Philip Wollens Rajzman, ou simplesmente Phil Rajzman, um carioca de 25 anos com sangue de campeões.
Filho do ex-jogador de vôlei Bernard Rajzman e da ex-patinadora Michelle Wollens, começou a surfar aos quatro anos ao ganhar uma prancha de Glenda Kozlowski, campeã brasileira de bodyboard e hoje jornalista.
De lá pra cá, Phil não parou mais e os resultados confirmam isso. É o atual waterman do Brasil, campeão pan-americano e o primeiro surfista brasileiro da história a tornar-se campeão mundial pela ASP (Associação de Surfistas Profissionais) pelo Longboard. Agora Phil tem um novo desafio pela frente, participar do seu primeiro evento de tow in.
Participando das triagens com uma dupla formada em cima
da hora com Ylan Blank, ele conseguiu superar todos os obstáculos e garantir seu lugar no evento principal. Em poucas palavras, Phil conta suas expectativas para o campeonato e como prepara-se sua história no esporte.
Há quanto tempo você pratica o tow in?
Comecei a praticar tow in aos 18 anos de idade, no Hawaii.
Qual a sua expectativa para o Red Nose Tow In Championship?
Minhas expectativas são as melhores. Estou em fase de treinamento intensivo para a disputa do titulo mundial de longboard, entre os dias 27 e 31 de outubro. Só espero estar no Brasil quando rolar o evento.
Você acha que algum aspecto técnico do longboard te dá vantagem na prática do tow in? Se sim, qual?
Pratico todos os esportes aquáticos e, com certeza, os esportes são complementares. O desenvolvimento muscular é variável para cada esporte, isso faz que com atividades físicas diferentes, eu consiga suprir algumas necessidades do organismo de uma forma mais ampla, consequentemente ajudando na evolução da prática esportiva em diversas categorias.
Essa é sua primeira competição na modalidade do tow in? Se não, quais as outras que já participou?
Sim. Apesar de praticar vários esportes, procuro focar minhas energias em meu sustento, no caso o longboard. Não costumo competir em outras categorias, na verdade, de minha adolescência até os 21 anos eu competia na pranchinha e no longboard. Até tive a intenção de competir de tow in na época, mas por alguns problemas políticos dentro do esporte, preferi me afastar.
Você pretende migrar definitivamente do longboard para o tow in? Por quê?
De maneira alguma. Com o longboard conquistei reconhecimento internacional. Eu gosto da energia voltada para a essência que rola no grupo dos longboarders, todos respeitam-se e buscam uma evolução coletiva, apesar de ser um esporte individual.
O longboard não perde suas raízes, já que preza pela busca do equilíbrio. O tow in é um esporte saudável que pretendo estar praticando sempre, mas não tenho planos para me focar tanto quanto me foco no Longboard.
Você e o Ylan já praticam o tow in há quanto tempo juntos? Como você julga o entrosamento da dupla?
Nossa primeira prática juntos foi na véspera dos trials, durante 20 minutos. Não temos jet-ski e nem patrocinadores nos apoiando para o tow in. Precisei utilizar parte de minhas reservas cedidas pelos patrocinadores do longboard, para participar deste evento.
Espero ganhar e trazer para o Rio de Janeiro este jet da premiação, aí sim poderemos começar um treinamento sério.
Apesar de já ser um surfista consagrado, você compete em uma categoria que normalmente não compete contra grandes nomes da modalidade do Brasil e do mundo. Você acha que um bom resultado da sua dupla seria um zebra ou você coloca-se entre os favoritos da disputa?
Não veria nossa vitória como uma zebra. Como disse anteriormente estamos indo para disputar o título.
Tenho muito respeito pelas duplas de tow in já consagradas, afinal, fiz parte da primeira equipe de tow-in brasileira, a Power surf team, onde eu fazia dupla com o atual campeão do evento, Sylvio Mancusi e tínhamos como parceiros de equipe a dupla Carlos Burle e Eraldo Gueiros.
Além disso, eu e Ylan temos um grande mestre, com experiência e pioneirismo no tow-in, nosso querido Romeu Bruno. Vejo o Romeu como um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento e crescimento do esporte no Brasil. Com certeza dedicaria a ele esta vitória.
Em sua opinião, quais seriam as duplas favoritas e quais seriam seus maiores rivais na disputa?
Torço muito para que o Sylvinho continue brilhando. Ele, além de ter sido minha primeira dupla, o que nos fez aprender muito juntos, sempre foi um verdadeiro guerreiro que não se deixou abalar pelas circunstâncias desleais que fizeram eu me afastar do esporte. Fico feliz em vê-lo se destacando.
Outro grande nome desta competição é o Haroldo. Além de um grande Big Rider, é um autêntico waterman. Vou torcer pelo Eraldo também, graças à prancha mágica que ele me emprestou no trials estou aqui hoje, podendo falar deste evento internacional, que promete muita emoção e altas imagens.
Como é a sua preparação para o campeonato?
Como disse antes, estou focado no título mundial de longboard, onde ocupo a atual terceira colocação do ranking mundial. Conquistando a vitória na última etapa, que será nas Ilhas Maldivas, estarei trazendo mais um título mundial para o Brasil. Pode ter certeza que estarei preparado para o que vier.
O que você acha que vai prevalecer no evento: a qualidade técnica na hora de fazer a onda ou o tamanho da onda surfada?
Acredito que o atleta que conseguir conciliar a técnica, achando uma onda com tamanho, sairá em vantagem. Vamos ver o que o deus dos mares nos reserva.
Maresias é uma onda mais para pesada e tubular do que para grande e volumosa. Qual a técnica que você utilizou na disputa do trials?
Buscamos os tubos, conciliando com as manobras radicais nas partes críticas das ondas. Parece meio óbvio, mas com a forca das ondas de Maresias tudo se torna um pouco mais complicado.
Além da técnica, a preparação e força física são essenciais para o bom desempenho do atleta na competição. Por não estar treinando a puxada do tow-in, consequentemente, acabei acordando no dia seguinte com algumas dores devido a sobrecarga de função. Mas como sou atleta, aprendi a lidar muito bem com a dor.
Além disso, tenho uma equipe de fisioterapeutas, formada pelo professor Pedro Paulo e Patrick Vilão, que resolvem quase todos os problemas físicos que posso vir a ter. Fazemos um trabalho muito bom de prevenção de lesões, usando bastante o monkeyboard como forma de trabalhar o fortalecimento muscular.
Qual foi a maior dificuldade na disputa do trials?
Sem dúvidas foi a falta de entrosamento entre eu e meu parceiro Ylan. Tivemos apenas 20 minutos no dia anterior da competição para nos conhecer. Ylan tem muito talento para ondas grandes, além de pilotar muito bem o jet-sky. Isso nos ajudou bastante.
O trials foi um bom treinamento para o evento principal? O que vocês aprenderam na prática sobre a disputa durante as baterias?
Com certeza foi um grande treino, possivelmente o único que teremos antes da competição. Como disse antes, não temos patrocinadores que ajudem nos custos de um jet, mas temos muito talento e garra, e vamos competir com o objetivo de vencer. A prática de uma disputa em baterias de surf, em qualquer categoria, é básica, a escolha certa das ondas.
Na sua opinião qual a melhor tática para vencer em Maresias?
Como disse antes, a melhor tática para qualquer condição, é escolher a onda certa. Além disso, exibir o maior número de repertório de manobras dentro da competição, é claro. Os juízes querem saber o quão completo é um atleta.