Psicologia para surfistas

Magistrado explica a importância

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Vida de Top é fácil! Será mesmo?

A psicologia do esporte e do exercício é uma aliada fundamental na preparação dos atletas do surf. Infelizmente, são raras as vezes em que o treinamento físico e técnico/tático são priorizados em detrimento do treinamento psicológico, sendo que boa parte das flutuações no desempenho esportivo são causadas por fatores psicológicos e, é de fácil entendimento que o atleta necessita desse trabalho. 

Temos vários exemplos de histórias de atletas, como a do ex-Top Guilherme Herdy, que já afirmou passar por momentos de depressão quando viajava pelo mundo. Ou até mesmo as de Fábio Silva e Neco Padaratz que no passado chegaram a abandonar o Circuito, justamente no auge de suas carreiras esportivas.

Essas são apenas algumas histórias que ilustram casos que poderiam ser evitados se houvesse o trabalho de um psicólogo especializado. Atualmente, a psicologia no esporte é mais um poderoso aliado do atleta, facilitando a conciliação entre os diferentes âmbitos da vida do esportista e o desgaste causado pelo circuito profissional.

O que precisamos compreender, e de certa forma desconstruir, é essa imagem que o atleta de surf tem o trabalho dos sonhos, livre de preocupações. Essa representação social do surfista que só quer curtir a vida, pegando ondas nos picos mais irados do mundo e desbravando paraísos desconhecidos, mas que esconde uma perigosa realidade.

Por trás dessa “imagem”, existe uma pressão constante sobre os seus ombros. A começar pelos desafios impostos pela logística das viagens para os campeonatos e gravações de vídeos promocionais. Alguns atletas chegam a percorrer até 36 horas indo do Brasil até a algum ponto ideal no globo para participar de campetições – e isso inclui horas de espera em aeroportos, viagens de vans, ônibus e barcos até esses locais.

Parece um exagero, não é? Nem falando assim parece passível de sofrimento?

Então faça isso durante a maior parte do ano, além de ter de mostrar alto rendimento em provas disputadíssimas para não perder o patrocínio e, muitas vezes, dependendo do dinheiro de uma boa classificação para poder garantir a próxima viagem.

O atleta de surf profissional segue uma rigorosa rotina de treinos técnico, táticos, além de físicos (esses exaustivos), além de dietas e abdicar de momentos sociais como festas – tudo para cumprir sua rotina de treinos e ainda cumprir com os compromissos para promover as marcas de quem recebem patrocínios.

Enfim, sua rotina precisa ser rigorosa se deseja competir em alto nível e fazer frente aos grandes nomes do surf da atualidade. Poucos são os atletas que possuem uma grande estrutura de suporte para poder manter o foco exclusivamente nos treinos. O trabalho da psicologia do esporte pode não resolver os problemas logísticos, mas favorece a mudança e a manutenção do foco durante o período das competições. 

Hoje, o surfista além de ter de lidar com todas essa variáveis logísticas, ainda precisa lidar com as condições da natureza – já que enfrentar um mar com ondas grandes, como Teahupoo, exigem muito do atleta.

A capacidade do atleta em conseguir controlar todas as suas ações motoras para uma boa execução técnica em condições estremas são fundamentais. Para isso, ele precisa ter desenvolvido um bom controle sobre suas emoções para que elas não o afetem de maneira negativa diante dos riscos e desafios.

No surf, é fundamental que o atleta frente as situações problemáticas inerentes a competição, consiga interpretá-las como um desafio e nunca como uma ameaça. A perspectiva de desafio faz com que o atleta tenha um maior controle sobre suas respostas emocionais, gerando uma postura de enfrentamento. Mas se o atleta frente à mesma situação faz uma interpretação de ameaça, suas reações serão moduladas pelo medo e a ansiedade, minando a sua capacidade de enfrentamento. Aquilo que pode ser uma oportunidade para um excelente desempenho pode acabar se tornando um obstáculo.

O prazer de estar frente a um desafio e a sensação de plena capacidade, podem dar lugar a uma sensação de frustração, desilusão e incapacidade de apreciar a sua própria realização. Um ótimo desempenho e um baixo rendimento podem estar separados por uma linha muito tênue, podendo se diferenciar muitas vezes, apenas pela capacidade de gerenciar as emoções frente a perspectiva de desafio e risco. Na psicologia do esporte essa Zona de Desafio é definida quando o atleta se encontra bem preparado, pronto para a execução e os seus recursos são suficientes, podendo ser recrutados quando necessário e usados de forma eficaz, cumprindo as exigências da tarefa.

A capacidade e a habilidade do atleta para controlar as emoções, manter a concentração, motivação e conseguir uma boa execução/desempenho técnicos em uma situação de competição com pressão e riscos, pode ser a diferença entre uma boa atuação e um mau resultado.

Os processos psicológicos básicos como as emoção, percepção, concentração, ativação, memória, motivação, visualização e pensamento, asseguram a aquisição perfeita e rápida da sabedoria técnico/tática, bem como as respostas precisas das ações motoras perante as condições exigidas em treinos e competições. Dessa forma o trabalho do psicólogo do esporte é indispensável para que o atleta desenvolva as ferramentas necessárias para gerenciar as diversas situações e problemas existentes nas competições.

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