Ian Cosenza

Surfista pouco escondido

Contrariando todos os alertas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), mãe, avó, namorada e cia., embarcamos para o México, mais precisamente para Puerto Escondido, cidade litorânea do estado de Oaxaca, esperando uma surf trip de ondas clássicas e pouco crowd, por causa da nova gripe.

A conexão na Cidade do México foi tensa; aeroporto lotado, várias pessoas de máscara, funcionários da limpeza por todos os lados. Quem estava comigo nessa jornada era o também carioca Eric de Souza, que, morrendo de medo de ser infectado, lavava as mãos a cada cinco minutos e trocava de lugar toda vez que ouvia um espirro.

Passada a tensão, logo que desembarcamos em Puerto a história era outra. Um calor infernal e um sol que mais parecia um maçarico em nossas cabeças. “Nenhum vírus sobrevive a esse calor”, brincava Eric enquanto seguíamos para a pousada.

No período de um mês, fomos abençoados com três swells bem distintos que obrigaram a galera a botar o pé na estrada pra fazer valer a viagem. O primeiro veio na semana do desembarque. Não tinha muito tamanho, algo em torno de 2 metros, mas estava bem limpo e com o vento terral durante toda a manhã, condição ideal para aquecer as turbinas e botar as pranchas no pé.

Um longo período de mar flat antecedeu o segundo swell, o que não foi nada bom para o fundo de Zicatela (praia mais famosa de Puerto Escondido) e para o crowd, que se acumulara desde o WQS, que rolou em ondas bem pequenas para os padrões mexicanos.

A solução era buscar novas ondas. Como as ondulações seguiam para o Sul, resolvemos tomar a mesma rota e usamos também a mesma via, o oceano. Resultado: vários secret spots , sem ninguém na água. Parecia um sonho; direitas intermináveis, água quente , prancha boa e a lancha abarrotada de comida, com o capitão disposto  a ficar ali o dia todo esperando a gente surfar. Na volta ao porto, ainda rolou uma pescaria que rendeu um churrascão para comemorar a session .

O terceiro foi a cereja do bolo! Ondas de até 3,5 metros quebraram perfeitas durante três dias na praia de Zicatela. Eram os tubos que faltavam para garantir boas imagens e fechar uma surf trip de altas ondas .

Verdade seja dita, ao contrário da pátria amada, o governo mexicano tomou todas as medidas necessárias para que o vírus da nova gripe H1N1 não se espalhasse. Não soube de nenhuma pessoa infectada no período em que estive lá, e quando perguntava a respeito a algum morador, parecia que isso nunca existiu por aquelas bandas.

Com gripe ou sem gripe, com crowd ou sem crowd, a “equipe carioca” e seus agregados cumpriram a missão. Pegamos altas ondas e voltamos com as malas recheadas de tubos e boas imagens. A cobertura completa em breve estará nas revistas especializadas.

Também fizeram parte dessa viagem os surfistas profissionais Felipe Cesarano, Jerônimo Vargas, Diego Silva, Hugo Bittencourt, Stanley Cieslik, Pedro Scooby, Guilherme Tripa, Omar Docena, Gustavo Cavalcante, Alvaro Bacana , Junior Faria e vários outros. Os registros ficavam por conta dos fotógrafos Pedro Tojal, Luiz Blanco e Gustavo Camarão, que também filmava tudo com sua engenhoca 2 em 1.   

Minha viagem teve o patrocínio da Osklen, Electra Surfboards e o apoio do estúdio Ipanema Pilates.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)