De Volta Pro Futuro

Trindade, a saga

A Trindade, famosa pelas sua ondas e sua beleza natural, é uma região no sul do litoral do Rio de Janeiro, que faz parte da reserva da Bocaina, e é composta por sete praias paradisíacas, montanhas com Mata Atlântica preservada caindo quase que diretamente ao mar, região de cachoeiras, piscinas naturais, ondas perfeitas e pesadas, e que tem uma história marcada por  muitos conflitos, invasões e desrespeito ao meio ambiente.

A região da Trindade sempre foi visitada por forasteiros, e serviu de moradia para diferentes povos e culturas. O primeiro povo que se tem notícia de que ali esteve em visita foi os Vikings, um povo nórdico que deixou suas marcas numa caverna entre a praia do Caxadaço e praia do Meio.

Arqueólogos franceses que estudavam os Fenícios na América estiveram lá nos anos 70 estudando essas inscrições. A região nessa época era habitada por selvagens canibais, os verdadeiros filhos da terra, os índios Tupinambás. Essa etnia indígena habitava a nossa costa desde São Sebastião (SP) até o norte do Rio de Janeiro, inclusive a região de Trindade. Eles eram assíduos comedores de gente, canibais, mas foram extirpados do Brasil na época da colonização, quando os portugueses e franceses passaram a frequentar a região.

Os portugueses ficavam mais no porto de Paraty, onde escoava o ouro vindo de Minas Gerais para a Europa, enquanto os piratas franceses frequentavam as praias da Trindade, Laranjeiras e toda essa região, para emboscar as naus portuguesas que seguiam cheias de ouro para Portugal. Isso era por volta dos anos de 1700.

Trindade, além de receber Vikings, recebeu então piratas franceses, talvez navegadores portugueses. Muitos dos atuais caiçaras desta região são claros e de olhos azuis, e isso é uma possibilidade de serem descendentes dos franceses misturados com índios? Eu não sei o que realmente ocorreu com os tupinambás, se foram extintos por doenças, se foram massacrados, ou se miscigenaram gerando o caiçaras que habita a região até os dias de hoje.

A partir dessa fase colonial, Trindade e toda a região no século 19 e 20 foi invadida por fazendeiros, que por sua vez trouxeram escravos africanos, que hoje habitam alguns quilombos na região. Fazendas de gado proliferaram, inclusive na Trindade, que possuía pastos para gado nelore no alto dos morros, onde é hoje o topo da estrada até o meio da descida.

Trindade recebeu vikings, índios tupinambás, franceses, portugueses, fazendeiros, escravos africanos, e para completar os índios guarani, que chegaram vindo do Rio Grande do Sul no século 19 e 20. Que miscelânea cultural e antropológica… O que mais poderia invadir a região? E a invasão não parou por aí. Vieram nos anos 60 e 70 construtoras multinacionais, jagunços capixabas, hippies, turistas e surfistas, para completar.

O surf surgiu em Trindade no início dos anos 70, quando ainda não existia a rodovia Rio Santos, através de dois surfistas judeus descendentes de franceses, o Andy e o Ilan Goldstein, que iam de Paraty no lombo de mula para surfar a onda da Pedra d’agua, o nome original do Cepilho. Foram eles que levaram os tais arqueólogos que detectaram as inscrições Vikings.

Com o surgimento da rodovia Rio – Santos, alguns surfistas malucos se aventuravam a descer aquela ribanceira de terra chamada de “Deus me Livre”, para explorar as ondas da região, mas eram pouquíssimos. Em compensação, os hippies chegaram com tudo na Trindade, e acampavam no paraíso, levando muitas drogas e bebidas.

O carioca príncipe João Orleans de Bragança e o paulista Paulo Motta, entre outros, sabemos que ali estiveram por essas épocas.

Ao lado da Trindade, a construtora canadense Brascan comprou a antiga fazenda de escravos, a Laranjeiras, e fez um condomínio de luxo. Um pouco além da Laranjeiras, um alemão, o Sr. Gibrailt, comprou toda a região da praia do Sono e dos Antigos, inclusive para o interior até o saco do Mamanguá, e investiu em gado, montou uma fazenda de búfalos, a fazenda Santa Maria.

Com o sucesso da implantação do condomínio Laranjeiras, a construtora tentou fazer um condomínio na Trindade e não conseguiu, e isso gerou muitos conflitos entre jagunços capixabas contratados pela construtora e caiçaras. Foi uma época sangrenta para a região. Muitas famílias foram expulsas das suas casas pelos jagunços – aquelas que não queriam vender suas posses – e algumas acabaram indo morar na praia da praia do Cepilho. Os costumes e tradições dos caiçaras em Trindade estavam em xeque nos anos 70.

Eu resolvi fazer essa introdução para que o leitor tenha uma ideia de que Trindade não é apenas uma região linda e com altas ondas, mas uma região com uma história complexa. Porém, vamos falar agora especificamente da invasão dos surfistas.

Como disse anteriormente, supõe-se que os primos franco judeus Andy e Ilan Goldstein descobriram essa onda indo em cima do lombo de mulas, vindos de Paraty, onde tinham uma casa. Com o passar do tempo e a inauguração da rodovia BR-101, a Rio-Santos, eles passaram a frequentar a Trindade no velho Karmanguia amarelo do Ilan, não revelando para ninguém as  ondas.

Eu conheci os dois primos no Guarujá, por volta de 1974, na época em que eles acabavam de chegar de uma aventura de surf pelo Peru, onde foram roubados e obrigados a regressar ao Brasil numa aventura sem precedentes, pelo Rio Amazonas, sem grana nenhuma, passando alguns dias numa ilha boliviana flutuante de papiro, numa comunidade de leprosos.

Ficamos bem amigos, sempre surfávamos juntos nas Pitangueiras, Pernambuco e em São Pedro, até que um dia eles revelaram a Trindade para nossa turma. Foi a convite deles, na Semana Santa de 1975, que fomos para lá em três carros e alguns amigos – o Renato Zimmermann, Marcelo Diniz, Romeu e Xan Andreatta, José Luis “Pantera”, Charlys Brown, Antonio Celso Fortino (Tonhão), meu irmão Augusto Alves e o Fernando Mesquita.

Eles fizeram um mapa para chegarmos ao paraíso, e nos aguardavam no pico. Lembro perfeitamente da nossa Brasília iniciando a descida da ribanceira de terra, e lá de cima se avistava o mar, e minha euforia em particular era muito grande, pois o lugar era bem isolado e pitoresco, uma verdadeira aventura. Descemos bem devagar, pois tinha muita lama na ladeira, e depois de uma meia-hora chegamos numa praia pequena cheia de rochas ao lado, e com ondas grandes e fortes quebrando, a tal da pedra d’agua que o Ilan e Andy tanto falavam e  que lembrava o canto do Arpex.

O Karmanguia do Ilan estava estacionado meio atolado, e com um recado no painel que dizia mais ou menos assim: “o carro não passa daqui, sigam a pé pela praia até o fim, estamos acampados dentro dos ranchos das canoas. Hoje quebrou 6 pés perfeito”.

E assim fizemos. Pegamos todas aquelas tralhas, prancha, comida, barraca, fogão portátil, roupas e fomos caminhando pelos labirintos de pedra e depois por uma longa praia até chegar nos ranchos das canoas dos caiçaras. Dentro de um rancho estavam os primos acomodados numa canoa, comendo pão sírio. Ao vê-los, eles nos acenaram e falaram “Bem vindos ao paraíso”.

De fato o lugar era mágico, natureza impecável, cultura caiçara intacta e ondas incríveis que eu nunca tinha visto no Brasil, e a prova dos nove foi no dia seguinte, quando o Cepilho ficou enorme e perfeito na pedra, e com canal para entrar.

Esse dia mudou a minha vida. Nunca mais abandonei essa região mágica e surfamos ali por uma década, sem crowd, algumas das ondas mais espetaculares que surfei no Brasil. Sou grato a Deus e aos Goldstein por terem nos aberto esse pico que ficou em segredo até 1985.

Depois dessa primeira ida, comecei a surfar com frequência na Trindade, mas sempre dependia de carona. As nossas barracas sempre estavam ali no Cepilho ou dentro dos ranchos. Na época não havia luz elétrica, a vila era minúscula e possuía apenas uma vendinha, que era do enigmático Plachet, o dono dos gados da região.

Uma vez sem opção de café da manhã, tomamos no Plachet cerveja quente com paçoca, num dia que quebrou o melhor Caxadaço da história.

As noites em Trindade eram bem escuras e estreladas, e sempre aparecia nas nossas barracas, à noite, um Bob Dilan Cover, que levava atrás dele uma procissão de malucos ao som de Mr. Tamborin.

Aos poucos fomos ficando amigos das famílias caiçaras, que nos receberam com muito carinho, o que nos fazia sentir como se estivéssemos em casa. Pegar tubos secos no Cepilhos pela manhã, almoçar um peixinho frito com arroz e feijão no forno a lenha na casa da dona Clara e seu Antônio, voltar a surfar, e à noite fazer uma fogueira e tirar um som naquela escuridão, sob um céu estrelado, era inacreditável.

Era um rotina tão boa, que nos fazia sonhar com uma chuvinha, para ficarmos presos e ter uma desculpa para os pais por não voltar na segunda-feira. E realmente uma chuva qualquer deixava a estrada de terra um sabão, e era praticamente impossível transpor a “Deus me livre” com um carro comum.

Num feriado de finados, acho que em 1976, passamos 10 horas empurrando os carros e só chegamos no alto da estrada anoitecendo, sujos de lama até a cabeça.

A vida em Trindade era muito tranquila. Os caiçaras tinham uma rotina muito simples e de total dedicação à natureza. Enquanto os homens se dedicavam à pesca e à agricultura, plantando mandioca, banana, mamão, buscando as lenhas, as mulheres cuidavam das casas e das crianças, da comida.

A maioria das casas era de pau a pique e chão de terra batido, sendo algumas em alvenaria e piso de cimento. A grande maioria dos caiçaras era cristã, alguns católicos e outros evangélicos.

O canto dos ranchos era o lugar mais agitado da Trindade, pois ali chegavam as canoas com os peixes todos os dias, e era onde as famílias ficavam sentadas aguardando as chegadas dos homens. Muitos urubus se aglomeravam por ali, aguardando uma sobrinha para eles.

O povo de lá era bem festivo, e a festa de Reis era, e ainda é, uma tradição dos moradores que saíam à noite tocando suas serestas tradicionais, entrando nas casas que recebiam os músicos. O cheiro de lenha queimada, os peixes secando com sal no varal, os cachorros e gatos soltos, meninas com suas roupas tradicionais aproveitando o banho do mar, enquanto os meninos empinavam suas pipas ou jogavam uma bola, tudo isso fazia parte do cardápio da Trindade dos anos 70.

As praias eram tão desertas e paradisíacas… Não dava para acreditar. A piscina do Caxadaço, a praia de nudismo e a praia do meio eram locais que regularmente íamos em dias de flat, e todos os fins de tarde na cachoeira para tomar banho na piscina natural. O paraíso existia e o nome dele era Trindade.

As ondas ali não se restringiam ao Cepilho, onde o fundo era bem variável, e em algumas ocasiões a areia da praia sumia e as ondas ficavam ruins, com backwash. Então, íamos na praia Brava, que tinha uma laje no canto direito que quebrava em dias de ondas grandes. Havia as ondas do Caxadaço, o inter rocks, cujo nome original era Tubular Point, no meio das pedras, ao lado do Cepilho, chamado cemitério das baleias. Tinha a laje na frente dos ranchos, no meio da praia da Trindade tinha o point chamado Sapo, e a onda da praia do meio que quebrava de frente às cavernas dos Vikings, e assim por diante.

Já como locais do pico, no feriado de finados de 1977, organizamos o primeiro campeonato de surf da Trindade, o I Granja pro Contest, em homenagem ao nosso bairro em Sampa, a Granja Julieta. A minha vizinha Filomena me ajudou a organizar, e tinha até um jornalzinho.

Convidamos vários amigos, até aqueles que nem surfavam, e montamos um grande acampamento no Cepilho, um tipo Woodstock. Apareceu até um cantor famoso, o Dudu França, que acampou junto com a galera. Convidamos também como juízes – abrindo o pico a eles – o Marko Arambasic, Roberto Moura, que futuramente fez os filmes Surf Adventures, e o Claudjones.

O mar estava espetacular, com swell de 1,5 metro de sul, água azul e muitas direitas tubulares canalizando para dentro da pedra. Os juízes ficavam nas cadeirinhas no alto da pedra, onde hoje tem um bar irregular. O mar estava tão bom que gerou um motim, e os juízes abandonaram as posições e foram para água. O Marko Arambasic pegou uns “trocentos” tubos no Backdoor de direita, e assim o campeonato acabou e me sagrei campeão, pois tinha mais pontos acumulados. O Romeu Andreatta ficou em segundo e o meu irmão Albertinho, com apenas 13 anos, em terceiro, a revelação do campeonato e que mais tarde se tornou um dos melhores surfistas dessa onda.

O ano de 1977 também foi marcado por fortes conflitos. Algumas famílias foram expulsas da vila e foram morar na praia do Cepilho. Entre elas a família do seu Antonio e dona Clara. Pudemos passar bons tempos ali com eles, que tinham uma família grande. Lembro bem das garotinhas Preta e a Branca, o Alonso, a Claurides e um bando de cachorros e galinhas.

Lembro bem dos almoços servidos no fogão a lenha, e os peixes secando ao Sol, a bica canalizada do rio com uma mangueira preta e o cantar do galo ao raiar das manhãs. Nossas barracas e pranchas espetadas na areia eram tão habituais ali, que fazíamos parte da família. Enquanto para nós era mágico estar ali, para eles a situação era dramática, pois a vila da Trindade era o verdadeiro lar deles que estavam vivendo ali no Cepilho de forma compulsória.

Muitas pessoas estavam envolvidas para reverter essa situação e expulsar a empresa da Trindade, daí surgiu o movimento ‘Salve a Trindade’. Foi em maio de 1977 que o movimento “Salve a Trindade” entrou no seu auge, e no Dia das Mães, 13 de maio de 1977, a empresa foi definitivamente expulsa, e foi homologado que a Trindade seria área de preservação, com a caravana ecológica que lotou a Trindade de jornalistas, prefeito, pessoas envolvidas na proteção, ecologistas, humanistas e nós surfistas.

Foi servido um belo almoço caiçara a todos, num dia histórico, e as famílias expulsas poderiam voltar para as suas devidas propriedades, e o Cepilho passaria a ficar inabitado. E foi nessa caravana de 12 e 13 de maio de 77, com dias de sol sem nuvem, vento terral, água azul turquesa com temperatura em torno dos 22 graus, swell de 1,5 metro, fundo perfeito, que quebrou um dos mares mais clássicos da história do Cepilho. Surfamos sozinhos e entubamos muito nesse fim de semana – eu, Andy, Ilan e Augusto.

Com a volta das famílias para a vila, o Cepilho ficou deserto novamente. Surfar sem ver as famílias ali na frente, sem aquele cheiro de lenha queimada, sem as crianças brincando na areia, deu um vazio muito grande, mas a vida continuava, e as minhas explorações na região também. Começei a fuçar as praias dali, e também em 1977, eu e um amigo, o Paciléu, chegamos pela primeira vez na praia do Sono.

Fomos andando desde a Laranjeiras com quinhentas tralhas nas costas, prancha, barraca, sleeping bag, comida, roupas, fogão e botijão de gás, debaixo de uma garoa fria pela antiga trilha, e que era bem mais longa e acidentada que a atual, e ao chegar na praia fomos sumariamente expulsos pelo seu Félix, um capataz mal encarado da fazenda, e tivemos que entrar numa D10 e empurrá-la até Laranjeiras no meio da lama, pois nessa época havia uma estrada de carro.

Tentamos novamente voltar lá ainda em 1977 com nossas namoradas, aí sim o Félix nos permitiu ficar na escola e não acampar. Surfamos os Antigos e o Sono ondas lindas, com água quente e clara, mas fomos expulsos novamente pelo próprio Sr. Gibrailt, o alemão proprietário da terra, só que dessa vez de barco. Ele entrou numa casa que nos servia um almoço, brigou com a dona da casa, nos fez um sermão e disse para irmos embora após o almoço. Fomos, mas sempre voltávamos.

Nesse interim, descobrimos as direitas clássicas de Laranjeiras no costão, pois havia surfado lá em 75, mas sem ondas. Quase não havia me deparado com a direita clássica que eu e o Paciléu mantínhamos em segredo. Algumas vezes abandonávamos a galera na Trindade inventando uma desculpa, e íamos com o fusca azul calcinha dele surfar sozinhos em Laranjas point, com uma autorização que eu tinha para entrar no condômino para ir ao Sono.

Mas, não demorou muito para nossos amigos descobrirem, e aí a Laranjeiras fazia parte do nosso cardápio na região. Regularmente íamos surfar na praia de Camburi da fronteira e em 84 cheguei andando pela floresta em Martim de Sá, com um amigo e uma namorada, a Monika Buger e o André Paglioli, encontrando ondas incríveis e desertas.

Estávamos no fim dos anos 70 e o Cepilho continuava sendo nosso parque de diversão particular. Muitos dos nossos amigos já não iam mais no pico, mas eu e o meu irmão Alberto Alves, o Fernando Mesquita, o Romeu Andreatta, Madureira, Marko Arambasic, Renato Zimermann, Marcelo Diniz e o Uri Goldstein continuávamos locais assíduos.

Uma nova galera começou a frequentar o pico conosco – Motaury, Milton Del Carlo, Tucano, André e Daniel Paglioli, Tim, Marcelo Escobar Bueno. Eu já tinha feito 18 anos e tinha uma Kombi “casa”, mas o Alberto e amigos, que eram menores, ainda tinham que pegar aquele ônibus até Ubatuba, dormir na praça, pegar o ônibus da manhã para Paraty, descer na BR e ir a pé até a Trindade subindo e descendo a ribanceira com as pranchas e malas.

Outro amigo, o Roberto Tatini, que levei lá em 79 junto com o Tony, da Kaluama, e o Charlys Magno, arrumou uma namorada caiçara e deixava as pranchas na casa dela. Ele sempre ia de ônibus até Ubatuba, mas em vez de passar a noite na praça esperando o ônibus da manhã, o maluco ia de skate à noite até Trindade, percorrendo uns 50 quilômetros.

No início dos anos 80, as coisas começaram a mudar e novas invasões chegaram à Trindade, a luz elétrica e a televisão. Lembro no dia que passaram os postes de luz e o seu Antônio me confidenciava que tudo iria mudar, e que as crianças não poderiam mais empinar suas pipas, pois os fio elétricos eram perigosos, mas a TV foi mais.

As caiçaras pequenas, que vestiam vestidos longos tradicionais, cabelos compridos e cheio de cachos, em pouco tempo mudaram os visuais e hábitos, pois a TV trouxe uma invasora que mudou a rotina das crianças, o show da Xuxa. Foi impressionante isso! A droga, a bandidagem, a bebida, os bares começaram a aumentar, mas o Cepilho continuava pleno, com suas ondas clássicas, sempre com esquerdas à la Rocky Point nos dias de leste – na época do inverno, quando as ressacas jogavam mais areia no canto das pedras – e direitas incríveis nos dias de swell de sul. Nada abalava a majestade do Cepilho, e o crowd comum em Ubatuba ainda não tinha chegado ali.

Quando o asfalto chegou, aí sim, as coisas melhoraram por um lado e pioraram por outro. Enquanto ninguém ficava mais preso nos dias de chuva, as construções irregulares começaram a aumentar e o número de visitantes triplicou. Não havia ali nenhum controle sobre o crescimento irregular e mal planejado.

Em meados de 1984, eu continuava a surfar sozinho em Trindade, e mesmo já sendo um dos donos da Revista Fluir e um fotógrafo de surf, nunca me passava na cabeça fazer uma matéria em Trindade. Mesmo que eu procurava manter uma linha editorial nada convencional, onde nunca entregava o pico, sempre criando nomes fictícios dos points, não me passava na cabeça divulgar essa região.

Em 1985, em viagem ao Cepilho, o meu irmão Alberto e o Avelino Bastos estiveram lá surfando com o nosso fotógrafo Alberto de Abreu Sodré, o Cação, que fez altas fotos dos dois no Cepilho. Essas imagens chegaram à redação e eu particularmente não gostei. O nosso diretor de redação, o Xan Andreatta, achou que deveríamos fazer uma matéria, e todos aprovaram, menos eu. Como vi que não tinha jeito, tentei convencer todos para criarmos um nome fictício e não entregar os bois, mas não fui acatado. Fui voto vencido na redação.

A matéria saiu na Fluir, com o nome da Trindade, e isso foi um golpe de misericórdia. A revista saiu num meio de semana, e logo no sábado o Alberto desceu a ladeira na tranquilidade de sempre, como sempre fazia, parando o seu carro no pico sozinho, mas na última ladeira que avistava já a praia, tomou um susto absurdo. Viu estacionado uns 30 carros, e ao chegar no pico o mar estava repleto de surfistas, um crowd selvagem, e ele foi ignorado e rabeado no pico por surfistas vindo de diversos lugares sem algum respeito. Na segunda-feira, ele me ligou super chateado, indagando o que a Fluir fez com o pico.

A publicação da Fluir de fato acelerou um processo inevitável, mas o choque foi tão grande, que o Cepilho de paraíso virou, no prazo de uma semana, um inferno. Como o pico já estava entregue, as revistas da época publicavam fotos com frequência. Eu mesmo acabei levando surfistas para lá para fotografar.

Estive, numa ocasião, com Richard Dog Marsh, David Macauley, Jamie Brisick, Kaipo Jaquias e Peter Wilson, que elogiaram muito o power das ondas do Cepilho. Durante o Sundek Classic 87, presenciei ali um show de Todd Holland, Fabio Gouveia, Vetea David e outros. Trindade agora era um pico internacional, quem diria…

Com o tempo, Trindade, Paraty e Laranjeiras passaram a ter seu próprios surfistas locais, aliás, excelentes surfistas e amigos, com destaque para Nathan, Bruno, Maguinho, Dulmar e Paulinho Andrade, entre outros tantos.

Continuei surfando no Cepilho até 2012, e até hoje não voltei mais lá para surfar. O lugar nunca mais foi o mesmo. O crowd ficou indigesto. Montaram no Cepilho um restaurante irregular sem a mínima preocupação com o meio ambiente, bem em cima de onde acampávamos. O lugar onde morou a família do seu Antonio, hoje, é um estacionamento.

A vila da Trindade se transformou numa pequena cidade, cheio de lojas, lan houses, hotéis, restaurantes, sem a mínima preocupação com o meio ambiente e o urbanismo. Tiraram muitas árvores na frente da praia da Trindade para construírem comércios, acabaram com os velhos ranchos e que deram lugar a bares sem saneamento básico. A cultura caiçara do pescador foi realmente trucidada, embora alguns ainda continuem. A droga, a bebida, a bandidagem, o crowd na água cresceram e não param de crescer. Bom para os comerciantes, mas ruim para a natureza e a cultura caiçara, que foi abalada.

No movimento de 1977, “Salve a Trindade”, esqueceram que não só um empresa multinacional de loteamento era nefasta para a Trindade, mas esqueceram que o homem vindo de fora, com sua ganância e desrespeito à natureza e aos verdadeiros habitantes da Trindade, homens que se aproveitam da falta de fiscalização das autoridades ambientais, que fazem vista grossa aos crescimento irregular, buscando interesses próprios, destruíram e continuam destruindo o paraíso chamado Trindade.

O vídeo abaixo narra a história da resistência dos caiçaras de Trindade, Ponta Negra, Sono e Laranjeiras (Paraty) contra grandes empresas que tentaram se apropriar de suas terras na época da construção da rodovia Rio-Santos, durante a década de 70, no século passado. Conseguiram em Laranjeiras, apenas. Em Trindade, persiste o conflito com uma companhia fantasma, que não assume sua identidade, e parece aguardar mudanças na legislação do uso do solo, estabelecida em parceria com as próprias comunidades, pelo Plano de Manejo da APA de Cairuçu, sob administração do ICMBIO. O recente assassinato de um jovem Trindadeiro, Jaisson Caique Sampaio, o Dao, por policiais a serviço da “companhia” reacende o conflito, 38 anos depois.

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    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.

    A Seleção Brasileira está convocada para o ISA World Surfing Games 2026. A Confederação Brasileira de Surf anunciou nesta segunda-feira (5) os seis atletas que representarão o país entre os dias 6 e 15 de novembro, em Punta Rocas, no Peru, na competição que abre o ciclo classificatório do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. No masculino, o Brasil será representado por Yago Dora, Italo Ferreira e Miguel Pupo. Os três são os brasileiros mais bem colocados no ranking do Championship Tour em 2026. Yago, atual campeão mundial, lidera a classificação; Italo ocupa a terceira posição; e Miguel chegou ao quarto lugar depois da vitória em Trestles. O time feminino terá Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel. Luana é a única brasileira no CT, enquanto Laura garantiu presença como campeã brasileira de 2025. Sophia Medina seria a representante vinda do Challenger Series, mas recusou a convocação, abrindo a vaga para Tainá, a próxima brasileira no ranking. Segundo a Confederação, os critérios de convocação priorizam os três melhores atletas brasileiros no ranking do CT da temporada. Caso as vagas não sejam preenchidas, passam a valer na sequência o Challenger Series, considerando o melhor brasileiro até a 40ª posição, bem como o ranking brasileiro de 2025. Vaga extra em Los Angeles Além das medalhas individuais em Punta Rocas, o ISA World Surfing Games terá peso direto na composição das equipes para os Jogos Olímpicos de 2028. O país campeão por equipes no masculino conquista uma vaga olímpica extra, assim como o campeão por equipes no feminino. A vaga pertence ao país, e não ao atleta que obtiver o resultado. Normalmente, cada nação poderá levar até dois surfistas por gênero aos Jogos, mas esse número pode chegar a três caso o país conquiste uma das vagas extras por equipes nos ISA World Surfing Games de 2026 ou 2027. O Brasil conhece bem esse caminho. Em Paris 2024, foi o único país a competir com o número máximo de atletas tanto no masculino quanto no feminino depois de vencer os títulos por equipes do ISA World Surfing Games 2024 nas duas categorias. As medalhas olímpicas do surfe em Los Angeles 2028 serão disputadas entre 15 e 23 de julho, em Lower Trestles, na Califórnia, palco onde Miguel Pupo venceu recentemente uma etapa do CT 2026. Seleção Brasileira MasculinoYago DoraItalo FerreiraMiguel Pupo FemininoLuana SilvaLaura RauppTainá Hinckel Como funciona a classificação para Los Angeles 2028 Para o Brasil, a classificação olímpica passa por diferentes caminhos, que seguem uma ordem de prioridade. O principal será o Championship Tour de 2028: o ranking considerado entre 15 de agosto de 2027 e 15 de junho de 2028 distribuirá oito vagas masculinas e oito femininas, com limite de um atleta por país em cada gênero. O segundo caminho será o ISA World Surfing Games 2028, que classificará outros sete homens e sete mulheres, novamente com apenas uma vaga por país em cada gênero. Na prática, por essas duas vias, um país poderá garantir até dois surfistas no masculino e dois no feminino: um pelo CT e outro pelo Mundial da ISA. É aí que os Mundiais de 2026 e 2027 ganham importância especial. O país campeão por equipes em cada gênero recebe uma vaga olímpica adicional, o que abre a possibilidade de chegar a Los Angeles com três atletas no masculino e/ou três no feminino. Essa vaga pertence ao país, e não ao surfista que conquistar o resultado. No caso brasileiro, caberá ao COB e à Confederação Brasileira de Surfe definir posteriormente quem ocupará a posição. Outro caminho para os brasileiros será os Jogos Pan-Americanos de 2027, também programados para Punta Rocas. Os campeões masculino e feminino garantem classificação para Los Angeles 2028, mas a vaga deixa de ser utilizada caso o atleta posteriormente se classifique por uma via considerada superior, como o CT ou o ISA World Surfing Games 2028. O sistema ainda prevê vagas por competições continentais, país-sede e universalidade. Entre elas estão os Jogos Asiáticos de 2026, vagas para África e Oceania pelo ISA Games 2027, o Campeonato Europeu de 2027 e vagas destinadas aos Estados Unidos como anfitriões, caso o limite máximo por país ainda não tenha sido preenchido.

    Yago Dora, Italo Ferreira, Miguel Pupo, Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel representam o Brasil de 6 a 15 de novembro em Punta Rocas, na abertura do ciclo olímpico para Los Angeles 2028.

    O Finals Day teve as melhores condições de toda a semana na Praia de Maresias, em São Sebastião (SP). Ondas de aproximadamente 1,5 metro, boa formação e vento terral receberam as disputas a partir das quartas de final neste sábado (3), no encerramento da terceira etapa do Challenger Series 2026. No fim do dia, a festa foi brasileira. Ryan Kainalo superou Alister Reginato na decisão masculina, garantiu o título e deixou Maresias na liderança do ranking. No feminino, a australiana Charli Hately derrotou a portuguesa Francisca Veselko. Ambos conquistaram 10.000 pontos no ranking. Ryan voa e assume a liderança Único brasileiro a chegar ao Finals Day, Ryan Kainalo teve um sábado perfeito em Maresias. Depois de superar o peruano Lucca Mesinas nas quartas de final, o paulista dominou o australiano Oscar Berry na semifinal e chegou à primeira decisão da carreira no Challenger Series. Na final contra Alister Reginato, Ryan abriu sua conta com um aéreo alto para receber 6.83. Depois, conectou três manobras fortes na parte crítica da onda e arrancou 7.67, chegando a 14.50 pontos. Reginato terminou com 5.83 e, a quatro minutos do fim, ainda precisava de 9.17 para virar a bateria. Ryan administrou a vantagem até a buzina e, ao sair da água, correu para abraçar o pai. “Estou muito feliz, ainda digerindo tudo isso. Foi um dia inesquecível. A praia estava cheia, a torcida brasileira é diferente de tudo. Energia surreal. Estou muito feliz, de verdade”, celebra Ryan Kainalo. O brasileiro já havia produzido um dos grandes momentos do dia na semifinal contra Oscar Berry. Ryan acertou um aéreo full rotation para receber 8.50, maior nota masculina do Finals Day, colocou o australiano em combinação e venceu por 14.20 x 3.73. Com os 10.000 pontos da vitória, o surfista de 20 anos assumiu a liderança do Challenger Series e deu um passo importante na corrida por uma vaga no Championship Tour de 2027. Charli Hately leva o feminino No feminino, Charli Hately também alcançou a primeira decisão da carreira no Challenger Series e aproveitou a oportunidade. A australiana de 17 anos derrotou Francisca Veselko por 14.33 x 10.67 na final, com notas 7.83 e 6.50. Charli mostrou paciência para encontrar as melhores direitas de Maresias e atacou as ondas com um backside potente. “É loucura. Não consigo acreditar que venci. Coloquei minha cabeça no lugar, peguei as ondas e agora tudo parece surreal. Sou muito grata. A todos em casa, à minha família, a todos que estão torcendo. Sou muito agradecida”, afirma Hately. A campanha teve ainda uma virada importante na semifinal. Charli passou os primeiros 20 minutos atrás de Anat Lelior, mas encontrou as ondas na reta final, marcou 7.33 e 6.50 e avançou com 13.83 x 10.97. Com o título, a australiana somou 10.000 pontos e saltou para a décima colocação do Challenger Series, com 11.940 pontos. Francisca assume vice-liderança Vice-campeã em Maresias, Francisca Veselko também deixou São Sebastião em posição importante na corrida pelo CT. A portuguesa eliminou Teresa Bonvalot nas quartas e teve uma grande atuação contra Sally Fitzgibbons na semifinal. Francisca marcou 8.83 em uma sequência de fortes manobras de frontside e venceu por 13.50 x 7.10. A nota foi a maior do feminino em toda a competição. Com os 7.800 pontos do segundo lugar, Francisca assumiu a vice-liderança do Challenger Series, atrás apenas da australiana Sierra Kerr. Números do São Sebastião Pro O feminino teve 635 ondas surfadas em 31 baterias. Francisca Veselko foi a única atleta a alcançar uma nota de critério excelente, com o 8.83 da semifinal. Charli Hately veio na sequência com 7.83 na final, mesma nota alcançada anteriormente por Sanoa Dempfle-Olin. Kana Nakashio teve a maior somatória feminina da competição, 14.40, ainda no Round das 32. Entre os homens, foram 1.092 ondas surfadas em 47 baterias. Jackson Bunch ficou com a maior nota da competição, 8.83 no Round dos 64. Ryan Kainalo veio na sequência com o 8.50 da semifinal, seguido pelo 8.33 de Joel Vaughan no Round das 32. Resultados a partir das oitavas de final Masculino Oitavas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 9.67 x Kade Matson (EUA) 5.662 – Charly Quivront (FRA) 12.00 x Joel Vaughan (AUS) 9.963 – Lucca Mesinas (PER) 10.14 x Jackson Bunch (HAV) 9.604 – Ryan Kainalo (BRA) 11.50 x Yago Dominguez (ESP) 10.105 – Alonso Correa (PER) 10.00 x Beyrick De Vries (NED) 7.836 – Kei Kobayashi (JAP) 12.83 x Jett Schilling (EUA) 9.777 – Alister Reginato (AUS) 9.50 x Crosby Colapinto (EUA) 8.338 – Ian Gentil (HAV) 9.17 x Owen Moss (EUA) 7.80 Quartas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 13.50 x Charly Quivront (FRA) 9.672 – Ryan Kainalo (BRA) 12.67 x Lucca Mesinas (PER) 11.003 – Alonso Correa (PER) 11.73 x Kei Kobayashi (JAP) 4.934 – Alister Reginato (AUS) 12.84 x Ian Gentil (HAV) 11.50 Semifinais 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.20 x Oscar Berry (AUS) 3.732 – Alister Reginato (AUS) 14.33 x Alonso Correa (PER) 9.57 Final 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.50 x Alister Reginato (AUS) 5.83 Feminino Oitavas de final 1 – Kiara Goold (PYF) 12.13 x Sierra Kerr (AUS) 10.172 – Anat Lelior (ISR) 10.00 x Amuro Tsuzuki (JAP) 8.743 – Charli Hately (AUS) 11.60 x Anon Matsuoka (JAP) 11.134 – Eweleiula Wong (HAV) 11.07 x Sol Aguirre (PER) 7.335 – Francisca Veselko (POR) 9.50 x Ziggy Aloha Mackenzie (AUS) 8.676 – Teresa Bonvalot (POR) 5.27 x India Robinson (AUS) 5.137 – Sally Fitzgibbons (AUS) 12.00 x Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 9.668 – Kana Nakashio (JAP) 7.60 x Sophia Medina (BRA) 7.03 Quartas de final 1 – Anat Lelior (ISR) 10.50 x Kiara Goold (PYF) 8.172 – Charli Hately (AUS) 11.24 x Eweleiula Wong (HAV) 8.173 – Francisca Veselko (POR) 13.16 x Teresa Bonvalot (POR) 9.704 – Sally Fitzgibbons (AUS) 10.97 x Kana Nakashio (JAP) 8.43 Semifinais 1 – Charli Hately (AUS) 13.83 x Anat Lelior (ISR) 10.972 – Francisca Veselko (POR) 13.50 x Sally Fitzgibbons (AUS) 7.10 Final 1 – Charli Hately (AUS) 14.33 x Francisca Veselko (POR)

    Charli Hately conquista título feminino e Ryan Kainalo assume topo do Challenger Series, com vitória no Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP).