Depois de lembrar da correria que passei na conquista do meu título mundial, achei que seria interessante dividir esta história com vocês.
Não consigo ficar sem competir, muito menos fazer uma trip só para surfar e evoluir nas manobras. Sempre me preocupei em aliar competições às viagens de free surf.
Acho muito importante trabalhar das duas maneiras. Na minha opinião, o problema em ser somente free surfer é o fato de perder um pouco da disciplina de atleta, pois a busca para conseguir um bom material de fotos pode tomar certo tempo.
Acaba-se surfando menos e aos poucos diminuímos o tempo de caída. Já nas competições pode-se surfar muito e na maioria das vezes ter apenas 25 minutos para provar o que sabe. Sem falar na disputa dentro da água, sempre muito acirrada.
Me lembro o ano que fui campeão mundial (2000), estava no último período de faculdade, época de monografia. Tudo muito corrido, e um dos anos em que o Hawaii mais “bombou”.
Minhas aulas começavam no dia 4 de fevereiro e eu só fui chegar 30 de março. Sorte minha que a faculdade apoiava esportistas, assim não fui reprovado por faltas!
Fazia faculdade de informática e tinha sempre amigos que me passavam as matérias. Nas horas vagas eu estudava e fazia a minha monografia aos poucos. Este ano foi bem “tumultuado”.
Primeiro etapa na Califórnia, logo depois México, onde fiquei quase um mês entre competições e free surf. Mesmo quando está muito marola, no México há uma onda chamada Punta Colorada que garante o treino todos os dias.
Passei pelo Rio de Janeiro, onde fiquei por alguns dias. Embarquei para Portugal, como já estava no ritmo, surfando praticamente todos os dias, venci a etapa portuguesa e me tornei líder do circuito mundial.
Já estava na Europa e aproveitei para ir às Ilhas Canárias, onde fiquei por volta de três semanas também para free surf.
Mesmo ventando muito, nas Canárias rolam ondas todos os dias. Para mim foi ótimo, já estava na rotina de competições e a cada trip de free surf consegui lapidar meu surf. Graças a este treinamento consegui me manter líder.
Cheguei ao Brasil, fiz todas as provas e lá fui eu para outra viagem, Ilhas Reunião. Paraíso no continente africano. Altas ondas todos os dias e nos dias ruins também dava para se divertir.
Depois de duas semanas surfando todos os dias no pico do campeonato, consegui ficar em terceiro lugar na etapa, o que me deixou na liderança disparada do Circuito Mundial.
Voltando ao Brasil, finalmente entreguei minha monografia. Faculdade concluída! Agora faltava concluir com êxito também o mundial, outra coisa que deu muito trabalho. Arrumei as malas e parti para o Hawaii.
Há um mês para o término do circuito, já me encontrava naquela rotina frenética do Hawaii. Surf três vezes ao dia. Todas as condições estavam perfeitas e surfava praticamente todos os dias em que Pipeline quebrava. Graças a Deus deu tudo certo e consegui terminar o ranking em primeiro. Finalmente campeão mundial!
Nós brasileiros sempre estamos muito preocupados em competir e os que fazem free surf não gostam de competição. Mas, se conseguirmos aliar ambos, a velocidade em que você evolui é assustadora e gratificante.
Acabei de receber uma notícia muito boa! Meu amigo Magno Oliveira está na Austrália e percorrerá quase 5 mil quilômetros de filmagens para seu patrocinador.
Tenho certeza que ele vai evoluir muito e será um dos melhores atletas brasileiros no circuito mundial desta temporada.





