No último dia 30 de maio embarquei para mais uma surf trip na América Latina. Desta vez, o destino foram as famosas esquerdas de Lobitos, Peru.
Depois de uma longa conexão em Lima, cheguei ao pico à noite. Mal desfiz as malas e já recebi a notícia de que as ondas estavam perfeitas e intermináveis.
Fui dormir ansioso para surfar. Quando acordei, abri a janela e avistei as esquerdas alinhadas quebrando em séries perfeitas de 1 metro. As ondas superaram as expectativas e quebraram sem parar praticamente em todos os dias da trip.
Nos dias maiores, a onda começa em El Hueco, onde rola um tubo profundo em frente a uma bancada de pedras. É a seção faixa-preta’ da onda e não é para qualquer um.
Passando a bancada, a onda chega a La Frontera, que também passa por algumas pedras, até se conectar em Lobitos.
Com um pouco de sorte a onda ainda chega em outra região, El General, com a mesma qualidade. A região também conta com as esquerdas potentes e manobráveis de Piscinas.
Antiga zona militar peruana, Lobitos é um prato cheio para surfistas e fotógrafos. O visual – marcado pelo deserto, as plataformas e máquinas de extração de petróleo – forma um retrato diferente de tudo que nós, brasileiros, estamos acostumados.
No pequeno povoado, as casas e outras construções feitas para abrigar trabalhadores imigrantes, na época em que os ingleses eram os responsáveis pela exploração do petróleo, estão abandonadas, passando uma impressão de cidade fantasma.
Aos poucos, a população local e os surfistas tentam reerguer a pequena cidade, ocupando e recuperando algumas dessas casas.
Durante a trip, visitei a cidade turística de Mancora, localizada a 90 quilômetros ao norte de Lobitos.
O município conta com uma boa infraestrutura, com hotéis, bares, restaurantes, lojas, entre outros. O clima por lá também é diferente, com água mais quente e sol forte. Para quem procura conhecer a noite peruana, curtir uma praia, além de boas ondas, Mancora é o lugar.
Fazer uma surf trip sozinho tem lá as suas vantagens, mas chega um momento em que você sente falta de amigos para compartilhar tanta coisa boa.
E foi com os seis baianos – Lucas Brito, George Queiroz, Ricardo Araújo, Rafael Bastos, Sérgio Melo e Paulo Meg -, além de outras pessoas que conheci por lá, que pude dividir essa experiência.
Fico feliz por ter conhecido e surfado uma das melhores ondas do planeta. Pretendo voltar mais vezes.
Rafael Storch é aquiteto e mora em São paulo (SP).






























