De Volta Pro Futuro

Trindade, a saga

A Trindade, famosa pelas sua ondas e sua beleza natural, é uma região no sul do litoral do Rio de Janeiro, que faz parte da reserva da Bocaina, e é composta por sete praias paradisíacas, montanhas com Mata Atlântica preservada caindo quase que diretamente ao mar, região de cachoeiras, piscinas naturais, ondas perfeitas e pesadas, e que tem uma história marcada por  muitos conflitos, invasões e desrespeito ao meio ambiente.

A região da Trindade sempre foi visitada por forasteiros, e serviu de moradia para diferentes povos e culturas. O primeiro povo que se tem notícia de que ali esteve em visita foi os Vikings, um povo nórdico que deixou suas marcas numa caverna entre a praia do Caxadaço e praia do Meio.

Arqueólogos franceses que estudavam os Fenícios na América estiveram lá nos anos 70 estudando essas inscrições. A região nessa época era habitada por selvagens canibais, os verdadeiros filhos da terra, os índios Tupinambás. Essa etnia indígena habitava a nossa costa desde São Sebastião (SP) até o norte do Rio de Janeiro, inclusive a região de Trindade. Eles eram assíduos comedores de gente, canibais, mas foram extirpados do Brasil na época da colonização, quando os portugueses e franceses passaram a frequentar a região.

Os portugueses ficavam mais no porto de Paraty, onde escoava o ouro vindo de Minas Gerais para a Europa, enquanto os piratas franceses frequentavam as praias da Trindade, Laranjeiras e toda essa região, para emboscar as naus portuguesas que seguiam cheias de ouro para Portugal. Isso era por volta dos anos de 1700.

Trindade, além de receber Vikings, recebeu então piratas franceses, talvez navegadores portugueses. Muitos dos atuais caiçaras desta região são claros e de olhos azuis, e isso é uma possibilidade de serem descendentes dos franceses misturados com índios? Eu não sei o que realmente ocorreu com os tupinambás, se foram extintos por doenças, se foram massacrados, ou se miscigenaram gerando o caiçaras que habita a região até os dias de hoje.

A partir dessa fase colonial, Trindade e toda a região no século 19 e 20 foi invadida por fazendeiros, que por sua vez trouxeram escravos africanos, que hoje habitam alguns quilombos na região. Fazendas de gado proliferaram, inclusive na Trindade, que possuía pastos para gado nelore no alto dos morros, onde é hoje o topo da estrada até o meio da descida.

Trindade recebeu vikings, índios tupinambás, franceses, portugueses, fazendeiros, escravos africanos, e para completar os índios guarani, que chegaram vindo do Rio Grande do Sul no século 19 e 20. Que miscelânea cultural e antropológica… O que mais poderia invadir a região? E a invasão não parou por aí. Vieram nos anos 60 e 70 construtoras multinacionais, jagunços capixabas, hippies, turistas e surfistas, para completar.

O surf surgiu em Trindade no início dos anos 70, quando ainda não existia a rodovia Rio Santos, através de dois surfistas judeus descendentes de franceses, o Andy e o Ilan Goldstein, que iam de Paraty no lombo de mula para surfar a onda da Pedra d’agua, o nome original do Cepilho. Foram eles que levaram os tais arqueólogos que detectaram as inscrições Vikings.

Com o surgimento da rodovia Rio – Santos, alguns surfistas malucos se aventuravam a descer aquela ribanceira de terra chamada de “Deus me Livre”, para explorar as ondas da região, mas eram pouquíssimos. Em compensação, os hippies chegaram com tudo na Trindade, e acampavam no paraíso, levando muitas drogas e bebidas.

O carioca príncipe João Orleans de Bragança e o paulista Paulo Motta, entre outros, sabemos que ali estiveram por essas épocas.

Ao lado da Trindade, a construtora canadense Brascan comprou a antiga fazenda de escravos, a Laranjeiras, e fez um condomínio de luxo. Um pouco além da Laranjeiras, um alemão, o Sr. Gibrailt, comprou toda a região da praia do Sono e dos Antigos, inclusive para o interior até o saco do Mamanguá, e investiu em gado, montou uma fazenda de búfalos, a fazenda Santa Maria.

Com o sucesso da implantação do condomínio Laranjeiras, a construtora tentou fazer um condomínio na Trindade e não conseguiu, e isso gerou muitos conflitos entre jagunços capixabas contratados pela construtora e caiçaras. Foi uma época sangrenta para a região. Muitas famílias foram expulsas das suas casas pelos jagunços – aquelas que não queriam vender suas posses – e algumas acabaram indo morar na praia da praia do Cepilho. Os costumes e tradições dos caiçaras em Trindade estavam em xeque nos anos 70.

Eu resolvi fazer essa introdução para que o leitor tenha uma ideia de que Trindade não é apenas uma região linda e com altas ondas, mas uma região com uma história complexa. Porém, vamos falar agora especificamente da invasão dos surfistas.

Como disse anteriormente, supõe-se que os primos franco judeus Andy e Ilan Goldstein descobriram essa onda indo em cima do lombo de mulas, vindos de Paraty, onde tinham uma casa. Com o passar do tempo e a inauguração da rodovia BR-101, a Rio-Santos, eles passaram a frequentar a Trindade no velho Karmanguia amarelo do Ilan, não revelando para ninguém as  ondas.

Eu conheci os dois primos no Guarujá, por volta de 1974, na época em que eles acabavam de chegar de uma aventura de surf pelo Peru, onde foram roubados e obrigados a regressar ao Brasil numa aventura sem precedentes, pelo Rio Amazonas, sem grana nenhuma, passando alguns dias numa ilha boliviana flutuante de papiro, numa comunidade de leprosos.

Ficamos bem amigos, sempre surfávamos juntos nas Pitangueiras, Pernambuco e em São Pedro, até que um dia eles revelaram a Trindade para nossa turma. Foi a convite deles, na Semana Santa de 1975, que fomos para lá em três carros e alguns amigos – o Renato Zimmermann, Marcelo Diniz, Romeu e Xan Andreatta, José Luis “Pantera”, Charlys Brown, Antonio Celso Fortino (Tonhão), meu irmão Augusto Alves e o Fernando Mesquita.

Eles fizeram um mapa para chegarmos ao paraíso, e nos aguardavam no pico. Lembro perfeitamente da nossa Brasília iniciando a descida da ribanceira de terra, e lá de cima se avistava o mar, e minha euforia em particular era muito grande, pois o lugar era bem isolado e pitoresco, uma verdadeira aventura. Descemos bem devagar, pois tinha muita lama na ladeira, e depois de uma meia-hora chegamos numa praia pequena cheia de rochas ao lado, e com ondas grandes e fortes quebrando, a tal da pedra d’agua que o Ilan e Andy tanto falavam e  que lembrava o canto do Arpex.

O Karmanguia do Ilan estava estacionado meio atolado, e com um recado no painel que dizia mais ou menos assim: “o carro não passa daqui, sigam a pé pela praia até o fim, estamos acampados dentro dos ranchos das canoas. Hoje quebrou 6 pés perfeito”.

E assim fizemos. Pegamos todas aquelas tralhas, prancha, comida, barraca, fogão portátil, roupas e fomos caminhando pelos labirintos de pedra e depois por uma longa praia até chegar nos ranchos das canoas dos caiçaras. Dentro de um rancho estavam os primos acomodados numa canoa, comendo pão sírio. Ao vê-los, eles nos acenaram e falaram “Bem vindos ao paraíso”.

De fato o lugar era mágico, natureza impecável, cultura caiçara intacta e ondas incríveis que eu nunca tinha visto no Brasil, e a prova dos nove foi no dia seguinte, quando o Cepilho ficou enorme e perfeito na pedra, e com canal para entrar.

Esse dia mudou a minha vida. Nunca mais abandonei essa região mágica e surfamos ali por uma década, sem crowd, algumas das ondas mais espetaculares que surfei no Brasil. Sou grato a Deus e aos Goldstein por terem nos aberto esse pico que ficou em segredo até 1985.

Depois dessa primeira ida, comecei a surfar com frequência na Trindade, mas sempre dependia de carona. As nossas barracas sempre estavam ali no Cepilho ou dentro dos ranchos. Na época não havia luz elétrica, a vila era minúscula e possuía apenas uma vendinha, que era do enigmático Plachet, o dono dos gados da região.

Uma vez sem opção de café da manhã, tomamos no Plachet cerveja quente com paçoca, num dia que quebrou o melhor Caxadaço da história.

As noites em Trindade eram bem escuras e estreladas, e sempre aparecia nas nossas barracas, à noite, um Bob Dilan Cover, que levava atrás dele uma procissão de malucos ao som de Mr. Tamborin.

Aos poucos fomos ficando amigos das famílias caiçaras, que nos receberam com muito carinho, o que nos fazia sentir como se estivéssemos em casa. Pegar tubos secos no Cepilhos pela manhã, almoçar um peixinho frito com arroz e feijão no forno a lenha na casa da dona Clara e seu Antônio, voltar a surfar, e à noite fazer uma fogueira e tirar um som naquela escuridão, sob um céu estrelado, era inacreditável.

Era um rotina tão boa, que nos fazia sonhar com uma chuvinha, para ficarmos presos e ter uma desculpa para os pais por não voltar na segunda-feira. E realmente uma chuva qualquer deixava a estrada de terra um sabão, e era praticamente impossível transpor a “Deus me livre” com um carro comum.

Num feriado de finados, acho que em 1976, passamos 10 horas empurrando os carros e só chegamos no alto da estrada anoitecendo, sujos de lama até a cabeça.

A vida em Trindade era muito tranquila. Os caiçaras tinham uma rotina muito simples e de total dedicação à natureza. Enquanto os homens se dedicavam à pesca e à agricultura, plantando mandioca, banana, mamão, buscando as lenhas, as mulheres cuidavam das casas e das crianças, da comida.

A maioria das casas era de pau a pique e chão de terra batido, sendo algumas em alvenaria e piso de cimento. A grande maioria dos caiçaras era cristã, alguns católicos e outros evangélicos.

O canto dos ranchos era o lugar mais agitado da Trindade, pois ali chegavam as canoas com os peixes todos os dias, e era onde as famílias ficavam sentadas aguardando as chegadas dos homens. Muitos urubus se aglomeravam por ali, aguardando uma sobrinha para eles.

O povo de lá era bem festivo, e a festa de Reis era, e ainda é, uma tradição dos moradores que saíam à noite tocando suas serestas tradicionais, entrando nas casas que recebiam os músicos. O cheiro de lenha queimada, os peixes secando com sal no varal, os cachorros e gatos soltos, meninas com suas roupas tradicionais aproveitando o banho do mar, enquanto os meninos empinavam suas pipas ou jogavam uma bola, tudo isso fazia parte do cardápio da Trindade dos anos 70.

As praias eram tão desertas e paradisíacas… Não dava para acreditar. A piscina do Caxadaço, a praia de nudismo e a praia do meio eram locais que regularmente íamos em dias de flat, e todos os fins de tarde na cachoeira para tomar banho na piscina natural. O paraíso existia e o nome dele era Trindade.

As ondas ali não se restringiam ao Cepilho, onde o fundo era bem variável, e em algumas ocasiões a areia da praia sumia e as ondas ficavam ruins, com backwash. Então, íamos na praia Brava, que tinha uma laje no canto direito que quebrava em dias de ondas grandes. Havia as ondas do Caxadaço, o inter rocks, cujo nome original era Tubular Point, no meio das pedras, ao lado do Cepilho, chamado cemitério das baleias. Tinha a laje na frente dos ranchos, no meio da praia da Trindade tinha o point chamado Sapo, e a onda da praia do meio que quebrava de frente às cavernas dos Vikings, e assim por diante.

Já como locais do pico, no feriado de finados de 1977, organizamos o primeiro campeonato de surf da Trindade, o I Granja pro Contest, em homenagem ao nosso bairro em Sampa, a Granja Julieta. A minha vizinha Filomena me ajudou a organizar, e tinha até um jornalzinho.

Convidamos vários amigos, até aqueles que nem surfavam, e montamos um grande acampamento no Cepilho, um tipo Woodstock. Apareceu até um cantor famoso, o Dudu França, que acampou junto com a galera. Convidamos também como juízes – abrindo o pico a eles – o Marko Arambasic, Roberto Moura, que futuramente fez os filmes Surf Adventures, e o Claudjones.

O mar estava espetacular, com swell de 1,5 metro de sul, água azul e muitas direitas tubulares canalizando para dentro da pedra. Os juízes ficavam nas cadeirinhas no alto da pedra, onde hoje tem um bar irregular. O mar estava tão bom que gerou um motim, e os juízes abandonaram as posições e foram para água. O Marko Arambasic pegou uns “trocentos” tubos no Backdoor de direita, e assim o campeonato acabou e me sagrei campeão, pois tinha mais pontos acumulados. O Romeu Andreatta ficou em segundo e o meu irmão Albertinho, com apenas 13 anos, em terceiro, a revelação do campeonato e que mais tarde se tornou um dos melhores surfistas dessa onda.

O ano de 1977 também foi marcado por fortes conflitos. Algumas famílias foram expulsas da vila e foram morar na praia do Cepilho. Entre elas a família do seu Antonio e dona Clara. Pudemos passar bons tempos ali com eles, que tinham uma família grande. Lembro bem das garotinhas Preta e a Branca, o Alonso, a Claurides e um bando de cachorros e galinhas.

Lembro bem dos almoços servidos no fogão a lenha, e os peixes secando ao Sol, a bica canalizada do rio com uma mangueira preta e o cantar do galo ao raiar das manhãs. Nossas barracas e pranchas espetadas na areia eram tão habituais ali, que fazíamos parte da família. Enquanto para nós era mágico estar ali, para eles a situação era dramática, pois a vila da Trindade era o verdadeiro lar deles que estavam vivendo ali no Cepilho de forma compulsória.

Muitas pessoas estavam envolvidas para reverter essa situação e expulsar a empresa da Trindade, daí surgiu o movimento ‘Salve a Trindade’. Foi em maio de 1977 que o movimento “Salve a Trindade” entrou no seu auge, e no Dia das Mães, 13 de maio de 1977, a empresa foi definitivamente expulsa, e foi homologado que a Trindade seria área de preservação, com a caravana ecológica que lotou a Trindade de jornalistas, prefeito, pessoas envolvidas na proteção, ecologistas, humanistas e nós surfistas.

Foi servido um belo almoço caiçara a todos, num dia histórico, e as famílias expulsas poderiam voltar para as suas devidas propriedades, e o Cepilho passaria a ficar inabitado. E foi nessa caravana de 12 e 13 de maio de 77, com dias de sol sem nuvem, vento terral, água azul turquesa com temperatura em torno dos 22 graus, swell de 1,5 metro, fundo perfeito, que quebrou um dos mares mais clássicos da história do Cepilho. Surfamos sozinhos e entubamos muito nesse fim de semana – eu, Andy, Ilan e Augusto.

Com a volta das famílias para a vila, o Cepilho ficou deserto novamente. Surfar sem ver as famílias ali na frente, sem aquele cheiro de lenha queimada, sem as crianças brincando na areia, deu um vazio muito grande, mas a vida continuava, e as minhas explorações na região também. Começei a fuçar as praias dali, e também em 1977, eu e um amigo, o Paciléu, chegamos pela primeira vez na praia do Sono.

Fomos andando desde a Laranjeiras com quinhentas tralhas nas costas, prancha, barraca, sleeping bag, comida, roupas, fogão e botijão de gás, debaixo de uma garoa fria pela antiga trilha, e que era bem mais longa e acidentada que a atual, e ao chegar na praia fomos sumariamente expulsos pelo seu Félix, um capataz mal encarado da fazenda, e tivemos que entrar numa D10 e empurrá-la até Laranjeiras no meio da lama, pois nessa época havia uma estrada de carro.

Tentamos novamente voltar lá ainda em 1977 com nossas namoradas, aí sim o Félix nos permitiu ficar na escola e não acampar. Surfamos os Antigos e o Sono ondas lindas, com água quente e clara, mas fomos expulsos novamente pelo próprio Sr. Gibrailt, o alemão proprietário da terra, só que dessa vez de barco. Ele entrou numa casa que nos servia um almoço, brigou com a dona da casa, nos fez um sermão e disse para irmos embora após o almoço. Fomos, mas sempre voltávamos.

Nesse interim, descobrimos as direitas clássicas de Laranjeiras no costão, pois havia surfado lá em 75, mas sem ondas. Quase não havia me deparado com a direita clássica que eu e o Paciléu mantínhamos em segredo. Algumas vezes abandonávamos a galera na Trindade inventando uma desculpa, e íamos com o fusca azul calcinha dele surfar sozinhos em Laranjas point, com uma autorização que eu tinha para entrar no condômino para ir ao Sono.

Mas, não demorou muito para nossos amigos descobrirem, e aí a Laranjeiras fazia parte do nosso cardápio na região. Regularmente íamos surfar na praia de Camburi da fronteira e em 84 cheguei andando pela floresta em Martim de Sá, com um amigo e uma namorada, a Monika Buger e o André Paglioli, encontrando ondas incríveis e desertas.

Estávamos no fim dos anos 70 e o Cepilho continuava sendo nosso parque de diversão particular. Muitos dos nossos amigos já não iam mais no pico, mas eu e o meu irmão Alberto Alves, o Fernando Mesquita, o Romeu Andreatta, Madureira, Marko Arambasic, Renato Zimermann, Marcelo Diniz e o Uri Goldstein continuávamos locais assíduos.

Uma nova galera começou a frequentar o pico conosco – Motaury, Milton Del Carlo, Tucano, André e Daniel Paglioli, Tim, Marcelo Escobar Bueno. Eu já tinha feito 18 anos e tinha uma Kombi “casa”, mas o Alberto e amigos, que eram menores, ainda tinham que pegar aquele ônibus até Ubatuba, dormir na praça, pegar o ônibus da manhã para Paraty, descer na BR e ir a pé até a Trindade subindo e descendo a ribanceira com as pranchas e malas.

Outro amigo, o Roberto Tatini, que levei lá em 79 junto com o Tony, da Kaluama, e o Charlys Magno, arrumou uma namorada caiçara e deixava as pranchas na casa dela. Ele sempre ia de ônibus até Ubatuba, mas em vez de passar a noite na praça esperando o ônibus da manhã, o maluco ia de skate à noite até Trindade, percorrendo uns 50 quilômetros.

No início dos anos 80, as coisas começaram a mudar e novas invasões chegaram à Trindade, a luz elétrica e a televisão. Lembro no dia que passaram os postes de luz e o seu Antônio me confidenciava que tudo iria mudar, e que as crianças não poderiam mais empinar suas pipas, pois os fio elétricos eram perigosos, mas a TV foi mais.

As caiçaras pequenas, que vestiam vestidos longos tradicionais, cabelos compridos e cheio de cachos, em pouco tempo mudaram os visuais e hábitos, pois a TV trouxe uma invasora que mudou a rotina das crianças, o show da Xuxa. Foi impressionante isso! A droga, a bandidagem, a bebida, os bares começaram a aumentar, mas o Cepilho continuava pleno, com suas ondas clássicas, sempre com esquerdas à la Rocky Point nos dias de leste – na época do inverno, quando as ressacas jogavam mais areia no canto das pedras – e direitas incríveis nos dias de swell de sul. Nada abalava a majestade do Cepilho, e o crowd comum em Ubatuba ainda não tinha chegado ali.

Quando o asfalto chegou, aí sim, as coisas melhoraram por um lado e pioraram por outro. Enquanto ninguém ficava mais preso nos dias de chuva, as construções irregulares começaram a aumentar e o número de visitantes triplicou. Não havia ali nenhum controle sobre o crescimento irregular e mal planejado.

Em meados de 1984, eu continuava a surfar sozinho em Trindade, e mesmo já sendo um dos donos da Revista Fluir e um fotógrafo de surf, nunca me passava na cabeça fazer uma matéria em Trindade. Mesmo que eu procurava manter uma linha editorial nada convencional, onde nunca entregava o pico, sempre criando nomes fictícios dos points, não me passava na cabeça divulgar essa região.

Em 1985, em viagem ao Cepilho, o meu irmão Alberto e o Avelino Bastos estiveram lá surfando com o nosso fotógrafo Alberto de Abreu Sodré, o Cação, que fez altas fotos dos dois no Cepilho. Essas imagens chegaram à redação e eu particularmente não gostei. O nosso diretor de redação, o Xan Andreatta, achou que deveríamos fazer uma matéria, e todos aprovaram, menos eu. Como vi que não tinha jeito, tentei convencer todos para criarmos um nome fictício e não entregar os bois, mas não fui acatado. Fui voto vencido na redação.

A matéria saiu na Fluir, com o nome da Trindade, e isso foi um golpe de misericórdia. A revista saiu num meio de semana, e logo no sábado o Alberto desceu a ladeira na tranquilidade de sempre, como sempre fazia, parando o seu carro no pico sozinho, mas na última ladeira que avistava já a praia, tomou um susto absurdo. Viu estacionado uns 30 carros, e ao chegar no pico o mar estava repleto de surfistas, um crowd selvagem, e ele foi ignorado e rabeado no pico por surfistas vindo de diversos lugares sem algum respeito. Na segunda-feira, ele me ligou super chateado, indagando o que a Fluir fez com o pico.

A publicação da Fluir de fato acelerou um processo inevitável, mas o choque foi tão grande, que o Cepilho de paraíso virou, no prazo de uma semana, um inferno. Como o pico já estava entregue, as revistas da época publicavam fotos com frequência. Eu mesmo acabei levando surfistas para lá para fotografar.

Estive, numa ocasião, com Richard Dog Marsh, David Macauley, Jamie Brisick, Kaipo Jaquias e Peter Wilson, que elogiaram muito o power das ondas do Cepilho. Durante o Sundek Classic 87, presenciei ali um show de Todd Holland, Fabio Gouveia, Vetea David e outros. Trindade agora era um pico internacional, quem diria…

Com o tempo, Trindade, Paraty e Laranjeiras passaram a ter seu próprios surfistas locais, aliás, excelentes surfistas e amigos, com destaque para Nathan, Bruno, Maguinho, Dulmar e Paulinho Andrade, entre outros tantos.

Continuei surfando no Cepilho até 2012, e até hoje não voltei mais lá para surfar. O lugar nunca mais foi o mesmo. O crowd ficou indigesto. Montaram no Cepilho um restaurante irregular sem a mínima preocupação com o meio ambiente, bem em cima de onde acampávamos. O lugar onde morou a família do seu Antonio, hoje, é um estacionamento.

A vila da Trindade se transformou numa pequena cidade, cheio de lojas, lan houses, hotéis, restaurantes, sem a mínima preocupação com o meio ambiente e o urbanismo. Tiraram muitas árvores na frente da praia da Trindade para construírem comércios, acabaram com os velhos ranchos e que deram lugar a bares sem saneamento básico. A cultura caiçara do pescador foi realmente trucidada, embora alguns ainda continuem. A droga, a bebida, a bandidagem, o crowd na água cresceram e não param de crescer. Bom para os comerciantes, mas ruim para a natureza e a cultura caiçara, que foi abalada.

No movimento de 1977, “Salve a Trindade”, esqueceram que não só um empresa multinacional de loteamento era nefasta para a Trindade, mas esqueceram que o homem vindo de fora, com sua ganância e desrespeito à natureza e aos verdadeiros habitantes da Trindade, homens que se aproveitam da falta de fiscalização das autoridades ambientais, que fazem vista grossa aos crescimento irregular, buscando interesses próprios, destruíram e continuam destruindo o paraíso chamado Trindade.

O vídeo abaixo narra a história da resistência dos caiçaras de Trindade, Ponta Negra, Sono e Laranjeiras (Paraty) contra grandes empresas que tentaram se apropriar de suas terras na época da construção da rodovia Rio-Santos, durante a década de 70, no século passado. Conseguiram em Laranjeiras, apenas. Em Trindade, persiste o conflito com uma companhia fantasma, que não assume sua identidade, e parece aguardar mudanças na legislação do uso do solo, estabelecida em parceria com as próprias comunidades, pelo Plano de Manejo da APA de Cairuçu, sob administração do ICMBIO. O recente assassinato de um jovem Trindadeiro, Jaisson Caique Sampaio, o Dao, por policiais a serviço da “companhia” reacende o conflito, 38 anos depois.

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    Yago Dora é o campeão do Vivo Rio Pro 2026. O brasileiro derrotou o italiano Leonardo Fioravanti em uma final acirrada, impulsionado pela forte presença da torcida que lotou as areias de Itaúna, mesmo debaixo de chuva e frio. Com mar balançado e ondas com cerca de um metro e meio nas séries, Fioravanti, que chegou à decisão já com o status de novo líder do ranking mundial, repetiu a estratégia da semifinal. O italiano impôs um ritmo forte logo no início da disputa, enquanto Yago optou por ser mais paciente e seletivo na escolha de suas ondas. A tática de Fioravanti rendeu frutos iniciais, deixando-o com um somatório provisório de 8.17 (notas 5.67 e 2.50). No entanto, aos 13 minutos de bateria, Yago Dora encontrou a rampa perfeita, executou um lindo aéreo rodando e levantou a praia ao arrancar um excelente 8.50 dos juízes. Minutos depois, já na metade do confronto, o brasileiro voou novamente. Com outro aéreo bem executado, recebeu um 6.50 e fechou seu somatório em imbatíveis 15.00 pontos. Pressionado, Fioravanti passou a precisar de 9.33 para assumir a liderança. A cinco minutos do fim, o italiano arriscou um ótimo aéreo (sem rotação completa) e diminuiu a diferença com um 7.50. Nos instantes finais, ele precisava de um 7.51 para a virada, mas o mar não colaborou e ele não conseguiu surfar mais nenhuma onda, selando a vitória e o título de Yago Dora pelo placar final de 15.00 a 13.37. Com esse resultado, Yago pulou para o segundo lugar na classificação geral do CT, ficando atrás somente de Fioravanti. Italo Ferreira agora cai para a terceira posição, enquanto Gabriel Medina, eliminado na estreia em Saquarema, ocupa o quarto lugar, seguido por Miguel e Samuel Pupo. Na final feminina, a norte-americana Sawyer Lindblad superou o “fenômeno francês” Tya Zebrowski com duas ondas de pontuações ligeiramente superiores (3.90 e 3.77), fechando seu somatório em 7.67 pontos. Lidando com condições difíceis no mar durante a bateria, Zebrowski lutou bastante e surfou um número muito maior de ondas que sua adversária, em uma tentativa incessante de reverter o placar. No entanto, Tya teve que se contentar com uma pontuação total de 6.10 (3.47 e 2.63) em suas duas melhores apresentações. O esforço não foi suficiente para garantir sua primeira vitória no Championship Tour aos 15 anos de idade, feito que teria estabelecido um recorde histórico da categoria. Adotando uma postura mais estratégica, Sawyer Lindblad vibrou muito com a conquista de sua primeira vitória na carreira no CT. Com o resultado, a surfista norte-americana dá um salto importante e assume a terceira colocação no ranking mundial feminino. Semifinais masculinas A primeira bateria a entrar na água foi a semifinal entre João Chianca e Leo Fioravanti. O italiano abriu o confronto em um ritmo forte, surfando quatro ondas em menos de 10 minutos. Nas três primeiras tentativas, garantiu um 7.00 como sua melhor nota. Na sequência, apostou em um aéreo reverse e arrancou um 6.00 dos juízes. Com isso, Fioravanti pôde se dar ao luxo de descartar um 4.00 e um 5.17, enquanto o brasileiro somava apenas 3.00 pontos naquele momento. Chianca tentou reagir restando pouco mais de 20 minutos para o encerramento da bateria. Depois de aumentar sua nota de descarte para 3.67, o brasileiro pegou uma onda intermediária e executou três rasgadas expressivas para anotar 6.27. Com isso, passou a precisar de um 6.74 para a virada. A poucos minutos do fim, ele arriscou em uma onda com pouco potencial e recebeu apenas um 3.83, pontuação insuficiente para reverter o placar. Com a classificação para a final, Fioravanti garantiu 7.800 pontos e chegou a 33.930 no total, ultrapassando Italo Ferreira (que caiu nas oitavas de final e soma 33.845) e assumindo a liderança do ranking do CT. Vindo de um título inédito em El Salvador, o italiano mostrava grande inspiração na busca pela segunda conquista de sua carreira. O grande obstáculo, no entanto, seria Yago Dora, que chegou à final igualmente embalado após derrotar o australiano Ethan Ewing na outra semifinal com um placar confortável de 14.30 contra 11.67. Isso sem mencionar o forte apoio da torcida brasileira. Quartas de final masculino e semifinais feminino Após uma pausa no domingo, o Vivo Rio Pro retornou à ação na segunda-feira (22) para o seu terceiro dia de competições. Ao longo do dia, a Praia de Itaúna viu definidas as finalistas da categoria feminina e os semifinalistas do masculino, deixando o palco pronto para o aguardado “Finals Day”. A previsão se mostrou muito melhor do que o esperado logo nas primeiras horas. O dia começou com ondas limpas com pouco mais de um metro e meio, permitindo um surfe de alta performance. No entanto, com o passar das horas, o mar perdeu força e as séries ficaram escassas, forçando a organização a paralisar o evento e adiar as baterias decisivas para o próximo chamado. Impulsionado pela energia vibrante da areia, o herói local João Chianca encontrou total sintonia com o oceano. Ele surfou duas excelentes ondas em sequência para colocar a pressão sobre o australiano Morgan Cibilic, que embora tenha surfado a melhor onda da bateria, não foi o suficiente para alcançar o somatório do brasileiro, que garantiu sua primeira semifinal da temporada. O atual campeão do evento, Yago Dora, protagonizou um duelo eletrizante e de notas excelentes contra o compatriota Miguel Pupo. Em uma troca crucial, Pupo arrancou um 8.00 dos juízes, mas Dora respondeu na onda seguinte com um brilhante ataque de frontside que lhe rendeu um 8.50, selando sua classificação para a semifinal. Dora enfrentaria o australiano Ethan Ewing, que virou sua bateria contra Kauli Vaast nos segundos finais, reeditando a grande final do Vivo Rio Pro de 2023. O italiano Leonardo Fioravanti manteve o embalo de sua vitória em El Salvador e frustrou a torcida local ao eliminar Samuel Pupo na primeira bateria do dia. Fioravanti adotou a estratégia de começar forte e manter o ritmo, construindo uma estratégia que Pupo não conseguiu reverter antes do tempo esgotar. Com o melhor

    Etapa brasileira do Championship Tour termina com vitória de Yago Dora. Sawyer Lindblad vence entre as mulheres e Leonardo Fioravanti assume liderança do ranking mundial da WSL, na etapa de Saquarema.

    Uma das solicitações mais frequentes desde o lançamento da nova plataforma foi o retorno dos comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial. Por isso, a Waves volta a abrir o espaço para a comunidade acompanhar, comentar e trocar opiniões ao longo das baterias. Clique aqui para assistir ao vivo Clique aqui para saber tudo sobre a etapa de Saquarema Clique aqui para conhecer a nova fase da Waves Durante muitos anos, esse encontro entre surfistas fez parte da cobertura dos eventos na Waves. Agora, a tradição retorna renovada, mantendo o que sempre foi mais importante: a participação da comunidade. Feita de surfista para surfista, a Waves acredita que acompanhar uma etapa vai muito além de assistir às baterias. É também comentar o que acontece nas entrelinhas, discutir as notas, defender seus favoritos e trocar ideias com outros apaixonados por surfe. O Vivo Rio Pro 2026 abre a janela de competições em Saquarema (RJ) nesta sexta-feira (19). Assista às baterias, compartilhe suas opiniões e participe dos debates ao vivo com outros apaixonados por surfe em nosso fórum abaixo. Campeões das etapas da Elite Mundial do Surfe realizadas no Brasil Ano Campeão Masculino Campeã Feminina 2025 Cole Houshmand (EUA) Molly Picklum (AUS) 2024 Italo Ferreira (BRA) Caitlin Simmers (EUA) 2023 Yago Dora (BRA) Caitlin Simmers (EUA) 2022 Filipe Toledo (BRA) Carissa Moore (HAV) 2019 Filipe Toledo (BRA) Sally Fitzgibbons (AUS) 2018 Filipe Toledo (BRA) Stephanie Gilmore (AUS) 2017 Adriano de Souza (BRA) Tyler Wright (AUS) 2016 John John Florence (HAV) Tyler Wright (AUS) 2015 Filipe Toledo (BRA) Courtney Conlogue (EUA) 2014 Michel Bourez (FRA) Sally Fitzgibbons (AUS) 2013 Jordy Smith (RSA) Tyler Wright (AUS) 2012 John John Florence (HAV) Sally Fitzgibbons (AUS) 2011 Adriano de Souza (BRA) Carissa Moore (HAV) 2010 Jadson André (BRA) — 2009 Kelly Slater (EUA) — 2008 Bede Durbidge (AUS) Sally Fitzgibbons (AUS) 2007 Mick Fanning (AUS) Samantha Cornish (AUS) 2006 Mick Fanning (AUS) Layne Beachley (AUS) 2005 Damien Hobgood (EUA) — 2004 Taj Burrow (AUS) — 2003 Kelly Slater (EUA) — 2002 Taj Burrow (AUS) Melanie Bartels (HAV) 2001 Trent Munro (AUS) Samantha Cornish (AUS) 2000 Kalani Robb (EUA) Layne Beachley (AUS) 1999 Taj Burrow (AUS) Andrea Lopes (BRA) 1998 Peterson Rosa (BRA) Pauline Menczer (AUS) 1997 Kelly Slater (EUA) Pauline Menczer (AUS) 1996 Taylor Knox (EUA) Pauline Menczer (AUS) 1995 Barton Lynch (AUS) Neridah Falconer (AUS) 1994 Shane Powell (AUS) Pauline Menczer (AUS) 1993 Dave Macaulay (AUS) Neridah Falconer (AUS) 1992 Damien Hardman (AUS) Wendy Botha (AUS) 1991 Flavio Padaratz (BRA) — 1990 Fabio Gouveia (BRA) — 1989 Dave Macaulay (AUS) — 1988 Dave Macaulay (AUS) — 1982 Terry Richardson (AUS) — 1981 Cheyne Horan (AUS) — 1980 Joey Buran (EUA) — 1978 Cheyne Horan (AUS) — 1977 Daniel Friedmann (BRA) Margo Oberg (EUA) 1976 Pepê Lopes (BRA) — Vivo Rio Pro 2026 Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 7.00 x Lucas Chianca (BRA) 6.432 Matthew McGillivray (AFS) 11.67 x 5.13 Luke Thompson (AFS)3 Weslley Dantas (BRA) 9.67 x Seth Moniz (HAV) 9.074 Eli Hanneman (HAV) 9.17 x Oscar Berry (AUS) 6.50 Round 2 1 Jack Robinson (AUS) 14.33 x Rio Waida (IND) 12.532 Samuel Pupo (BRA) 11.07 x Alan Cleland (MEX) 8.503 Leonardo Fioravanti (ITA) 12.27 x Weslley Dantas (BRA) 11.604 Liam O’Brien (AUS) 13.93 x Jake Marshall (EUA) 10.835 Morgan Cibilic (AUS) 9.44 x Connor O’Leary (JAP) 9.306 Matthew McGillivray (AFS) 13.53 x Gabriel Medina (BRA) 13.137 João Chianca (BRA) 14.84 x Griffin Colapinto (EUA) 7.178 George Pittar (AUS) 15.00 x Joel Vaughan (AUS) 6.539 Italo Ferreira (BRA) 14.33 x Ramzi Boukhiam (MAR) 10.9710 Kauli Vaast (FRA) 13.73 x Crosby Colapinto (EUA) 11.5011 Ethan Ewing (AUS) 12.66 x Alejo Muniz (BRA) 10.3012 Kanoa Igarashi (JAP) 12.23 x Cole Houshmand (EUA) 11.7713 Yago Dora (BRA) 13.83 x Eli Hanneman (HAV) 12.9014 Marco Mignot (FRA) 12.74 x Barron Mamiya (HAV) 10.4315 Callum Robson (AUS) 14.93 x Filipe Toledo (BRA) 13.0016 Miguel Pupo (BRA) 12.97 x Mateus Herdy (BRA) 10.94 Round 3 1 Samuel Pupo (BRA) 15.84 x 9.94 Jack Robinson (AUS)2 Leonardo Fioravanti (ITA) 16.50 x 13.33 Liam O’Brien (AUS)3 Morgan Cibilic (AUS) 13.40 x 11.50 Matthew McGillivray (AFS)4 João Chianca (BRA) 14.30 x 13.26 George Pittar (AUS)5 Kauli Vaast (FRA) 14.17 x 12.87 Italo Ferreira (BRA)6 Ethan Ewing (AUS) 14.33 x 12.27 Kanoa Igarashi (JAP)7 Yago Dora (BRA) 15.00 x 10.33 Marco Mignot (FRA)8 Miguel Pupo (BRA) 14.03 x 12.17 Callum Robson (AUS) Quartas de Final 1 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.23 x 12.50 Samuel Pupo (BRA)2 João Chianca (BRA) 13.27 x 12.76 Morgan Cibilic (AUS)3 Ethan Ewing (AUS) 13.07 x 12.84 Kauli Vaast (FRA)4 Yago Dora (BRA) 15.67 x 13.33 Miguel Pupo (BRA) Semifinais 1 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.00 x 10.10 João Chianca (BRA)2 Yago Dora (BRA) 14.30 x 11.67 Ethan Ewing (AUS) Final Yago Dora (BRA) 15.00 x 13.17 Leonardo Fioravanti (ITA) Feminino Round 1 1 Sally Fitzgibbons (AUS) 14.50 x Vahine Fierro (FRA) 7.002 Erin Brooks (CAN) 11.26 x Anat Lelior (ISR) 9.503 Nadia Erostarbe (ESP) 10.83 x Yolanda Hopkins (POR) 9.104 Isabella Nichols (AUS) 12.50 x Francisca Veselko (POR) 11.705 Tya Zebrowski (FRA) 8.67 x Stephanie Gilmore (AUS) 7.336 Brisa Hennessy (CRC) 12.00 x Alyssa Spencer (EUA) 7.167 Bella Kenworthy (EUA) 10.10 x Bettylou Sakura Johnson (HAV) 8.938 Tatiana Weston-Webb (BRA) 11.00 x Tyler Wright (AUS) 10.46 Round 2 1 Carissa Moore (HAV) 14.50 x Erin Brooks (CAN) 13.302 Tya Zebrowski (FRA) 14.33 x Lakey Peterson (EUA) 11.033 Nadia Erostarbe (ESP) 8.40 x Molly Picklum (AUS) 7.674 Caitlin Simmers (EUA) 15.10 x Bella Kenworthy (EUA) 13.605 Gabriela Bryan (HAV) 17.33 x Sally Fitzgibbons (AUS) 13.266 Caroline Marks (EUA) 14.00 x Tatiana Weston-Webb (BRA) 13.007 Luana Silva (BRA) 12.47 x Isabella Nichols (AUS) 12.208 Sawyer Lindblad (EUA) 14.03 x Brisa Hennessy (CRC) 9.67 Quartas de Final 1 Tya Zebrowski (FRA) 12.70 x Carissa Moore (HAV) 7.772 Nadia Erostarbe (ESP) 15.83 x Caitlin Simmers (EUA) 12.233 Caroline Marks (EUA) 13.04 x Gabriela Bryan (HAV) 11.904 Sawyer Lindblad (EUA) 12.86 x Luana Silva (BRA) 12.26 Semifinais 1 Tya

    Atendendo a um dos pedidos mais frequentes da comunidade, a Waves traz de volta os comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial.

    A janela para a etapa brasileira do Circuito Mundial abre nesta sexta-feira (19) e se estende até o dia 27 de junho. Com um período de espera curto, de apenas nove dias, a organização precisará aproveitar ao máximo as condições para o surfe na Praia de Itaúna, que felizmente tem previsão de receber swell com potencial logo no início do evento. Para o dia de abertura da competição espera-se o ápice de uma boa ondulação de sul. Com a primeira chamada diária marcada para às 7h, o evento em Saquarema (RJ) promete disputas acirradas, especialmente com os surfistas brasileiros chegando como grandes favoritos após a etapa de El Salvador. Clique aqui para ver a previsão das ondas Clique aqui para participar dos debates No cenário masculino, o Brasil domina o topo da tabela, ocupando cinco das seis primeiras posições do ranking mundial. Italo Ferreira veste a lycra amarela de líder (30.525 pontos), seguido de perto por Gabriel Medina (2º) e Yago Dora (4º). Os irmãos Miguel e Samuel Pupo fecham o pelotão de elite na 5ª e 6ª colocações. João Chianca, que atualmente ocupa a 23ª colocação no ranking, compete em casa e precisa de um bom resultado, uma combinação de fatores que podem fazer dele um dos sufistas mais perigosos nessa etapa. A organização já divulgou os primeiros embates, que reservam fortes emoções para a torcida. Weslley Dantas está confirmado no round 1, assim como Lucas Chumbo, ambos anunciados como convidados do evento. Além disso, o chaveamento já antecipa um duelo 100% nacional no round 2, colocando frente a frente Miguel Pupo e Mateus Herdy em uma bateria eliminatória de alto nível. Mas, apesar da hegemonia brasileira na ponta da tabela, não podemos baixar a guarda. O principal nome a ser observado entre os visitantes é o italiano Leonardo Fioravanti. Atual 3º colocado no ranking, ele desembarca no Rio de Janeiro embalado após conquistar o título da etapa de El Salvador. Outros adversários que exigem atenção são os australianos George Pittar (7º) e Ethan Ewing (9º), conhecidos por um surfe de borda polido que se encaixa muito bem nas ondas de Itaúna, além do atual defensor do título da etapa, Cole Houshmand, que mesmo não estando em grande fase, é sempre perigoso em beach breaks. Jack Robinson (14ª), o “mais brasileiro dos gringos”, é sempre uma pedra no sapato de seus adversários e se sente à vontade competindo no Brasil. O japonês Kanoa Igarashi (8º) e o norte-americano Griffin Colapinto (10º) completam a lista de estrangeiros no Top 10 com arsenal técnico suficiente para surpreender os donos da casa. Previsão das ondas Já no primeiro dia de janela, nesta sexta-feira (19), as séries podem ultrapassar os 2 metros, criando condições de alto nível para a competição, mas também impondo desafios extras aos atletas e à organização. O vento deve soprar terral (norte-nordeste) pela manhã, virando para maral (leste) ao longo do dia, o que pode prejudicar um pouco a formação, mas ainda assim mantendo o mar em condições razoavelmente boas. A previsão Waves aponta sexta e sábado como os dias mais favoráveis para a competição. A ondulação de sul deve diminuir para a faixa de 1,5 metro pela manhã, com vento terral fraco, oferecendo boas condições para o surfe de alta performance. No entanto, a formação pode se deteriorar à tarde, com a entrada de ventos do quadrante oeste e posteriormente de sul. Tudo indica que no domingo o mar estará menor, com séries com menos de 1 metro, com vento terral variável pela manhã e ventos moderados de sul-sudeste à tarde. Se a previsão se confirmar, a realização de baterias matinais no domingo será uma incógnita para a organização. Na segunda e terça-feira as condições podem piorar e, o meio da janela de espera, especialmente entre quarta e quinta-feira, um novo swell pode surgir com ventos não tão favoráveis, porém com a possibilidade de bons momentos. Para o último dia do evento (27), há potencial para o alinhamento de todos os fatores necessários. Contudo, levando em consideração a distância dessa data, os modelos de previsão ainda podem apresentar algum ajuste sobre como as condições se desenrolarão ao final da próxima semana. Além disso, deixar a definição do evento para o último dia da janela representa um risco para a organização. Traremos mais atualizações ao decorrer da janela. Cenário Feminino Entre as mulheres, a havaiana Gabriela Bryan lidera o circuito, seguida de perto pela compatriota Carissa Moore, que também vem de vitória em El Salvador e é sempre uma das favoritas nas ondas potentes de Itaúna. A australiana Molly Picklum (3ª) e o forte esquadrão norte-americano completam a lista de estrangeiras perigosas. Para o Brasil, a grande esperança no topo da tabela é Luana Silva, atual 4ª colocada e vice-campeã da etapa em 2025. O time brasileiro ganha um peso extra com o retorno de Tatiana Weston-Webb. Após abrir mão de competir no início do circuito, a brasileira entra como convidada do evento e terá um desafio duro logo de cara: enfrentará a experiente australiana Tyler Wright (9ª) em uma das baterias mais aguardadas da primeira fase. Para a atual temporada, a WSL anunciou que os vencedores das categorias masculina e feminina receberão, além da premiação oficial em dinheiro da etapa, um veículo avaliado em R$ 342 mil. Com a soma dos valores, o campeão e a campeã poderão acumular uma recompensa próxima de R$ 750 mil. Este montante estabelece um novo marco, tornando-se a maior premiação individual já oferecida em uma etapa do Circuito Mundial disputada em território brasileiro. A premiação histórica, no entanto, é mais um capítulo de um lugar carregado de tradição quando o assunto é surfe brasileiro. Muita história em Saquarema A vocação de Saquarema para o esporte começou a ser forjada no início da década de 1970. Na época, surfistas que desbravavam o litoral fluminense encontraram na então pacata vila de pescadores de Itaúna um cenário de ondas perfeitas e potentes. Durante alguns anos, as ondas do lugar permaneceram um segredo bem guardado entre surfistas

    Palco da etapa brasileira da elite mundial, Saquarema reúne tradição, ondas icônicas, torcida única e uma premiação inédita, que pode render quase R$ 750 mil aos campeões.

    São 28 anos na missão de dar suporte para que os fissurados em ondas estejam no lugar certo, na hora certa. Indicando o caminho, presente no dia a dia dos surfistas brasileiros, o logo da Waves tornou-se reconhecido nacionalmente, e também em âmbito internacional. Bastava ser identificado para que se soubesse que se tratava de conteúdo surfe com a mais alta credibilidade. Neste sentido, tornou-se um ícone, daqueles atrelados para sempre a um significado de compreensão imediata. Mas nem por isso imune à evolução. Foi respeitando a força já consolidada, mas buscando dar mais significado ainda às suas formas, que o recém-assumido líder criativo da plataforma Waves, Felipe Garone, se debruçou sobre o logo. O desafio consistia em tentar melhorar o que já era ótimo, com muita humildade. “Precisávamos respeitar todo um legado construído ao longo de 28 anos. A Waves sempre foi uma marca que pautou cultura, então o rebranding precisava ser sutil, sem perder conexão. Trouxemos fluidez ao logo: o W e as letras, antes muito blocadas, agora respeitam esse movimento, essa fluidez. Atualizamos as cores e deixamos a marca condizente com os tempos atuais. O logo flui, o logo surfa”, observa Felipe Garone. É verdade, como uma ondulação chegando, o novo logo da Waves convida ao surfe. A que o observador deslize por suas formas agora mais arredondadas, lembrando o movimento de sobe e desce do meio líquido que tanto prazer proporciona aos surfistas. É como se a misteriosa energia que cruza oceanos para dar tanto prazer aos surfistas, pudesse agora ser visualizada também no logo.  Para deixar ainda mais claro, Felipe Garone preparou o vídeo acima, no qual divide com os usuários da Waves como esse processo criativo ocorreu. O novo logo integra o conjunto de transformações apresentadas pela Waves em sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso). Pegue essa onda e drope o novo logo da Waves.

    Elemento chave do novo projeto gráfico da plataforma, o icônico logo da Waves ganha forma de ondulação.

    Episódio de estreia da série documental O Pico revela a história da Paúba, desde a era dos nomes falsos e placas pichadas ao campo de treino que ajudou a moldar Gabriel Medina, passando pelo trágico acidente de Taiu Bueno. Toda onda tem uma história. Algumas são escritas em campeonatos, outras em imagens que atravessam décadas. Algumas nascem de momentos de glória, outras carregam marcas deixadas por tragédias que o tempo jamais apaga. Poucas ondas brasileiras reúnem tantos capítulos quanto a Paúba. Ela pertence a uma categoria especial de lugares que habitam conversas de estacionamento, capas de revista, vídeos compartilhados entre amigos e sessões imaginadas durante anos. Há lugares que, mesmo sem terem sido vistos de perto, já ocupam um espaço especial dentro de quem sonha com ondas. Para muitos brasileiros, Paúba é um desses lugares. Escondida entre o mar e a serra no litoral norte paulista, a pequena praia construiu uma reputação capaz de atravessar gerações. Seus tubos pesados, a bancada rasa e as condições frequentemente desafiadoras transformaram o pico em um dos lugares mais respeitados e temidos do surfe nacional. Foi ali que Gabriel Medina desenvolveu parte importante da técnica que o ajudaria a conquistar três títulos mundiais e enfrentar alguns dos tubos mais perigosos do planeta. Foi ali também que o big rider Taiu Bueno sofreu o acidente que mudaria sua vida para sempre. Por trás da fama da Paúba existe uma coleção de histórias. Histórias de pescadores e caiçaras. De fotógrafos, bodyboarders e surfistas. De amizades construídas dentro e fora d’água. De dias perfeitos e acidentes que marcaram profundamente a memória do surfe brasileiro. Durante muitos anos, a localização da Paúba foi protegida como um segredo. Revistas utilizavam nomes falsos para não entregar o pico. Placas eram pichadas para confundir visitantes. Quem encontrava aqueles tubos preferia mantê-los longe dos holofotes. Agora, chegou a hora de contar essa história. Paúba foi escolhida para inaugurar O Pico, nova série documental da Waves criada para explorar algumas das ondas mais emblemáticas do Brasil através das pessoas que ajudaram a construir suas identidades. A série integra o conjunto de novos produtos apresentados pela Waves em sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso). Para contar essa trajetória, a equipe reuniu personagens que viveram diferentes momentos da evolução do pico. Gente que testemunhou a transformação de uma praia quase desconhecida em um dos lugares mais respeitados do surfe nacional. Gente que viu Gabriel Medina chegar ainda menino. Gente que ajudou a escrever capítulos que jamais apareceriam em rankings, resultados ou manchetes. Ao longo do episódio, personagens como Sebastian Rojas, Felipe Paúba, JP Costa, Ditinho, Lúcia Frigerio, Ian Gouveia, Caio Costa, Zecão Rennó e outros nomes que fazem parte da memória da praia ajudam a reconstruir essa trajetória através de relatos raramente registrados em um mesmo lugar. As gravações aconteceram durante um grande swell que atingiu a região no início de maio. Com apoio da previsão do Waves Pro, a equipe mobilizou cinegrafistas locais e registrou um dos maiores dias do ano na Paúba até então. As ondas apareceram exatamente como gostam de se apresentar por lá: agressivas, imprevisíveis, desafiadoras, porém lindas e mágicas ao mesmo tempo. O resultado é um mergulho em uma história que fala de muito mais do que surfe. Fala sobre pertencimento, comunidade e coragem, porque a verdadeira história de uma onda raramente está apenas dentro d’água. Ela vive nas pessoas que cresceram ao seu redor. Nas amizades construídas ao longo dos anos. Nos medos superados. Nas vacas inesquecíveis. Nos tubos que ninguém viu. E nas histórias contadas depois que o mar acalma. Pegar um tubo na Paúba faz parte do imaginário de gerações de surfistas brasileiros, mas para entender de verdade por que esse pequeno trecho de areia exerce tamanho fascínio, é preciso conhecer as histórias que quebram junto com suas ondas. Aperte o play e descubra por que Paúba não é para qualquer um.

    Episódio de estreia da série documental O Pico revela a história da Paúba, dos tempos de segredo e nomes falsos ao pico que ajudou a formar Gabriel Medina e marcou para sempre a vida de Taiu Bueno.

    Feliz. Esse é o melhor adjetivo para descrever o momento que John John Florence vive. Quando ele deixou o Circuito Mundial, logo após conquistar seu terceiro título mundial, escolheu um novo rumo para sua carreira, sem garantia nenhuma de que a difícil decisão iria dar certo. Mas deu, e muito.  É justamente sobre exemplos e escolhas que girou boa parte da descontraída conversa do havaiano com o jornalista Adrian Kojin, que pode ser conferida no primeiro episódio do Wavescast. O podcast, que está sendo lançado pela maior plataforma surfe do Brasil como um dos produtos em destaque na sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso), chega para oferecer aos usuários da Waves o que pensam os maiores nomes do surfe mundial. Ter John John estrelando o primeiro episódio foi sem dúvida um privilégio. Escutar John John explicando que não foram os títulos mundiais de Tom Curren o que mais o marcou na trajetória do lendário californiano, mas sim sua coragem de escolher caminhos diferenciados do que se esperava dele, é revelador. “Eu admirava que ele conseguia fazer o que parecia certo para ele, sem estar preso a uma coisa ou outra”, diz ele ao reverenciar Curren como sua maior influência. Tem também John John celebrando seus outros dois grandes ídolos no surfe. Sobre Kelly Slater, ele se declara impressionado com sua capacidade de continuar performando num nível tão alto, “é incrível que ele consiga, na idade dele, ainda surfar do jeito que surfa”. Quanto ao que sentia ao testemunhar Andy Irons em ação, ele destaca a originalidade nas linhas traçadas, que o deixavam com a “sensação de que ele era imprevisível no que ia fazer na onda”.  No que diz respeito aos surfistas brasileiros no Tour, John John é só elogios. Para ele, a tempestade brasileira continua forte e a chance de mais um título mundial verde amarelo é grande. Sobre sua disputa particular com Gabriel Medina, para ver quem chega ao quarto título mundial antes – que deixou de acontecer esse ano quando ele resolveu partir para outra volta ao mundo velejando com a família – John disse sorrindo que “teria sido muito divertido, Gabriel tem sido um dos melhores. Ele me faz focar de verdade”. São 45 minutos de papo rolando solto e os assuntos são muitos. Dos perigos de surfar sozinho em lugares isolados, ao desejo de avistar o Cristo Redentor do deck de seu catamarã, John John demonstra sempre uma grande satisfação com o estilo de vida que optou em seguir. Ele conta que tem saudades do Tour, mas que não troca nada pelas experiências pelas quais tem passado ao lado da sua mulher e filho de dois anos de idade. Liberdade acima de tudo. Vale muito conferir.

    Estreia do Wavescast traz o tricampeão mundial John John Florence direto do seu veleiro enquanto navega pelo Pacífico, falando de Tom Curren, Kelly Slater, Andy Irons, Gabriel Medina e muito mais.

    Tentar explicar a sensação de surfar para quem não pega onda é uma tarefa complicada. Não sem razão uma das frases mais clássicas de nosso universo tão particular é aquela que diz que “Só um surfista conhece o sentimento”. Desde sempre foi uma das favoritas entre a equipe que faz a Waves. Mas, não faz muito tempo, alguém trouxe outra frase genial escutada para uma reunião de pauta, uma descrição tão apurada do nosso comportamento que ficamos absolutamente fascinados com sua sutileza e precisão: “Nós gastamos anos perseguindo segundos”. Tempo é o bem mais valioso que um ser humano pode ter. Se ele ou ela for um surfista, multiplique por muitas vezes esse valor. Surfistas precisam gastar muito tempo para poder sentir aquela sensação que dura uns poucos, ínfimos e efêmeros, segundos.  Mas é aí que reside o verdadeiro milagre do surfe. Na capacidade que a interação entre homem, prancha e ondas possui de alterar a percepção do tempo. Shaun Tomson, o sul-africano campeão mundial em 1977, considerado um dos maiores embaixadores que o surfe já teve, segue, aos 70 anos de idade, brilhando os olhos ao explicar que “o tempo se expande dentro do tubo”. Enquanto Gerry Lopez, eterno rei de Pipeline, que ainda entuba fundo e com muito estilo, celebra o efeito câmera lenta. “Quanto mais rápido eu deslizo, mais lentamente as coisas parecem acontecer.” Hoje a plataforma Waves pega uma nova onda, em disparada ao futuro, mas sem nunca deixar de reverenciar a essência do surfe. Todo surfista sonha com a onda perfeita, é onde ele quer estar. Por 28 anos esse foi o compromisso da Waves com seus usuários. Agora mais do que nunca. Quando a onda digital despontou no horizonte do surfe, a Waves remou forte e se tornou o primeiro veículo especializado no Brasil a botar pra baixo. Muitas séries vieram depois, e nunca amarelamos.  Mas chegou um momento em que percebemos que o lipe estava ameaçando correr mais veloz do que nossa capacidade de aceleração. Hora de reavaliar o posicionamento, se certificar de que as ferramentas utilizadas estão em sintonia com o desafio à frente e buscar entender ainda mais como podemos ser úteis a quem busca nossos serviços. É isso mesmo, a vocação da Waves é a de servir a comunidade do surfe. Informando, inspirando, indicando quando e onde as melhores ondas estarão acontecendo. Economizando tempo, para garantir mais segundos de onda. Na nossa prioridade é o usuário quem manda, e nesse novo momento estamos abrindo canais para que essa interação aconteça da forma mais eficiente possível.  Atualizamos o visual do site, facilitando a maneira como os surfistas interagem com a previsão, que foi expandida para 16 dias no Waves Pro. Vamos seguir publicando matérias com nossa reconhecida credibilidade, mas buscando ainda mais profundidade. Preservar e fomentar a rica cultura do surfe é um dever nosso, como principal veículo de mídia surfe na América Latina. Nesses tempos velozes, nosso Instagram receberá uma atenção ainda mais apurada, para divulgar o que de mais relevante está acontecendo no universo surfe. Ao mesmo tempo em que destacamos as frases, imagens, tópicos mais significativos de nossa produção editorial.  Nesse sentido, a TV Waves, nosso canal no YouTube, está sendo reinaugurada. Já estão disponíveis o primeiro episódio de “O Pico” e do Wavescast. Teremos muito mais conteúdo preenchendo a grade. Para começar, fomos à praia da Paúba retratar um dia de ondas grandes no campo de treino do tricampeão mundial Gabriel Medina e aproveitamos para contar a história de uma onda na qual tragédia e glória estão próximas demais uma da outra.  No nosso programa de entrevistas, o havaiano tricampeão mundial, John John Florence, responde do meio do Oceano Pacífico às perguntas feitas por Adrian Kojin, que quis entender o que o levou a abandonar as competições para viver com a família a bordo de um catamarã, cruzando os mares do planeta. Estamos apenas no início dessa nova onda que decidimos dropar com toda nossa energia. Muita coisa bacana está sendo programada para que a plataforma Waves se torne cada vez mais o centro em torno do qual gravita uma comunidade de surfistas, que tem as ondas como prioridade em suas vidas. Cada segundo surfado possui um valor enorme. E nós queremos que esses segundos virem minutos, horas, dias, uma vida dentro d’água. Sabemos que isso é impossível, mas nós gostamos de sonhar. Fica o convite para você sonhar com a gente.  NO LUGAR CERTO NA HORA CERTA É ONDE TODO SURFISTA SONHA EM ESTAR A FELICIDADE VEM EM ONDAS E NÓS SABEMOS ONDE E QUANDO

    Em nova fase e com visual remodelado, Waves evolui plataforma, expande seus produtos e reafirma o compromisso de quase três décadas: garantir que os surfistas estejam no lugar certo, na hora certa.

    A quinta etapa do Championship Tour da WSL chegou ao seu dia de encerramento neste sábado (13), nas ondas de Punta Roca, La Libertad, em El Salvador. Após uma breve pausa, o evento retornou com as quartas de final em um mar de boa formação, com ondas com pouco mais de um metro nas séries. O sábado em El Salvador terminou com um resultado histórico para o surfe europeu: Leonardo Fioravanti superou Italo Ferreira e se tornou o primeiro italiano a conquistar um título na elite mundial da WSL. Coroando uma campanha impecável, Fioravanti encerrou a competição sendo dono de três das cinco maiores notas de toda a etapa (9.00, 8.50 e 8.33). Apesar do vice-campeonato, Italo Ferreira deu mais uma prova de sua impressionante resiliência. Apenas dois dias antes do início da janela em Punta Roca, o potiguar sofreu um acidente no mar: foi atingido pela prancha de outro surfista durante uma sessão livre e precisou levar oito pontos no joelho direito. Mesmo assim, competiu em alto nível até o último dia. A grande decisão começou com Fioravanti ditando o ritmo ao abrir a bateria com um high score de 8.33. Italo tentou responder de imediato, mas a onda não ofereceu potencial e rendeu apenas 3.60. Consistente, o italiano logo somou um 6.17, abrindo uma vantagem confortável de 14.50 contra 5.33 do brasileiro. A oito minutos do fim, Italo incendiou a disputa. O potiguar encontrou uma excelente rampa, executou um aéreo perfeito e arrancou um 7.50 dos juízes. No entanto, Fioravanti não deu margem para a virada e, na sequência, cravou um 7.00 para selar o placar. Com 15.33 contra 10.90 do brasileiro, Leonardo saiu da água extasiado para celebrar a conquista inédita para a Itália. Com o resultado em El Salvador, Italo Ferreira garante a manutenção da cobiçada lycra amarela, seguindo na liderança do ranking mundial. Já o campeão Fioravanti dá um salto importante e assume a terceira colocação na corrida pelo título. Na final feminina, a pentacampeã mundial Carissa Moore (HAV) protagonizou uma final eletrizante contra a australiana Tyler Wright e conquistou seu segundo título consecutivo na temporada. Embalada pela vitória recente na etapa de Raglan, na Nova Zelândia, a havaiana mostrou frieza de campeã: encontrou a onda que precisava a menos de cinco minutos do fim e arrancou uma virada espetacular sobre a adversária. A bateria começou morna, com ambas as surfistas arriscando em ondas sem muito potencial. O ritmo mudou quando Carissa anotou um 5.50 em sua segunda tentativa. Tyler respondeu à altura, encaixando boas manobras para arrancar um 7.67. A havaiana não se intimidou e, logo em seguida, cravou a maior nota do confronto: um excelente 8.33. A seis minutos do fim, a australiana voltou a assumir a liderança ao marcar um 6.17. No entanto, mostrando toda a sua experiência, Carissa aproveitou os instantes finais para surfar uma onda decisiva de 6.77. Com a virada no apagar das luzes, a pentacampeã fechou o somatório em 15.10 contra 13.84 de Wright, garantindo a taça. Semifinais O clássico brasileiro entre Italo Ferreira e Gabriel Medina marcou as semifinais. Em uma bateria extremamente acirrada, o potiguar levou a melhor sobre o tricampeão mundial e, com o resultado, garantiu a manutenção da liderança do ranking. A disputa começou quente, com Medina abrindo com uma onda consistente. Combinando batidas e rasgadas, ele arrancou um 7.67 dos juízes. Italo respondeu à altura: encaixou bem na bancada, distribuiu manobras fortes e anotou 7.17. Na sequência, o potiguar arriscou um aéreo em uma nova onda e, mesmo sem completar a aterrissagem com perfeição, conseguiu os pontos necessários para assumir a liderança provisória da bateria. Sem se abalar, Gabriel surfou uma onda bastante técnica, rendendo um 5.67 e devolvendo-lhe a primeira posição. O clímax ficou para os seis minutos finais, quando ambos foram para o tudo ou nada em busca de notas maiores. Italo achou uma excelente onda, cravou 7.53 e virou o placar, somando 14.70. Medina lutou até o fim e ainda elevou seu somatório para 14.17, mas o tempo se esgotou, selando a classificação de Italo que, com o resultado, garantiu a lycra amarela (caso Medina vencesse o campeonato, ele assumiria a primeira posição do ranking). Na outra semifinal masculina em Punta Roca, Leonardo Fioravanti superou Kanoa Igarashi. O surfista japonês liderou boa parte da bateria, mas o italiano manteve o surfe sólido apresentado ao longo de todo o evento. Com uma reação decisiva nos minutos finais, Fioravanti alcançou o somatório de 12.00 e garantiu sua vaga na decisão. Abrindo as semifinais femininas, as havaianas Gabriela Bryan e Carissa Moore caíram na água para um duelo de alto nível. Gabriela começou melhor, anotando 6.50 e somando um 4.83 de backup. No entanto, Carissa Moore usou sua experiência para reverter o cenário: encontrou uma onda excelente, arrancou um 8.17 dos juízes e assegurou a classificação. Na segunda bateria feminina, as australianas Tyler Wright e Molly Picklum disputaram a última vaga para a grande final. Tyler assumiu a liderança logo no início com um expressivo 7.17. Molly chegou a assustar ao surfar a melhor onda do confronto, que lhe rendeu um 7.33, mas Tyler respondeu com um 6.73, fechou a conta e carimbou seu passaporte para a decisão. Quartas de final Dois brasileiros entraram na água neste sábado para as disputas das quartas de final: Italo Ferreira e Gabriel Medina. Italo protagonizou um verdadeiro duelo olímpico contra o taitiano Kauli Vaast, atual campeão de Paris 2024. O brasileiro levou a melhor e avançou à semifinal com um placar de 10.67 contra 8.33. O confronto foi marcado pelo equilíbrio na metade da bateria, quando ambos surfaram ondas parecidas e executaram manobras semelhantes. No entanto, a execução de Italo foi superior, rendendo-lhe um 6.50 contra um 5.00 de Kauli, o que o colocou na liderança. A dez minutos do fim, o potiguar trocou sua segunda nota por um 4.17, enquanto o taitiano somou apenas 3.33. A bateria chegou ao fim com Kauli precisando de um 5.67 para a virada, mas sem sucesso. Já Gabriel Medina teve um

    Italiano Leonardo Fioravanti e havaiana Carissa Moore faturam etapa de El Salvador no Circuito Mundial. Italo Ferreira é vice e mantém liderança do ranking.