Em entrevista concedida ao site Surfline, o norte-americano Kelly Slater falou sobre a badalada piscina de ondas situada em Lemoore, Califórnia (EUA).
Segundo Slater, este não foi o seu primeiro projeto para desenvolver a piscina. “Dez anos atrás estávamos trabalhando em uma onda circular. Foi daí que saiu um entusiasmo espontâneo para este projeto – vendo a piscina em forma de anel. Lembro-me de mostrar o projeto aos Hobgoods e a Andy Irons, e um monte de gente e dizendo: ‘O que vocês pensam sobre isso?’ E todo mundo estava tipo, ‘meu Deus, seria tão insano ter uma verdadeira onda em que você poderia possa surfar para sempre, entubar, fazer o que quiser. Como uma onda real que você pudesse construir’. Então, trabalhamos nela por vários anos, só que isso acabou e nossa direção e tecnologia mudaram. Nos separamos amigavelmente naquela época. É realmente uma daquelas coisas que muita gente não conseguia entender até que se viu construída, e agora parece que todo mundo entende”, conta Slater.
Segundo Kelly, a ideia inicial com o cientista Adam Fincham era fazer uma onda que, em termos científicos, é chamada de “soliton”, que é como uma onda solitária que mantém a sua forma à medida que o tempo passa. “Como surfista, eu estava muito longe da mente científica que Adam tinha, por isso ficávamos um tentando decodificar o que o outro dizia”, lembra Slater.
“Ele vinha com essas explicações de matéria científica, prova de hipótese e todo esse tipo de coisa. E eu meio que queria a resposta (risos). Quer dizer, eu não quero passar por toda essa conversa científica; eu só quero que você me diga a forma como ela funciona. Assim, ele e eu trabalhamos juntos durante anos tentando decifrar que tipo de onda queríamos criar, como criar essa onda, e depois como conseguir os engenheiros capazes de fabricar isso”, continua o norte-americano.
Slater falou também sobre o lado comercial da piscina. “Dez anos atrás, eu recebi, juntamente com todos os caras que estavam na SIMA (Surf Industry Manufacturers Association), todos os chefes de todas as empresas, para uma reunião em Dana Point. Uns 25 caras. Eu pensei que esta poderia ser uma grande coisa para o surfe. E eu acho que todo mundo realmente gostou e eles viram a ideia e o que poderia ser – a ideia de indústrias em expansão e esse tipo de coisa. Eu queria ver isso maior do que ser apenas Quiksilver, que estava me apoiando. Eu queria que fosse algo para o surfe como um todo. Mas no fim do dia foi difícil entrar em consenso com todas essas pessoas diferentes, e todos tinham ideias diferentes sobre o assunto. Cronogramas, finanças e orçamentos de marketing, esse tipo de coisa. Então eu acho que todos os empolgados estavam no lugar certo, mas foi lamentável que não podíamos levar 25 pessoas, cada um colocar um milhão de dólares e fazê-lo logo em seguida”.
O norte-americano explicou a escolha da cidade de Leemore, na Califórnia (EUA), para ser a sede da piscina. “Nós basicamente só colocamos o pé em um lago existente. Nesse sentido, foi muito fácil, porque um monte de terra já estava desenvolvida e na forma ideal, ou melhor, perto da forma que seria necessária. O lago está aqui há 20 ou 25 anos antes de nós. Havia algumas estruturas existentes na área, que nos ajudam acomodar o que é necessário, uma vez que a onda foi feita”.
Ao ser indagado se a piscina pode afetar as competições, Kelly Slater respondeu: “Se alguma vez houver um evento do nível do World Tour, ou qualquer evento, realmente seria avaliado estritamente o surfe que está sendo feito, não a empregnação. Não se trata de outra coisa que não seja apenas os aspectos técnicos de como você surfa. É uma comparação muito mais fácil quando você dá a dois caras diferentes exatamente a mesma onda e vê como eles escolhem surfá-la. Eu acho que muda toda a mentalidade de como você vai competir. O foco se torna literalmente o desempenho, o quão longe você vai puxar seus limites, o quão conservador você será nas ondas e também o quão longe você está indo para tentar tirar uma carta da manga e colocar pressão em outro cara”.
O 11 vezes campeão mundial falou também sobre o modelo ideal para uma competição na piscina. “Sempre passa um pouco pela minha cabeça, mas eu não achei um modelo exato desde que nós fizemos isso. Anos atrás, quando fizemos, pensei que seria bastante simples. Você tem diferentes fases em que cada rodada envolve um aspecto do surfe. Você tem uma rodada sobre a onda em geral. Então, talvez você tenha uma rodada em que você tenha duas chances para surfar a onda e você começa a escolher qual onda – porque você pode explorar a onda um pouco diferente. Há ondas mais rápidas e mais lentas, mais para performances e mais para tubos. Assim, você pode decidir o que quer, e você terá um par de tentativas para isso. Você pode ter uma pontuação para o seu desempenho geral. Vamos dizer que há 36 caras, então você classifica todos de 1 a 36 depois daquela rodada, e depois de cada uma dessas fases, todos recebem uma pontuação por cada rodada. A maneira mais simples de fazê-lo seria adicionar-se cada uma de suas colocações a cada rodada. Tipo, eu poderia ter um primeiro, um segundo, um quinto, um 19º, um 36º, entende? Portanto, pode haver uma rodada de aéreos, uma rodada de manobras, uma rodada de carvings, uma surpresa, outra de tubos. Então você coloca todas essas rodadas diferentes juntas. Eu acho que a maneira mais justa seria a de colocar todo mundo dentro, de 1 a 36 para cada categoria, juntar as pontuações e aí definir seu vencedor”.
O Surfline também perguntou a Slater se ele via a piscina chegando a shoppings no mundo inteiro. “Bem, não é como se você comprar uma prancha, sair e ficar à vontade na praia. Isso requer uma receita e um plano de negócios para que a coisa aconteça. Então você tem que ter algum tipo de infra-estrutura. Quer dizer, eu definitivamente pensei que seria fantástico se todos tivessem uma dela a uma curta distância de sua casa. Especialmente em um lugar como a Flórida, onde temos flat por meses. Para ter duas ou três ao longo da costa da Flórida, ou mesmo no interior da Flórida, então a galera poderia vir do Golfo também. Se você tivesse uma no sul da Flórida, uma em Orlando e uma no norte da Flórida, em algum lugar na parte central do estado, permitiria que quase todos no estado chegassem lá dentro de algumas horas. É estranho, porém, porque eu meio que acho essa onda uma experiência. Como hoje, eu peguei quatro ou cinco ondas, e eu estou totalmente satisfeito porque elas eram longas ondas e eu peguei tubos e manobrei. Você ganha muita variedade”.
A aquisição da Kelly Slater Wave Company pela WSL também foi comentada pelo atleta. “É emocionante para mim porque é algo que eu tive um grande papel na criação. E está ficando a visibilidade de ser visto como algo potencialmente grande para o lado do esporte do surfe. Eu adoraria ser igualmente tão grande ou uma parte ainda maior do estilo de vida, o prazer de surfar para a pessoa mediana. Mas eu sempre disse isso e eu sempre vou me prender a isso – isto não é para substituir qualquer coisa no surfe; é apenas para ser um complemento para o surfe. Ainda não há uma única pessoa que veio surfar esta onda que saiu decepcionada, que não quis voltar. E, na verdade, em torno da onda, na água, e ao lado, é apenas surpreendente ver quão felizes estão as pessoas. Se você não pegar essa onda, você vai na próxima ou pega uma mais tarde. Você surfa por uma hora e eu vou entrar mais tarde. Meio que tira aquela coisa que você sente quando você rema em meio ao crowd, onde as pessoas estão se empregnando por uma onda, irritadas. Aqui é o oposto. Todo mundo está disposto a compartilhar, eles estão felizes, e realmente, você está surfando uma onda feita pelo homem, mas tendo uma sensação de que toda a experiência é verdadeira, porque todo mundo está feliz”.
Fonte Surfline