Juntamos duas paixões, SUP e vinho, aliamos solidariedade e realizamos o SUP & Wine 2ª edição. Durante dois dias remamos pelas águas do Rio São Francisco, experimentamos os vinhos da região e levamos doações para comunidades ribeirinhas e para outras que vivem pela estrada, na região de Lagoa Grande – interior de Pernambuco. Segundo a lenda, quem se banha uma vez nas águas do Velho Chico sempre volta, mais uma vez voltamos e tivemos momentos inesquecíveis.
O grupo SUPFriends, formado por 21 remadores, saiu de Salvador com destino a Petrolina. Foram 500k de estrada com SUPs em cima dos carros para mais uma aventura. O percurso durou cerca de 8 horas, quando se viaja levando SUPs no rack, não se deve acelerar muito.
Apesar da distância, a viagem foi super tranquila. O caminho, praticamente uma reta depois que passa pela cidade de Feira de Santana, é fácil e a estrada está excelente. A cada quilômetro percorrido, o sertão vai ficando mais intenso. Bodes, jumentos, caatinga, sol escaldante e o céu azul formam a paisagem local. Comemoramos a chegada em Petrolina com um prato típico do sertão: bode na brasa. Não poderia ser diferente. Escolhemos jantar no bodódromo, um local com várias opções de restaurantes especializados em bode. Comida e atendimento excelentes. Escolhemos o restaurante Angelo.
O sábado amanheceu sorrindo para a gente. Sol intenso, calor de 37 graus e vento moderado. Fomos para o nosso ponto de partida, a Marina do Vale, localizada dentro do IATE Clube de Petrolina. Nossa meta eram 15 quilômetros. Iríamos remar até a ilha do Maroto. Começamos a remada com um downwind perfeito, apesar da correnteza contra. A água estava fantástica, azul cristalina.
A correnteza no rio é assustadora e em alguns locais formam redemoinhos, então é muito importante, mesmo para os mais experientes, ter uma embarcação de apoio. Um dos trechos mais complicados é debaixo da famosa ponte que divide as duas cidades, ponte Presidente Dutra.
Depois de muitas remadas, algumas paradinhas para se refrescar, resenhar e tirar fotos, quando já estávamos perto do destino final, o vento virou. É muito comum isso acontecer por lá. E é quase impossível vencer vento e correnteza, por isso a necessidade de um barco de apoio. Para nossa segurança abortamos a remada faltando 2 quilômetros para o destino final. Felicidade estampada no rosto da galera, principalmente nos estreantes do São Francisco, fomos comemorar a primeira parte da nossa expedição com vinho produzido no sertão e outro prato típico – tilápia com banana da terra. Dessa vez fomos almoçar na orla de Petrolina, restaurante Bêra D’água, lugar lindo na beira do rio com vista para Juazeiro.
No domingo fomos para a Vinícola Rio Sol, município de Lagoa Grande, localizado a 50 quilômetros de Petrolina. Lá o sol esquentou mais um pouco e pegamos 40 graus. A hidratação tem que ser muito intensa. Novamente rolou um downwind, mas remada nessa região é bem diferente da que fizemos pela Orla de Petrolina. Na vinícola o cenário é instigante. Remamos entre o céu azul intenso e as águas fortes e cristalinas do São Francisco, observando o contraste entre a terra seca castigada pelo sol de um lado e o verde dos parreirais que formam extensa plantação ao longo do rio. É paradisíaco!
Ao completar o percurso estabelecido paramos numa prainha para o brinde oficial, hora de descansar, mergulhar, brindar e curtir os espumantes e vinhos da região. Nesse percurso o catamarã nos acompanhou e nos trouxe de volta com os nossos SUPs para a sede da vinícola. Almoçamos por lá, degustamos mais vinhos e fizemos a visita técnica na plantação e na fábrica.
A solidariedade não poderia ficar de fora dessa edição. O ano passado quando remamos nesse mesmo trajeto da vinícola, nos deparamos com algumas crianças das comunidades ribeirinhas nos dando tchau enquanto remávamos. Vimos também pela estrada, casinhas com pessoas sentadas nas portas que também acenavam para nós enquanto passávamos de carro. Logo veio a ideia: dessa vez vamos levar doações. Como remamos próximo ao dia das crianças, levamos brinquedos e também outras doações para as famílias – roupas e sapatos. Esse momento nunca mais vai sair do coração de cada remador. O sorriso daquelas pessoas, castigadas pelo sol, e duas frases que escutamos fechou a nossa aventura com muita emoção: “Deus abençoe vocês, meus filhos!”; “Meu Deus, eu ganhei uma boneca!”





