Depois de perder para o espanhol Aritz Aranburu na terceira fase e desperdiçar mais uma chance de reduzir a vantagem de Gabriel Medina na briga pelo título mundial, Kelly Slater ficou furioso e quebrou a sua prancha na área dos atletas no Rip Curl Pro.
Minutos depois, o 11 vezes campeão mundial esfriou a cabeça e levou a galera ao delírio com uma bela atitude. Slater foi de encontro ao público e distribuiu os pedaços do foguete entre a galera.
O norte-americano ainda brincou com os jornalistas: “Bem, às vezes você fica frustrado. As estrelas do rock quebram guitarras o tempo todo e ninguém fica bravo com eles (risos). Eu nunca fiz isso, foi apenas para extravasar a emoção”.
Slater ainda concedeu uma entrevista ao site da revista australiana Surfing Life e comentou as prematuras derrotas na perna europeia e a briga pelo título mundial.
Você e Gabriel eram favoritos, obviamente, mas caíram na sequência. O que acha disso?
Owen Wright estava numa bateria antes de “Gabe”, e pra mim ele é um dos melhores caras nessas condições. Ele teve um total de 2.83. Isso dá um indício de como estava lá fora. John John fez um 10 e um 8, então você pode fazer 10 e pode fazer 1. Você não quer ir lá na água e pegar as menores em busca de notas 3 ou 5, você tem que ter paciência. Tive paciência por 10 minutos e aí peguei uma onda ruim e ele (Aritz) pegou uma boa. Ela seria minha se eu ficasse sentado esperando, mas é assim que as coisas são. A mesma coisa aconteceu na final contra Adriano em 2011 – eu estava numa boa posição, peguei uma e a de trás foi a boa da bateria e ele pegou. Isso acontece com frequência em ondas assim.
Você parece estar lidando bem com isso…
Estou frustrado acima de qualquer coisa. Estou mais frustrado do que com raiva de perder. Eu não olhei uma vez no oceano e disse ‘essa está vindo para mim – uma está vindo pra mim’. E na única vez que tive a prioridade e tive a chance de pegar uma onda (a primeira série), ela não foi boa, e aí a terceira era a onda da bateria e foi para Aritz. Foi a única diferença real entre nós na bateria. E no fim eu fiquei muito surpreso porque ele me deixou ir em uma, e se eu tivesse completado aquela eu teria vencido a bateria. Mas não pude encontrar a saída nela.
Isso não é como você estar fora de sintonia com o oceano. Você faz milagres lá geralmente. Houve alguma coisa diferente?
Não. Eu estava um pouco cansado porque surfei por muito tempo durante a manhã. Eu não me senti ligado ou desligado – no meu treino durante a manhã eu me senti muito, muito bem, e achei que poderia manter isso, mas as ondas estavam diferentes lá fora.
Essa mesma situação aconteceu na França. O que está errado?
Sim, aconteceu três vezes na verdade. Trestles, França e aqui. Tive a minha chance de bater Gabriel em Teahupoo na final e eu não fiz isso. Não está parecendo que este é o meu ano, e geralmente mágicas acontecem quando você está em seu ano. Mas você sabe, eu provavelmente tenho muita sorte de ir a Pipeline na corrida pelo título.
Porém, a magia ainda é possível…
Sim. Poderia ser mais amargo se tudo estivesse escapado do meu caminho, mas você sabe, eu terei que vencer em Pipe.
John John mencionou que queria pegá-lo em Pipe…
Perfeito! Eu não tenho nada a perder, e lembre-se, eu ganhei o último evento lá!
Confiança! Eu gosto disso. Falando de confiança, isso foi um pouco de excesso de confiança depois do aéreo 540 / 720 ou o que seja?
Na verdade, não. Eram ondas diferentes e eu sabia que não estaria assim em Supertubos. Lá é uma onda mais suave para o pouso e aqui é um beach break deformado. As pontuações vêm dos tubos, e mais, você precisava daquele vento lateral para algo como eu fiz.
Quer dizer, eu tentei um em minha vida e completei, e tive sorte, então a chance de mandar outro daquele logo não é muito boa.
Eu li que você achou que aquele aéreo fosse um 810, mas perguntei a uns dois caras o que eles acharam e foi unanimidade que era 540.
É um 540 no ar. Se você analisar a rotação completa, é um 810. Tony Hawk na verdade disse que é um 900 – se você está olhando uma parede e fez uma rotação completa, seria um 900, porque você decola desse jeito e volta dessa maneira.
Então, é uma onda de um half pipe ou uma parede em linha reta? Não é disso que ele depende?
Sim, eu também li isso – mas a diferença com uma onda é que você está indo para baixo da linha, você não está indo para cima dela. Então, quero dizer, se você pegou a prancha e realmente fez girá-la duas vezes, isso é um 720, e então aponta em direção à praia é outro 90, então eu vim com 810.
Mas não importa como você olha para isso. O surfista é muito engraçado sobre isso, uns dizem que é um 540. Não era um 540. Era um 540 no ar, mas os skatistas chamam de um revert 720 porque você acaba de voltar de onde começou.
Para ver o vídeo e as fotos da manobra, bem como a explicação de Kelly Slater ao nosso correspondente Bruno Lemos, clique aqui.