Galápagos em casal

Fabio Gouveia promove divertida barca de casais para Galápagos.

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Lesionado, Fabio Gouveia clica a ação da galera de dentro da água.

Há um bom tempo venho fazendo, em parceria com a Dreamsurf, a “Barca do Fia”. Posso afirmar que tem sido muito legal, com muitas ondas surfadas ao redor do mundo, risadas e entrosamento geral com novas amizades que vão permanecendo para sempre.

Nos momentos de descontração, e em especial após as duas últimas barcas, começamos a curtir a ideia de fazer a primeira Barca do Fia especial para casais. A regra era reunir apenas casais cujo uns dos pares já havia participado de alguma barca anterior.

Organizar uma trip assim pode não ser tão simples, pois, com os marmanjos, pode ser tudo quase de qualquer jeito. Já com as patroas é necessário um carinho especial, desde uma boa acomodação, sem fugir do custo benefício, é claro, mas com um bom roteiro. Sendo assim, inauguramos a primeira “Barca do Fia Casais”. O destino foi o arquipélago de Galápagos, no Equador, no início do último mês de março.

A ansiedade para o embarque fazia o grupo de WhatsApp bombar diariamente, mas logo já estávamos pernoitando em Guayaquil, com direito a um ótimo rolé na cidade e visitação à praça das Iguanas e ao Malecón, além de almoço com frutos do mar e “cerva” gelada. “Liissaaaa”, patroas já começando felizes! O desembarque em Galápagos foi na ilha de San Cristóbal. Cerca de 10 minutos de trajeto e já estávamos no hotel.

Desarruma malas, descansa e logo a primeira session estava por vir em El Canhão. O pico fica a cerca de dez minutos de caminhada do nosso hotel, mas precisávamos adentrar em uma área militar, com posse de nossas identidades. Só precisávamos lembrar que às 18 horas teríamos que estar de volta à guarita. As ondas não estavam lá essas coisas, mas para o primeiro dia foi ótimo, pois é sempre melhor chegar com mar pequeno e ir se ambientando.

Sessão em casal deixa a trip ainda mais divertida.

Esta seria a primeira surf trip em que eu não surfaria. Consequência de ter rompido os ligamentos do meu joelho direito em Fernando de Noronha, no início de fevereiro. Fui para Galápagos apenas para curtir com a dona Elka e os casais integrantes da barca (Adalton e Beatriz, Vitor e Rafaela, Cristiano e Ithani, Marcelo e Renata, José Eduardo e Daniela). Virei o videomaker oficial.

Como a contusão era recente e grave, estava com receio de caminhar nas pedras de El Canhão para filmar da água. Mas não precisou nem de uma hora para que a inquietude me jogasse pra dentro. Desfrutei daquela maravilha ao lado da galera e dos leões-marinhos. O casal Adalton e Ana Beatriz estava muito feliz em estar ali. Grudadinhos um no outro, eles foram para o pico onde um pequeno crowd se formava. Vitor Bidone, Marcelo Pretto, Cristiano Moraes e nosso agente de viagem, José Eduardo, também dividiam as ondas e pegaram boas, apesar de todos meio travados por causa da viagem.

Já Roberto Samarone, outro integrante da barca, não teve a companhia da esposa. Ela estava em início de gravidez e acabou não participando da trip por recomendações médicas. Samarone chegou a Galápagos com uma indisposição e preferiu se resguardar neste primeiro dia, afinal a semana seria longa e o swell estava por vir. Só pra registrar, a fissura do primeiro surfe foi convertida em uma “chamada” dos oficiais na guarita, pois acabamos esquecendo do prazo das 18 horas da saída. Mas os pedidos de desculpas foram prontamente aceitos e ficamos felizes com a hospitalidade.

No dia seguinte, o surfe matinal foi de ondas maiores em La Loberia. Este seria o pico mais constante. Logo no trajeto de carro e na caminhada com o sol nascendo, já deu pra ver belas paredes, longas para a direita e algumas mais curtas para a esquerda. Ao chegarmos no inside, em uma bela baía pequena, fomos recepcionados por um leão-marinho que tomava conta do seu filhote. Marcelo Pretto que o diga, pois, enquanto colocava a cordinha e passava parafina, teve que se afastar, tamanha braveza do animal.

Aos poucos todos foram entrando e fui buscando diferentes ângulos para gravar a session. Beatriz olhou bastante o mar e, como estava um pouco grande, preferiu ficar de fora. Fez a escolha certa, pois ali não era momento para estar em desconforto, mas sim em curtição e contemplação. Logo ficou comigo observando Tom, Pretto, Zé Eduardo, Bidone e Cris surfarem as paredes com cerca de 6 pés.

Recortes de Galápagos.

Já o surfe da tarde foi no pico de Tongo Reef. A turma partiu de barco do cais à frente do nosso hotel e fui caminhado com as meninas (Elka, Renata, Ithani, Rafaela, Beatriz e Daniela) a fim de fazer umas imagens da trilha e captar algo do surfe fora d’água. Achávamos que o passeio seria curto, mas caminhamos por cerca de uma hora sob um sol escaldante com direito a várias iguanas no meio do caminho que fizeram parte da adrenalina e da comédia, pois a cada susto eram gritos e gargalhadas. Nos divertimos!

O contraluz estava sinistro, e ficava difícil para as patroas identificarem seus maridos na água, mas no geral ficaram contemplando o pôr do sol e a silhueta da galera deslizando nas longas esquerdas. Que visual! Na manhã seguinte, pegamos o barco ao clarear mais uma vez para Tongo Reef. Estava ansioso pra gravar as imagens de dentro d’água, pois a luz estava maravilhosa e o terral deixando a superfície lisinha. Navegação de uns dez minutos e logo avistamos longas e belas paredes. Altas!

Fiz aquela imagem tradicional da turma pulando do barco e logo estava posicionado no inside. O lineup de Tongo Reef era de certa forma estreito. No ponto do drop, existia um “double up”, onde a maioria ficava aglomerada. No entanto, logo após a primeira curva, a parede se estendia e o passeio era gostoso. As ondas estavam entre 3 e 5 pés e algumas séries entravam um pouco fora da bancada, fazendo alguns tomarem na cabeça. A galera estava amarradona com altas ondas e eu curtindo tanto quanto todos, pois tenho um prazer enorme em fazer registros aquáticos.

Sem contar que Galápagos é um caso à parte, tamanha a fauna diversificada. Fiz muitos registros legais, com tomadas acima da superfície e abaixo dela, com algumas quilhas passando cantando e leões-marinhos desfilando. No dia seguinte, a session rolou mais uma vez em Tongo, e desta vez o Roberto, já recuperado da gripe, juntou-se a nós. Assim o time de marmanjos ficou completo. Algumas remadas erradas e Roberto já estava evoluindo ao fim da session.

Destemido, Tom botou pra baixo em alguns drops atrasados. Neste dia, José Eduardo já estava mais encaixado, assim como Vitor Bidone, Cristiano e Marcelo Pretto, que sempre atento ao lineup, ia pegando as boas que sobravam.

Lobo-marinho atrevido interage no outside.

Neste dia as ondas estavam concorridas, com alguns locais e outros estrangeiros (incluindo brasileiros) surfando muito bem. Mas todos surfaram por mais de duas horas até que pegássemos o barco para voltar ao hotel, com direito ao visual de sempre da navegação. Na parte da tarde voltamos a Loberia. Altas ondas e decidi dar uma longa nadada para filmar da água. Que visual! No meio da session fui alertado por um surfista local sobre a presença de possíveis tubarões, “mas não passa nada”, ele disse. Confesso que não tive o menor problema, estava mais preocupado e atento ao leão-marinho que cuidava de seu território para defender o filhote.

Estar ali no lineup de Loberia não é tão simples, pois a nadada é longa e, dependendo do dia, a corrente é forte. A session havia começado tranquila, mas depois, quando já estava cansado, ela aumentou. Antes disso já havia gravado altas ondas, tanto na direita longa quanto na esquerda, mais curta e tubular. Visual magnifico também na piscina natural que dividia o lineup da beira da praia. Quanta diversidade de peixes e tartarugas majestosas. Depois do surfe, os casais se reuniam e era aquela alegria, com todos sempre capturando altas imagens.

O surfe foi muito bem aproveitado, mas em trip de casais tudo é prioridade. Destaque para o tour na ilha com passagem pelo lago El Junco, em meio à cratera do vulcão extinto, e belas praias como Porto Chino. Passeio magnifico com direito a almoço e um visual alucinante. E o melhor, sempre aquela gelada presente para aumentar a curtição e as gargalhadas, pois naquela altura todos estavam mais que entrosados e não existia zoação que pudesse deixar alguém zangado (risos).

Nos dois últimos dias da trip o surfe ficou reservado para o magnífico pico de Punta Carola. Sempre tive aquele visual do Farol, com a direitona quebrando atrás, em meus pensamentos e sonhos. Era louco pra ir a Galápagos só para surfar esta onda. Caminhada legal entre nosso hotel até o pico e logo constatamos boas direitas de até 1 metro de face. O swell não era ideal, mas deu pra conferir o potencial da onda. Tom estava amarradão, tal como Marcelo, Cristiano e Bidone. Zé Eduardo ficou registrando o surfe na ponta do Farol e eu dentro d’água, juntamente com vários leões-marinhos.

Nesta session gravei uma das imagens mais incríveis de minha vida, e talvez se estivesse surfando nunca iria presenciar uma cena daquelas. Ganhei a trip naquele momento, quando um lobo-marinho começou a brincar com a câmera. Foram vários desfiles e, em uma cena inóspita, recebi uma mordiscada, assim como meus cachorros fazem em casa. O animal fez o contato e depois ficou olhando. Que coisa incrível! Ele vinha, passava por mim e ia em cada um da galera, interagindo também com todos e mordiscando suas cordinhas. Virou uma festa, a galera todo amarradona e incrédula. Que dia!

Recortes de Galápagos.

Mesmo com três ligamentos do joelho direito rompidos (mas eles não doíam), tive que ao menos deslizar em umas três, quatro paredes. Peguei a prancha do Marcelo Pretto e ele, que já foi fotógrafo profissional, gravou pra que eu tivesse o registro. Muito de leve, ainda consegui dar uma rasgadinha e saí feliz demais. Na praia o maior astral com um filhote de leão-marinho interagindo com as patroas. Já as iguanas aquáticas causavam certo frenesi, em um mix de medo e curiosidade. E haja grito fino (risos).

Durante nossa estada, foram muitos almoços e jantares em restaurantes locais e mais sofisticados. Deu para apreciar bem a culinária local. Infelizmente, alguns da galera tiveram desconforto com diarreia e náuseas, no entanto, não foi possível saber se foi da água não filtrada em algum momento, alguma verdura crua mal lavada, virose ou até mesmo o fato de estarmos muito expostos ao sol durante o período. De qualquer forma, depois que o desconforto passava, virava motivo de histórias para contar e acabávamos na risada. Se me perguntarem o que faltou na trip, acho que foi uma “night” bem feita para bailarmos (risos). Mas pelo menos não nos acabamos e sempre tinha o surfe matinal no dia seguinte.

Foi o caso de nossa última session, mais uma vez em Punta Carola. Todos a caminho para desfrutar daquela pequena praia maravilhosa, mas antes da session alguns foram fazer a trilha do mirante, com direito a fotos em mais uma estátua de Darwin. Que visual do Farol com a série entrando, e que logo nos fez acelerar o passo. Na água, tivemos o reforço da Beatriz, que ao lado do marido Tom abriu aquele sorriso por estar naquelas condições.

Fiz uma linda foto do casal com o Farol ao fundo. Tom pegou altas! Foi seu melhor dia. Marcelo Pretto, Zé Eduardo, Vitor e Cristiano, também. E até Robertão, que agora mais que íntimo da galera, pegou suas esquerdas e teve uma bela imagem registrada. Dona Elka levou o bodyboard, mas preferiu nadar até o lineup apenas com seu pé-de-pato. A intenção era gravá-la interagindo com os leões-marinhos, mas infelizmente (ou felizmente) vai ficar para a próxima oportunidade!

Agradeço a Dreamsurf e a todos que fizeram desta trip maravilhosa, pois como já havia relatado, foi uma das melhores viagens que já fiz, mesmo sem surfar. Voltaremos em breve. Gracias y hasta la vista!

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