Museu do Surfe de Santos

Paulinho e o primeiro Festival

Conheça a história de Paulinho Issa, um dos criadores do 1º Festival Brasileiro de Surf.

Paulo Issa fez de Ubatuba (SP) o seu refúgio e do surfe seu estilo de vida. No início de 1970, a Boate da Pesada na capital paulista das ondas promoveu um campeonato de surfe no Canto do Baguari, na Praia Grande.

Os favoritos ao título eram o Ricardo Issa, seu irmão, e Renato Ozores, mas Paulinho acabou como azarão e levou o campeonato. O vencedor tornou-se o anfitrião para o campeonato seguinte, em 1971. E a tarefa se mostrou árdua.

Ao melhor estilo dos anos 1970, Paulinho, Ricardo e o primo Carlos percorreram de Fusca a estrada costeira de terra de Ubatuba até o Guarujá. Lá eles distribuíram cartazes feitos de cartolina no centrinho de Pitangueiras.

A incerteza era grande, mas o sonho se concretizou quando uma caravana com pranchas no teto dos carros rompeu a orla da Praia Grande. Os melhores surfistas do Guarujá abrilhantaram o evento, entre eles, Egas Muniz, Luiz Mello, Roberto Teixeira, Antônio Brito, Thyola, Serginho Ricardi “Guloseima” e Zé Maria Whitaker. Foi este último que levou o campeonato.

O sucesso foi o estímulo para Paulinho Issa ampliar seus horizontes e fundar a Associação de Surf de Ubatuba, a ASU, em 1972. Com a representação da entidade, Paulinho conseguiu o apoio da Secretaria de Esportes e Turismo de São Paulo para viabilizar cartazes na organização de um grande festival, divulgando-o em Santos, São Vicente, Rio de Janeiro, Niterói, e até para o Sul do país.

Inicialmente agendado para janeiro de 1972, o 1º Festival Brasileiro de Surf ocorreu em julho devido ao mar flat no verão. Os surfistas inscritos não desistiram e voltaram para concorrer nas altas ondas de julho e o carioca Rico de Souza foi o primeiro vencedor do festival organizado pela ASU e do início dos grandes Festivais Brasileiros de Surf.

O Legado da Squalo

Nessa época Paulinho Issa começou na fabricação de pranchas. Ele aprendeu com o irmão Ricardo e os sócios Thyola e Brito da Moby Surfboards, a expandir e fazer blocos de poliuretano. De aprendiz virou fabricante. Nascia a Surfax Foam, uma fornecedora de blocos para as marcas de surfboards, Moby, Homero, Twin, LaBarre, Kiko, entre outras.

Com o grande mestre Homero, Paulinho aprendeu a arte da laminação e fez o convite ao amigo Cocó Faggiano para juntos começarem uma marca própria. Surgia a Squalo Surfboards. A oficina da Squalo ficava na cidade São Paulo e o marketing eram os reconhecidos shapers que passaram pela marca. Foram mais de 5000 pranchas confeccionadas pelas mãos talentosas de Ricardo Wanderbill, LaBarre Roberto Ribeiro, Glen D’Arcy, Alexandre Morse, Heinrich Von Schulenburg, Mudinho, entre outros.

Uma história de sucesso do paulistano mais praiano de todos.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)