Esta história começa em novembro de 2016, no Facebook. O atleta Raul Bormann estava competindo em Portugal, no ISA World Junior Championship. Neste momento, eu estava em Florianópolis para o Lagoa Surfe Arte e o Hang Loose Pro Joaquina, e foi quando nos conhecemos virtualmente.
Na ocasião, Raul tinha o projeto de viajar para Austrália e competir nos eventos QS, mas ainda não tinha patrocinadores. Eu trabalhava em um site internacional e decidi fazer uma proposta ao meus chefes para patrocinar o garoto. Na hora eles não aceitaram, mas assim que comprei a passagem eles mudaram de ideia. Decidi manter minha palavra e, a partir dali, nascia a Nirvana Express, produtora de filmes de surfe. Meu plano era começar a funcionar em 2017, mas decidi investir no talento de Raul, patrocinando os dois meses na Austrália, afim de produzir o primeiro filme da empresa, intitulado “WQS Austrália Express 2017”.
No dia 15 de janeiro, partimos juntos de Natal. Raul com cinco pranchas do seu shaper Felipe Souto, eu com mais duas Cabianca de Gabriel Medina, que comprei em Maresias com seu autógrafo.
Voo LATAM de Natal – Rio de Janeiro – Santiago do Chile – Auckland – Sydney: 40 horas de viagem,13 horas de fuso horário, até que no dia 17 de janeiro chegamos a Sydney. No dia 19, logo pela manhã, Raul já estava na água em Maroubra para disputar o Carve Pro, QS1.000 da WSL.
Estreia, round 1. Raul contra três australianos. O atleta mantém a segunda colocação, mas na última onda da bateria, manda um belo aéreo que garante 6.40 e o primeiro lugar em uma disputa como profissional. Seu aéreo, inclusive, aparece no vídeo de melhores momentos do evento. Já no dia segunte, Raul acaba perdendo no round 2, com a diferença de apenas 1 ponto. Novamente Raul fecha o confronto com um aéreo, mas, precisando de 6.25, descola apenas 5.25.
Nos dias que se passaram, ficamos em um hostel em Coogee Beach, onde Raul começou a se familiarizar com o inglês e a interagir com os jovens aussies de férias. Nos dirigíamos de um local para o outro com nossa van “Nirvana Express, toda colorida e equipada para acampamento. Assim que a etapa de Maroubra se encerra, nossa jornada na estrada começa.
Deixamos Sydney e seguimos para o norte. Nossa primeira parada era Port Macquaire. Dormimos na van – um pouco escondidos – já que na Australia é proibido a prática fora de campings. Acordamos bem em frente a uma boa direita, fizemos uma queda e depois retornamos para a estrada, sentido Byron Bay. A noite chegou, jantamos na pizzaria de alguns amigos italianos e encaramos mais uma noite de sono na van, mas desta vez somos acordados pela polícia, que nos aplicou uma multa de 100 dólares australianos.
Depois de algumas horas, chegamos a Burleigh Heads, onde rolaria o Flight Centre Pro, QS1000. Fomos informados que as inscrições já estavam encerradas, então Raul não pôde competir, mas fizemos amizade com a equipe brasileira presente, formada por Tainá Hinckel e sua família, com o pai shaper Carlos Kxot e a mãe Janet, Mateus Herdy, Pedro Neves, Wesley Leite, Dudu Barbetta, Vitor Mendes e Kim Matheus. O melhor brasileiro neste evento foi Wesley Leite, que chegou ao round 5. Decidimos aproveitar para surfar na Gold Coast. Entre um round e outro, todo mundo ia treinar nas ondas pequenas, mas famosas ondas de D’bah e Snapper Rocks.
No sábado à noite, fizemos um passeio em Surfers Paradise, em meio a prédios altos, Hammer Limousines e Ferraris, parecia que estávamos em Dubai, nos Emirados Árabes. Depois os moleques foram dançar, tendo a madrugada toda livre. Deixo Raul com 50 dólares australianos para a noite, esperando que vai ser bastante. No dia seguinte pela manhã, ele retorna com 100 dólares australianos na carteira. Não gastou nada e ainda havia vendido seus jeans para um garoto australiano que precisava para entrar em uma boate mais VIP.
No dia seguinte, chegamos a Cabarita, onde rolaria o Telstra Pro, outro QS1000, onde Raul reencontra seu amigo Weslley Dantas. Infelizmente Raul não conseguiu passar pelo round 1, enquanto Weslley perdeu no round 2. Encontramos ondas muito pequenas e vento forte de norte, condições ruins para todos, além de australianos muito bons e estremamente competitivos. Perdemos, mas aprendemos e tivemos uma rica expêriencia. Neste evento, Mateus Herdy estreou no round 5, bem como Rafael Teixeira. Mateus chegou às quartas, enquanto Rafa caiu na semis.
Chegada a hora de partir da Gold Coast, seguimos sentido Boomerang Beach. Passamos a noite toda na estrada, juntos com a família Kxot. Chegamos pela manhã à bela praia de Boomerang e, enfim, encontramos boas ondas, com cerca de 2 metros e vento offshore.
Na estreia, Raul surfou muito bem e avançou em segundo da bateria. No round seguinte, o brasileiro estava com o surfe bastante sólido, mas acabou cometendo um pequeno erro na leitura de uma das ondas, deixando de aumentar o somatório, fundamental para avançar.
Mesmo assim, os atletas brasileiros fizeram um bom campeonato, com Tainá Hinckel vencendo na estreia com duas notas 8.0, além de uma excelente bateria no round 4, quando Rafa Teixeira fez dobradinha com Marcos Correa, primeiro e segundo – respectivamente. Rafael Teixeira chegou às semis, mas infelizmente caiu diante de Keanu Asing, campeão do evento.
Neste momento, eu e Raul voltamos para a Gold Coast, onde intensificamos os treinos nas ondas de Byron Bay e Snapper Rocks, focados nos trials de Newcastlle, QS6000 que rola no dia 18 fevereiro.
Depois, vamos assistir ao Australian Open em Manly, e, em seguida, nosso tour pela Austrália vai chegando ao fim. Desembarcamos em Avoca Beach entre os dias 9 e 12 março.
No dia 13 de março, retornamos ao Brasil para começar a preparar nossa próxima aventura no QS, agora pela Europa, começando pela etapa de Caparica, em Portugal, no dia 10 abril.
























