No fim do mês de outubro, uma etapa de R$ 30 mil estava para ser confirmada no Ceará, com data prevista para 20 dias depois, mas precisava da aprovação do conselho de atletas da Abrasp (Associação Brasileira de Surf Profissional).
De acordo com o livro de regras da entidade, uma etapa com essa premiação deve ser confirmada com, no mínimo, 30 dias de antecedência.
Concordo com essa regra, desde que tenhamos um circuito forte, com vários eventos, boas premiações acontecendo e o surf nacional se fortalecendo. A realidade em 2012 é bem diferente: temos um circuito brasileiro com poucos eventos e premiações baixas.
O campeão brasileiro sendo decidido pela soma dos melhores resultados dos circuitos estaduais, e à exceção da etapa em Macaé (RJ), não existiu nenhum evento de R$ 40 mil no Brasil e me estendo ainda mais: as perspectivas para 2013 não são muito animadoras.
Com o quadro acima, o nosso conselho, que na prática decide as principais questões relacionadas ao surf, resolveu vetar esse evento no Ceará, bem como outro evento em Quissamã (RJ) de menor premiação, mas de grande valor para os surfistas da região, que na maioria não tem patrocínio para competir no circuito brasileiro por inteiro.
Fiquei me perguntando se os surfistas que disputam o circuito regularmente tinham conhecimento dessas decisões do conselho e se em algum momento foram questionados. Aproveitando a terceira etapa do circuito catarinense, fiz a pergunta a vários surfistas e nenhum deles sabia o que estava acontecendo. Isso me leva a crer, no mínimo, que as questões de um modo geral não estão sendo levadas ao conhecimento dos surfistas e o conselho decide sem saber nossa opinião, prevalecendo o ponto de vista pessoal de cada membro do conselho.
Soube que alguns do que votaram para vetar o evento no Ceará assim o fizeram por ter votado contra o evento em Quissamã. Veja que irresponsabilidade: um erro não justifica o outro. O evento no Rio deveria ter sido liberado.
O surfista opta por qual campeonato competir; ninguém o obriga a competir em evento algum contra sua vontade. Se os conselheiros acham que a premiação é baixa, então não participem, mas lembre-se de que existem alguns surfistas locais que não têm condições de competir fora da região e sonham com essa oportunidade. Se ela lhes é vetada, estamos tirando a pouca oportunidade que eles têm.
Não é fácil viabilizar um evento de surf. A verba vem de vários patrocinadores que precisam programar a liberação. A iniciativa privada (governo e prefeitura) precisa de um prazo ainda maior para agendamento, pois no Brasil existe a famosa burocracia. Quando tudo dá certo, o conselho veta! Estão sendo intransigentes!!
Os conselheiros surfistas são eleitos pelo nosso voto direto, para nos representar durante dois anos, mas infelizmente o conselho que aí está, na grande maioria das vezes, legisla em benefício próprio, além de alguns não disputarem mais no circuito na íntegra. Infelizmente tenho que generalizar, mas gostaria de destacar as opiniões conscientes de Anselmo Côrrea e de Marcio Farney.
As eleições para o novo conselho acontecem na última etapa do circuito brasileiro, que acontecerá em Santa Catarina, de 7 a 9 de dezembro. Baseado nessas informações acima, pense muito antes de votar em algum candidato. Não vote por amizade, e sim pela capacidade que o atleta tem de nos representar, pois o destino da nossa classe, na maioria das vezes, será decidido pelo conselho.
Não sou candidato ao conselho! Redigi esse texto por não aguentar mais sermos mal representados. Precisamos de representantes que decidam pensando no esporte, nos surfistas e também nos empresários. Algumas vezes precisamos ceder para ganharmos mais na frente. A intransigência, em alguns momentos, é burra.