoas que ajudaram a construir suas identidades. A série integra o conjunto de novos produtos apresentados pela Waves em sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso). Para contar essa trajetória, a equipe reuniu personagens que viveram diferentes momentos da evolução do pico. Gente que testemunhou a transformação de uma praia quase desconhecida em um dos lugares mais respeitados do surfe nacional. Gente que viu Gabriel Medina chegar ainda menino. Gente que ajudou a escrever capítulos que jamais apareceriam em rankings, resultados ou manchetes. Ao longo do episódio, personagens como Sebastian Rojas, Felipe Paúba, JP Costa, Ditinho, Lúcia Frigerio, Ian Gouveia, Caio Costa, Zecão Rennó e outros nomes que fazem parte da memória da praia ajudam a reconstruir essa trajetória através de relatos raramente registrados em um mesmo lugar. As gravações aconteceram durante um grande swell que atingiu a região no início de maio. Com apoio da previsão do Waves Pro, a equipe mobilizou cinegrafistas locais e registrou um dos maiores dias do ano na Paúba até então. As ondas apareceram exatamente como gostam de se apresentar por lá: agressivas, imprevisíveis, desafiadoras, porém lindas e mágicas ao mesmo tempo. O resultado é um mergulho em uma história que fala de muito mais do que surfe. Fala sobre pertencimento, comunidade e coragem, porque a verdadeira história de uma onda raramente está apenas dentro d’água. Ela vive nas pessoas que cresceram ao seu redor. Nas amizades construídas ao longo dos anos. Nos medos superados. Nas vacas inesquecíveis. Nos tubos que ninguém viu. E nas histórias contadas depois que o mar acalma. Pegar um tubo na Paúba faz parte do imaginário de gerações de surfistas brasileiros, mas para entender de verdade por que esse pequeno trecho de areia exerce tamanho fascínio, é preciso conhecer as histórias que quebram junto com suas ondas. Aperte o play e descubra por que Paúba não é para qualquer um.

    Episódio de estreia da série documental O Pico revela a história da Paúba, dos tempos de segredo e nomes falsos ao pico que ajudou a formar Gabriel Medina e marcou para sempre a vida de Taiu Bueno.

    Feliz. Esse é o melhor adjetivo para descrever o momento que John John Florence vive. Quando ele deixou o Circuito Mundial, logo após conquistar seu terceiro título mundial, escolheu um novo rumo para sua carreira, sem garantia nenhuma de que a difícil decisão iria dar certo. Mas deu, e muito.  É justamente sobre exemplos e escolhas que girou boa parte da descontraída conversa do havaiano com o jornalista Adrian Kojin, que pode ser conferida no primeiro episódio do Wavescast. O podcast, que está sendo lançado pela maior plataforma surfe do Brasil como um dos produtos em destaque na sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso), chega para oferecer aos usuários da Waves o que pensam os maiores nomes do surfe mundial. Ter John John estrelando o primeiro episódio foi sem dúvida um privilégio. Escutar John John explicando que não foram os títulos mundiais de Tom Curren o que mais o marcou na trajetória do lendário californiano, mas sim sua coragem de escolher caminhos diferenciados do que se esperava dele, é revelador. “Eu admirava que ele conseguia fazer o que parecia certo para ele, sem estar preso a uma coisa ou outra”, diz ele ao reverenciar Curren como sua maior influência. Tem também John John celebrando seus outros dois grandes ídolos no surfe. Sobre Kelly Slater, ele se declara impressionado com sua capacidade de continuar performando num nível tão alto, “é incrível que ele consiga, na idade dele, ainda surfar do jeito que surfa”. Quanto ao que sentia ao testemunhar Andy Irons em ação, ele destaca a originalidade nas linhas traçadas, que o deixavam com a “sensação de que ele era imprevisível no que ia fazer na onda”.  No que diz respeito aos surfistas brasileiros no Tour, John John é só elogios. Para ele, a tempestade brasileira continua forte e a chance de mais um título mundial verde amarelo é grande. Sobre sua disputa particular com Gabriel Medina, para ver quem chega ao quarto título mundial antes – que deixou de acontecer esse ano quando ele resolveu partir para outra volta ao mundo velejando com a família – John disse sorrindo que “teria sido muito divertido, Gabriel tem sido um dos melhores. Ele me faz focar de verdade”. São 45 minutos de papo rolando solto e os assuntos são muitos. Dos perigos de surfar sozinho em lugares isolados, ao desejo de avistar o Cristo Redentor do deck de seu catamarã, John John demonstra sempre uma grande satisfação com o estilo de vida que optou em seguir. Ele conta que tem saudades do Tour, mas que não troca nada pelas experiências pelas quais tem passado ao lado da sua mulher e filho de dois anos de idade. Liberdade acima de tudo. Vale muito conferir.

    Estreia do Wavescast traz o tricampeão mundial John John Florence direto do seu veleiro enquanto navega pelo Pacífico, falando de Tom Curren, Kelly Slater, Andy Irons, Gabriel Medina e muito mais.

    Tentar explicar a sensação de surfar para quem não pega onda é uma tarefa complicada. Não sem razão uma das frases mais clássicas de nosso universo tão particular é aquela que diz que “Só um surfista conhece o sentimento”. Desde sempre foi uma das favoritas entre a equipe que faz a Waves. Mas, não faz muito tempo, alguém trouxe outra frase genial escutada para uma reunião de pauta, uma descrição tão apurada do nosso comportamento que ficamos absolutamente fascinados com sua sutileza e precisão: “Nós gastamos anos perseguindo segundos”. Tempo é o bem mais valioso que um ser humano pode ter. Se ele ou ela for um surfista, multiplique por muitas vezes esse valor. Surfistas precisam gastar muito tempo para poder sentir aquela sensação que dura uns poucos, ínfimos e efêmeros, segundos.  Mas é aí que reside o verdadeiro milagre do surfe. Na capacidade que a interação entre homem, prancha e ondas possui de alterar a percepção do tempo. Shaun Tomson, o sul-africano campeão mundial em 1977, considerado um dos maiores embaixadores que o surfe já teve, segue, aos 70 anos de idade, brilhando os olhos ao explicar que “o tempo se expande dentro do tubo”. Enquanto Gerry Lopez, eterno rei de Pipeline, que ainda entuba fundo e com muito estilo, celebra o efeito câmera lenta. “Quanto mais rápido eu deslizo, mais lentamente as coisas parecem acontecer.” Hoje a plataforma Waves pega uma nova onda, em disparada ao futuro, mas sem nunca deixar de reverenciar a essência do surfe. Todo surfista sonha com a onda perfeita, é onde ele quer estar. Por 28 anos esse foi o compromisso da Waves com seus usuários. Agora mais do que nunca. Quando a onda digital despontou no horizonte do surfe, a Waves remou forte e se tornou o primeiro veículo especializado no Brasil a botar pra baixo. Muitas séries vieram depois, e nunca amarelamos.  Mas chegou um momento em que percebemos que o lipe estava ameaçando correr mais veloz do que nossa capacidade de aceleração. Hora de reavaliar o posicionamento, se certificar de que as ferramentas utilizadas estão em sintonia com o desafio à frente e buscar entender ainda mais como podemos ser úteis a quem busca nossos serviços. É isso mesmo, a vocação da Waves é a de servir a comunidade do surfe. Informando, inspirando, indicando quando e onde as melhores ondas estarão acontecendo. Economizando tempo, para garantir mais segundos de onda. Na nossa prioridade é o usuário quem manda, e nesse novo momento estamos abrindo canais para que essa interação aconteça da forma mais eficiente possível.  Atualizamos o visual do site, facilitando a maneira como os surfistas interagem com a previsão, que foi expandida para 16 dias no Waves Pro. Vamos seguir publicando matérias com nossa reconhecida credibilidade, mas buscando ainda mais profundidade. Preservar e fomentar a rica cultura do surfe é um dever nosso, como principal veículo de mídia surfe na América Latina. Nesses tempos velozes, nosso Instagram receberá uma atenção ainda mais apurada, para divulgar o que de mais relevante está acontecendo no universo surfe. Ao mesmo tempo em que destacamos as frases, imagens, tópicos mais significativos de nossa produção editorial.  Nesse sentido, a TV Waves, nosso canal no YouTube, está sendo reinaugurada. Já estão disponíveis o primeiro episódio de “O Pico” e do Wavescast. Teremos muito mais conteúdo preenchendo a grade. Para começar, fomos à praia da Paúba retratar um dia de ondas grandes no campo de treino do tricampeão mundial Gabriel Medina e aproveitamos para contar a história de uma onda na qual tragédia e glória estão próximas demais uma da outra.  No nosso programa de entrevistas, o havaiano tricampeão mundial, John John Florence, responde do meio do Oceano Pacífico às perguntas feitas por Adrian Kojin, que quis entender o que o levou a abandonar as competições para viver com a família a bordo de um catamarã, cruzando os mares do planeta. Estamos apenas no início dessa nova onda que decidimos dropar com toda nossa energia. Muita coisa bacana está sendo programada para que a plataforma Waves se torne cada vez mais o centro em torno do qual gravita uma comunidade de surfistas, que tem as ondas como prioridade em suas vidas. Cada segundo surfado possui um valor enorme. E nós queremos que esses segundos virem minutos, horas, dias, uma vida dentro d’água. Sabemos que isso é impossível, mas nós gostamos de sonhar. Fica o convite para você sonhar com a gente.  NO LUGAR CERTO NA HORA CERTA É ONDE TODO SURFISTA SONHA EM ESTAR A FELICIDADE VEM EM ONDAS E NÓS SABEMOS ONDE E QUANDO

    Em nova fase e com visual remodelado, Waves evolui plataforma, expande seus produtos e reafirma o compromisso de quase três décadas: garantir que os surfistas estejam no lugar certo, na hora certa.

    A quinta etapa do Championship Tour da WSL chegou ao seu dia de encerramento neste sábado (13), nas ondas de Punta Roca, La Libertad, em El Salvador. Após uma breve pausa, o evento retornou com as quartas de final em um mar de boa formação, com ondas com pouco mais de um metro nas séries. O sábado em El Salvador terminou com um resultado histórico para o surfe europeu: Leonardo Fioravanti superou Italo Ferreira e se tornou o primeiro italiano a conquistar um título na elite mundial da WSL. Coroando uma campanha impecável, Fioravanti encerrou a competição sendo dono de três das cinco maiores notas de toda a etapa (9.00, 8.50 e 8.33). Apesar do vice-campeonato, Italo Ferreira deu mais uma prova de sua impressionante resiliência. Apenas dois dias antes do início da janela em Punta Roca, o potiguar sofreu um acidente no mar: foi atingido pela prancha de outro surfista durante uma sessão livre e precisou levar oito pontos no joelho direito. Mesmo assim, competiu em alto nível até o último dia. A grande decisão começou com Fioravanti ditando o ritmo ao abrir a bateria com um high score de 8.33. Italo tentou responder de imediato, mas a onda não ofereceu potencial e rendeu apenas 3.60. Consistente, o italiano logo somou um 6.17, abrindo uma vantagem confortável de 14.50 contra 5.33 do brasileiro. A oito minutos do fim, Italo incendiou a disputa. O potiguar encontrou uma excelente rampa, executou um aéreo perfeito e arrancou um 7.50 dos juízes. No entanto, Fioravanti não deu margem para a virada e, na sequência, cravou um 7.00 para selar o placar. Com 15.33 contra 10.90 do brasileiro, Leonardo saiu da água extasiado para celebrar a conquista inédita para a Itália. Com o resultado em El Salvador, Italo Ferreira garante a manutenção da cobiçada lycra amarela, seguindo na liderança do ranking mundial. Já o campeão Fioravanti dá um salto importante e assume a terceira colocação na corrida pelo título. Na final feminina, a pentacampeã mundial Carissa Moore (HAV) protagonizou uma final eletrizante contra a australiana Tyler Wright e conquistou seu segundo título consecutivo na temporada. Embalada pela vitória recente na etapa de Raglan, na Nova Zelândia, a havaiana mostrou frieza de campeã: encontrou a onda que precisava a menos de cinco minutos do fim e arrancou uma virada espetacular sobre a adversária. A bateria começou morna, com ambas as surfistas arriscando em ondas sem muito potencial. O ritmo mudou quando Carissa anotou um 5.50 em sua segunda tentativa. Tyler respondeu à altura, encaixando boas manobras para arrancar um 7.67. A havaiana não se intimidou e, logo em seguida, cravou a maior nota do confronto: um excelente 8.33. A seis minutos do fim, a australiana voltou a assumir a liderança ao marcar um 6.17. No entanto, mostrando toda a sua experiência, Carissa aproveitou os instantes finais para surfar uma onda decisiva de 6.77. Com a virada no apagar das luzes, a pentacampeã fechou o somatório em 15.10 contra 13.84 de Wright, garantindo a taça. Semifinais O clássico brasileiro entre Italo Ferreira e Gabriel Medina marcou as semifinais. Em uma bateria extremamente acirrada, o potiguar levou a melhor sobre o tricampeão mundial e, com o resultado, garantiu a manutenção da liderança do ranking. A disputa começou quente, com Medina abrindo com uma onda consistente. Combinando batidas e rasgadas, ele arrancou um 7.67 dos juízes. Italo respondeu à altura: encaixou bem na bancada, distribuiu manobras fortes e anotou 7.17. Na sequência, o potiguar arriscou um aéreo em uma nova onda e, mesmo sem completar a aterrissagem com perfeição, conseguiu os pontos necessários para assumir a liderança provisória da bateria. Sem se abalar, Gabriel surfou uma onda bastante técnica, rendendo um 5.67 e devolvendo-lhe a primeira posição. O clímax ficou para os seis minutos finais, quando ambos foram para o tudo ou nada em busca de notas maiores. Italo achou uma excelente onda, cravou 7.53 e virou o placar, somando 14.70. Medina lutou até o fim e ainda elevou seu somatório para 14.17, mas o tempo se esgotou, selando a classificação de Italo que, com o resultado, garantiu a lycra amarela (caso Medina vencesse o campeonato, ele assumiria a primeira posição do ranking). Na outra semifinal masculina em Punta Roca, Leonardo Fioravanti superou Kanoa Igarashi. O surfista japonês liderou boa parte da bateria, mas o italiano manteve o surfe sólido apresentado ao longo de todo o evento. Com uma reação decisiva nos minutos finais, Fioravanti alcançou o somatório de 12.00 e garantiu sua vaga na decisão. Abrindo as semifinais femininas, as havaianas Gabriela Bryan e Carissa Moore caíram na água para um duelo de alto nível. Gabriela começou melhor, anotando 6.50 e somando um 4.83 de backup. No entanto, Carissa Moore usou sua experiência para reverter o cenário: encontrou uma onda excelente, arrancou um 8.17 dos juízes e assegurou a classificação. Na segunda bateria feminina, as australianas Tyler Wright e Molly Picklum disputaram a última vaga para a grande final. Tyler assumiu a liderança logo no início com um expressivo 7.17. Molly chegou a assustar ao surfar a melhor onda do confronto, que lhe rendeu um 7.33, mas Tyler respondeu com um 6.73, fechou a conta e carimbou seu passaporte para a decisão. Quartas de final Dois brasileiros entraram na água neste sábado para as disputas das quartas de final: Italo Ferreira e Gabriel Medina. Italo protagonizou um verdadeiro duelo olímpico contra o taitiano Kauli Vaast, atual campeão de Paris 2024. O brasileiro levou a melhor e avançou à semifinal com um placar de 10.67 contra 8.33. O confronto foi marcado pelo equilíbrio na metade da bateria, quando ambos surfaram ondas parecidas e executaram manobras semelhantes. No entanto, a execução de Italo foi superior, rendendo-lhe um 6.50 contra um 5.00 de Kauli, o que o colocou na liderança. A dez minutos do fim, o potiguar trocou sua segunda nota por um 4.17, enquanto o taitiano somou apenas 3.33. A bateria chegou ao fim com Kauli precisando de um 5.67 para a virada, mas sem sucesso. Já Gabriel Medina teve um

    Italiano Leonardo Fioravanti e havaiana Carissa Moore faturam etapa de El Salvador no Circuito Mundial. Italo Ferreira é vice e mantém liderança do ranking.