Zezito Barbosa é um dos surfistas brasileiros vindo do cenário do Pernambucano. O atleta foi influente nas regiões Norte e Nordeste durante as décadas de 70, 80, 90. Aos 43 anos, com 35 de surf, Barbosa conta um pouco de sua trajetória como surfista Amador, Profissional e Free Surfer durante todo este tempo.
Quando e como você começou a surfar?
Em 1972, na praia de Boa Viagem, Recife (PE). Minha primeira prancha foi comprada em um supermercado da região. Era de isopor com uma quilha de madeira adaptada ao fundo.
Quem te influenciou a praticar o esporte?
Ninguém. A própria natureza, o mar e as ondas me chamaram para seguir uma vida sadia mental e espiritualmente. Estava na praia um dia e senti uma energia muito boa vinda do oceano. Na época o surf se restringia a Boa Viagem e Piedade. Minha primeira onda foi em frente ao edifício Espanha em Boa Viagem.
Quando foi seu primeiro título?
Foi em 1975, em frente ao Edifício Acaiaca na praia de Boa Viagem. O campeonato era o Pernambucano Amador e, por incrível que pareça, já existiam campeonatos de surf naquela época.
Qual foi sua história em competições?
Comecei a competir aproximadamente no ano de 1973. Em 75, obtive a minha primeira vitória e daí por diante, não parei mais de competir. Me aposentei em 2005. Participei integralmente das competições por todo o Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil.
Quais foram os títulos mais importantes para você?
Todos os campeonatos pernambucanos e nordestinos que venci durante minha carreira e um Campeonato Brasileiro em 1983.
Quando começou a viajar e para onde foi?
Comecei a viajar bem cedo, ainda era garoto. Realizei várias viagens pequenas por todo o Brasil e picos importantes do mundo. Foram 14 temporadas em Fernando de Noronha (PE), duas temporadas no Hawaii, uma temporada na Califórnia, uma temporada em Bali na Indonésia, várias viagens para a América do Norte, do Sul e Central. Residi na Nova Zelândia por um ano e três meses. Moro atualmente na Austrália há três anos e meio.
Para você quais são os melhores picos?
No Nordeste do Brasil é Cacimba do Padre (PE), Serrambi (PE), praia do Frances (AL) e Itacaré (BA). No Sudeste: Saquarema (RJ) e Maresias (SP). No Sul: praia Mole (SC) e Guarda do Embaú (SC). No exterior: Newport Beach (Califórnia); Honolua Bay e Sunset e Haleiwa (Hawaii); Raglan e Te Awanga (Nova Zelândia); Snapper Rocks, Long Reef, Bells Beach, Narrabeen e Winkipop (Austrália); Uluwatu, Padang Padang, Serangan e Nusa Dua (Indonésia).
Quais foram os acontecimentos que marcaram a sua vida e a sua carreira como surfista?
Um dos acontecimentos marcantes foi a minha primeira vitória do campeonato Pernambucano em 1975 no qual a organização do evento queria repartir a medalha de primeiro lugar e dividí-la com o outro surfista finalista, porque tínhamos empatado. Resolvemos tirar no par ou ímpar para decidir quem ficaria com a medalha e ganhei.
Outro fato foi quando venci pela primeira vez o campeonato Norte / Nordeste na praia de Salgema, Maceió (AL) no qual recebi o troféu de campeão do Fernando Collor de Melo, governador na época do estado de Alagoas.
Outro foi quando venci o campeonato Brasileiro numa final emocionante contra os surfistas cariocas Cauli Rodrigues, Daniel Friedman e o potiguar Sergio Testinha.
Em 88, fui capa da Visual Esportivo, famosa revista de surf da época, junto com Damien Hardman, surfista australiano ex-campeão mundial e o americano Mark Stuart ex-campeão mundial de Bodyboard.
Fundei e construí como sócio proprietário, junto com Fernando Câmara a primeira e única fábrica de blocos de poliuretanos do Norte / Nordeste do Brasil, a Teccel.
O que faz hoje em dia?
Estou na luta do trabalho e correndo o mundo junto com a Roberta, minha mulher, atrás das ondas perfeitas.
Qual o segredo que te faz surfar como um garoto?
Cuido muito de mim, não fumo, não bebo, não saio a noite para baladas, durmo cedo para poder surfar na melhor hora do dia que é de manhã quando todos estão dormindo.
Qual é a sua opinião sobre o surf atual no Brasil?
Ainda falta para o surf brasileiro alcançar o profissionalismo e a seriedade que existem em outros países como os Estados Unidos, Austrália e alguns países europeus.
Quando as pessoas que estiverem na presidência da Abrasp e a mídia em geral começarem a valorizar de verdade o passado do esporte e as opiniões e ideais de surfistas veteranos de renome no país, o surf brasileiro terá seu próprio caráter e identidade, consequentemente fará um campeão mundial de surf profissional.
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