Alan Donato

Quintal abençoado

O surfe tem razões que a própria razão desconhece. É preciso brincar com uma velha máxima para ilustrar bem um dia de sonho vivido por mim numa praia do litoral sul de Pernambuco, neste mês de abril.

Na quarta-feira, 12, os gráficos já apontavam uma elevação considerável na ondulação. Expectativa geral. Na manhã seguinte, ao chegar na praia, a frustração. Com ventos fortes, a formação estava prejudicada. Era o fim.

Até que, após ficar por ali mais algum tempo, do nada, a corrente de ar virou. Passou a ser um terral fraquinho. O que se viu a seguir foi uma das melhores sessões de surfe da temporada, até aqui.

Tubos e mais tubos fizeram a minha alegria, e a de outras poucas cabeças presentes na água. Não seria exagero contar mais de duas dezenas de vezes que fiquei entocado em condições balinesas. Pode acreditar.

O resto não posso falar. Mas, certamente, vou bater o ponto no mesmo “batlocal” para usufruir de mais uma bela manha de sonho, em Porto de Galinhas. E o inverno nem começou.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)