Por Cinara Marback
Remar no “Velho Chico” era um desejo antigo. Afinal de contas, um rio com quase 2.700 quilômetros de extensão que passa por cinco estados brasileiros, não poderia ficar de fora do nosso roteiro de remadas. Cantado em versos e prosas, o Vale do São Francisco é um lugar para ser guardado na mente e no coração. Escolhemos a região de Juazeiro/Petrolina para a nossa aventura. De um lado o sertão com sua “triste beleza”. Do outro, a imensidão do rio com suas riquezas e abundância. Colocamos o pé na estrada, pranchas em cima do carro e viajamos 530 quilômetros rumo à nossa trip mais que especial: SUP&WINE. De manhã SUP e de tarde vinho.
O grupo, formado por vinte remadores de Salvador, aos poucos ia percebendo a mudança do cenário ao longo do caminho. Aridez, sol, caatinga, era o sertão nordestino abrindo as portas pra gente. Depois de 8 horas de viagem, com algumas paradas, chegamos em Petrolina. Finalmente cruzamos a famosa ponte Presidente Dutra, que separa a Bahia de Pernambuco. O visual é de tirar o fôlego, lá estava o “Velho Chico” com toda a sua exuberância que encanta e amedronta ao mesmo tempo. Paramos na orla para provar a famosa tilápia com banana da terra e o bode com aipim e queijo coalho. Como ninguém é de ferro, iniciamos o wine antes do SUP, com um bom vinho produzido na região brindamos a nossa chegada.
O dia amanhece e antes das 6h, já dá para perceber que o sol iria brilhar com vontade. Pegamos novamente a estrada rumo ao município de Lagoa Grande, mais 50 quilômetros de chão. Olhando novamente a paisagem desoladora do sertão era quase impossível acreditar que iríamos encontrar vinícola e água para remar. E no meio do “nada” uma barrica gigante de vinho com o nome da vinícola, sinaliza que chegamos. De um lado os parreirais carregados de uvas e do outro uma imensidão de água azul nos dava a certeza de uma remada inesquecível. Após checagem dos ítens de segurança, pranchas na água, vento a favor, correnteza contra, sol forte, catamarã de apoio acompanhando e claro que não podia faltar o símbolo da navegação do São Francisco, a carranca para afugentar os maus espíritos e garantir segurança para todos. Foram 8 quilômetros de remada para nunca mais esquecer, a beleza daquele lugar é diferente. Como recompensa, uma parada para banho e muitos brindes com espumantes produzidos na região. Pela tarde, tour pela vinícola, almoço típico e degustação de vinhos nordestinos.
No domingo, escolhemos remar pela orla das duas cidades, foram mais 6 quilômetros de muito vento, correnteza e marolinhas. A cada remada sentíamos a força da água do rio. Saímos do IATE de Petrolina até a Ilha do Fogo e retornamos no mesmo sentido. Finalizamos o nosso SUP&WINE com a melhor das recompensas: a certeza de que valeu a pena cada quilômetro percorrido.
Cinara Marback é Jornalista e Instrutora de Stand Up Paddle formada pelo Ibrasurf.





