Henrique é um menino de 8 anos que nasceu com fibrose cística, uma doença genética que afeta principalmente os sistemas respiratório e digestivo.
Filho de surfistas, o garoto herdou o DNA salgado, transformando o surfe em muito mais do que uma simples atividade em família, mas em uma metodologia de vida.
A doença ainda não tem cura, mas há tratamentos feitos diariamente que incluem medicamentos para deixar o muco mais fluido e combater as infecções, fisioterapia respiratória, nutrição hipercalórica e exercícios físicos.
No relato abaixo, Denise Pereira, mãe de Henrique, fala sobre os benefícios trazidos pelas ondas e busca incentivar cada vez mais pacientes a buscar o surfe como tratamento.
Por Denise Pereira
Meu filho tem fibrose cística. Tivemos o diagnóstico quando ele tinha apenas dois meses. Os dias seguintes a essa descoberta foram de muita procura por alento, informações e alternativas.
Lembro que nessa época entrei de cabeça na internet pra tentar encontrar respostas. Época do Orkut, oito anos atrás. A minha principal pergunta era: havia adultos com fibrose cística? Como viveriam esses pacientes?
Logo nos meses seguintes encontrei no YouTube uma jovem surfista de fibra australiana, deveria ter por volta de 24 ou 25 anos, e promovia através de vídeos os benefícios do surfe para os pacientes de fibrose cística.
Foi em 2006 que pesquisadores australianos estudaram sobre o surf e concluíram o motivo pelo qual surfistas com fibrose cística tinham melhor saúde e prognóstico do que aqueles pacientes que não surfavam. O sal da maresia agia fluidificando o catarro e facilitando a expectoração, além de hidratar as vias aéreas evitando a formação de muco e bactérias. Surfar era praticamente fazer uma grande inalação ao ar livre.
A solução salina ou solução hipertônica foi desenvolvida a partir dessas pesquisas. Uma medicação totalmente natural, pensada e criada a partir do esporte e da natureza, e hoje usada no mundo inteiro pelos pacientes de fibrose cística. Inalar a solução hipertônica tem o mesmo efeito da inalação da maresia pelos surfistas.
Mas o surfe é muito mais do que simplesmente a inalação salina. O surfe também traz as grandes vantagens de outro tratamento natural muito importante, e também já comprovado pela medicina como muito eficaz. Esse tratamento, fora do Brasil, já é tido como fundamental em qualquer protocolo de Fibrose cística.
Acho que nem preciso dizer o carinho que minha família tem por esse esporte. Já era assim, antes mesmo do Henrique nascer. E quando o filhote chegou e a fibrose cística com ele, surfar se transformou em muito mais que uma simples atividade ou paixão.
Quando vejo meu filho surfar, minha alma acalma. É um dos poucos momentos em que consigo realmente relaxar e ver o filhote apenas como um menino cheio de saúde. Assistir ao Henrique surfar é encher meu coração de emoção. É quando meus olhos marejam repletos da esperança de que um dia esse sentimento ficará presente muito mais que apenas em um simples momento.
Precisamos trazer esse reconhecimento pra cá! Precisamos fazer com que seja falado sobre exercícios físicos em cada simples consulta. Precisamos de muitos eventos a respeito, conscientizar e incentivar as pessoas sobre esses benefícios.
E precisamos lutar e criar alternativas para que todos, sem exceção, tenham acesso e a possibilidade de praticar atividades físicas.
Dedico esse texto à Equipe de Fibra, Instituto Unidos pela Vida, Cristiano Silveira e Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira. Obrigada por tamanho carinho e dedicação em levar informação e qualidade de vida a tantos pacientes e familiares de fibra.
Nota da redação: no próximo sábado (12/8) será realizado em São Paulo (SP) o 6o Ciclo de Palestras sobre Atividade Física na Fibrose Cística. Clique aqui para mais informações.
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