El Salvador

Sol, água quente e surf

Bruno Vaz, La Punta, El Salvador. Foto: Arquivo Pessoal.

Durante anos de surf sonhei com uma trip com ondas perfeitas, água quente, diferentes tipos de equipamentos para testar e nada mais para se preocupar.

 

Não só eu, mas muitos surfistas viveram e ainda vivem com esta eterna expectativa. Quantas vezes passamos dias com esta ansiedade e nos decepcionamos ao chegarmos à praia e depararmos com ondas mexidas, fracas, água gelada, chuva, ou seja, tudo ao contrário. Mas, mesmo assim, encaramos a situação e ficamos contentes por mais um dia de surf.

 

Bem, estes sonhos nos perseguem e provavelmente não irão nos deixar pelo resto de nossas vidas. Foi justamente por eles que, com muito trabalho e economia vi a possibilidade de planejar minha surf trip.

 

Bruno Vaz, La Punta, El Salvador. Foto: Arquivo Pessoal.

A escolha do lugar foi feita depois de analisar todos aqueles critérios mencionados no começo do texto e que também estivesse dentro das minhas condições financeiras. Além disso, precisaria ser um local que pudesse levar minha namorada Fabiana e que fosse agradável para ela.

Depois de muitas pesquisas e recomendações de amigos, decidimos ir a El Salvador. De férias do trabalho e faculdade, apenas nós dois com as pranchas e uma máquina fotográfica, inseparável da Fabiana, embarcamos ao destino dia 2 de julho.

Um pouco receoso devido às histórias de violência do país, porém com boas indicações e dicas de companheiros do surf que estiveram lá, a cabeça estava bombando com muita expectativa, mas tinha que me controlar para não contagiar muito minha namorada.

Estávamos em nossa primeira trip internacional e as cenas de pessoas nos aeroportos com mascaras e toda a mídia aterrorizando o mundo com a tal gripe suína acabou sendo apenas um pequeno detalhe, quase imperceptível.

Saindo do inverno de São Paulo, nos deparamos com um bafo muito quente quando desembarcamos ao destino. Realmente um choque para testar a saúde. Muito quente!

Acho que devido ao choque da temperatura muito alta com as nove horas de viagem, o cansaço pesou e, junto com um forte vento que soprava, desanimou o surf do final da tarde apesar das boas rolando bem ao lado do hotel em Punta Roca.

No dia seguinte, boas ondas rolaram com 1,5 metros e séries maiores sobre aquele potente fundo de pedra. Eram direitas iguais que quebravam no mesmo lugar com muitas seções de manobras e alguns tubos.

Fabiana logo descolou um lugar nas pedras e a partir daí não parou de clicar. Ali ficava todos os dias, de manhã e de tarde fazendo belas imagens. Acho que de tanto desejar água quente e sol fomos castigados, pois todos os dias a temperatura passava dos 40° C. Haja protetor solar!

Nos primeiros cinco dias de surf percebi como são constantes as ondas, pois o mar estava sempre muito parecido e variando um pouco com as marés. Aproveitei e conheci também outras ondas (Sunzal e El Zonte) acompanhado de um bom surfista local de Punta Roca que acabou virando nosso amigo estando sempre conosco nos dias que estivemos em La Libertad.

Sinceramente, esses outros picos eram muito bons, mas nada comparado a Punta Roca. A onda é forte, longa e muitos gringos que já estiveram em J-Bay diziam ser muito parecida.

Quando pensei que o mar iria baixar me enganei, o melhor estaria por vir. Um ótimo swell encostou e trouxe ondas de quase três metros com algumas emendando até a praia ao lado chamada La Paz.

 

Foi como eu tivesse ganhado na loteria, pois nunca tinha visto nada igual aqui na minha pátria amada Brasil. Mais quatro dias de altas ondas e impressionante como o crowd surgiu junto com elas.

 

Eram surfistas do mundo todo: americanos (grande maioria), australianos, canadenses, venezuelanos, argentinos, uruguaios, europeus e lógico, brasileiros. Mas era tanta onda que todos saiam de caça feita da água.

Um fato muito interessante em La Libertad e que pode ser levado como positivo ou negativo é que não existe um comércio que fique aberto depois das 19 horas.

Não há vida noturna. Para mim, sinceramente, foi muito bom, pois estava instalado em um bom hotel e à noite podia ficar tranquilo com minha namorada analisando as fotos do dia, comendo, bebendo a boa cerveja local em uma bonita varanda de frente para o mar.

Partimos para o Sul do país, uns 150 quilômetros de La Libertad. Chegamos até Las Flores, uma pequena praia com pouquíssimos moradores. A grande maioria, cerca de 95% dos surfistas eram gringos do mundo todo que se dividiam em três bons hotéis e alguns bangalôs que ficam bem na praia, o verdadeiro “pé na areia”.

À noite o visual também era um espetáculo. As ondas baixaram um pouco para meio ou 1 metro que variavam muito com a maré, mas sempre rolava um surf.

Devido às fotos que Fabiana clicava, cada dia conhecíamos mais amigos de diversos cantos do planeta e o astral se tornava cada vez mais alucinante. O ambiente dentro e fora do mar era muito agradável, o que fazia mais rica a trip.

Infelizmente, existe um ditado que diz: o que é bom, dura pouco. E realmente o tempo passou muito rápido, acho que devido a total interação nossa com ambiente, os locais, os gringo, as ondas. O legal é que mais uma vez uma surpresa estava reservada.

Durante uma semana que ficamos em Las Flores, uma outra onda mágica muito potente que fica a uns vinte minutos de barco chamada Punta Mango não quebrou e justamente no último dia nos presenteou. Não eram grandes, porém boas ondas de 1,5 metros tubulares quebravam. Para Fabiana foi uma experiência nova fotografar do barco no meio do canal enquanto surfava eu e mais uns seis bem de frente pra sua lente.

Três horas de surf até que a maré enchesse e as ondas se despedissem. Assim, com chave de ouro, nos despedimos de El Salvador.

Agradeço aos parceiros e apoiadores de trip David Santos da Dhux surfboards e Nelson da Wave Green, além da minha amada Fabiana que tomou muito sol quente na cabeça pra fazer as fotos e me acompanhou mais uma vez nessa longa e eterna busca pelas ondas.

 

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