Cheguei ao Havaí pela primeira vez aos 15 anos (1997), levado pelo meu padrinho no surfe Rico de Souza. Era um sonho grande demais que carregava, o de conhecer o lugar que eu deslumbrava desde os 4 anos de idade, pelas fotos que admirava na Barraca do Pepê, na Barra da Tijuca. Desde criança tinha esse sonho de pegar ondas grandes.
No primeiro dia, tudo parecia maior do que eu, mas ao mesmo tempo familiar: o mar, as ondas perfeitas, os campeões mundiais… Me encantei também com a vegetação, o clima, pois é muito similar com o do Rio de Janeiro. Não bastava surfar bem, tinha que merecer estar ali. E logo já tive oportunidade de pegar um swell bem grande e consistente em Makaha, o berço do surfe mundial.
Mesmo com pouca idade, eu tinha uma bagagem de competição, experiência de ter vivenciado condições extremas de ondas no Brasil e o Havaí era literalmente um parque de diversões para mim. Vinha também de uma competição onde havia vencido Joel Tudor, no Rio de Janeiro, e isso abriu as portas, de uma certa forma, para minha trajetória internacional.
A partir desta viagem, minha conexão com o Havaí foi estabelecida. Durante muito tempo passei as temporadas de inverno aqui, seja pela competição no Tour, pelas ondas, para evolução e até para gerar conteúdo para os patrocinadores com a equipe (Raoni Monteiro, Marcelo Trekinho, Bruno Santos e Stephan Figueiredo) e era muito maneiro.
Mais de duas décadas se passaram e há três anos vivo com minha família em Waikiki (Honolulu/Oahu). Além de aulas e clínicas individualizadas de surfe, também trabalho com turismo e temos uma rotina voltada para o mar e à natureza.
O surfe não é somente um esporte, é um estilo de vida. A gente vive em função do clima e das condições do mar. Aqui, se não tem onda vai pescar, vai velejar, as atividades são sempre voltadas para o oceano. Quando se tem essa energia, parece que a gente tem uma conexão maior com a natureza e sua essência e, consequentemente, as coisas acabam fluindo de uma forma mais natural, sem a rotina massacrante dos grandes centros. Eu consegui encontrar esse caminho de equilibro que o surfe pode proporcionar para nossa vida, além da competição.
Eu acabo vivendo um estilo de vida muito similar que vivi na minha infância e adolescência na Barra da Tijuca e, posteriormente, em Geribá/Búzios, onde resido quando estou a cada dois meses, no Brasil. Sempre que posso estou surfando, mas pelo menos dois dias na semana tenho compromisso de surfar com minha filha mais nova, a Coral, de 6 anos. Ela é apaixonada pelo esporte, participa de campeonatos aqui e já aprendeu a respeitar o mar.
Está sendo ótima essa experiência de vivenciar e estar aqui no sul da ilha (Waikiki) no verão, onde conheci picos novos e novas trilhas para fazer com a família. Porque sempre vim para cá, no inverno, na temporada de ondas grandes para surfar na costa Norte da ilha em Pipeline, Sunset, Blackdoor, Waimea, Haleiwa…
A quantidade de ondas e praias e as possibilidades que a gente tem para se divertir, curtir a cultura do surfe, são muito grandes. Em 1h30 de carro se atravessa do Norte ao Sul da ilha de Oahu. A gente tenta ao máximo ficar dentro da água, basta ter os equipamentos certos para cada condição: seja para surfar, velejar, fazer canoa havaiana ou pesca submarina.
Respeito o mar, respeito a cultura, respeito cada local. Conquistar respeito no Havaí não vem apenas com vitórias e troféu de campeão mundial, vem de atitudes. É dividir o pico, é saber a hora de entrar e a hora de sair. Posso dizer que já carrego um pedaço do Havaí em mim.
Aloha!
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Phil Rajzman é tricampeão mundial de Longboard (em 2007 e 2016, campeão mundial pela World Surf League; e 2004 campeão mundial pela Oxbow Pro), bicampeão Pan-Americano (2007 e 2009) e atleta da elite mundial por 25 temporadas (até 2022). Carioca, 43 anos, foi o primeiro brasileiro a entrar para a história como Campeão Mundial de Surfe, mas no pranchão. Tem um canal no Youtube (@PhilGood21) e o Instagram (@philrajzman) e o Facebook @philrajzman.
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